O Mito das Guerras Santas - Primevas
14 Capítulo 14 - Veneno
Notas iniciais
Com Athena bebê no Santuário os cavaleiros de ouro se reuniram na sala no Templo.
— Então você é Asclépio? — indagou Ashura.
— Sim, sou conhecido como O Curandeiro.
— Décimo Terceiro Cavaleiro de Ouro, ham… — ponderou Canaã. — Então é verdade que havia um décimo terceiro que Athena só chamaria num momento de caos completo.
— Bom agora que Athena retornou o que faremos? — Melkabah se manifestava.
— “Athena voltou” é um belo modo de dizer… — Ixeon fez um comentário seco. — Temos uma criança, um bebê que não pode comandar um exército! E está mais vulnerável do que antes, também!
Kha, Ohm, Salem e Enoch adentraram a sala que fora da deusa Niké.
— A senhora Niké não está desaparecida. — sentenciou o dourado de Virgem. — Ela usou seu corpo e sangue para curar Athena.
— A lança de Áres não fere apenas o corpo físico, mas a alma. E Niké se sacrificou. A alma dela agora reside nesta lança.
— Esta é a Lança do Destino que pertencia a ela!
— Sim. Antes de concluir o ritual ela a entregou a Athena.
— E porque Athena foi parar num bebê naquele vilarejo? — a pergunta vinha de Ágape.
— Niké, preferiu ocultar a presença de Athena, o fato de que ela ainda está viva de seu irmão. Por vontade da deusa, ela agora não possui mais um corpo divino e sua alma reencarnará sempre que a humanidade precisar dela. Athena se fez humana.
— Kha. Ohm. Posso falar-lhes um minuto. — pediu Lúcifer discretamente.
Os três se afastaram deixando Enoch e Salem, que reconstruíram os fatos através da leitura mental da menina Athena, esclarecendo os dourados de tudo.
— Eu não revelei aos demais cavaleiros quem eu sou de verdade. Disse a eles que meu nome é Asclépio. Não quero causar um alarde maior com o minha identidade real, acredito que Áres me conheça bem.
— Tudo bem, acredito que seu nome não seja trivial. Sem ajuda que nos deu nunca teríamos salvado Perseu e consequentemente Athena.
— Onde está o jovem?
— Com Athena. Ele não sai do lado dela desde que regressamos.
— Vamos retornar, Lú… digo Asclépio.
O cavaleiro de ouro assentiu com a cabeça.
— Então graças ao Pégaso Áres tem dois generais a menos?
— Exatamente, Ixeon. — Asclépio se aproximava. — Ele estava coberto de sangue dos filhos de Áres. Graças aquele jovem salvamos Athena.
— Precisamos eleger um líder, sem as deusas o exército ficará confuso.
— Acredito que Asclépio seja nossa melhor opção. — a palavra de Ágape foi certeira.
— Eu? Mas eu sou o mais novo entre os cavaleiros. Você seria mais indicado Ágape, por ser o primeiro escolhido de Athena.
— Não. É notória a amplitude seu cosmo. — afirmou Salem. — É sem dúvida o mais poderoso dentre nós.
— Concordo com Salem. — Ashura se levantou pousando a mão nos ombros do companheiro de Ophiucos.
— Acredito que nós todos estejamos de acordo? — Melkabah incitou. E todos concordaram.
— Aceitaria essa honra desde que Kha fosse meu conselheiro direto.
Armegin se levantou e se manifestou.
— Não poderia ter feito melhor escolha, o senhor Kha e o senhor Ohm foram peças cruciais em nossa missão.
— Então sem a deusa Niké para nos liderar. A partir de hoje, abaixo das ordens de Athena estará o Papa, o Grande Mestre que deverá ser escolhido em todas as gerações entre os cavaleiros mais poderosos que servem a deusa. — Ágape deu a sentença final — E para apoiá-lo, a armadura de Altar escolherá seu cavaleiro que será o assessor do Mestre.
— Apenas o mais sábio, o mais justo, o mais forte e o mais puro dentre os cavaleiros poderá estar neste posto e todo o exército de Athena se curvará a suas ordens, abaixo da deusa. — Salem finalizou o discurso aos cavaleiros de prata e bronze no santuário.
— Você ficou calado por todo o percurso tomado, mestre Selkh.
— Apenas observando, Clair.
Clair era a Amazona de Tarântula, discípula direta Selkh a quem o próprio disse que um dia seria a sucessora da casa de Escorpião. Seu poder era grande e podia ser considerada de um nível acima dos prateados. Tinha cabelos curtos na altura das orelhas, num corte reto com a nuca batida. Eram pretos como as aranhas caranguejeiras. Usava uma mascara com detalhes em marcas nas bochechas, duas de cada lado partindo do maxilar em direção às maçãs do rosto.
Num movimento rápido o cavaleiro colocou a amazona atrás de si segurou uma adaga com um das mãos.
— Quem está ai? — a floresta em que se encontravam era densa de fácil camuflagem.
