O Misterioso Caso Da Mina De Diamantes
5 No Hospital - Parte 2
Notas iniciais
Suspirei, porém não disse nada. O senhor Yektov ficou balançando em seu lugar, um tanto nervoso. Seu semblante, preocupado, e seu olhar, distante.
‘Senhor Yektov? Você está bem?’ Perguntei. Ele deu um pequeno pulo e olhou para mim, assustado. Respondeu-me com um leve gaguejar:
‘Uh? Ah! Uh... Eu... S-sim! E-eu estou bem!’. Não contente com a resposta, tomei a liberdade de perguntar novamente.
‘Tem certeza? Você aparenta... Estar tenso...’. Ele fitava-me com receio... De certo modo aterrorizado. Porém respondeu tão rápido, que duas palavras pareceram uma única sílaba.
‘Certeza absoluta!’
‘Certo...’ Ele estava mentindo. Estou certa disto. Mas, então, decidi deixá-lo imerso em seus pensamentos... Por hora.
Yulia aproximou-se dele e o avaliou dos pés à cabeça. Ele demonstrou um semblante mais nervoso ainda, se é que era possível, e ficava olhando de um lado para o outro, como que tentando desviar a atenção de Yuli para outro lugar. Esta, porém, recusou-se a levar-se pelas tentativas do homem.
‘Diga-me, senhor Yektov... Você...’ Yulia, por fim, começou. Ele engoliu em seco e olhou amedrontado a ela.
‘Uh... Eu...?’. Disse, desconfiado. Gotas de suor começaram a cair inúmeras gotas de suor por seu rosto.
‘Não está com calor? O senhor está suando muito.’. Yulia evidenciou, passando um dedo por uma gota que teimava a cair pela ponta de seu nariz. Yektov recuou o rosto, assustado, porém respondeu:
‘O quê? N-não! É...’ Ele tossiu. ‘É um problema de glândulas. Heh. Na realidade eu estou com frio e... Eu tenho um pouquinho de... C-como se diz... Fobia! Isso! Fobia de salas de hospitais... Heheh... Um tanto estranho, não concorda, senhorita Yulia?’. Pela maneira com a qual pronunciou as palavras, era evidente a mentira.
‘... Uh... Certamente.’. Disse Yulia. ‘O senhor... É casado?’. Perguntou... “casualmente”, inclinando-se na direção do queixo do homem.
‘... Viúvo... Hm... Minha esposa morreu em uma expedição nas montanhas...’. Disse tristemente.
‘Ah, isso é muito triste... Lamento sua perda.’. Yulia estava animada demais para dar seus pêsames.
‘Não lamente. Ela sabia os riscos. As temperaturas já são baixas aqui no chão, imagine nas montanhas.’. Este estava parando de transpirar.
‘É, você tem razão.’. Yulia hesitou por um momento e voltou-se novamente para o homem, com um semblante muito alegre. ‘O senhor pretende casar-se novamente?!’. O homem deu um pulo e arregalou os olhos. E começou a transpirar e hiperventilar, não ao ponto de desmaiar ou ter um ataque de asma.
‘O-o-o-o--- o quê?!’. Yektov estava chocado. Ele aparentava estar em estado de derretimento.
‘Eu tenho uma queda por caras que suam bastante~’. Yulia disse com incrível normalidade. Eu tinha que impedi-la de fazer o pobre homem perder tanta água do corpo.
‘Yulia... O quê você acha que---‘. Comecei. Porém fui interrompida por um estrondo que veio da porta. Todos gelaram e, por fim, a porta fora aberta com outro estrondo.
‘Eu trouxe o médico.’. O senhor Arlovsky entrou com muita pressa, chegou até a tropeçar e, estava acariciando o braço direito.Pelo visto, ele devia ter colidido contra a porta na pressa. Eu fiz um sinal de gratidão ao homem.
‘Doutor Vrisky, prazer.’. Disse o homem que o acompanhara. Yulia fitou-o, analisando-o.
