O Monstro.
2 Capítulo 2
Pov Yamashito Corey:
Aquele monstro estava me deixando louco! Eu tinha que fazer alguma coisa. Dei um empurrão nele, meio a contra-gosto, eu estava gostando muito de ter ele tão perto assim de mim...
Sacudi a cabeça, me livrando dos pensamentos absurdos.
_ Não gostou, lindinho? — perguntou, se aproximando como uma cobra e pondo os dedos no meu rosto.
_ Pare... Saia daqui. — murmurei, meio sem ar.
_ Isso é o que você diz... Mas olha para baixo para saber o porque de eu continuar em cima de você... — murmurou e eu olhei, vendo uma coisa que não queria ver.
Agora dava para entender porque ele sabia que eu estava gostando. Ás vezes, ter algo assim é muito irritante. Fala sério, sempre fica na cara quando você está excitado porque isso mostra!
Mesmo assim não pude deixar de corar.
_ Isso não é do meu controle. — murmurei.
_ Bem, eu não tenho um desses, então não sei o que dizer. — disse o monstro e eu o fitei.
_ Como assim não tem? — perguntei, surpreso. — Você não é macho?
_ Por hoje sim... Mas amanhã eu posso mudar de sexo... Sabe, isso muda de dia em dia, de mês em mês, de hora em hora... Mentira, o mínimo que já chegou foi de dois dias, mas eu estou macho faz uma semana, então eu posso trocar a qualquer momento... — murmurou, me analisando.
_ Mas como isso é possível? — perguntei, boquiaberto. — Machos e fêmeas tem uma diferença, um tem um membro e a outra tem um buraco ao invés disso! — exclamei.
_ Um buraco? — perguntou o monstro, erguendo uma sobrancelha.
_ É, eu nunca vi, então não posso dizer nada... — murmurei, meio constrangido com a situação.
_ Você nunca fez sexo? — perguntou o monstro, boquiaberto. Corei e fiz que não com a cabeça, bastante constrangido com o rumo que tudo tomava. — Nossa, que desperdício! — exclamou o monstro, me olhando de cima a baixo. Engoli em seco. O que ele quis dizer com aquilo?
_ Desperdício? — perguntei.
_ Sim! Para um humano, você é bem... — murmurou, se calando. — Bom, vamos parar por aqui. Nós nem somos da mesma raça. — falou, olhando para o outro lado.
_ É. — concordei, também constrangido.
_ Então, você não vai mesmo me deixar te matar? — perguntou.
_ Ah, não começa! — exclamei, sentindo o medo novamente.
_ Ah, mas você é tão lindo! Queria ver essa beleza desaparecer, fazer isso com as minhas próprias mãos... — murmurou, com um olhar perverso para mim.
_ Ahn, prefiro que isso não aconteça por agora. — falei, sorrindo falsamente.
_ Então... Significa que pode acontecer algum dia... — murmurou, e do nada ele estava em cima de mim de novo. — Deixa só eu... — murmurou, lambendo meu pescoço.
_ Sai fora! — exclamei, o empurrando, com a respiração alterada novamente.
_ Hum, você é mesmo bom... Se eu pudesse tirar um pedacinho para provar... — murmurou, sem se deixar levar pelo empurrão, apoiando o peso do corpo nas minhas pernas e prendendo meus braços com as mãos, levando a cauda ao meu pescoço. Engoli em seco, sentindo a lâmina raspar na minha pele. — Você sabia que essa lâmina traz um veneno? Que se ela perfurar a sua pele, você, no mínimo, ficaria paralisado durante um mês? Isso se ela só entrasse e voltasse? E que o efeito é imediato? Imagine só eu deixá-la perfurar sua pele tão frágil e deixá-la aí por alguns minutos? Acho que ela seria mortal... — murmurou o monstro e eu senti meu coração disparar novamente de medo.
_ Por favor... — murmurei, mas ele não me deu ouvidos.
_ Isso seria tão agradável... — murmurou, se arrepiando todo. Arregalei os olhos com a reação do monstro. — Hum, sua carne deve ser tão macia e, huuum... — murmurou, lambendo os lábios.
