O Mundo Imundo De Emily

2 Minhoca Cocóta Mordeu Minha Calota


Notas iniciais
Bem pessoal, aqui está o outro capitulo da fic.
Espero que gostem!

Um calafrio percorreu minha espinha ao ouvir a pronuncia daquele nome:

-B-B-Bartolomeu?! – Disse com uma expressão de espanto em mescla com pavor – N-NÃO PODE SER! VOCÊ É UM PIANO!

Os olhos verdes penetrantes me fitaram suavemente e a figura abaixada ao meu lado apenas sorriu:

-Não sou apenas um piano, Emily...

-Não... Você não é real... – Disse eu, agora com uma expressão de incredulidade no rosto – Você não pode ser real...

Por um segundo meu olhar se desviou do desconhecido e correu até minha mão direita, bem onde o rato havia me mordido – Não tinha marca alguma...

De repente tudo se iluminou em minha mente: A mordida, o desmaio... Tudo fazia sentido.

-Eu estou tendo uma alucinação! – Conclui finalmente, sorrindo – Estava me sentindo muito mal depois de ser mordida, mais fui obrigada a te limpar “Bartolomeu”, e desmaiei. Aposto que nesse momento estou deitada em cima de suas cordas...

Ele continuava a me fitar com seu olhar sereno e disse por fim:

-Tendo uma alucinação? Na verdade não... Prefiro dizer que estamos sonhando... – Disse, se pondo em pé e abrindo os braços – Esse, Emily, é o mundo dos sonhos!

-Sim, claro – Disse eu, me pondo em pé também e cruzando os braços – E como eu acordo, Sr. Bartolomeu?

Ele parecia refletir um pouco e logo em seguida disse:

-Bem, acredito que no seu caso seja à força de vontade...

-Eu simplesmente tenho que querer voltar, só isso? – Voltei a assumir a expressão de extrema incredulidade.

-Não é só “querer”, você tem que desejar do fundo do seu coração – Ele parecia sério.

-Acho que não vou querer voltar agora – Disse eu, brincando com minha alucinação – Meio que gosto da idéia de poder falar...

-Que bom! – A seriedade o abandonou e foi substituída por um largo sorriso – Assim podemos conversar mais...

Deixei de fitar minha alucinação de Bartolomeu e voltei a olhar para o deserto de areia vermelha:

-Onde exatamente estamos?

-Não sei ao certo, estávamos explorando e te achamos aqui, nesse deserto...

-Nós...? – Disse eu, olhando ao redor a procura de outra pessoa.

-Sim, nós... – Disse Bartolomeu, também olhando ao redor – Onde será que está o Jonathan?!

-Jonathan...?

-Meu amigo... – Disse parecendo preocupado – Pedi-lhe que enchesse nossos cantis enquanto você estava desacordada... Vamos procurá-lo?

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bartolomeu fez um gesto estranho com as mãos, a forma de um triangulo e o apontou para baixo.

Vi uma espécie de fumaça multicolorida emanando do seu corpo todo, agora se juntando e tomando forma onde ele mirava o sinal. Em segundos havia dois cavalos, um azul e o outro rosa. Mesmo feitos com aquela estranha fumaça eles pareciam reais, relinchando e batendo cascos.

Observei boquiaberta Bartolomeu montar com destreza o cavalo azul e sorrindo ele disse:

-Você vem?

Lembrando-me que era apenas uma alucinação, sorri:

-Claro! Mais eu não vou montar nisso... – Disse apontando pro cavalo rosa – Odeio rosa...

...

-Estamos cavalgando a tanto tempo e nem sinal do seu amigo! – Disse eu, agora montada no cavalo azul – Estou pensando seriamente em voltar, essa alucinação ta ficando chata!

-Calma, Emily – Respondeu ele, agora montado no cavalo rosa – Tem um oasis aqui perto, tenho certeza que Jonathan foi pra lá...

Não deu outra, no segundo seguinte vi um oasis gigantesco se abrindo em meio ao deserto vermelho, com grandes palmeiras ao redor.

Bartolomeu sorriu e disse:

-Viu, já cheg... – Ele foi cortado per um barulho ensurdecedor semelhante a um terremoto, seguido de um tremor, que fez meu cavalo empinar e se dissolver em uma nuvem de fumaça azul, me jogando contra a areia fofa que amorteceu a minha queda.

Fechei meus olhos com força, desejando que aquilo não estivesse acontecendo, quando abruptamente o tremor parou e pude abrir os olhos novamente.

