O Mistério de St. Reeve's
22 O Fim do Começo
Notas iniciais
You’re in love with him, and he’s in love with you,
and it’s like a goddamn tragedy,
because you look at him and see the stars,
and he looks at you and sees the sun.
And you both think the other is just looking at the ground.
–Desconhecido
Arremessar. Pular. Bater. Arremessar. Pular. Bater. Arremessar. Pular. Bater.
O barulho familiar dos tênis arranhando a quadra e das bolas de vôlei batendo no chão me acalmava. O ginásio estava vazio e não havia nenhuma aula programada por pelo menos mais uma hora, então não precisava me preocupar com ninguém me interrompendo.
Desde a minha demonstração na sala de Fenton, eu não tinha voltado para as aulas de vôlei e as meninas Freya e Laura não vinham mais falar comigo, no começo me preocupava que Fenton houvesse dito algo sobre os meus poderes, mas após alguns dias de insistencia, Danny descobriu que o rumor era que eu havia simplesmente desistido e era compreensivel elas estarem bravas, já que não muito tempo depois, teve a semana de jogos.
O barulho das portas se abrindo me fez parar de jogar e interrompeu meus pensamentos. Eu estava na ultima quadra, de modo que não conseguia ver claramente quem estava entrando. A pessoa continuou andando, provavelmente era Danny, ele devia ter recebido o meu recado.
–Eu recebi seu recado — Danny parou próximo ao limite da quadra e levantou o papel — "me encontre na quadra." Não acha meio vago?
–Eu estou aqui a tarde inteira, o horário não faria diferença.
–Você está aqui a tarde inteira? Charlie, são — Danny puxou o celular do bolso — quase quatro da tarde. O que diabos você está fazendo aqui?
–Bem, inicialmente eu estava escondida — apontei para o ponto mais alto da arquibancada — fiquei ali no canto, terminando o trabalho sobre escalas. Esperei o treino de basquete acabar e desci para a quadra.
–Como você arranjou as bolas?
–Você sabia que a sala de materiais fica aberta?
Danny olhou para mim desconfiado. A sala de materiais não ficava aberta, mas eu não precisava falar para ele que eu havia arrombado usando poderes que eu adquiri ao tocar um objeto estranho, em uma caverna abaixo do colégio.
–Por que não vai para a biblioteca? Ou para a piscina? Elton tem perguntado por você.
–Eu queria ficar sozinha.
–E por que me chamou?
Não respondi, levantei o dedo e apontei para a minha bolsa. Danny se aproximou, levantando-a.
–O que eu devo procurar?
–Um papel.
–Hum.. — eu não estava olhando, mas pude ouvir que Danny achou uma folha — "A vida na época do Império Romano"?.
–Provavelmente não — eu sabia que Danny estava tentando me animar, mas a atitude dele estava começando a irritar — é uma carta.
–Isso ajuda bastante.
Após alguns segundos, o barulho cessou, Danny provavelmente tinha achado a carta.
–Uma carta da sua mãe?
–Do meu padrasto, ele sabe que eu não abriria se viesse pelo nome dele.
–Quer que eu leia em voz alta?
–Não precisa, já li essa carta tantas vezes que eu provavelmente sei de cor.
–Certo.
Peguei a última bola, todas as outras estavam no outro lado da quadra, mais longe das minhas coisas e de Danny.
–Charlie — Dan provavelmente tinha terminado de ler a carta — eu não sabia.
Arremessei a bola e pulei, batendo e fazendo-a voar até o outro lado. Me afastei de Danny. Pelos passos podia ouvir que ele estava atrás de mim. Dei uma pequena corrida até o fundo da quadra e peguei outra bola, recomeçando o ciclo.
Danny estava parado na linha de três metros do lado oposto, com os braços abertos, mas como se estivesse incerto.
–Eu vou jogar — ameacei, levantando a bola.
Dan não se mexeu, então eu ataquei. Para minha surpresa, ele defendeu e devolveu a bola.
–Vamos mesmo fazer isso? — perguntei
–Se você não quiser falar, pelo menos jogue comigo.
