O Mundo Tingido de Preto
3 Um guerreiro com Honra
Notas iniciais
Em meio a minha vigia, sou chamado para a parte interna de nosso prédio.
Antes do Apocalipse, era um condomínio residencial, um bem pequeno. Mas agora é o nosso ponto de comando, aonde residimos e protegemos.
Tsuryoku Meiyo! Apresente-se no salão principal! – Alguém superior a mim me fala.
Entendido! – Respondo no mesmo tom de voz.
Assim sendo, me movo até aonde muitas outras pessoas também estão, e aguardo silenciosamente.
Após alguns instantes, o comandante maior de nosso grupo começa a falar, e explica que vamos derrubar um grupo insano que busca o extermínio completo da humanidade. Nós, como um dos grupos que deseja uma ditadura com nós mesmos no topo, devemos derrubar todos os grupos que forem contra nossos ideais. O grupo que iríamos atacar já tinha tido a oportunidade de se unir à nós, mas eles negaram-se, e agora irão sofrer as consequências.
Porém, me ordenaram a ficar aguardando, em nosso condomínio, estando pronto para um possível ataque de algum grupo rival.
Um longo tempo passou, e então, o homem que estava no comando desse grupo que ficou na vigia sugeriu que fôssemos dar uma olhada nas coisas, já que eles estavam, estranhamente, demorando. Então, assim que o grupo chegou no local, acabaram por ver a briga interna que acontecia, e se envolveram. Aparentemente, um garoto da mesma idade que eu, fez uma proposta que gerou brigas internas em ambos os lados.
Como um guerreiro com honra, eu deveria seguir meu líder. Porém, meu líder supremo está morto, e o grupo dividido. Então, como um guerreiro honrado, decidi que não havia sentido me envolver com aquela briga.
Prefiro enfrentar o garoto que a gerou.
Imagino aonde ele esteja. São poucos os não-adultos desse local...
Então percebo uma presença na esquina daquela rua. Interessante... uma boa decisão, tentar se esconder.
Pena que isso não funcionará comigo.
Rapidamente desembainho minha katana, e ando calmamente até a esquina.
— Como um guerreiro honrado, eu busco um duelo com você, garoto. – Falo calmamente, enquanto aponto minha espada para ele – Minha honra exige que você concorde, e que ambos saibamos nossos nomes e intenções. Está de acordo? Meu nome é Tsuryoku Meiyo, e meu intuito é vingar a morte de meu líder.
— Prazer em conhece-lo, Sr. Meiyo. Meu nome é Ryou Fujima, e meu único intuito atual é salvar o mundo. – Ele me responde, tão calmo quanto eu. — Você disse que depende da minha decisão para poder duelar, e eu a nego. Não vejo sentido em lutarmos nesse momento. Muito pelo contrário, parecemos estar em situações semelhantes. Seu líder está morto, certo? Bem, o meu também. Imagino que você seja um guerreiro com muita honra, mas qual é o seu objetivo, além de ser honrado?
— Meu objetivo... – reflito por um momento – Fazer a ação mais honrosa possível.
— Então, a maior honra seria a de salvar o mundo, não acha? Porque não nos juntamos, com esse objetivo? – Ele propõe.
Realmente, ele é bom com palavras. E sua ideia faz bastante sentido...
Qual é o caminho da honra, nesse momento?
— Me responda algumas perguntas. Dependendo das respostas, irei me aliar a você, Sr. Fujima. – Inicio – A primeira é: como você pretende salvar a humanidade?
Então, ele me conta toda a história envolvendo seu pai, e assim responde minha pergunta.
— Você tem algum plano para esse fim? – Pergunto.
— Por enquanto, o meu primeiro objetivo é organizar um grupo com mais alguns membros, pois não é algo que eu possa fazer só. Você irá me ajudar? – Ele me responde, imediatamente.
— Outra pergunta que eu tenho é se eu poderei manter minha honra, e cumprir as coisas como devem ser feitas. – Respondo-o, desconsiderando sua pergunta.
— Bem, depende. Um único fator deve ser considerado. Sua honra te permite matar alguém de forma injusta, por um motivo maior? – Diz Sr. Fujima.
— Se for para salvar o mundo... – hesito por um tempo – Bem, talvez. Seria ruim para mim, mas acho que se fosse realmente necessário, eu o faria.
