Notas iniciais
Mais um capítulo. espero que esteja atraente!

Quando alcanço o homem que usa um kimono preto, e tem uma katana embainhada, com seu cabelo castanho longo e preso, logo ele me explica a situação.

Minha mente já começa a trabalhar. 4 lados, 19 pessoas, 3 andares.

O maior problema é essa história de honra do guerreiro que está ao meu lado. Prevejo que isso irá atrapalhar. Bem, não vou falar sobre isso com ele agora.

Penso por mais um momento, e logo sei o que deve ser feito.

Juntamente com Tsuryoku Meiyo subo em uma árvore que está a uns 5 metros do prédio, e tento visualizar o caminho que vou tomar.

Com extremo cuidado para não cair, subo o mais alto possível, e então é possível ver o teto do prédio. Após isso, pego uma corda que não parece ser muito confiável, e prendo da melhor forma que eu consigo ela na minha faca de cozinha. Peço para o Sr. Meiyo apertar mais ainda o nó, e então ele lança a faca de forma que se prenda no topo do prédio. Faço um cálculo visual, e vejo que se eu lançar a ponta que está na minha mão, ela vai chegar exatamente na janela do terceiro andar. Se der tudo certo, vai dar para nos infiltrarmos sem ninguém notar.

Então, me seguro com força na corda, e me lanço em direção ao prédio, sentindo meu estômago dar reviravoltas com a adrenalina. Já como eu previa, a janela está fechada, então eu pulei de forma em que meu pé quebrasse o vidro quando chegasse lá.

E assim foi. O único problema é o ruído que a janela quebrando produziu. Logo alguém deve subir...

Mas o problema de agora é como entregar a corda para Tsuryoku. Não tenho forças para jogar ela dessa distância e ainda acertar!

Assim como eu já tinha em mente.

Jogo a corda com a maior força que eu consigo, e ela as aproxima da árvore. Sinalizo para ele o que deve ser feito, e ele se joga como um louco para aonde a corda está.

Por um triz, ele consegue segurar a corda, e então as coisas complicam de vez.

Quando ele está bem próximo do prédio, a corda prova que não era confiável e estoura.

Com seus reflexos insanamente rápidos, Tsuryoku consegue desembainhar sua katana e a prender no prédio, numa altura que eu alcanço.

O problema é puxar ele agora.

Tem o risco de ele ser muito pesado e eu não conseguir... e também se eu segurar na katana vou cortar minhas mãos, o que irá dificultar as coisas.

Antes de eu tomar uma decisão, ele demonstra ser bem forte, e ergue seu corpo, enquanto estende sua mão para mim.

Então, eu o seguro, e puxo como consigo.

Felizmente, eu consigo fazê-lo, e então as coisas acabam.

Estamos infiltrados!

Porém, isso é só um começo...

Agora sim a parte verdadeiramente difícil começa.

No 3º andar, como previsto, não há ninguém. Além disso, aparentemente ninguém percebeu que nos infiltramos, mesmo com os imprevistos e a janela quebrada.

É perceptível que esse andar era usado principalmente como depósito, e também como dormitório, já que só tem caixas e camas por aqui.

Damos uma olhada simplória nas caixas, e não pegamos muita coisa, já que não temos mais muito como carregar. Aproveitamos e comemos bastante ali mesmo, fazendo bom uso dos suprimentos roubados.

Então, as coisas que temos, dentro da minha mochila preta são: facas, a pistola com silenciador, bastante munição, uma longa corda que parecia mais confiável que a última, mas não muito, duas lanternas, alguns enlatados e também umas poucas garrafas de água.

Quando procuramos, encontramos também um kit de primeiros socorros, o que viria a ser extremamente útil. O problema é que não temos como levar tudo na mochila, então essa maleta de primeiros socorros ficou por conta de Tsuryoku, que o levava na mão esquerda.