‘Olá, doutor~’. Disse Yulia aproximando-se dele de modo... “sedutor”. Este recuou um pouco, mas sem perder o semblante sério.
‘... Bom dia, senhorita Ulianinsky...’. Ele voltou-se para mim e disse: ‘Estou aqui para examiná-la. Caso tudo esteja bem eu vou liberá-la.’. Estendeu sua mão, para cumprimentá-lo. Repeti o ato e, balançando afirmativamente a cabeça, disse:
‘Certo.’.
Ele examinou-me. Todos continuavam na sala. Depois de uns vinte minutos examinando-me ele suspirou e disse:
‘Sinto muito, senhorita Galantov, mas você deverá ficar em repouso por, pelo menos, mais duas semanas. Para que tenhamos certeza de que você estará apta para continuar as investigações, tenho que examinar seu sangue também. Você foi envenenada por uma aranha, portanto será observada.’. Ele voltou-se para Yulia. E esta fitou-o, preocupada.‘Sinto muito se isto atrapalhará suas investigações.’. Logo seu semblante voltou ao normal.
‘Pffft! Não é nada, doutor. Há muito tempo eu investigo sozinha, ela é apenas minha aprendiz.’. Disse, fazendo gestos desnecessários e exagerados.
‘Obrigada pelo desprezo, Yuli.’. Então ela mandou um sorriso torto para mim, como se não houvesse notado minha presença desde que dormira no ombro do senhor Arlovsky... Gemendo.
‘De nada.’. Ela disse como se pudesse fazer isso quando eu bem quisesse e pedisse para que assim ela o cumprisse.
‘Se me dão licença...’. Disse o doutor saindo da sala.’Vou pegar as agulhas para fazer as análises sanguíneas.’. Yulia levantou-se de seu assento em um pulo assustador.
‘Não, doutor Vrisky! Espere!’. Yulia gritou.
‘Sim?’. O doutor perguntou ao surgir, novamente, da porta.
‘Não me deixe aqui sozinha! Estou preocupada com minha pequena Ivy! Eu preciso de alguém para me acalmar, doutor!’. Bati minha mão em minha testa, em frustração. ’Está vendo?! Ela deve estar com tanta dor de cabeça!... E se... e se ela desmaiar... o-ou pior?! Morrer logo em minha frente?! Doutor~!’. Voltou à voz manhosa. O doutor ficou parado por uns segundos, analisando a situação. Por fim disse:
‘... Você não está sozinha. Tem o senhor Arlovsky!’. Disse ele sorrindo e correndo, de volta, ao corredor. Yulia gelou, absorvendo o que acabara de ocorrer. Sorriu de orelha a orelha e gritou:
‘É verdade!’. Aproximou-se do pobre dono da mina e inclinou-se na frente dele, fazendo-o recuar a cabeça.’Senhor Arlovsky~! Eu estou com medo! Eu preciso de palavras acalentadoras para me acalmar... Ei~ !Me ajude~!’. E então começou a se esfregar no coitado. Suspirei e disse:
‘Yuli, eu preciso que você escreva no meu diário de investigações tudo o que ache necessário ser escrito. Poderia fazer isso por mim? Ao menos até eu me recuperar totalmente?’. Ela parou enquanto abraçava o homem e olhou para mim.
‘Claro, Ivy! Tudo o que quiser!’. Ela parou um pouco e fez um som de surpresa, então empurrou o senhor Arlovsky em uma cadeira e subiu em cima dele, com as pernas ao lado de cada uma do homem. ‘Você a ouviu?! Ela confia em mim! Ivana Galantov confia em mim!’. Então ela deu um beijo na bochecha do homem e o abraçou, sentando no colo dele. Logo ela parou e olhou seriamente para mim. ‘Você confia em mim, Ivy... não é?’. Disse com lágrimas quase transbordando dos olhos... Ou ela é uma boa atriz, ou ela é muito sentimental. Revirei os olhos e disse:
‘... Claro que sim.’. Com esta resposta ela deu um gritinho de satisfação e voltou a molestar o pobre homem.
Fale com o autor