O Mundo Imundo De Emily
1 Portal Temporal Hexagonal do Mal
Notas iniciais
Bem, a ideia surgiu de um texto de português, feito na aula. De onde eu e meu amigo Luiz Felipe "viajamos" e fizemos uma história cheia de aventura e fantasia.
Bem, espero que gostem! ^^
Meu nome é Emily Taylor.
Tenho 12 anos, e em toda a minha vida eu nunca disse nenhuma palavra.
A única forma que uso pra me expressar é a música. Por isso tenho meu único amigo. Meu piano...
Moro em um orfanato na 21th Street em Londres. Seria até um lugar agradável, se não fossem os fantasmas...
Bem, digamos que eu vejo fantasmas, o tempo todo...
Embora todos pensem que eu também sou surda devido a meu problema de fala, eu escuto muito bem e sei o quanto a sociedade é medíocre e estúpida.
...
-Olá Emily – Disse-me o piano, quando ia tocá-lo pela manhã.
-Bom dia, Bartolomeu – Pensei.
Sentando-me no banco velho, mas confortável, comecei a tocar. Percebi que a tecla “Ré” estava emperrada e consequentemente comecei e esmurrar a mesma com certa força, a tempo de ver um vulto azulado se soltar de debaixo da tecla. Não era motivo de espanto, comumente acontecia esse tipo de anomalia. Concentrando-me voltei a tocar a versão de B.Y.O.B no piano.
Quando estava no refrão senti um arrepio incomum percorrer as extremidades de minha coluna, parei de tocar bruscamente, eu precisava de um tempo...
Caminhei pelo corredor mal iluminado e com paredes de cor púrpura descascadas pelo tempo em direção ao banheiro imundo, acendi a luz que iluminou fracamente o cômodo minúsculo e dei de cara com o espelho.
Meu rosto estava pálido. Meus cabelos vermelhos como sangue estavam levemente desarrumados e havia olheiras profundas abaixo de meus olhos tristes e cinzentos.
Tapei o ralo da pia e abri a torneira, de onde saiu um filete de água, esperei a pia encher um pouco e apanhei um pouco de água com as mãos em forma de concha jogando contra meu rosto. Algumas gotas caíram sobre meu vestido gótico quadriculado de branco e preto.
No reflexo do espelho vi uma figura feminina de olhar severo me fitando. Ela usava uma roupa de freira, era Madre.
Em língua de sinais ela me perguntou se eu não ia tomar café da manhã.
Respondi que não gostava de ficar junto de muitas pessoas.
Ela me fitou ameaçadoramente e disse em gestos bruscos:
-Se você não quer tomar café, vá limpar o piano que apenas você usa.
Andei pesadamente até o armário de limpeza com ódio no olhar.
Abri a velha porta de carvalho, roída por cupins. Olhei ao redor do cômodo que ironicamente guardava produtos de limpeza mais aparentava não ser limpo a décadas. De onde pendiam teias de aranha no teto e inúmeras camadas de poeira estavam sobre tudo o que estava à mostra.
Fitei a prateleira e vi o que precisava: Lustra-móveis e uma flanela. Fiquei na ponta dos pés e peguei o lustra-móveis.
E quando fiz o mesmo pra pegar a flanela quase tive um infarto:
Um rato estava fazendo ninho no pano! Ele soltou guinchos de desespero e pulou em minha mão. Em pânico dei um passo em falso e cai de costas contra uma pilha de caixas amontoadas onde ali fiquei, em choque, ouvindo o rato fugir em pânico.
Fiquei ali deitada, imóvel, fitando o teto por um longo tempo até que finalmente criei coragem e decidi me erguer.
Usando o braço direito de sustentação tentei me levantar. Uma dor latejante atravessou as extremidades do meu braço me fazendo cair novamente de costas no chão gélido.
Estendi a mão à frente do meu rosto e uma gota relativamente grande de sangue caiu em minha bochecha – O rato havia me mordido.
Peguei os produtos de limpeza e caminhei até o piano, agora com um curativo na ferida.