–Eu sei que você está querendo ajudar, mas eu já estou irritada.
–E você acha que é a única? — Danny também parecia estar bravo, provavelmente por causa da minha atitude — faz quatro anos que eu não vou para casa no Natal. Quatro anos que eu passo o Natal e o Ano Novo aqui no castelo.
Eu não sabia o que falar, sabia que Danny tinha uma relação difícil com os pais, mas achei que ele pelo menos fosse para casa passar as festas de fim de ano com eles.
–Eu lembro do meu primeiro ano aqui, meu único amigo era o Adam. Três semanas antes do Natal, na aula de Artes, a professora nos mandou fazer um cartão para os nossos pais. Eu já sabia que não iria para casa, mas imaginei que ao menos eles fossem me ligar. Mas não, no dia do Natal, eu recebi aqueles cartões prontos, que você compra em aeroporto, não havia nenhuma mensagem especial para mim, eles nem haviam se dignado à assinar. Então, no dia de Natal, eu entreguei o meu cartão ao Adam — Danny sorriu, mas ele estava triste — ele me abraçou e me entregou um presente. Não era nada demais, na verdade, era um cachecol que havíamos visto quando fomos para a vila, mas significou tanto para mim.
–Danny, eu não sabia — a minha raiva diminuiu, não conseguia imaginar o que era passar todo esse tempo longe da família.
–E desde então, Adam ficou comigo todos esses anos, no segundo foi melhor e o do ano passado foi incrível, nós trocávamos presentes e os pais de Adam mandavam suéteres de Natal para nós dois. Não se ache tão especial, só porque sua família perfeita te rejeitou — Danny atacou, a bola vindo com força em minha direção, não encontrei forças para atacar de volta, então apenas me abaixei e deixei a bola passar por cima da minha cabeça — você não tem ideia do que eu passei.
–Você realmente não devia me deixar com raiva — eu sentia um formigamento na nuca e um gosto amargo preenchia a minha boca — eu não quero te machucar.
–Me machucar? — Danny soltou uma risada mais parecida com um latido.
Soltei a bola que estava segurando, ela caiu aos meus pés, Dan passou por baixo da rede, se aproximando de mim. As bochechas dele estavam vermelhas, não sabia se devido ao esforço físico ou à raiva, o cabelo caía pelo rosto de Danny e as mãos estavam cerradas em punhos. Eu não recuei, mas Dan estava se aproximando. Olhei para a bola que estava próximo de mim e a fiz voar até o outro lado da quadra, usando meus poderes. Se Danny viu, ele não se impressionou.
–Ótimo truque. Você vai me arremessar?
–Se for preciso — eu falei, estava determinada — que tal nós simplesmente esquecermos isso?
Danny levantou os braços, antes que ele pudesse pousa-los no meu ombro, abri as duas mãos, com as palmas voltadas para fora e empurrei o peito de Danny. Observei enquanto ele voava, até atingir a rede que separava as quadras, a pelo menos quatro metros de altura, descendo lentamente até parar no chão.
Andei calmamente até a arquibancada e peguei a minha bolsa. Olhei para trás, Danny já estava de pé, mas se mantinha a uma distância respeitável.
Passei a alça pelo meu ombro e segui para fora do ginásio. Fiquei sem saber o que fazer, pensei em ir para a piscina, mas Elton iria perguntar o motivo da minha ausência e naquele momento, a última coisa que eu queria era contato humano.
Apesar do sol, estava frio, já dando os primeiros indícios do inverno. Esfreguei uma mão na outra, tentando obter algum calor. Fui andando pelo caminho coberto, as telas de plástico já estavam abaixadas, evitando que o vento entrasse e o calor saísse.
Entrei no castelo, a temperatura lá dentro estava agradável, então abandonei a postura encolhida e rumei para as escadas. Parei em uma das maquinas de bebidas quentes e escolhi um espresso triplo. Ao contrário de muitas pessoas da minha idade ou do senso-comum das pessoas inglesas, eu preferia café à chá e preferia o espresso, ou seja, o mais forte.
