Notas iniciais
Espero que gostem. A música do capítulo é Photograph do Ed Sheeran http://www.youtube.com/watch?v=YYc9NPiVw7c Nós tivemos que mudar o nome do professor de Física para Sirén.

Ah, love at first sight. When you see someone so beautiful

that you forget they aren't there just for you.

A Softer World — She's perfect. I'll take two

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Acordo assustada, olho ao redor, atenta a qualquer barulho estranho. Katherina parece se mexer, mas não consigo ver direito, ela fala alguma coisa que não entendo. Não parecia inglês, passo um tempo pensando que o estranho Obelisco havia nos dado a capacidade de falar outras línguas quando me toco de Kat é búlgara. Sinto uma vontade imensa de gargalhar de alivio, mas acho que as meninas não gostariam de serem acordadas com meu riso histérico.

Levanto da cama, fora das cobertas não esta tão frio, o dia provavelmente seria quente. Caminho sem fazer barulho até o pequeno frigobar perto da nossa janela, pego uma garrafa de água e tomo quase metade dela em um fôlego. Puxo as cortinas e percebo que ainda não amanheceu, ainda devia ter umas duas horas antes de tocar o alarme. Não sabia o que fazer, tentei voltar para a cama e dormir mas tudo parecia errado, as cobertas muito pesadas, o travesseiro alto demais. Me mexi durante alguns minutos, até que desisti. Peguei meu livro e acendi o abajur, li por um tempo e sem perceber, cai no sono.

Acordei assustada, "Primavera' de Vivaldi ecoava pelo quarto, o silencio indicava que Ren continuava dormindo. Havíamos feito uma espécie de pacto, não acordaria Ren se ela não reclamasse quando eu ficava até tarde lendo. Katherina começava a se mexer, corri para o banheiro e tomei um banho rápido. Como indicava minha previsão noturna, esse dia seria quente. Coloquei o uniforme e peguei o blazer mais leve, apenas para prevenir

Sai do quarto e fui apressada até o refeitório, ainda era cedo, mas hoje era o dia que chegariam as cartas de nossos parentes. Isso me soava como um livro, dei uma risada ao imaginar nossas cartas sendo trazidas por corujas. Cheguei no refeitório pouco depois das sete e vinte e peguei uma torrada e geleias. Passei no pão calmamente, enquanto refletia o que poderia ter nos arremessado e como aquele negocio emitia luz.

Senti uma presença atrás de mim e imediatamente, me encolhi. Duas mãos enormes pousaram nos meus ombros e ficaram fazendo massagem, depois de dois dias dormindo mal, eu relaxei um pouco, enquanto os dedos de Danny passavam agilmente pelas minhas costas.

–Não sei o que você tem feito — ele para a massagem e me da um beijo no topo da cabeça — mas definitivamente precisava disso.

Danny se senta na minha frente, peguei uma maçã da bandeja dele e dei uma mordida.

–Ei — ele estende o braço e tenta pegá-la — você não pode fazer isso.

–Sinto muito, mas acho que você não tem escolha — sorrio para ele.

Terminamos o café pouco tempo depois, nos levantamos juntos e fomos jogar as bandejas no lugar apropriado.

–Nem acredito que temos aula de física hoje — Danny passou a mão no casaco, na falha tentativa de tirar as migalhas de pão — isso desanima qualquer um.

Ele passou o braço pelos meus ombros e me levou ao andar de baixo, confesso que foi meio complicado descer a escada, mas conseguimos chegar no fim com todos os membros intactos. Andamos até os armários e começamos a tirar os livros, nossa primeira aula era Física e isso era muito triste.

–Pronta para mais uma aula com o Sirén — Danny fechou o armário com um tapa e sorriu tristemente para mim — espero que ele caia, quebre o nariz e não possa nos dar aula por três meses.

–Você não é o único — retribui o sorriso — vamos logo, quero pegar as mesas do fundo.

Fomos meio andando meio correndo para a aula de Física, quando chegamos na sala ainda não tinha ninguém. Nos sentamos nas últimas carteiras e aos poucos mais almas chegaram para serem torturadas pelo professor. Mantive uma conversa com Danny, ele me contava algumas histórias do time de lacrosse.