-Está tudo bem, Emily? – Bartolomeu perguntou ao me “ver”
Fitei o piano com uma expressão de incredulidade e comecei a lustrá-lo.
Estranhamente depois de eu ter levado a mordida eu comecei a me sentir enjoada e tremula mais eu não parei meu serviço por motivo algum.
-Só faltam as cordas de dentro... Depois eu posso descansar... –Pensei.
Abri a grande tampa do piano. Era muito alto pra mim, precisaria de algo pra subir.
Voltei do refeitório trazendo um banquinho em mãos e o posicionei com cuidado ao lado de Bartolomeu.
De qualquer forma eu tinha de ficar na ponta dos pés em cima do banco pra alcançar às cordas, quase entrando no piano.
Senti novamente a terrível tontura, e de repente tudo se apagou. Eu desmaiei e cai dentro do piano, a tempo de ouvir o som estrondoso da grande tampa se fechando acima de mim.
Recobrei a consciência quase que instantaneamente após a tampa se fechar, e por incrível que pareça não cai em cima das cordas como pensei... Eu estava em queda livre!
O vento assoviava em meus ouvidos em tal intensidade que os fazia latejar.
Entrei em desespero, comecei a me debater no ar enquanto caia na escuridão do vazio.
Esperando a morte certa eu apenas cai... Cai impotente a uma velocidade surpreendente.
Cai por tanto tempo que depois de 15 minutos cair se tornou tedioso.
Depois de meia hora caindo eu já estava querendo que o chão chegasse logo, quando abaixo de mim vi uma coisa:
Um ponto vermelho-alaranjado era visível muito abaixo e ele aumentava conforme eu caia. Por um momento pensei que o ponto vermelho fosse o chão, mais conforme me aproximava não o pude distinguir.
Até que eu vi: eram nuvens, amontoadas em estranha semelhança com buracos-negros.
Quando entrei na camada de nuvens me senti enjoada e tonta e, inevitavelmente desmaiei...
...
Senti alguém dando tapinhas de leve em meu rosto:
-Emily... Emily... – Uma voz suave me chamava.
Abri os olhos e fui cegada pela claridade, mais pude notar o busto de alguém agachado ao meu lado. Pisquei algumas vezes até poder distinguir a pessoa que me acordava: Um garoto de no máximo 15 anos, cabelo loiro grande e olhos verdes penetrantes vestindo um terno negro.
Sentei-me abruptamente e comecei a gesticular freneticamente perguntando coisas como: “Onde eu estou?”, “O que aconteceu?” e “Quem é você?”.
O garoto me fitava com um olhar sereno e na mesma serenidade disse:
-Emily, nunca te vi como uma pessoa tagarela, mais gesticulando assim vejo que estou enganado – Disse dando um sorriso. – E a propósito, nessa realidade você pode falar...
Gesticulei novamente, dizendo “Eu nunca pude falar, porque poderia agora, seu tapado?”
-Por que você não tenta então? – Disse ele em tom desafiador.
-E porque você não tenta ir tomar no seu cú? – As palavras escaparam da minha boca.
Fiquei tão chocada que soltei um urro de espanto:
-MEU DEUS, EU POSSO FALAR! – Gritava eu aos quatro ventos.
Eu estava impressionada demais, minha voz era linda:
-OBRIGADA! OBRIGADA! — Comecei a abraçar e beijar o desconhecido – Muito obrigada mesmo!
-Ora, não precisa agradecer... – Disse ele se soltando de mim e abrindo os braços – Não foi nada demais...
Fazendo isso eu pude por um momento deixar de prestar atenção no desconhecido e olhar o lugar onde estávamos: Um deserto, com a areia de coloração avermelhada, como as nuvens que eu vi mais cedo.
Voltei a fitar o desconhecido, que agora também admirava o deserto:
-E eu poderia saber o nome da pessoa que me fez falar pela primeira vez na vida? – Disse eu em tom irônico.
-Acho que você já sabe meu nome... – Disse o estranho sorrindo – Emily, eu sou o Bartolomeu...
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