O Monstro.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu espero que goste da história, assim como eu gostei das idéias que me vieram na cabeça! Bom, aqui está, espero seus reviews!
Um abraço,
Moukiki.
Pov Desconhecido:
Ainda me lembro daquele dia como se fosse ontem. Aquele mesmo sol e, de repente, veio o Charles com aquela história do filme: "Meu Monstro de Estimação.". Só porque a gente mora perto do lago Loch Ness, não era necessário comentar sobre aquela idiotice. Fala sério, várias pessoas já pesquisaram aquele lago, é óbvio que não tem nada dentro daquele lago de merda.
Sem comentários.
Eu estava perdido em pensamentos, andando na maior monotonia para a minha casa, quando de repente, um grito assustador chamou minha atenção. Logo aquela hora, que devia ser lá para as altas horas da noite? E o grito veio logo da floresta em que eu caminhava tão calmamente?
Engoli em seco, isso deveria ser a minha imaginação me pregando peças. Foi isso que eu pensei, até que vi uma garota ruiva, correndo na minha direção, sem uma mão, com sangue escorrendo por todos os lados... E ela gritou:
_ CORRA! SALVE-SE, O MONSTRO VEM AÍ!
Eu estava meio que em choque. Qualquer um já teria saído correndo feito um doido, mas eu continuava ali, parado feito um idiota, sem acreditar que aquilo era real. Naquela hora, logo da direção em que eu ouvia os passos da garota, ouvi um rosnado e um grito alto, agudo, que ficou ressonando na minha cabeça como um eco.
Não dava mais tempo de correr. Engoli em seco, tentando conter o pavor que começava a tomar conta de mim, quando reconheci um rosto entre as árvores. Era o Joshua. Mas o que, diabos, o Joshua fazia ali, e principalmente, por que ele apontava uma pistola esquisita na minha direção?
_ Fique parado aí, não se mecha. — murmurou Joshua, passando a mão em seus olhos castanhos, sujando-os de vermelho. Eu nem queria saber se aquele vermelho era tinta ou não. Eu estava tão assustado que estava a ponto de desmaiar.
_ NÃO ATIRE! — berrou alguém logo atrás de mim, e eu tive que me esforçar para não me virar.
_ Kitty? Por que não atirar? — perguntou Joshua, confuso.
_ Esse monstro é raro! É um dos poucos que... — começou a voz de uma garota e eu tive que olhar.
Ela era bonita, tinha cabelos encaracolados e negros, presos no alto da cabeça em um coque, olhos castanhos e pele morena. Sabe daquelas peles de modelos que as garotas chegam a ter inveja? Pois é.
_ O-o q-q-que... — gaguejei e fui interrompido:
_ Eu falei para não se mover, idiota! — disse Joshua, e vi uma bala iluminada passar a centímetros da minha cabeça, parando na cabeça da garota.
Fiquei olhando Joshua, que tinha aquele cabelo loiro e aquela pele branca, por um tempo, decidido entre a descrença e a surpresa.
_ PODIA TER ME ACERTADO, IMBECIL! — berrei sem querer, tentando recuperar o fôlego.
Joshua deu uma gargalhada.
_ Você acabou de ser quase morto por um monstro e fica com raiva? É mesmo uma peça rara. — disse Joshua, rindo.
_ Por que você atirou nela? — perguntei, ainda com raiva.
_ Porque é só um disfarce. Provavelmente ela era o monstro... — começou Joshua, sendo interrompido por uma faca que lhe atravessou o peito. Fiquei estático.
_ Ou ela era uma isca. — ouvi uma voz que parecia vir das profundezas mais escuras da terra, depois ouvi uma gargalhada medonha.
Meu coração se acelerou novamente de medo, eu não queria nem me virar para aquela voz.
_ E-eu... — murmurou Joshua, que parecia mais surpreso do que eu. — Vou matar você, imbecil.
A voz de Joshua tinha mudado e ele arrancou a faca do peito, girando o corpo de uma forma surreal.
_ Ai, meu Deus... — murmurei, sentindo lágrimas em meus olhos e pondo uma mão sobre os olhos. Eu não queria ver mais nada.
Ouvi duas gargalhadas ecoando pelo local, mas eu também não queria ouvir. Mas eu não conseguia fechar os olhos e senti duas garras prendendo minhas mãos. Eu estava com os olhos arregalados, vendo um outro tipo de Joshua na minha frente, que sorria, com os dentes afiados como serras.
_ Você vai morrer... — disse uma voz esganiçada e aguda, saindo da boca de Joshua.
_ Eu sei... — murmurei, respirando com dificuldade.