–Sexta teremos nosso primeiro jogo — ele passou a mão no cabelo, parecia nervoso — é aqui no campo, temos meio que uma rivalidade com esse time, seria legal se você fosse.

–Eu adoraria, posso até matar a aula de vôlei — pisquei para ele — mas já vou avisando que não entendo nada de lacrosse.

–Bem, eu posso te explicar o básico — Danny começou a falar, falava de como o bastão tinha nomes diferentes, como se contavam os pontos e em que posição ele jogava.

Em algum momento eu me perdi, provavelmente muito no começo, pois assim que o professor entrou na sala, fiz um gesto para ele parar de falar.

–Não acredito que você vai deixar de admirar minha beleza e vai prestar atenção na aula de física — ele parecia indignado

–Temos prova semana que vem e por ter passado as duas ultimas semanas trocando bilhetes com uma certa pessoa, eu não sei de nada — olhei para ele com raiva, mas depois sorri — você devia fazer o mesmo

–Por nada nesse mundo eu presto atenção na aula de física — ele apoiou a cabeça na parede e se esticou.

–É impressão minha, ou a sala tá mais vazia — na frente de Danny tinha um lugar vago, no meu lado tinha outro e eu podia ver alguns buracos nos lugares da frente

–Não são muitas pessoas que gostam de física e esse professor não ajuda — Dan pegou o caderno — vou pelo menos fingir que estou prestando atenção

Eu dei uma risada um pouco alta de mais, o professor olhou zangado em minha direção e quando achei que fosse chamar minha atenção, ele foi até a porta e a abriu. Colocou a cabeça para fora e falou algumas coisas que não consegui entender.

–Tomara que seja um aluno novo — olhei para Danny — e gostoso.

–Ai amiga, verdade essa escola tá precisando de uns bofes — Dan fez a perfeita imitação de um amigo gay, ele começou a rir, mas seu olhar se fixou em alguma coisa atrás de mim

–Não me diga que o Sirén tá aqui — dei de ombros, pelo menos não estava fazendo gestos obscenos — Danny por favor, tem que ser um bofe muito lindo pra atrair sua atenção desse jeito.

Estava de costas para a porta, por isso tive que me virar para olhar, assim que coloquei os olhos naquela pessoa, entendi por que Danny não me respondia. Parado na porta estava um garoto alto, com cabelos castanhos penteados para cima e olhos azuis escondidos atrás de um óculos quadrado e preto, o menino viu Danny e sorriu, passou pelas mesas de alguns alunos confusos e se sentou na frente do meu amigo.

Adam claramente havia acabado de chegar, não estava com nenhum material e usava uma camisa branca e um blazer preto, pude ver um lenço saindo do bolso do casaco, ele era preto com bolinhas brancas e junto com tudo isso, ele usava uma calça jeans.

–Vejo que não demorou muito tempo para você me substituir — Adam provavelmente tinha o sotaque mais lindo que eu já vi, ele piscou para Danny e sorriu para mim — acho que ainda não nos conhecemos, meu nome é Adam Morgan

–Charlie Mills — apertei a mão dele — Danny falou bastante de você

–Danny, uau — Adam lançou um olhar zombateiro para meu amigo e Danny me olhou com raiva — você mudou bastante em três meses

–Fica quieto Adam — Danny sorriu, depois apontou para o professor — acho que ele quer dar aula

–Uma pena, achei que ele quisesse passar a aula me admirando, algumas pessoas com certeza iriam gostar — ele piscou para mim e depois para Danny

Eu sorri, primeiro pelo atrevimento de Adam, depois porque percebi que ele era muito parecido comigo. O resto da aula passou tão rápido quanto uma lesma manca e quase não contive meu alivio quando o sinal tocou.

Nós nos separamos, já que aparentemente a única matéria que teríamos juntos era física. Fui para a aula de geografia com Adam, passamos o trajeto conversando sobre minorias. Como um bom amigo, Adam me colocou a par de todas as histórias embaraçosas de Danny, enquanto ele ia atrás rindo e contando coisas ainda piores sobre Adam.

