Notas iniciais
Demorei pra postar mas espero que tenha compensado com o texto hahahah, boa leitura!

Às seis horas da tarde, eu estava correndo porta a fora. Mesmo tendo marcado o passeio há noite, queria aproveitar pra ver o pôr do sol, que já havia começado e que eu iria acabar perdendo se não corresse. Minha avó estava cozinhando, então nem percebeu quando eu sai, ou ao menos não até eu bater a porta. Como sempre, fui até lá de bicicleta e por sorte, cheguei antes do sol se pôr por completo. Sentei-me no banco de sempre e fiquei observando o sol por uns bons minutos. É tão lindo, o jeito com que o sol vai cruzando o céu, o jeito com que as cores vão mudando conforme o movimento dele e que suavemente as nuvens vão de um lado pro outro... É tudo tão mágico que até parece que fadas estão ali, soprando as nuvens, empurrando o sol e pintando o céu. Eu estava perdida nesses pensamentos quando de repente fui interrompida por um menino que surgiu na minha frente.

– Nós somos realmente parecidos, não? Parece que tivemos a mesma ideia. – Ele disse.

– Shhh, me deixe ouvir os pássaros.

– O.K.

Escutar os pássaros? Não, eu não estava escutando os pássaros. Só conseguia escutar minha respiração acelerada e minha própria voz gritando na minha cabeça “RESPIRE DEVAGAR! DEVAGAR OU ELE VAI OUVIR! PULMÕES, FIQUEM QUIETOS!” Droga, que diabos estava acontecendo? Deve ter sido só um susto. Tinha que ser só um susto.

– Já ouviu o suficiente?

– Não. E nosso encontro começa só a noite, não preciso falar contigo até lá.

– Encontro?

DROGA! POR QUE EU DISSE ENCONTRO?! NÃO, SABRINA, NÃO!

– É, bem, um encontro. Quer que eu chame como? Momento em que duas pessoas conversam em um mirante sem mesmo se conhecerem?

– Prefiro encontro.

...

– Ok. Cansei dos pássaros, e o pôr do sol já acabou.

Ele riu.

– Está rindo de que?

– Do seu jeito. Está nervosa.

– Que? Por que eu estaria nervosa?

– Esqueça. Eu e você temos coisas mais importantes para perguntarmos um ao outro. Que tal começarmos pelos nomes? Eu me chamo Vinícius.

– Sabrina. Idade?

– 19, você?

– 17.

– Caramba! Você parece ser mais velha do que aparenta.

– Obrigada? – Eu não sabia bem o que dizer. E se ele só estivesse ali comigo porque pensava que poderíamos ser algo a mais, e agora estava arrependido porque eu era mais nova? Porque em nenhum momento eu pensei em um relacionamento, seria ridículo se ele tivesse pensado.

– Vejamos, eu já sei que você é daqui. Eu sou do Rio.

– Do Rio? E o que exatamente um carioca veio fazer em uma cidade serrana no Rio Grande do Sul?

– Eu odeio praia, odeio o clima de lá, odeio o jeito com que tudo parece feliz quando na verdade é horrível.

– Pelo teu bronzeado não parece que tu odeia praias. – Era verdade. Mas pensando naquilo, acabei olhando para os braços realmente bronzeados dele. Mas não reparei exatamente só no bronze. Ele era bem musculoso na verdade... Meus pensamentos estavam tomando um rumo meio estranho, mas, graças a Deus fui interrompida por ele.

– É que... Hm... Bem, eu tinha uma namorada lá e ela não vivia sem praia, então eu tinha que acompanhá-la lá todos os fins de semana.

– Foi por isso que tu veio pra cá? Pra esquecer ela?

– É, também. — ele fez uma pausa – Mas e quanto ao seu namorado? Conte-me sobre ele.

– Eu não tenho namorado. Terminei meu último relacionamento uns dois meses atrás... – Aquele assunto me incomodava demais, era muito íntimo para discutir com ele, mas como eu poderia fugir? – Ele tinha me traído.

– Quais eram as notas escolares dele? – Eu fiz uma cara estranha. – Porque ele deveria ser muito burro em trocar você por qualquer outra.

– Essa foi a pior cantada do século – verdade. – E não funcionou. – Mentira.

–Droga! – Ele exclamou, e nós rimos.

Assim nós fomos indo, até que o mirante, a estrada, o pequeno restaurante que havia ali perto e tudo mais ao nosso redor ficou completamente vazio. Fomos levando a conversa, nos conhecendo melhor e evitando assuntos pesados. Estava sendo realmente bem divertido, mas de repente meu telefone tocou, era minha avó.

– Alô?

– Sabrina! Graças a Deus minha filha! Só percebi que tu não estava em casa agora, quando fui te dar boa noite. Aonde tu estás?

– No mirante, resolvi ficar um pouco mais hoje.

– Venha logo pra casa, não irei dormir até tu chegar.

– Ok vó, to indo. – Quando desliguei, me assustei com a hora. Minha vó normalmente ia dormir cedo, mas pelo jeito naquele dia ela resolveu ir mais tarde, pois já era uma hora da manhã.

– Ai meu Deus! Eu tenho que ir.

– Quando nos veremos denovo?

– Nos vemos por ai! – Gritei, já há uns 100 metros de distância.

Notas finais
Então... Gostaram?