E então o monstro me prendeu na árvore, pegando o corpo da garota e dilacerando-o na minha frente. Eu não conseguia fechar os olhos, só podia assistir em silêncio, até o que eu não queria enchergar. Aquilo era um pesadelo sem fim, óbvio. Respirei fundo, tentando me acalmar e relaxar, o que era impossível nessa ocasião.
_ Caralho, o que vocês estão fazendo? — uma voz rouca e afiada como uma faca saiu do meio das árvores. — Prenderam o pobre humano na árvore para assistir vocês devorando os outros? Isso é coisa que se faça? Não é só porque mataram seus pais que vocês tem que fazer isso, gêmeos da pesada. E aposto que nem foi ele quem matou. — murmurou a voz, e um homem de olhos da cor da lua saiu da floresta.
Ele tinha cabelos prateados, os olhos da cor da lua e a pele da cor da neve. Usava apenas um short e tinha um físico bem definido.
_ Ai, porque é que ele sempre tem que estragar o barato? — resmungou o que estraçalhava a garota, arrastando-se junto com o corpo para o meio das árvores.
Uma faca me soltou, e o homem suspirou, me olhando.
_ P-por que v-você me salvou? — perguntei.
_ Porque seu jeito parece com o do meu filho. Você me lembrou ele. Só por isso. Não vou mais falar com você. Adeus. E espero não ter que te ver novamente. — disse o homem, sumindo na floresta.
Respirei fundo, passando a mão pelos meus cabelos castanhos, coçando meus olhos verdes e correndo para casa.
.............
Acordei no dia seguinte, pronto para ir para a aula. Eu morava sozinho, meus pais morreram e me deixaram a casa. Eu tinha 15 anos, ma já sabia me virar sozinho como ninguém.
A casa era bem comum, como essas casas de filmes, dois andares, em cima os quartos, embaixo a cozinha e as salas, sabem bem como é. Meu quarto era bem simples, com uma cama de casal, claro que eu ia ficar com a cama de casal, um guarda-roupas e um banheiro no canto.
Peguei o material, enfiei uma calça Jeans, a blusa da escola e um moletom por cima. Tomei café da manhã e fui para a escola. Eu não tenho amigos. Tenho conhecidos. Sempre acompanho o Charles para ir á escola. E hoje estava um dia cheio de neblina, frio para caramba.
_ Ei, Yamashito-kun, você já está vindo? — perguntou a voz de Charles e vi que ele acenava para mim.
_ Já vou, preciso comprar um lanche. Vai indo na frente! — falei, indo para a praça ao lado.
Comprei algo na loja de sempre e vi uma lojinha nova, com uma velhinha vendendo as coisas. Estava escrito: "Monstros á venda.".
Revirei os olhos, já saindo dali quando a velha disse:
_ Ei, garoto! Venha aqui, olhe só essa raridade!
_ Não, obrigado. Estou bastante ocupado. — falei, sem interromper os meus passos.
_ MAS É UM GAROTO DA SUA IDADE! — berrou a velha e eu a fitei, indo até lá.
Olhei para o garoto, boquiaberto. Estava escrito que era um boneco, mas era real demais. E era muito parecido com o homem que eu vi na floresta, os mesmos cabelos prateados. Parecia estar dormindo.
_ Incrível, não? É como um fantoche, você pega ele assim... — começou a velha, subindo em uma pequena escadinha e pegando algo parecido com uma táboa. Vários fios ligavam a tábua ao garoto, e assim que a velha pegou a tábua, os fios puxaram o garoto para cima. Logo vi que seus olhos eram azuis. Ele não dormia, apenas olhava para baixo, parecendo triste. — E o controla. Dizem que alguns podiam fazer ele se transformar em um monstro de verdade. É conhecido como "O Fantoche de Sangue". Curioso, não? Está á venda por apenas dez reais! — disse a velha. Ela parecia estar louca para se livrar do garoto.
Peguei uma nota do bolso, estendendo automáticamente, e a velha a agarrou, guardando.
_ Eu... Não! — comecei, mas a velha me interrompeu:
_ O que está feito não pode ser mudado. Ele é seu.
Fiquei parado, com a boca aberta e fitei aquele boneco. Como eu iria levar ele para casa?
No fim das contas, acabou que a tábua se agarrou em algum lugar e eu tive que cortar as cordas, carregando o boneco até em casa. Pus ele na cadeira, jogando a mochila de lado.
_ Que ótimo. — murmurei, fechando os olhos. Cortei as cordas que atavam as mãos, os pés, a cintura e a cabeça do boneco, já irritado com aquilo tudo. Me virei de costas para o boneco, pensando no que iria fazer.
_ Estou... Livre? — ouvi uma pergunta ecoar na sala. Senti um frio na espinha e me virei lentamente. Não tinha mais ninguém além do boneco. — Como aconteceu? — perguntou, abrindo os olhos e me fitando.