–Bem — Dan parou na porta da sala de História — eu espero vocês aqui, não fujam.

–Sim senhor — bati uma continência brincalhona e dei um beijo na bochecha de Danny

–Ei — Adam protestou — eu também quero um beijo

Fiquei na ponta dos pés, já que o moreno era realmente mais alto que Danny e dei um beijo na bochecha dele

–Ui, sai de mim — Adam me empurrou gentilmente e olhou para Danny com olhos apaixonados — eu tava falando dele

Naquele momento, eu senti que se tentasse segurar o riso por mais um segundo, teria explodido.

–Imaginei, bem vocês realmente parecem um velho casal — coloquei uma mão nas costas de cada um e empurrei-os mais perto — não me deixem impedir vocês

Entrei na sala e fiquei com a leve impressão de ter ouvido um estalar, Adam se juntou a mim logo depois e ficamos conversando durante a aula inteira. Me assustei quando o sinal tocou, pois não pareciam ter passado cinquenta minutos.

–Bom, essa é a mágica de se estar comigo — Adam sorriu e passou o braço pelos meus ombros, andamos juntos para fora da sala e encontramos Danny nos esperando.

Fomos para um banco perto da janela, com vista para a praia

–Sem querer ser rude nem nada, mas por que você voltou — Danny perguntou

–Meus pais tinham pago um ano de aula e eu só vim onze meses — Adam deu de ombros — vou ficar aqui por algum tempo, já que eles aparentemente não devolvem o dinheiro.

O recreio terminou e fomos para nossas aulas, encontrei Danny já sentado na sala que química e pedi para ele me contar mais sobre Adam.

–Não sei porque ele veio para cá, normalmente os pais mandam os filhos quando tem algum tipo de problema, mas Adam nunca me falou nada sobre isso — olhei nos olhos de Danny e percebi que ele estava mentindo, mas resolvi não pressionar.

–Então o que você esta fazendo aqui? — ele me olhou, por trás do olhos verdes, pude perceber tristeza.

–Isso é uma história para outro dia — ele sorriu para mim e passou o resto da aula com um ar nostálgico.

Por um tempo fiquei com medo de ter ofendido Danny, mas depois percebi que ele só sentia muita falta de alguma coisa. Esperava que com o tempo ele confiasse em mim o suficiente para me contar o que fazia naquele lugar.

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Finalmente sexta, eu mal podia acreditar, havia passado a semana pensando no que tinha levado Danny e Adam para o internato.

Cogitei perguntar ao Adam, mas imaginei que ele não me contaria, de qualquer jeito, Danny tinha me mandado uma mensagem e dito que queria se encontrar comigo hoje á noite.

–Booooom dia, flor do dia — Adam segurou meu braço e me girou, parecendo ignorar o fato de que eu estava segurando um prato cheio de comida — sorria, afinal hoje é sexta.

Sentamos os três em uma mesa, da primeira vez que vi Danny, achei impossível alguém comer mais que ele, mas aparentemente Adam estava lá para colocar minha teoria a prova. Fiz um lembrete mental para algum dia fazer uma competição de comida entre ambos.

–Por gentileza — falei com minha voz mais calma — tentem não implodir, seria terrivelmente difícil limpar as manchas de cérebro daquelas paredes brancas.

Danny falou alguma coisa, mas não consegui entender, ia fazer um gesto para ele repetir, mas achei que receber mais migalhas voadoras não aumentaria minha compreensão.

Saímos do refeitório um pouco antes do sinal bater, estávamos descendo a escada para o primeiro andar quando encontramos com um grupo de populares.

–Olha só, a ovelha negra retorna — uma menina loira olhou para Adam com desprezo

–Não se preocupe cara — meu amigo falou para o namorado da garota — é só uma coisa passageira já que eu não quis ficar com ela.

Muito provavelmente eu ri alto demais, pois a garota loira e com cara de cavalo me olhou feito. Ao longe, um vaso de flor balançou perigosamente e ameaçou cair do pequeno aparador, felizmente ele parou, olhei ao redor preocupada, coisas desse tipo vinham acontecendo comigo desde domingo. Adam passou o braço pela minha cintura e me empurrou gentilmente, me tirando de meus devaneios, continuamos nosso caminho sem sermos interrompidos por mais ninguém.

