Acordo as 06h30min para ir para o colégio, levanto da cama, lavo o rosto, e vou tomar café. Minha mãe fez panquecas e café – Ela nunca faz panquecas, mas sempre faz café. Sentamos todos na mesa – Eu, minha mãe, e meu pai.

–Pronto para o seu primeiro dia na escola nova? – Pergunta meu pai – Se quiser te levo de carro hoje.

–Sim, e pode ser, vou escovar meus dentes e já desço para irmos, ta pai?

–Okay, mas não demore.

Subo as escadas devagar, ainda não consigo tirar da cabeça aquela porta no corredor do colégio, oque será que tinha lá?

E porque estava chaveada? E se só tem materiais de limpeza, porque estava trancada? Tem alguma coisa podre nessa história, e não é a panqueca da minha mãe.

Chegando à escola, me despeço do meu pai, e entro no castelo, Pergunto para a secretaria do colégio onde fica a minha sala.

–Segunda porta a esquerda – Diz ela com um sorriso.

–Obrigado – Agradeço

Faço oque ela mandou e entro na minha sala nova, e para minha surpresa, a menina ruiva estava lá, ela me olhou e ficou me fitando, quando a professora entra e a menina ruiva senta. Minha cadeira é a ultima da sala, obviamente a única que sobrou.

–Bom dia alunos – Diz a professora – Antes de começarmos a aula de historia de hoje, vamos nos apresentar para o novo aluno, Bom, eu começo, Sou Sra. Tânia, a professora de historia.

A Sra. Tânia parece ser uma mulher legal, é meio baixinha, cabelos pretos e encaracolados, usa óculos, pele morena, aparência de uma militar. Ouvi os alunos dizerem que ela era umas das melhores professoras da escola, mas não ligo muito para isso, nunca na minha vida, never, uma professora gostou de mim, eu sempre fui “rebelde” na escola onde eu estudava.

Cada aluno foi se apresentando de cada vez, mas eu só estava esperando uma pessoa, a ruivinha que eu tinha visto antes, não sei por que, mas eu queria saber o nome dela.

–Bem meu nome é Fernanda, e estudo aqui a minha vida toda, todos me conhecem, eu acho.

Fernanda, ela se chama Fernanda, um belo nome, mas não tão bonito como Tati, isso sim é um belo nome.

E o seu? — Pergunta a professora para mim – Como é seu nome?

–Eu? Meu nome é Gabriel – Digo sem jeito.

–Okay – Diz a professora – Já nos apresentamos, agora vamos para a aula. Hoje vamos falar sobre o Antigo Egito, antigamente existia uma lenda, que os sacerdotes imperiais, tinham uma espécie de ritual sagrado, que eles sacrificavam pessoas com menos de 18 anos, para pegar a juventude dos jovens para eles, podendo assim viver mais tempo. Mas, claro, isso é uma lenda, ou será que não? – Diz a professora rindo – Perdemos muito tempo na aula de hoje nos apresentando, então amanha conto mais sobre isso. Podem ir para o intervalo.

Sento em uma mesa longe dos outros – Ainda não tenho amigos – E começo a comer meu lanche, percebo a Fernanda, a menina ruiva, se aproximando, ela vem com um sorriso no rosto.

–Você é o menino novo que esta morando na minha rua né? – Pergunta ela.

–Sou eu mesmo – Respondo – Vi você andando de bicicleta no dia que cheguei de mudança.

–Ah! Nem te vi .Mas, me conta sobre você, né, como veio parar aqui em Santa Catarina, e essas coisas, bem, seu nome já sei, é Gabriel né, ouvi na aula de Historia, e falando nisso, que coisa interessante né? Esse tal de sacrifico que esses carinhas faziam para viver, a diretora deve usar isso – Diz ela rindo – Porque pelo amor de Deus, essa mulher está nesse colégio desde de sempre e...

–Fernanda! Calma, você esta falando muito rápido, não to entendendo nada do que você está falando.

–Ah, desculpa – Diz ela – É que eu gosto de falar muito.

–Percebi – Digo eu rindo – Mas, posso te fazer uma pergunta?

–Claro Biel, gostei, vou começar a te chamar de Biel, posso?

–Pode! Vou perguntar agora, Oque é aquela porta preta cheia de fitas no corredor?

–Bem, isso ninguém sabe, mas, a Diretora diz que é onde guardam os materiais de limpeza, e todo ano, ela leva um aluno para lá e ele volta diferente, ela diz que é por causa dos produtos, e depois de dois dias o aluno não volta mais para o colégio. E a família do aluno some também.

–Você não acha isso estranho? –Pergunto.

–Não, é a explicação mais obvia a se achar.

–Fernanda! – Um menino vem correndo em nossa direção – Fernanda!

–Que foi Pedro? – Diz Fernanda estressada – Eu estou conversado com o aluno novo, não ta vendo?

– Ah sim, o aluno novo – Diz ele coçando o queixo – Bem, eu sou o Pedro, você deve ter me ouvido falar na sala. Eu sou o namorado da Fernanda, e estou de olho em você viu?

–Credo! –Diz Fernanda – Nem aqui e nem na china você é meu namorado, Pedro é meu melhor amigo.

Pedro é gordinho, cabelos castanhos e cacheados, ele me lembra do João.

–Ata, vocês são amigos – Digo eu – E não precisa ficar de olho em mim.

Triiiiiim

–Bem, bateu o sinal – Diz Pedro – Vamos rápido que a Professora de Geografia não gosta que cheguemos atrasados.

* * *

No final da aula nos encontramos na porta do colégio.

–Bom, até amanha gatinhos – Diz Fernanda.

–Até – Diz Pedro – Nada de se bobear com outros homens ta? Sou ciumento.

–Tchau Fernanda, tchau Pedro, até amanha – Digo.

–Gabriel, somos vizinhos lembra, moramos no mesmo quarteirão, vamos juntos – Diz ela me puxando pela mão – Tchau Pedro! Até amanhã.

–Tchau Pombinhos – Diz Pedro rindo, e saindo de carro coma mãe dele, bem, acho que é a mãe dele.

Ficamos ali na frente do colégio, esperando o pai da Fernanda chegar.

Conversamos sobre o colégio e sobre o Pedro, ele é um cara legal. E conversamos sobre a Diretora, e falamos que ela foi à sala conversar comigo, e nem precisei ir à sala dela.

Chegamos na frente da minha casa, me despido dela e do pai dela, e agradeço pela carona.