_ Te comprei sem querer. — murmurei, quase colado na poltrona.
_ Então... Não estou livre. — murmurou, olhando novamente o chão.
_ É claro que está! Não me importo, nem sei porque eu comprei você, agora... — murmurei e, de repente, o garoto estava em cima de mim, agarrando minhas mãos e com a cabeça a centímetros de distância.
Senti minha respiração sumir, bastante assustado. O garoto... Eu juro que não vi ele se movendo!
_ Estou livre, certo? Então posso agir livremente, certo? — disse o garoto e eu tentei respirar, conseguindo pegar um pouco de ar, respirando com dificuldade. — E foi você quem me comprou e me libertou. Você se arrepende?
Eu estava com a boca escancarada. Eu nunca sentira nada do tipo com nenhuma garota antes! Na verdade, nenhum garoto ficara tão próximo de mim daquele jeito. E, convenhamos, ele era bem bonito. O que eu estava pensando?
Tentei tirar aqueles pensamentos da cabeça, mas o garoto se aproximara tanto de mim que eu sentia sua respiração quente bater no meu rosto, o que me fazia ter arrepios.
_ E-eu... P-pode sair de cima... — comecei e o garoto chegou os lábios perto do meu ouvido, me fazendo ficar ainda mais arrepiado ao sentir sua respiração no meu ouvido, que estava gelado, esquentando-o e quase me fazendo gemer.
_ Algum movimento aqui é proibido? Se sim, é melhor me dizer. — sussurrou o garoto.
Logo eu percebi o que era que me deixava tão fora de mim. Era o cheiro do garoto, de sua pele, de seu cabelo, de tudo. Na realidade, tudo nele me convidava para me aproximar, tocá-lo e saboreá-lo. Era algo inexplicável. Mas... Havia um fato que me incomodava e fazia com que eu ficasse paralisado no lugar.
_ Você é... Um monstro? — perguntei, tentando me recompor ao lembrar aquelas frases dos vampiros, do tipo: "Tudo em mim convida você". Engoli em seco, ele não era um vampiro, era?
Ele se afastou um pouco de mim, pegando meu rosto com suas duas mãos e me fazendo fitá-lo.
_ Tudo bem se eu for? — perguntou, me analisando.
Seus olhos eram como os de uma cobra antes de dar o bote. Isso me assustava, mas ao mesmo tempo me fazia ficar mais excitado.
O perigo mechia de um modo diferente comigo. Ao invés de eu me encolher ou correr feito um coelho, eu me sinto atraído por ele, como se o perigo fosse algo bom, mas assustador ao mesmo tempo. Será que todas as pessoas se sentiam assim?
_ V-você... — murmurei, sentindo uma de suas maos deixar o meu rosto, e a outra acariciá-lo delicadamente. Fechei os olhos sem querer, logo os abrindo novamente. — P-pode se afastar... — murmurei, sentindo seus lábios tocarem meu pescoço, fazendo com que minha respiração se acelerasse, por mais que eu a contivesse.
_ Mas por que? Não quer morrer nas minhas mãos? — perguntou o garoto, fazendo com que eu sentisse o movimento de seus lábios, fazendo eu ficar ainda mais arrepiado.
_ E-escuta... — murmurei, tentando recuperar o fôlego. — E-eu a-ainda n-não quero mo-morrer.
_ Não? Mas seria tão lindo ver o seu sangue, te ver caindo no chão, pálido como a lua... — murmurou o garoto, se afastando um pouco e passando a unha afiada na minha bochecha. Aquilo doeu um pouco e, quando ele afastou a mão, pude ver uma gota de sangue escorrendo por ela. — É algo tão bom...
_ N-não... Eu não... Não quero morrer. — falei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Ele não era o primeiro monstro a querer me devorar. Isso era tão divertido assim?
_ Nem se for nas minhas mãos? — perguntou, e vi uma cauda aparecer por trás dele, tendo na ponta uma lâmina afiada.
_ Não, não, não, não! — murmurei, com o coração disparado.
_ Meu belo... — murmurou, pondo a mão no meu queixo. — Todos vamos morrer um dia... Tente aceitar isso.
_ M-mas... E-eu quero morrer d-depois, não ago-agora. — gaguejei.
_ Tudo bem, eu entendo. — murmurou, se aproximando novamente do meu ouvido e eu pude sentir sua cauda rossando o meu pescoço. — Talvez uma outra hora, certo? Eu ainda posso esperar... Mas cuidado. Eu quero ter você... Somente para mim. Não iria gostar que outros te quisessem morto também. — murmurou.
_ Hum. — soltei, meio desesperado.
_ Não fique assustado... — disse e sussurrou de um modo quase inaudível: — Essa é a minha natureza. E é por isso que me chamam de monstro...
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