O Mito das Guerras Santas - Primevas
15 Capítulo 15 - Escorpião Rei
Notas iniciais
No Santuário:
Melkabah meditava na casa de Aries. Seu cosmo era profundo, como um lago sem nenhuma agitação, límpido.
– Você tem um belo cosmo… — disse uma voz infantil de menina.
Melkabah abriu os olhos e se deparou com uma garotinha de cabelos curtos. Os olhos grandes da cor de ametista. Devia ter no máximo 5 ou 6 anos.
– O senhor é muito bonito. — ela se aproximou e tocou o rosto do cavaleiro afagando o cabelo vermelho selvagem.
Ele enrubesceu. Estava desconcertado com o fato de aquela garotinha tão pequena e inocente estar ali sem problema algum.
– De onde você vem garotinha?
– Eu sou daqui mesmo. Estava passando quando senti seu cosmo… é lindo. — ela sorriu com doçura.
– Como sabe o que é cosmo?
– Todos sabem, aqui é o Santuário, não é? Você é cavaleiro de Athena?
– Sim. Sou Melkabah de Áries. — ele seguia o diálogo desconcertado com a garotinha.
– Senhor Melakabah. — ela sorriu e rodeou o cavaleiro pulando em seus ombros.
– Mas você não me disse seu nome, mocinha…
– É que… — ela pousou o dedo indicador sobre os lábios. — É que eu não me lembro.
Na floresta Selkh e Clair finalmente encaravam a inimiga.
– Ela é muito perigosa. Esse veneno que ela usa eu só o vi ser usado uma vez. É o veneno da víbora de Ophir.
– A lendária víbora criada por Nix?
– Sim. Um humano normal teria sucumbido.
– Como sabe que é este veneno específico, Mestre Selkh?
– Eu já provei de todos os venenos do mundo. Sou imune a praticamente tudo. Talvez uma exceção sejam as rosas venenosas que Enoch plantou entre a casa de Peixes e o Templo de Athena. Mas acredito que com o tempo eu me torne imune àquelas rosas.
Naquele momento Ayame concentrou seu cosmo e se preparou para lançar sua técnica.
– Lótus Venenosa!
Ela lançou um incontável número de kunais ninjas.
– Comece Clair…
A amazona ergueu um dos braços. A atmosfera começou a mudar… como que por geração espontânea teias de aranha começaram a surgir em todas as partes à volta dos lutadores. Muitas das adagas ficaram presas nos emaranhados.
– Como isso é possível?
– Meu nome é Clair, eu sou a Amazona de Tarântula. E eu estou só começando…
– Vocês dois seus malditos!
“A sinfonia da morte de Jean Pierre parecia alfinetar cada célula nervosa de Selkh.
– Você é mesmo valoroso cavaleiro de Athena… vê-se que realmente é digno de seu posto como cavaleiro de ouro.
Selkh estava de joelhos com as mãos prensadas tapando os ouvidos.
– Mal… Maldito…
Selkh começou a sentir que perdia os sentidos. E foi quando ele desmaiou.
– Mesmo um cavaleiro de ouro não pode resistir ao poder da minha flauta.
O Marina já se afastava…
– Não é bem assim, Jean Pierre!
Como? — O Marina sentiu um frio percorrer sua coluna. Como era possível alguém resistir a sua técnica?
– Quem é você cavaleiro?
– Meu nome Selkh. Selkh de Escorpião, o Escorpião Rei.
– Você não pode ser… o famoso Escorpião Rei!
– Sim. Necromante das terras de Nod. E foi assim que eu venci sua técnica.
– O que você quer dizer, Cavaleiro de Escorpião?
– Nunca foi minha intenção entrar em Atlântida fisicamente, mas eu precisava me aproximar o máximo possível para projetar meu espírito para dentro dos muros.
– Projeção Astral?!
– Muito bem Jean Pierre! Minha intenção foi sempre projetar meu espírito. Por isso Athena me mandou; porque sabia da minha habilidade. Mas ainda assim a projeção astral não me serve apenas para espionagem. Quando desliguei minha alma do meu corpo automaticamente sua técnica parou de afligir os meus sentidos, por que eu estava tecnicamente morto.
