Notas iniciais
Não ficou muito bom, desculpa gente, fiz na pressa

Domingo: um dia em que normalmente se fica sem fazer nada, em casa dormindo. Essa é a definição que a maioria das pessoas tem, mas eu não. Domingo é o dia em que eu faço tudo o que gostaria de ter feito durante a semana e deixei pra depois. Então, depois de ficar uns dez minutos observando o Vini e esperando ele acordar, desisti. Levantei-me e fui andando até a casa de Roberta, esperando que ela ainda estivesse lá. Bati na porta seis vezes, formando uma musiquinha – hábito que tinha desde os cinco anos de idade – e aguardei. Dois segundos depois ela abriu a porta pra mim, com uma xícara de café na mão, usando apenas um sapato, que era de salto, causando um desequilíbrio absurdo nela.

– Oi Sasa! Quanto tempo meu amor! – ela me deu um beijo rápido, e eu pude sentir seu perfume – Eu já estou de saída, mas se quiser pode ficar aqui até a hora do almoço, eu posso te pegar e nós vamos almoçar fora. O que acha?

– Ótima ideia! – respondi, pegando a xícara agora vazia da mão dela e levando para a cozinha – Bom trabalho! – Gritei, um segundo antes dela bater a porta.

Aproveitei que estava na cozinha e preparei um café e duas torradas pra mim. Eu não havia jantado ontem, e meu almoço-piquinique também não tinha me alimentado muito bem, eu estava faminta. Peguei meu café da manhã e fui para a sala, tinha esquecido do quanto a casa dela era grande e linda. Minha prima era tipo uma hipster, apesar do ar sério, ela era uma mulher muito divertida e interessante, sua sala de estar era decorada com várias plantas e todos os móveis eram brancos, com exceção dos sofás, que eram azuis escuros com alguns pontos luminosos, imitando estrelas, o teto era da mesma estampa. Recordei o tempo em que éramos crianças, ela fazendo desenhos de castelos pra eu pintar na casa de nossa avó, de todas as nossas brincadeiras estranhas, e eu notei o quanto eu sentia falta daquilo. Acho que o trabalho tinha arrancado ela de mim. Eu já conhecia toda a casa, então, peguei o computador dela e entrei no meu login, que eu usava toda a hora quando eu era criança. Eu era viciada em Neopets, mas bem, isso não vem ao caso. Chequei meus e-mails, respondi os importantes e dei uma olhada no Facebook enquanto comia. Quando acabei, desliguei o computador e fui para um dos quartos da casa dela, que ela transformara em uma sala de ginástica, já que era fisioterapeuta e atendia pacientes tanto no hospital, quanto em uma clínica particular quanto em casa. Ajustei o trapézio(sim, ela tinha um trapézio em casa) para que ficasse em uma altura boa e, depois de alongar, fiquei dando cambalhotas e me esticando. Eu havia feito aula de tecido(aqueles cursos onde você, bem, usa um tecido, e faz uma espécie de dança com ele, que fica pendurado no teto), então aquilo era super fácil para mim. Depois, fiz alguns exercícios que ela havia me ensinado e coloquei uma das roupas de Roberta para ir caminhar.

Voltei apenas ao meio-dia, horário exato em que tínhamos combinado. Bebi um copo d’água e ela chegou, muito pontual, então, saímos.

No carro, fomos cantando Arctic Monkeys, uma banda maravilhosa que ela me apresentara uns anos atrás, antes deles ficarem famosos, e que nós ouvíamos juntas desde então. Quando chegamos ao restaurante, nos sentamos em uma mesa bem no meio e esperamos o garçom nos atender. Era um restaurante muito chique e bem caro, do tipo que eu só ia com ela. Pedimos um peixe especial, e enquanto aguardávamos, ela perguntou

– Então prima, quanto tempo não é? Liguei pra vovó ontem pra saber de vocês, mas ela me disse que tu tinhas ido para uma festa. Estranho porque eu podia jurar que te vi entrando no meu condomínio de bicicleta quando eu estava indo pra casa. – ela fez uma cara do tipo “peguei você” – quer me contar o que aconteceu?

Então, contei tudo para ela, desde eu achar que ele era um perseguidor até as cantadas horríveis, e ela disse:

– Sa, esse menino parece ser muito, muito gente boa. Não deixe ele escapar, se tem uma coisa que eu me arrependo na vida é ter deixado os meninos de lado quando eu tinha a sua idade para estudar. Me tornei uma ótima profissional, mas já tenho quase trinta anos e não tenho nem sequer um marido, quando já queria ter uma família. Diga que vai conhecê-lo melhor e eu prometo não contar nada sobre sua mentira para ninguém.

– Ok, eu juro.