Portanto, avisei a ele que faria barulho propositalmente agora, para que alguém do outro andar viesse, já que seria mais fácil se não tivéssemos que lutar com todos de uma vez só.

Nesse momento, eu e meu amigo quebramos várias janelas, o que chama a atenção de alguém, já que somos capazes de ouvir alguns passos.

Então, entram dois garotos de nossa idade, tremendo de medo, para descobrir o que acontecia.

Antes de qualquer barulho, intercepto um deles, e o seguro pelas costas, de forma que ele não veja meu rosto.

Rapidamente ameaço ele com a minha faca, mirando-a para seu pescoço,

— Garotos, nem mesmo um som. Agora vocês vão dizer exatamente o que eu mandar. Sem tremores na voz ou gritos, senão os dois vão morrer, começando por esse aqui. – Digo, apontando para o garoto que estava na minha frente – Entendido?

O outro garoto logo acena com a cabeça.

— Bom. – Respondo-o – Então diga exatamente o seguinte: “Pessoal, não há com o que se preocupar. Foram só algumas crianças tolas que jogaram pedras na janela. Já vamos descer. Além disso, querem que tragamos algo daqui? ”.

E ele o faz, com muito controle para a voz parecer natural, mesmo que sua voz tenha dado algumas falhadas no meio. Mesmo com isso, não preciso me preocupar por ora. Só o meu plano já será capaz de resolver qualquer situação que pressupus.

Alguém de lá de baixo grita que é para ele trazer algumas bebidas, assim como imaginei.

Garoto, agora você pega alguma bebida forte que tenha aí. – Ordeno-o.

Ele logo pega duas garrafas de alguma bebida que não reconheci, e as leva até mim. Vejo que elas têm um teor alcoólico de 43,2%. Não é tão alto quanto eu queria, mas vai servir.

Garoto, agora você levará essas garrafas até lá embaixo. Caso você faça isso direito, você e o seu amigo serão poupados. Agora, se você tentar se comunicar com eles, pode esperar um sofrimento bem grande antes da morte, para vocês dois. Ficou claro? – Expresso num tom amedrontador.

Ele, tremendo de medo, acena com a cabeça, e leva as garrafas para alguém lá embaixo.

— Pegue mais umas, Toshi! – Alguém que está no segundo andar fala, animado.

Ele, então volta, com uma feição que demonstrava todo o medo que sentia.

Ele pega mais umas quantas garrafas daquela bebida, e então volta para o segundo andar.

— ...ora, eles devem ser punidos! Vamos lá bater neles! – Ouço algum homem que já devia estar entorpecido dizer.

— Sim, vamos fazer isso! – Algum outro responde.

Então, pelo barulho, imagino que uns 5 homens saem, e assim como eu tinha calculado, voltam para dentro com os quatro que estavam patrulhando. O garoto tenta voltar, mas alguém diz que ele deve ver o que acontece com quem não cumpre as ordens direito.

Então, ele espera. Encontro um furo no soalho, e digo para o guerreiro honrado ver o que acontecia. Ele me conta que estavam batendo nos quatro vigias, dizendo que eles não foram capazes de fazer o exigido, já que deixaram crianças quebrarem as janelas. Alguns tentam negar, mas logo se calam, quando percebem que não surtirá efeito.

O álcool mostra ao mundo quem as pessoas realmente são”.

Após mais um tempo passar, para os homens ficarem embriagados, eu prossigo com o planejado.

Meiyo sinaliza para o garoto voltar, aos meus pedidos. Ele o faz, discretamente.

Muito obrigado, garoto. Vocês dois não serão mortos. – Digo a ele. – Esperem aqui encima.

Assim sendo, soltei o garoto que era meu refém, e ambos esperam envergonhados o massacre que faríamos.

Essa estratégia só funcionou por dois motivos: Porque esse grupo não era muito unido, no fundo os garotos odiavam seus líderes, e também porque esse é um grupo pequeno, pois se fosse um realmente grande não funcionaria, alguém iria acabar percebendo que as crianças teriam que ser muito fortes para quebrar as janelas do terceiro andar.