– Maldição! Já que a Sinfonia da Morte não funcionou com você eu vou te dar minha técnica secreta, proibida a mim pelo próprio Imperador Poseidon!
Ele novamente começou a tocar a flauta…
– Já disse que sua música não vai funcionar…
– Esta não é a Sinfonia da Morte que você ouviu antes. Esta é conclusão da Sinfonia Final da Morte. Climax Final da Morte!
As ondas sonoras começaram a quebrar os ossos do cavaleiro de ouro, um a um. Braços, pernas, as juntas dos ombros. A dor era nauseante. Os ossos começaram a se partir mais, Selkh sentia como se fosse se tornar pó a qualquer momento.
Ele caiu com o rosto no chão… e começou a rir.
Sabe, Pierre, eu simplesmente acho que você não entendeu. Eu… — o cavaleiro estava de pé -… sou… — movimentou-se rápido seu cosmo estava atrás do Marina, agora — …Imortal… Agulha Escarlate…”
– Sabe Ayame, seu maior erro foi enfrentar um imortal.
– Do que está falando, cavaleiro? Somente os deuses não podem morrer…
– Ah não, não, não, não… Thithonos é um ótimo exemplo, Zeus o abençoou a pedido de Eos. No meu caso é um pouco diferente. Minha mãe quando eu era jovem me entregou como oferenda ao deus Anubis. Porém antes que minha mãe me matasse o próprio deus da morte do meu povo surgiu e me deu de seu sangue dizendo que daquele momento em diante eu seria seu filho.
– Mestre Selkh o senhor tem sangue de um deus?! — Clair estava espantada.
– Isso não importa, mesmo que eu não possa mata-lo, mestre Áres poderá com a lança dele.
A berseker se movimentou com ímpeto; em certo ponto da trajetória ela saltou girando o corpo por cima dos cavaleiros. Lançou as adagas envenenadas como uma espécie de saraiva de lâminas, porém a Amazona de Tarântula já estava pronta.
– Barreira de Aranha! — o cosmo dela formou uma teia que encobriu mestre e discípula.
– Maldita! Maldita! Maldita!
A berseker desceu girando no ar e rasgou a teia ao meio, atravessando com facilidade. O Cosmo se concentrou na adaga e atingiu o peito da amazona destroçando por completo a armadura. O impacto as levou ao chão. Os olhos de Selkh não conseguiam fugir daquela cena.
– Clair!
Quando a berseker tentou se erguer para atacar o dourado percebeu que estava presa numa teia formada a partir do cosmo da Amazona.
– Você não vai fugir de mim. — a voz da guerreira falhava e uma quantidade absurda de sangue jorrava pela boca.
– Me solte, sua maldita!
– Mestre Selkh não deixe que minha morte seja em vão… obrigado por tudo que me ensinou.
– Clair! — o grito do cavaleiro era cheio de dor e tormento.
Ele avançou rápido e furioso… mortal, como era de se esperar da ira do Escorpião Rei.
– Sinta a fúria do meu cosmo. Troveje meu cosmo! Agulha Escarlate: Antáres!
Selkh acertou os 14 golpes da Agulha Escarlate e finalizou com o ataque direto no coração, tudo isso numa fração de segundos...
– Acabou… Clair…
O corpo da berseker caiu sem vida, os olhos apenas com as partes brancas a mostra. Seu rosto exibiria uma feição castigada pela dor por toda a eternidade.
– Clair, eu deveria ter te protegido, não o contrário.
– Mestre não há o que fazer, veja... até mesmo minha armadura morreu. Ela era mesmo muito poderosa.
– Clair...
– Peça a Anubis para me proteger do submundo de Hades. Peça a Athena que guie minha alma. E novamente obrigado por tudo.
– Clair… não!
A amazona faleceu nos braços de seu mestre.
Para salvar a vida de seu mestre Clair de Tarântula caiu.

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