Enquanto a máquina esquentava a água e moía os grãos, apoiei a minha cabeça na parede. Obviamente minha decisão de manter Danny longe de tudo que estava acontecendo havia falhado, esperava que não acontecesse com ele o que aconteceu com outras pessoas queridas. Um bipe avisou que o café estava pronto e me distraiu daquela linha de pensamento.
Ainda eram quatro da tarde, ou seja, os alunos não podiam ir para os quartos, mas felizmente não tinha ninguém cuidando dos corredores. Me esgueirei pelo caminho, chegar na porta do quarto me deu uma sensação de dever cumprido. Abri a porta lentamente, não havia nenhum barulho fora o barulho dos meus passos. Corri para perto da minha cama e me deitei, estávamos em final de trimestre e os trabalhos estavam se acumulando, mas eu tinha certeza de que não conseguiria escrever uma palavra. Fiquei olhando para o estrado de Ren, apesar do clima de fim de ano, a temperatura do quarto estava agradável.
O que eu havia feito com Danny era imperdoável, tinha prometido para mim mesma que não falaria dos meus poderes, por vários motivos, mas principalmente para mantê-lo a salvo. Os segredos e o perigo que acompanhava aquele estranho objeto eram o bastante para corromper uma alma e depois de tudo que Danny havia passado, ele merecia ser feliz, todos nós merecíamos ser felizes.
Eu poderia falar com ele, poderia contar a verdade, eu tinha que contar a verdade. Não ter ninguém para falar sobre o que estava acontecendo me machucava. Em algum ponto dessa linha de pensamentos, eu adormeci.
Acordei algum tempo depois, o quarto já estava escuro e o chuveiro estava ligado. A cama de Kat estava vazia, e provavelmente Ren estava no banho. Olhei o relógio que ficava em cima da cômoda, já eram quase oito da noite.
Me levantei da cama, me espreguiçando e estralando as costas até chegar no guarda-roupa. Peguei um casaco de moletom e coloquei por cima da camiseta de esportes, agradecendo mentalmente o fato de estar usando uma calça jeans e não o uniforme do colégio.
A porta do banheiro abriu e Ren saiu, com a toalha enrolada na cabeça e colocando um casaco.
–Charlie — ela exclamou surpresa — eu te acordei?
–Não — apontei para a porta — eu estava indo comer, você já jantou?
Ela assentiu.
–Eu subi correndo, tenho que terminar o trabalho do Mikael — eu havia esquecido totalmente do trabalho de sociologia — você já fez?
–Não — confessei um pouco envergonhada — para quando é?
–Semana que vem, eu posso te ajudar, se você quiser — Ren fez um gesto para que eu me abaixasse — temos que falar com a Katherina.
–O problema é que não sabemos onde ela está – faz alguns dias que não a vemos.
A luz era pouca, mas pude ver que Ren levantou uma sobrancelha.
–Talvez devêssemos falar com o professor de música, você sabe o que ela anda fazendo?
Fiz que sim, não importava a hora, o cheiro no quarto era óbvio.
–Certo, mas eu realmente tenho que ir.
–Falaremos com ele amanhã depois da aula — levantei o polegar e fui em direção à porta — te vejo depois.
Abri a porta e a luz inundou o quarto, pude ver Ren sentada na escrivaninha, fazendo o trabalho de sociologia. Não andei nem metade do caminho até a escada, quando uma mão puxou o meu braço.
–Charlie — Gwen entrou na minha frente — Daniel quer falar com você, ele diz que é urgente e pede que você vá ao lugar de sempre.
Ela olhou para o corredor, Delphine estava sentada em uma cadeira próxima a escada.
–Não se preocupe, eu te dou cobertura — ela me virou e empurrou as minhas costas em direção à janela — sim, é óbvio que eu sei, agora vá.
Olhei espantada para Gwen, eu sempre achei que fosse um segredo meu e de Danny, mas a mulher parecia saber de outras coisas além disso.