Então, somente eu desço para o segundo andar rapidamente. Deviam ter umas 6 pessoas naquele espaço, mais as 4 que estavam com marcas por causa das chibatadas que levaram, 10. Mas não acho que esses 4 fossem lutar, de qualquer forma.

Rapidamente pego um copo aleatório, e coloco a forte bebida em minha boca. Sinto ela queimando enquanto está na minha língua, mas não a engulo. Vou até a janela e a cuspo toda, para me manter sóbrio.

Agora vai parecer que eu estou bebendo com eles, e que sou um do grupo. Eles devem estar tão bêbados que não vão perceber imediatamente que eu estou infiltrado. Além disso, meu amigo guerreiro ainda está lá encima, então devo tomar muito cuidado.

Deixei ele lá, porque não é impossível que aqueles dois garotos se arrependam e tentem avisar o grupo com gritos. Aí deixei o guerreiro para intimidar eles.

Então, estou aqui embaixo. Como eu pego as armas que devem estar com eles agora?

Quero encontrar a menor número de lutas possível, já que estamos numa proporção de 6,5:1, considerando que tinham mais pessoas no outro andar, e que os 4 vigias não vão nos dedurar nem interferir, bem como os garotos lá no terceiro andar.

Bem, fico por mais um momento ali, até que percebo que o pessoal está parando de beber, já que estão muito entorpecidos. Como se quisesse comprovar isso, um vomita pela janela nesse exato momento.

Hora de agir.

Ainda assim preciso cuidar para que ninguém perceba que estou infiltrado, mas isso é bem complexo.

Repasso mentalmente o que deve ser feito, e coloco todo em ação.

Assim como eu esperava, cada um dos homens tem aquilo que mais lhe é importante dentro de seus casacos, que estavam sendo usados. Porém, eles se esquentaram com a bebida, e a maioria deles está encima de um balcão. O grande problema é pegar eles sem que esses bêbados percebam...

Não que eu deva me preocupar com isso, de qualquer forma.

Como sei que Tsuryoku consegue ver só num espaço específico, vou até lá e sinalizo para ele que é para uma das crianças fazer algum ruído que chamasse a atenção de todos.

Como tínhamos combinado, ele pegou uma corda das muitas que haviam naquele estoque, e preparou para subir até o telhado.

Então, uma das crianças faz um pedido de socorro, e então vários dos homens vão lá para cima ver o que estava acontecendo. É nesse momento que pego os casacos, sem nem mesmo olhar se havia algo neles e pulo da janela do segundo andar, desejando do fundo do meu coração que eu não me quebrasse daquela altura.

Eu havia calculado que se eu caísse de lado, com o corpo todo levando o impacto, eu seria capaz de não me machucar gravemente, ou pelo menos conseguir fugir depois disso.

Bem, acho que dá para dizer que tive sorte.

Quando caí, senti duas coisas: uma forte dor, causada pelo impacto, e também um odor muito característico.

Caí exatamente na poça que tinha saído do estômago de alguém. Que maravilha.

Controlo meu próprio desprezo pelo que acabou de acontecer, e corro até a árvore de onde viemos para nos infiltrarmos. De lá, encontrei a corda que Tsuryoku havia preparado, e me seguro para escalar até o teto, aonde ficaremos até o anoitecer. Lá ninguém irá nos procurar, bem como poderemos descansar sem termos que fugir da busca que imagino que eles farão pelas redondezas.

Porém, um imprevisto acontece.

Quando começo a subir, quase caio, pois minha mão está lisa com o vômito.

Quem diria que o vômito de outra pessoa iria me atrapalhar tanto assim!

Com raiva de mim mesmo, seco o máximo que consigo minhas mãos nos casacos, mesmo que isso os estrague.

Com dificuldades, escalo até o teto do condomínio.

Enfim, posso descansar.

