O Mistério da Pedra Azul
1 Capítulo 1 - O Mapa
Chovia, e podiam ser vistas as minúsculas gotas de água em contraste com as luzes de Nova York, a cidade que nunca adormece, onde circulavam naquele momento pessoas apressadas e bem arrumadas, no trajeto cotidiano para seus empregos.
Uma criança corria em direção a uma escola, jovens andavam de bicicleta pelo pequeno parque arborizado do bairro, um senhor de idade vendia balões ao lado do playground. Todos esses detalhes, detalhes que formavam uma cidade, eram observados por Jason, um jovem de vinte e poucos anos, de altura um pouco acima da média, magro, forte, com inteligentes olhos cinza e cabelos castanhos curtos.
Jason, com uma expressão triste no rosto, já estava a observar o dia por horas a fio, se perguntando o que faria agora, já que tinha sido expulso da faculdade e de seu emprego como guia no museu local, sem nenhum motivo aparente. O que ia dizer a seus pais? Simplesmente havia sido expulso, o aluno mais dedicado! Não podia decepcioná-los assim. Esses pensamentos corroíam a mente do jovem, que ainda tentava entender o porquê desses acontecimentos lamentáveis.
Teria ele dinheiro suficiente para se manter até encontrar um novo emprego? Mais uma dúvida para atormentá-lo no dia, e não pela primeira vez desde suas expulsões, suspirou profundamente.
Mais uma hora havia se passado, e Jason estava prestes a levantar do banco em frente ao parque quando algo chamou sua atenção. Do outro lado da rua, um homem saíra do museu segurando um pedaço meio queimado de papel, papel que ele reconheceu como o mapa para um tesouro escondido por um ladrão em algum lugar da América do Sul, e que estava esperando um lugar para ser exposto no museu. Tinha que pará-lo!
Levantou-se rapidamente, pegou seu guarda-chuva e tornou a seguir o homem, que andava tranquilamente pela rua. Ao chegar à entrada de uma ruela, o homem desviou seu trajeto e entrou na mesma, para imediatamente ser seguido por Jason, que não iria permitir o roubo de algo tão importante, uma relíquia, desde que impedi-lo estivesse em seu alcance.
Uma pedra. Apenas ao som dos pés de Jason tocando o chão onde havia uma pedra solta, o homem disparou pela rua, rapidamente subindo no telhado de um prédio baixo e desaparecendo nas sombras. Mas o homem deixou cair o mapa, e Jason o encontrou no chão ao lado do prédio.
Jason estava parado, apenas observando o pequeno e valioso pedaço de papel que estava em sua mão, e pensando no que faria a seguir com aquele objeto.
Em suas mãos estava um passaporte para uma grande fortuna, e era só ficar com ele.
Mas Jason sabia que isso estava errado. Ele não era um ladrão. Mas e se ele devolvesse o mapa depois? Era uma ideia boa e simples, viajar, pegar o tesouro e devolver o mapa. Seria rico, famoso e seus pais ficariam orgulhosos dele. Então decidiu. Iria partir.
Guardou o mapa no bolso, virou-se e percorreu o caminho até sua casa, que estava um tanto malcuidada e empoeirada. Havia louças para lavar, chão para limpar, cama para arrumar... Mas isso não era importante, logo estaria rico e compraria uma linda casa. Quebrou seu cofre, contou o seu dinheiro e constatou que possuía cinco mil trezentos e cinquenta e dois dólares.
Eram economias de um ano inteiro, mas Jason iria se arriscar pelo prêmio real de milhões de...? Jason sabia que para onde iria as coisas provavelmente eram diferentes, mas não sabia o quanto. O que importava era que ficaria rico, e o resto viria depois. Sentou-se em sua escrivaninha, abriu o mapa e começou a ler.
“The treasure is under the tip of the continent right-wing, in the city named triumphant.”
“O tesouro estará embaixo da ponta direita do continente-asa, na cidade com nome triunfante”.
Jason estava pensativo, tentando entender o enigma quando o som de uma pancada raptou seus pensamentos. A porta de seu prédio quebrara. Ao olhar pela janela, viu que a cidade estava mergulhada em uma tempestade monstruosa, e raios iluminavam as ruas com sua poderosa luz branca. Como não a tinha ouvido? Devia estar cansado.
O dia fora muito exigente dele, mas Jason sentou-se novamente determinado a resolver o enigma. Porém, ao sentar, sua visão escureceu.
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