–Nos encontramos aqui — eu falei, enquanto pegava o material para a aula de matemática — assim que tocar o sinal do recreio

–Sim senhora — os dois responderam juntos, se encararam por um tempo e depois riram

Me despedi de ambos e fui para a aula, infelizmente não teria nenhuma aula com meus amigos, mas a ultima aula da semana era com minhas duas colegas de quarto.

Desde domingo o clima andava tenso, não sei se era por causa do que havíamos dito, ou se era porque as coisas andavam muito estranhas. Quando encostamos naquele Obelisco, pude sentir que algo havia mudado para sempre, durante a semana eventos estranhos começaram a acontecer, sempre que sentia fortes emoções as coisas ao meu redor começavam a se afastar, no começo achei algumas desculpas, mas a cada vez que isso acontecia, estava se tornando mais e mais difícil fugir da verdade.

O professor entrou na sala e começou o conteúdo, quando dei por mim, estava sentada em um banco, esperando Danny e Adam saírem da aula de Inglês. A única coisa que eu conseguia pensar era em como meu lápis tinha magicamente rolado de minha mesa, cheguei a pensar em comentar isso com Dan e Adam, mas achava que eles falariam que era a gravidade agindo. "Bem, esse que é o problema, pelo menos de onde eu venho, a gravidade faz as coisas descerem rampas, não subirem"

Me levantei e comecei a andar, na esperança de tirar esses pensamentos da minha cabeça, fui até a porta e passei para o jardim, a fonte ainda estava vazia. Pensei em comentar isso com Ren e Kat, mas andava um clima tenso no nosso quarto depois de tudo que tínhamos feito e falado. Além do mais, não sabia exatamente como falar para elas. "Bem, lembram aquela água que caiu na gente? Acho que era a fonte do colégio. Nós sem querer drenamos o chafariz".

–Charlie — Danny e Adam estavam parados na porta e acenavam para mim — venha cá

Me aproximei deles e me sentei na escada da entrada, os meninos se sentaram ao meu lado.

–Então, nós queremos te mostrar um lugar — Adam começou

–Que fique bem claro que é um lugar secreto e é uma prova enorme de confiança — Danny piscou para mim — espero que você seja digna dela

–O que eu faço? — estava interessada nesse lugar secreto

–Tem uma janela no final do seu corredor, á direita do seu quarto, se não me engano — Danny passou a mão na cabeça

–Ela da no telhado, é simples — Adam deu de ombros — passe por ela e nos encontre no telhado leste

–Ás oito — os dois se levantaram juntos e foram para a aula — não se atrase.

O sinal bateu nesse momento, indicando aos alunos que o horário de descanso estava acabado. Fui para a minha sala e esperei o professor entrar, na única coisa que podia pensar era o jogo de lacrosse de Danny e o que ele e Adam queriam me contar.

A manhã passou muito rápido, quando dei por mim, estava guardando os livros nos armários e Danny conversava com Peter, o amigo de Ren.

–Vamos baixinha, se deixarmos esses dois, eles conversam 24 horas por dia — Adam me levou para o refeitório

Entramos e pegamos uma mesa um pouco mais afastada, o menino me deixou cuidando do lugar, enquanto ia pegar comida.

–Sabe o que? Eu espero o ano inteiro para termos a semana da comida mexicana — Adam colocou mais nachos do que eu achei possível, cobriu todos eles com litros de queijo cheddar e muito bacon — isso e a americana, não perco a chance de comer hambúrguer de graça por nada nesse mundo.

Eu sorri para ele e me levantei, além de uma comida que mudava toda semana, tínhamos um cardápio regular cheio de coisas. Peguei nachos, tacos e uma massa. Quando voltei para a mesa, Danny já estava lá.