_ P-pare com isso... — murmurei, já respirando com dificuldade de medo. Aquela sensação de perigo estava indo longe demais... A gente já não havia passado disso? A gente já não havia concordado que fosse outra hora?
_ Mas por que? Se eu tirar um pedacinho você não morre... — murmurou, prendendo uma das minhas mãos com a cauda e passando os dedos pelo meu rosto.
Ele ia mesmo tirar um pedacinho? Senti uma dor na bochecha e fechei os olhos, sentindo algo mole e molhado passar por cima do possível corte, neutralizando totalmente a dor.
_ Eu não quero que tire um pedaço... — murmurei, com a voz tremida de medo.
_ Você não tem que querer... — murmurou. Eu consegui soltar uma de minhas mãos e agarrei a sua, caindo por cima dele.
De repente, a cauda dele se enrolou no meu pescoço. Eu agarrei a cauda dele, que se soltou lentamente do meu pescoço e, do nada, ele me jogou para longe. Eu arregalei os olhos, engolindo em seco. Ele emitiu um grunhido e se escondeu atrás do sofá, bufando.
_ O que foi isso? — murmurei, estranhando a reação do outro.
_ É que... — murmurou, parecendo tímido. A confusão tomou parte de meus pensamentos. — Eu estou me sentindo ameaçado... Acho que... Opa... — murmurou e vi que ele se arrepiara todo, se escondendo novamente atrás do sofá. — Droga, eu devo estar virando fêmea outra vez...
Eu fitei o sofá, descrente. Era sério? Puxa...
_ Mas... É sério? — perguntei, curioso.
_ Não. Quando isso acontece, é mais três dias como macho. — murmurou, se recompondo e se sentando na cadeira, olhando as mãos.
_ Mas como você vira macho ou fêmea? — perguntei, confuso.
_ Você acha que a cauda serve só para atacar? — perguntou, descrente.
Eu o fitei, confuso por um instante. Mas logo meus pensamentos clarearam. Será por isso que ele esconde a cauda? Será que a cauda dele é o...
Interrompi meus pensamentos, sacudindo a cabeça.
_ Hum, acho que já entendi. — murmurei, evitando pensar no assunto.
Então, senti algo roçar de leve as minhas costas, fazendo com que eu me arrepiasse.
_ Mas eu não posso mesmo provar? — ouvi a voz dele baixinha no meu ouvido, fazendo com que eu pulasse no lugar.
_ Como você chegou aí? Você se teletransporta ou o que? — perguntei, arfando de susto. Ele aparecera lá em meros segundos!
_ Eu só uso a luz ao meu favor, indo junto dela para aonde eu quiser. É como uma carona. — resmungou. — Você não vai entender mesmo, já que é só um humano...
_ Você acha que eu não entendo só porque eu sou humano? E se eu tentar entender você, isso mudaria algo? — perguntei, o olhando nos olhos.
Ele se aproximou novamente, fazendo com que eu recuasse até a parede, planejando um jeito de escapar dele. Mas do nada ele me segurara pelos ombros e sua expressão tornou-se triste.
_ Você quer me entender? — perguntou, parecendo um pouco surpreso.
_ Sim. — respondi, o fitando.
_ Achei que humanos como você não existissem... — murmurou. — Você foi o único que resistiu e não me deixou provar um pedaço. O único que me fez querer te matar e engolir sua carne ao máximo. Você é diferente das outras pessoas. Eu nunca pude conversar com ninguém, eles sempre pensavam em mim como um monstro e eu tinha que usar a sedução para conseguir comida... Mas você... Por que você não me deixa te provar? O que tem de tão interessante na sua vida para que você se agarre tanto a ela? — perguntou ele, abaixando o olhar.
_ Eu... Tenho sonhos... Quero comprar um carro... Ter uma família... Casar com uma mulher que eu amo e ter dois filhos... Um menino e uma menina... Talvez gêmeos... O garoto vai ter o nome de Peter, que sempre foi o herói da minha infância... E a garota vai ter o nome de Caroline, que foi a minha primeira paixão. Não quero desisitir desses sonhos tão facilmente, você entende? — perguntei, fitando os olhos do monstro. Ah, mas ele não era um monstro? Ele parecia tão inteligente...