–Você não é a única que eu protejo — Gwen voltou para perto de Delphine, tapando a visão que a senhora tinha da janela.
Passei as pernas e pulei para o telhado, ainda me perguntando o que Gwen queria dizer com aquela frase.
Andando calmamente pelas telhas, eu rumava para o local que nós nos encontrávamos. Achei estranho Danny ter me chamado, especialmente depois de nossa conversa durante a tarde. Normalmente eu não me importaria, mas hoje, apesar do céu estar limpo, ventava incessantemente. Apertei melhor meu casaco, lamentando não ter pego um dos meus sobretudos e amaldiçoando o clima do fim de ano escocês.
Uma figura se destacou à distância, o vento fazia com que o sobretudo de Danny esvoaçasse e a luz da lua deixava os cabelos dele em um tom de prateado.
–Charlie — ele me ouviu chegando e se virou — você está com frio?
Só então notei como puxava o casaco para perto de mim, tentando reter o calor. Danny abriu os braços e me puxou para perto, bati contra o peito dele, com as mãos na minha frente e a cabeça apoiada na curva do pescoço.
–Me desculpe pelo que aconteceu — eu murmurei, o calor agora me envolvia e eu parei de tremer — eu estava com muita raiva acumulada e realmente não queria te envolver nisso.
Danny me puxou em direção ao cobertor, tirando-o do chão e passando pelos nossos ombros.
–Posso te contar uma história? — fiz que sim com a cabeça.
Danny estava com o braço por cima dos meus ombros, segurando uma ponta do cobertor e eu apoiei minha cabeça nele, nossas pernas estavam dobradas e se tocavam.
–O ano era 1996, meu pai John Neverost estava se mudando de seu país natal, a Irlanda e indo para o Canadá, pois tinha recebido uma promoção e agora era o diretor-chefe das filiais na América. Ele se mudou para uma agradável casinha a apenas quinze minutos do centro de Quebec, a cidade, não a província. Depois de mais ou menos seis meses, nessa cidade em que a maioria das pessoas era francesa, ele conheceu minha mãe, Amelia Queen, ela trabalhava em uma divisão diferente da mesma empresa. Eles se casaram depois de dois anos e alguns meses depois, bum — Danny apontou para si mesmo — mais ou menos na mesma época, a vizinha e melhor amiga da minha mãe, Mary Bayle engravidou e três dias depois de mim, nasceu o meu melhor amigo da infância, Oliver Boyle.
–Você nunca tinha me falado dele — Danny levantou o dedo, para que eu parasse de falar.
–Tem um motivo. Como era de se esperar, com nossas mães sendo amigas, Oliver e eu também nos tornamos grandes amigos. Ele vivia lá em casa e eu na casa dele, nós íamos para a mesma escola e tínhamos os mesmos amigos, enfim, nós éramos inseparáveis.
–Até que, doze anos depois, eu finalmente comecei a perceber que eu era diferente dele, que por mais que fossemos parecidos, nós éramos diferentes em algo que, na minha idade, era fundamental. Ollie gostava de meninas, ele até tinha uma "namoradinha" e eu me sentia pressionado, mas eu simplesmente não conseguia. Então, um dia — Danny fez uma pausa e soltou uma pequena risada — é engraçado como você lembra os detalhes.
–Nós estávamos no quintal da minha casa, olhando as estrelas, como fazíamos quase todas as noites e eu falei para ele que eu talvez não fosse como as outras pessoas. Eu me lembro até hoje da reação dele, ele falou "Então você é gay?" e naquele momento, tudo que eu queria ouvir era que ele me apoiava, me entendia e que estaria comigo quando eu contasse para os meus pais, mas quando ele falou isso, eu percebi que Ollie não poderia me aceitar como eu era, que por melhores amigos que nós fossemos, ele não poderia conviver comigo. Então eu me levantei e subi para o meu quarto e me lembro que eu chorei até dormir. No dia seguinte, durante o café da manhã, meus pais me avisaram que nos mudaríamos em duas semanas, que eles iriam pedir transferência e que voltaríamos para a Irlanda.