–Ah, cansou de namorar o Peter — eu coloquei a bandeja na mesa e no exato instante que o retângulo de plástico tocou o metal da mesa, Danny esticou a mão e pegou uma porção gigante de comida — ei, eu paguei por isso

–Na verdade não — Adam me corrigiu — e ele sabe que nenhum namorado nunca vai se comparar a mim

–Pare de sonhar Ad, não se preocupe Charlie, Adam só esta com ciúmes porque eu te amo — Danny se levantou e voltou pouco tempo depois, com uma bandeja cheia de comida

–Vou ver vocês no jogo — eles assentiram e comemos em silencio por um tempo.

Dan comeu tão rápido que achei que fosse explodir, mas ele explicou que tinha que ir para a concentração. Adam e eu ficamos com a promessa de encontrá-lo nas arquibancadas.

Terminei de comer e fiquei esperando um tempo, até que saímos do refeitório e paramos nas maquinas de comida. Gastei todos os meus 10 créditos em chocolates e bolachas. Adam por outro lado, pegou apenas um pacote de balas e começou a comer.

–Guardando para mais tarde — ele explicou — as comidas não aparecem por magica no telhado

–Droga e eu achando que fosse um gnomo.

Adam riu e fez sinal para que eu o seguisse, fomos juntos até o campo em que normalmente fazíamos aula de educação física e nos sentamos nos primeiros níveis da arquibancada. Ficamos conversando e comendo até que os lugares começaram a encher e a banda começou a tocar, parecia que a escola inteira estava lá. Achei ter visto alguns professores perdidos no meio do mar de alunos, mas não vi nenhum que conhecesse.

–Vai começar, aplauda quando nosso time entrar e vire de costas para o outro — ele viu meu olhar e deu de ombros — é meio que uma tradição, sempre viramos as costas quando o outro time entra.

–Isso é legal — um movimento chamou minha atenção — acho que eles estão vindo.

O time de lacrosse rasgou um papel em que estava o brasão do colégio, a banda começou a tocar e achei que fosse ficar surda. Tentei achar Danny, mas no meio de tanta gente, só consegui ver uma cabeça loira. Os jogadores passaram correndo e cumprimentaram a torcida, assim que o barulho cessou, eles fizeram uma pequena roda no meio e o treinador começou a dar os últimos conselhos.

Ouvi um pequeno grito do outro lado do campo e antes que pudesse processar qualquer informação, Adam pegou meus ombros e me girou.

Arrisquei um pequeno olhar por cima do ombro e vi que o nosso time também estava virado de costas, assim como todo o nosso lado da arquibancada, eu sorri, toda aquela sensação de união me deixava feliz, mesmo que ela não fosse verdadeira e durasse apenas alguns segundos.

Nos viramos e o jogo começou, tentei fingir que acompanhava, mas na verdade não estava entendendo nada daquelas regras estupidas e colisões desnecessárias. Em algum ponto do jogo, Danny marcou um ponto, ele veio comemorar com o pessoal do banco de reservas e pude ver que ele estava realmente feliz.

Pareceu demorar uma eternidade, mas finalmente o juiz apitou e o jogo terminou, o time da casa ganhou por 3x2 e Adam me garantiu que era uma boa vitória, embora não significasse nada. Fomos esperar por Danny na porta do vestiário e ele foi recebido por aplausos quando finalmente saiu.

–Por favor, me digam que vocês tem algo para comer — o cabelo de Danny estava molhado e ele parecia muito cansado, mas estava feliz — eu to com muita fome.

Adam tirou o pacote de bala e deu para Danny, passei para ele uma barra de chocolate e uma garrafa de suco de laranja.

–Valeu Ad, essas são minhas favoritas — Dan piscou para mim — e eu já disse o quanto eu te amo, Charlie?

–Hoje ainda não — sorri para ele, meus dois amigos estavam felizes, o que me deixava feliz também — mas pode dizer á vontade

–Certo, nós nos vemos depois então? — Danny foi em direção ao castelo — vou achar um lugar reservado na biblioteca e tirar um cochilo.

–Eu vou dar uma nadada — apontei para a piscina atrás de nós — encontro vocês ás oito.

Fui para a água, cumprimentei Elton, que ficou feliz em me ver, já que eu não ia nadar havia quase uma semana. Peguei minha roupa e fui me trocar, quando sai da piscina, um casal estava brincando perto da borda. Elton parecia estar de divertindo e presumi que eles fossem professores.