Eu olhei para baixo, já pensando que ele não entendeu.
_ Eu... Não entendo. — ele confirmou o que eu já imaginara. — Você quer casar com uma mulher e ter filhos... Isso eu entendo, é procriação. Mas... Sonhos? — murmurou ele, fitando as próprias mãos. — Eu já perdi a esperança de realizar meus sonhos.
Eu o fitei, comovido com aquela resposta. Ele não tinha sonhos?
_ Eu não entendo... Como você não tem sonhos? — perguntei, vendo como ele parecia triste.
_ Eu nem queria ter nascido... — murmurou, engolindo em seco.
_ Por que você não queria ter nascido? Também não entendo porque você não saía das cordas da marionete... — eu e a minha curiosidade... Isso ia acabar me metendo em encrencas.
_ Todos os dias da minha existência eu me arrependi de ter nascido. Por que? Por vários motivos, que fazem todos me odiarem mais e mais, mesmo sem me conhecer. Sou anti-social. Fato. Tenho uma aparência fora do comum. Outro fato. Tenho que tomar sangue humano para sobreviver. Fato três. Quantos fatos eu terei que citar? Vivo sendo controlado, em busca de alguém que me aceite, me entenda e me ame. Tudo foi em vão. Não encontrei ninguém. Por que eu não me livrava das cordas? Porque se não me matam. O ser humano tem um grande poder hoje em dia, embora para muitos não pareça. Por isso sou um dos últimos que sobrou. Os outros foram mortos, quebrados, estraçalhados, jogados no fundo do abismo da morte para sofrerem eternamente e se arrependerem do dia em que nasceram. Não posso culpá-los por tentar destruir os humanos. Nós somos monstros. Vivemos de sangue, vivemos de morte. Mas por que os homens nos tratam de um modo tão... Tão... Amedrontado? Eles não sabem que são os reis do pedaço? Que a maior parte dos monstros que tem algum cérebro se mantém longe para não serem destruídos? Hum, são mesmo seres deploráveis. Assim como nós. — falou.
Assim que ele terminou, eu nem sabia o que dizer. Eu o fitei por alguns segundos e ele pareceu ter vergonha de algo, sumindo da minha vista.
_ Ei! — chamei, mas nada dele responder. Engoli em seco e notei ele sentado no sofá, com cordas amarradas nos punhos e nos pés, também vi lágrimas escorrendo de seus olhos. Eram lágrimas vermelhas. — Ei... Não fique assim. — murmurei, limpando suas lágrimas. Eu... Eu o entendia melhor do que eu conseguia suportar. Acabei chorando também e ele me fitou, surpreso.
_ O que foi? — perguntou.
_ Nada, é só que... Eu te entendo. — murmurei, limpando as lágrimas que insistiam em desabar no chão.
E ele me abraçou. Levei um susto e fiquei estático por um momento. Mas depois, lentamente, eu retribuí, me sentindo melhor assim. Ficamos assim por algum tempo, até que ele finalmente se afastou um pouco de mim e disse:
_ Você entende mesmo? Mesmo, mesmo, mesmo? — perguntou, com lágrimas nos olhos.
_ Sim. — falei, sorrindo. — E não me importo de você ser um monstro. Mas afinal, o que você é? — perguntei.
_ Devo ser uma mistura de duas raças. Meu pai era um meio dragão e minha mãe é uma... Como dizem... Pé Grande? — murmurou ele, rindo. — Mas puxei mais a aparência do meu pai.
_ É... — murmurei, o fitando. Dragão? Ele não parecia um dragão.
_ Na verdade, um meio dragão é um dragão que se transforma em humano. Quer mesmo que eu te mostre minha verdadeira forma? — perguntou, sorrindo.
_ Não. — murmurei, rindo.
Acho que a gente estava começando a se dar bem...
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