— Então, deu certo? Conseguiu!? – Fala Tsuryoku com toda a energia que me falta – Espere, o que é esse cheiro...?

— Ah, cale a boca. Me deixe descansar. – Eu falo, de forma grosseira – Sim, deu certo. Aqui estão os casacos. Veja o que tem de útil aí.

Ele pega os casacos com um certo receio, quando percebe que eles estão sujos com uma substância verde.

— Isso é... Burgh! – Ele quase vomita também, encima dos casacos.

Ele os coloca de lado, e então percebo que tem mais duas pessoas conosco. As crianças de antes.

— Muito obrigado Senhores! – O que eu tinha mirado uma faca me diz – Mesmo que tenham sido rudes conosco, nós temíamos a morte enquanto estávamos naquele grupo. Nossos pais morreram, e então fomos ameaçados por aquele grupo. Por favor, nos leve com vocês! Prometemos ajudar com tudo o que for possível! E também juramos lealdade a vocês dois!

Dou um longo suspiro. Por um lado, eu preciso mesmo aumentar esse grupo, mas por outro lado, esses garotos vão ser só um incômodo...

Ouço isso de alguém que acabou de trair o próprio grupo – falo, provocando-o.

Ele fica em silêncio por um momento.

Foi um preço necessário, para que nos libertássemos. – Diz o outro garoto, o que levou as bebidas – Nós seremos novas pessoas agora, Senhor. Nós tínhamos muito medo antes, mas agora percebemos, ao ver heróis como vocês, que o medo só existe para ser superado!

Dei gargalhadas. Eu, um herói? Acabei de furtar suprimentos de um grupo. Fiz um refém. Já matei uma pessoa. Sobrevivi dois anos num apocalipse Zumbi, é verdade, mas não fui nenhum pouco heroico nesse tempo.

Sr. Fujima, eu acredito que poderia ensinar a arte da espada para um deles. – Diz Tsuryoku, me mostrando uma espada curta que estava junto aos casacos – Eu gostaria de pegar um deles como meu aprendiz... não acha que eles seriam úteis?

Dou mais um suspiro longo. E sei que vou me arrepender do que farei agora.

Está bem, vocês estão junto no grupo. Mas duas coisas: Primeiro, não me chamem de senhor, tenho 16 anos. Segundo: Se apresentem.

Ambos ficam surpresos quando descobrem a minha idade, e demoram à falar.

— Meu nome é Fuyo Sumiha. Tenho 15 anos. – Um deles fala.

— Eu sou Toshi Kawyo. Tenho 14. – O outro diz em seguida.

Olho nos olhos dos dois por um momento. Eles estão realmente decididos sobre serem mais fortes, de tornarem homens, e não crianças.

Bem, algum de vocês sabe como usar uma espada? — Indago

Toshi diz que fazia aulas, e sabe um mínimo.

Então você é o aprendiz de Tsuryoku à partir de agora. – respondo-o – Use essa oportunidade para realmente deixar de ser um medroso e se tronar um guerreiro, como seu mestre.

Entendido! – Ele exclama.

E você, Fuyo, é meu aprendiz agora. – Falo para ele – Te ensinarei como superar esse medo tolo, e como usar facas. Não sou um guerreiro habilidoso como Tsuryoku, mas você deve conseguir aprender muito comigo também.

Ele apenas acena com a cabeça.

Por último, Tsuryoku, pode me chamar de Ryou de agora em diante. – Falo para o espadachim com um kimono preto.

Me recuso a chamar meu líder pelo primeiro nome. Não acho que faça sentido ter uma relação de proximidade tão alta com meu superior. – Ele me responde, automaticamente.

Dou uma risada fraca com isso. Esse homem realmente não deixa sua honra de lado nunca.

Enfim, acabamos dormindo rapidamente, pois todos estávamos bastante cansados.

Nada nos atrapalhou nessa noite.

Notas finais
Em breve mais capítulos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.