Enquanto isso no submundo…
— Pai, já enviei soldados dos batalhões de Anteros e Ênio para todas as partes do mundo. Os cavaleiros estarão enlouquecidos! — disse Phobos se curvando ante a Áres sentado em seu trono.
— Eles vão pagar… e quanto ao Pégaso?
— Já enviei Assassinos do meu batalhão, que são assassinos mais sórdidos, e eficazes.
— Quero ter o prazer de torturar sua alma por toda eternidade. Vamos vingar a morte de seus irmãos!
Phobos saiu dos aposentos do pai.
— Você vai mesmo ficar alimentando essa fúria?
— Deimos, você melhor do que ninguém sabe o quão nosso pai fica mais poderoso conforme se enfurece. Quando sua ira chegar ao máximo nem mesmo nosso tio Hades irá segurar e nós… — ele jogou os cabelos brancos num gesto de indulgência. — nós vamos ser soberanos ao lado de nosso pai. Dançaremos sobre os cadáveres dos cavaleiros de Athena.
Selkh se concentrou em sentir o cosmo do inimigo, uma vez que não podia captá-lo com seus sentidos normais.
— Clair não baixe sua guarda. Provavelmente quem nos ataca é do Batalhão do Medo. São assassinos sagazes e furtivos.
Uma nova adaga foi lançada contra os cavaleiros, Selkh parou o ataque com a mão.
— Mestre!
— Não se preocupe, Clair estou bem. — ele retirou a lâmina da mão. Sentiu a fragrância. — Veneno…
O ataque agora veio de várias direções.
— Clair! — o escorpiano se moveu rapidamente desviando as três adagas.
Ele abriu a Caixa de Pandora de sua armadura que se desmontou acoplando-se ao corpo do guerreiro.
— Essas adagas estão envenenadas. Quem quer que seja nosso algoz, agora tenho certeza, pertence ao Batalhão do Medo.
O Batalhão do Medo era a divisão do exército de Áres liderada por Phobos. Seus membros eram assassinos sorrateiros e profissionais. Atacavam de forma furtiva, sempre desmoronando o psicológico do adversário para criar uma brecha para atacar. Não raro se valiam de métodos escusos para alcançar seus objetivos.
A amazona vestiu sua armadura.
— Se concentre. Nosso inimigo está oculto, mas suas armas têm de percorrer um espaço até nós. Sinta o deslocamento do ar a nossa volta, assim você saberá onde se proteger.
— Mestre como senhor não sofre os efeitos do veneno?
“Selkh nunca imaginou que alcançaria o reino de Atlântida. Athena o escolheu por ser de fato o mais indicado para uma infiltração.
Atravessando o primeiro portão de Atlântida ele se deparou com o foço imenso que separava a cidade em si dos grandes pilares que sustentavam os sete mares. Ele estava no Pilar do Atlântico Sul. Uma música começou a ressonar.
Droga o que é isso? — mesmo tapando os ouvidos o som parecia estar dentro de sua cabeça.
— Cavaleiro de Athena. Como ousa se infiltrar no solo sagrado de Atlântida?
— Quem… quem é você? — ele tinha dificuldades de organizar as palavras.
— Seria indelicadeza de minha parte não lhe dar o nome de quem será o responsável por sua morte. Eu sou Jean Pierre de Sirene.
— Você é um dos Generais Marinas… o que é esse som?
— Esta é a Sinfonia da Morte. Minha técnica principal, ao som desta melodia da flauta eu vou inutilizar sua utilização do cosmo e degenerar suas funções cognitivas de dentro para fora. E assim cairá o cavaleiro de ouro que ousou corromper com sua impureza o Templo de Poseidon!”
Ela sentiu o ar sendo cortado. Usou sua técnica criando uma substância pegajosa que impediu o projétil.
— Não podemos ficar aqui dessa forma mestre Selkh. Estamos absolutamente na defensiva.
— Não estamos acuados estamos exatamente onde deveríamos estar.
O cavaleiro elevou seu cosmo criando uma rajada poderosa que devastou as árvores formando uma clareira gigantesca.
Em meio a fumaça que se desprendia do solo eles finalmente avistaram o inimigo, a inimiga.
— Finalmente me descobriram. — seu tom de voz era carregado de um quê de sensualidade.
— Você é uma Berseker!
— Sim! — ela deu um gritinho agudo. — Eu sou Ayame de Deathbringer! — ela usava uma fúria cor de rosa que lhe cobria todo o torso como um corpete. As botas subiam até quase a bacia. As ombreiras eram arredondas se acomodando ao contorno dos ombros. Presas na parte de trás da cintura as adagas como as que foram lançadas contra os cavaleiros. Seu elmo se encaixava na fonte antes das orelhas. Os cabelos castanhos na altura dos ombros e o semblante extremamente feminino. — Vai ser divertidíssimo matar vocês dois! — e lançou um beijo soprado na direção dos cavaleiros.

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