Jason acordou. Sua visão estava embaçada, mas pôde distinguir a silhueta de uma mulher próxima a ele, então desmaiou novamente.
Ao acordar, percebeu que era observado por uma mulher linda, de mais ou menos vinte anos, longos cabelos negros como a noite sem lua, incrivelmente suaves olhos azuis e sorridente. A mulher pegou algo na mesa ao lado de sua cama e pôs em sua boca. Era quente e tinha um gosto bom, de legumes e carne, então Jason deduziu que era uma sopa.
– Sente-se melhor? — disse a mulher.
Jason ainda estava atordoado demais para falar, sua cabeça doía e suas pálpebras estavam pesadas, mas conseguiu balbuciar uma pequena frase:
– Quem é você?
A mulher apenas sorriu, e passou um pano com água em seu rosto. Sua visão clareou.
–Bem melhor — disse ele.
– Sou Cassandra, mas pode me chamar de Cass — disse a mulher.
– Cass – repetiu Jason, saboreando o som do nome, e continuou – o que aconteceu? Por que você está aqui?
A mulher acenou com uma mão indicando que o assunto podia ser discutido outra hora.
– Coma.
Após terminar de comer, Jason sentou-se ao lado de Cass, que estava lendo o mapa em voz alta repetidas vezes.
– “O tesouro estará embaixo da ponta direita do continente-asa, na cidade com nome triunfante” – disse ela.
– Agora, quem é você e porque está aqui?
Cassandra nem mesmo virou-se.
– Você corre perigo.

– O quê? – disse Jason.
– Você é surdo? – gritou Cassandra.
– Desculpa, mas não é todo dia que eu desmaio e acordo com uma mulher linda no meu apartamento me servindo sopa! – Cuspiu ele.
– Linda? – respondeu a mulher.
– Ah, você me entendeu! – disse Jason, e continuou – Minha cabeça dói.
– Ah, desculpe por isso – disse ela.
– Você bateu na minha cabeça? – respondeu ele.
– Você não me deixaria ver o mapa!
– Ah, então por isso você me deu uma pancada na cabeça?
– Já pedi desculpas!
– Ah, quer saber? – começou o rapaz – Você...
E então tudo escureceu novamente.

Acordou com o barulho da chuva. Ninguém além dele em casa, o mapa no mesmo lugar, nenhum prato de sopa ao lado da cama, televisão desligada.
Tinha sido um sonho, pensou ele. Levantou-se, foi até a escrivaninha, leu o papel, e começou a pesquisar. Baixou em seu notebook um mapa mundial e começou a procurar o tal continente-asa. Então encontrou. Tudo de uma vez. Estava claro no mapa: continente-asa, América, ponta direita, Brasil, cidade com nome triunfante, Vitória.
Ele iria para o Brasil.
– Hora de fazer as malas – disse a si mesmo.

Após fazer as malas, Jason decidiu dormir e ir ao aeroporto de manhã, então se lançou na cama, fechou os olhos e adormeceu.

Na manhã seguinte, Jason acordou cedo e já estava se preparando para sair.

Malas feitas, dinheiro contado e mapa bem escondido no bolso da jaqueta, desceu as escadas e chamou um táxi.

Enquanto percorria o caminho para o aeroporto, observava o levantar preguiçoso do sol por entre os enormes prédios prateados, as pessoas em quantidade aparentemente infinita circulando pelas ruas, as famílias despertando, Nova York em mais um dia comum.

Chegou ao aeroporto, desceu do táxi, checou as malas e as arrumou para ir comprar a passagem para o Brasil. Escolheu um voo na classe econômica, para poupar o máximo possível de dinheiro, já que não sabia quando, ou se, voltaria.

Caminhou apressadamente até seu portão de embarque e encontrou um banco vazio.

Sentou-se e pegou seu celular. Devia avisar a alguém de sua partida? Seria melhor que ninguém soubesse, mesmo tendo se convencido de que a mulher em seu apartamento fora apenas um sonho, havia dúvida em sua mente. Será que estava mesmo em perigo? Passou-se cerca de uma hora e, ainda absorto em pensamentos, ouviu o aviso de que estava na hora de embarcar.

O avião não era muito grande, mas era suficientemente espaçoso para se viajar com conforto. Sentado em seu banco, tornou a refletir sobre o que acontecera em seu apartamento e se aquilo tinha ou não sido um sonho. Estava tão claro em sua mente...

Com a ajuda de tanto esforço mental e turbulências no voo, Jason adormeceu profundamente. E não percebeu quando alguém se sentou ao seu lado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.