Vi Bartolomeu jogado a minha frente, me fitando em sinal de alerta:

-Isso só pode ser san...

Ele foi novamente cortado pelo tremor, que voltou muito mais intenso até se tornar insuportável onde pensei que meus ouvidos iam explodir. Quase que instantaneamente o estrondo foi substituído por um rugido, quase tão alto.

Pude ver de relance a no mínimo cinqüenta metros de distancia uma anomalia na areia vermelha, uma elevação. De onde saiu uma coisa monstruosa, que me fez levantar subitamente.

Não quis acreditar no que meus olhos viam: Uma minhoca gigante... Isso mesmo, uma minhoca gigante!

-SE PROTEJA EMILY! – Bartolomeu gritou em desespero.

Fiquei em choque quando vi aquela criatura rosada, sem olhos e com dentes nada amigáveis avançar a uma velocidade surpreendente em minha direção.

Minhas pernas se tornaram chumbo, eu não me movia. O medo havia tomado conta de mim... Senti o gosto amargo da morte e como ultimo ato fechei os olhos, esperando uma morte rápida e talvez até indolor...

Quando uma coisa me fez abrir os olhos novamente: Um grito... Um grito humano!

Seguidamente após o grito um raio negro passou por mim, a uma velocidade muito maior que a do monstro e o acertou em cheio, o desviando da rota certeira em direção as minhas pernas, fazendo assim, só um das centenas de dentes afiados passar abrindo um corte em minha perna direita.

A dor me fez acordar subitamente do transe e cai de joelhos, podendo assim finalmente analisar a situação: Bartolomeu havia feito uma espada com aquela espécie de fumaça viva estranha e parecia também em choque pelo que estava em sua frente.

Havia em sua frente uma figura negra. Um punk, aparentando ter a mesma idade de Bartolomeu, usando uma jaqueta de couro com a caveira dos Misfits nas costas, uma calça jeans rasgada nos joelhos e All Star de cano alto. Seu cabelo, negro como a noite, estava arrepiado como se ele tivesse sido eletrocutado e em sua face mostrava uma expressão de extremo contentamento.

A frente dos dois havia o que a pouco era um ser feroz e com sede de sangue, mais agora não passava de uma carcaça cortada em dois.

Em um momento de reflexão cheguei a uma conclusão do que tinha acontecido: O punk chutou o monstro, desviando-o da minha direção e o mandando na direção de Bartolomeu, que estava com a espada em punho, que involuntariamente acabou cortando a besta em duas partes.

O punk me fitou, sorrindo de orelha a orelha e disse:

-Você deve ser a Emily... Prazer, me chamo Jonathan, mais me chame de Johnny!

-Jonathan, você está louco?! Quase me mata do coração! – Disse Bartolomeu, com tom de contentamento na voz.

-Você ta ficando enferrujado, vovô... – Disse o punk em tom de deboche, se virando pra encarar Bartolomeu.

Ao ouvir aquilo eu desabei de vez no chão, não entendia mais o que acontecia, eu apenas sangrava...

Encolhi-me em meio a areia, desejando que tudo acabasse, desejando voltar a minha realidade medíocre e estúpida, e então, novamente, tudo se apagou.

...

Acordei em meio a uma escuridão total, mais não em queda livre como da outra vez, e sim desconfortavelmente deitada em algum lugar.

Tentei me sentar e bati cegamente com a testa no que me soou como madeira. Eu estava de volta ao piano!

Abri a grande tampa com demasiado esforço e sai de dentro do piano, que não protestou.

Sentei-me na velha banqueta que a pouco havia servido de apoio pra limpar o piano por dentro e tentei me acalmar.

Teria sido real? Estava eu tendo uma alucinação? Esses pensamentos começaram a martelar minha mente quando que por pura curiosidade resolvi conferir as horas. Pra meu espanto eram exatas 08h05min...

Não era possível... Faziam apenas oito minutos que eu havia começado a lustrar o piano e não sei como, fiquei no mínimo duas horas no “mundo dos sonhos”

Em desespero resolvi também checar a minha perna direita, onde a pouco o animal me ferira.

Ali, exatamente onde tinha o corte agora havia uma cicatriz, uma cicatriz muito evidente...

Notas finais
Obrigado por ler até aqui, fico muito grato. E por favor, não seja um leitor fantasma, se você leu e gostou, por favor, deixe um review, isso incentiva muito o autor!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.