— Entendi. Então, eu fico com o trabalho sujo. — Ele pensa em voz alta — Mais alguma pergunta?
— Sim. Você luta? Quero dizer, sabe usar alguma arma? – Questionei-o.
— Sei usar bem facas, e tenho uma pistola. Mas sem esses eu fico meio vulnerável... não sei usar espadas.
— Compreendo. Eu não sei atirar, mas me viro bem com a minha katana, ou qualquer outra espada. – Explico para ele.
Então, nada mais é dito por um tempo.
E o que vamos fazer agora? Não podemos simplesmente ir embora... – Sr. Fujima pensa em voz alta.
Por quê? Vão imaginar que eu tenha morrido em batalha... – Questiono – Tem algum problema nisso?
Não nisso, mas vão notar se eu desaparecer, afinal, eu que gerei essa briga interna. E também não temos para aonde ir, nem suprimentos para muito tempo. – Me explica ele – E não vai adiantar muito eu tentar intervir agora, pois eles estão meio loucos. Posso acabar sendo morto.
Fico em silêncio, pois não faço ideia do que pode ser feito. Eu faço a parte prática, não a teórica. Sou um bom guerreiro, mas um péssimo estrategista.
Assim como me disseram uma vez, “Já que vai ser cachorro, seja cachorro de um grande dono”. Não sou um bom comandante, mas farei aquilo que me parecer o mais justo e correto.
Então, ficamos nesse contexto, eu aguardando, e Sr. Fujima planejando por um tempo razoável, por uns 15 minutos, até que ele fala algo:
— O local de onde você veio. Tem muita gente lá nesse momento?
— Não muito... umas 20 pessoas, talvez? – Respondo.
— Entendo... quanto tempo levaríamos para chegar lá? E um possível grupo de reforços? – Ele indaga.
Nós, se corrermos, devemos conseguir em 15 minutos... E os grupos de reforços são somente o grupo que está aqui, e um grupo aliado, que está a uns dois dias a pé de nossa base.
— Então, eu tenho um plano. – Ele me responde, sorridente. – Antes de tudo, vamos ver se há algo que possa ser pego em nossa atual base.
Assim, entramos, despercebidos do resto, dentro do que era um quarto de hotel. Lá, encontramos uma surpresa não muito agradável.
Tem pessoas lá dentro. Cerca de dez. Não há como voltar atrás agora...
Quando analisamos bem, entretanto, se torna visível que só estão ali os idosos do grupo, que não lutam.
Então, pegamos tudo que poderá ser útil, o que inclui água, comida, e também duas lanternas, o que poderá vir a ser bem útil. Após isso saímos, novamente de forma discreta.
Então, vamos embora daquele lugar. Ninguém percebe nossa fuga, além dos idosos que fingiram não terem percebido. Tomo a dianteira, e corro o mais rápido que consigo, seguindo o caminho até o condomínio que era minha base. Mas então percebo que Sr. Fujima ficou para trás.
— O que foi? Algo aconteceu? – Perguntei-o.
— Nada. – Ele responde ofegante – Só não consigo seguir seu ritmo... por favor lembre-se que eu sou uma pessoa normal.
— Ah... ok. – Respondi.
Então, reduzi o ritmo, e então fomos correndo juntos. Quando o lugar já era visível, estávamos ambos cansados, e ele me disse que eu podia ir na frente, ver se tinha alguém vigiando.
Então, num pico de velocidade, corri na minha velocidade máxima até ficar bem próximo do lugar.
Dei uma boa visualizada, e percebi que haviam apenas uma pessoa por lado patrulhando. Se pudéssemos fazer com que um não avisasse os outros, seria fácil.
Mas deve ter bastante gente lá dentro, o que é um problema.
Fiz uns cálculos e conclui que no total, devem ter 19 pessoas no local. 4 estão na patrulha, e 15 eu não sei dizer.
Como o prédio tem 3 andares, é uma média de 5 pessoas por andar, mas imagino que o primeiro tenha mais gente, e o último esteja vazio, ou quase.
Bem, vou apenas descansar enquanto ele não chega. Vai ser bom estar descansado quando for lutar.
Espere. Será que eu posso lutar? Penso por um momento no meu código de conduta honrosa mental.
Bem, eu não preciso matar ninguém. E também é por uma boa causa, já que sem isso não terei como conseguir suprimentos, e consequentemente cumprir meus objetivos.
Então, em breve irei lutar novamente.
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