–Minha mãe chorou e me abraçou, ela falou que tudo era uma fase e que eu acharia uma boa menina, me casaria e teria filhos lindos. E isso me quebrou — a voz de Danny falhou — nessas duas semanas, eu saia do meu quarto para ir comer. Eu não fui me despedir dos meus amigos e não fui me despedir de Ollie, simplesmente por que não podia aceitar que ele havia contado meu maior segredo aos meus pais.
–Quando chegamos na Irlanda e meus pais perceberam que não era apenas uma fase, eles me mandaram para cá. E eu não os vi desde então, tenho a impressão de que se passasse por eles na rua, eles não me reconheceriam.
–Então eu conheci Adam e tudo mudou, ele foi a família que eu nunca tive, ele me apoiou quando eu contei para ele e passou meus aniversários comigo, ele me comprava presentes e me dava chocolate quando eu me sentia mal — Danny sorriu, mas estava triste — e então, Peter apareceu.
–De certo modo, eu não estou surpresa — eu falei pela primeira vez — e vocês são um casal fofo.
–Muito engraçado, Peter é um dos meus melhores amigos e eu sinto como se a história estivesse se repetindo. Eu não posso contar para ele, pois não quero arriscar a nossa amizade, então eu fico aqui, reprimindo meus sentimentos e esperando que algum dia ele me olhe do jeito que eu olho para ele.
Depois da história, eu apenas abracei Danny.
–Eu não queria que você passasse pelo que eu passei, por isso fiquei bravo, me desculpe — Danny me abraçou de volta, colocando o queixo no topo da minha cabeça — e eu não sabia que você tinha poderes.
–Sim, eu tenho, mas podemos por favor falar disso em outro momento?
Danny deu risada e eu finalmente senti que tudo estava certo entre nós.
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Eu nunca acreditei em amor à primeira vista, muito menos em destino ou a ideia de que duas pessoas estavam predestinadas a ficar juntas. Mas olhando para Danny e Peter, eu tinha certeza de que, não importava quantas vidas, em quantos universos ou quanto tempo, a única coisa que poderia separa-los, era a morte. Eu os observava à algumas mesas de distância, aparentemente, Ren e o moreno não estavam se falando e eu estava sentada com a garota.
–Você já os viu juntos? — voltei meus olhos para Danny, ele agora jogava amendoins e Peter os pegava no ar e eles riam como crianças presas em corpos de adultos.
–Eles seriam um casal fofo, se você não estivesse com o Danny — nesse momento, eu quase cuspi minha água.
–Danny e eu somos só amigos, não tem a menor chance de algo acontecer entre nós — Ren estreitou os olhos, olhou para mim e depois para Danny, olhou para Peter, que continuava brincando com o loiro.
–Zero de chance?
–Sim.
–Certeza?
–Absoluta.
–Então, se não é você, é ele? — Ren voltou a olhar para os dois, Danny estava com a cabeça de Peter presa debaixo do braço e usava a outra mão para esfregar o cabelo do moreno — eu meio que suspeitava.
–E Peter?
–Ele nunca me falou nada do gênero — Ren deu de ombros — talvez Odin queira que eles fiquem juntos.
A ideia me fez rir e eu e Ren trocamos um sorriso.
–Talvez se você fosse falar com ele — apontei para Peter.
–Não tão cedo.
Nesse momento, a música que antecede um anúncio tocou e eu instintivamente olhei para o teto. As poucas pessoas no refeitório também pararam o que estavam fazendo, inclusive Danny e Peter.
–Atenção, alunas Ren Kouhen, Charlotte Mills e Katherina Dobe...Drobre.. - pude sentir Mickey limpando a testa — compareçam à sala do professor Thomas imediatamente.
Eu continuei na mesma posição mesmo depois do anúncio ter acabado, olhei para Ren e ela lentamente desceu os olhos em minha direção. Os olhos dela provavelmente refletiam os meus próprios. Preocupação. Medo. Angústia. E também gritavam as mesmas palavras.
"Está tudo acabado"
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