–Alec, eu não vou entrar — a mulher ruiva batia inutilmente no peito de um homem com cabelos castanhos e um queixo surpreendentemente grande — você sabe que eu tenho medo.

–Kaz, olhe para mim, respire fundo, vai ficar tudo bem — percebi o que ele queria fazer e cogitei avisar a ruiva, talvez ela não fosse ficar muito feliz, lentamente ele se aproximava da beira da piscina — Carol, expire, inspire, expire, pronto.

No momento em que Alec falou isso, ele empurrou a mulher, agora Carol, e ela provavelmente sentiu isso e se segurou mais firme no homem. O resultado foi que os dois subiram encharcados e rindo feito duas crianças presas em corpos de adultos.

Dei de ombros, os dois formavam um casal muito fofo, fui para uma raia mais ou menos perto de onde eles estavam e olhei para Elton, fiz um breve coração e apontei para eles, o treinador de natação confirmou com a cabeça, levantei o polegar, respirei fundo e pulei na água.

Passei muito tempo nadando, me lembro de quando o casal foi embora, rindo e com o homem fazendo piadas sobre sair mais vezes para nadar. Eles foram para um vestiário diferente, supus que era o dos professores e saíram algum tempo depois, vestidos e de braços dados. Nadei por mais tempo, até que Elton me avisou que já eram quase seis horas, agradeci e sai da piscina, ao contrario do começo da semana, hoje já estava bem mais frio.

Tomei um banho demorado, prolongando ao máximo meu tempo na água quentinha e evitando sair no ar frio da noite, eventualmente tive que sair e senti que ia congelar. Durante todo o trajeto até o castelo, a única coisa que podia pensar era em minha cama quentinha e um casaco muito pesado.

Estava ofegante quando cheguei no quarto, sentia que o frio tornava os quatro andares muito mais difíceis de subir, ainda não tinha nenhuma noticia de Danny ou de Adam e tinha uma hora antes de me encontrar com eles.

Resolvi estudar um pouco de História e antes que percebesse o relógio batia sete e meia. Me levantei da escrivaninha e fui até o armário, ainda não havia encontrado Ren ou Kat e elas não pareciam se importar em chegar depois do horário. Peguei meu sobretudo, uma calça jeans e uma camiseta de manga comprida, esperava que no telhado não ventasse. Coloquei uma pequena quantidade de comida na bolsa, pois ainda não tinha jantado. Esperava passar no refeitório depois da minha misteriosa excursão ao telhado, mas não sabia se daria tempo.

Após checar se não tinha ninguém no corredor, andei lentamente até a janela e me surpreendi ao constatar que não era difícil alcançar o telhado. Passei um pé e depois o outro, tomei coragem e pulei para o telhado, esperava que ele fosse firme, pois seria uma morte terrível eu escorregar de uma telha e cair quatro andares para baixo.

Andei a esmo por um tempo, estava do lado leste, mas estava escuro e eu não sabia onde estava pisando. Achei ter ouvido vozes e me guiei por elas, cheguei em um cobertor estendido perigosamente perto do limite considerado seguro e quase na beira do telhado, duas formas estavam em pé, conversando e rindo de algo que eu não entendi.

–Charlie — Danny saiu de perto da borda e se sentou na colcha — finalmente, estávamos começando a achar que você tinha se perdido

–Na verdade sim — olhei em volta, aquele lugar parecia igual ao outro — por que esse lugar?

–É embaixo do nosso quarto — Adam sorriu — como você acha que subimos?

–Eu prefiro não saber, provavelmente teria pesadelos -Danny me passou uma caixa de papel alumínio, dentro dela havia alguns nachos e alguns tacos — obrigada.

Me sentei ao lado deles e comecei a comer, surpreendentemente, não estava ventando, como se a natureza sentisse que devia nos deixar ficar lá. Danny e Adam relembravam histórias dos velhos tempos e pela primeira vez em muito tempo, senti que estava verdadeiramente feliz.

Notas finais
~Nymeria Espero que tenham gostado