O Mistério das Pedras - Os Guardiões

4 Se Não Pode Com Eles, Junte-se A Eles


Notas iniciais
Oie! Dessa vez não atrasei. Mas não sei se o mesmo vai se repetir na próxima semana. Esse é o meu último capítulo totalmente digitado. Já tenho toda a história montada, capítulo por capítulo. Mas tenho um grande problema: não consigo escrever em um pc. Tenho que escrever tudo a mão, e depois digitar. E pode ser que isso demore um pouco. Já tenho até o 6 escrito, mas ainda preciso digitar. Mas não se preocupem, não vou passar mais do que quinze dias sem atualizar (eu espero).

Quando voltou a sala de estar, o professor Pedro já havia recomeçado a falar. Pelo pouco que ele ouviu ao que parecia a noite teria uma festa no saguão de entrada para recepcionar os novos alunos.

— Estejam aqui às 18hrs30min! Aquele que não estiver aqui nesse horário pode continuar no quarto e esquecer a festa. Porque todo aluno novo deve chegar acompanhado do professor responsável, que no caso de vocês infelizmente sou eu. O almoço será servido ao meio dia.

E então saiu da sala.

Augusto se achou um imbecil, pois ele realmente achou que o professor iria se despedir de uma forma mais adequada. Mas pelo que parece as saudações não fazem parte do dicionário dele.

De acordo com o relógio de Augusto já era 11hrs37min, o que significava que ele tinha pouco mais de vinte minutos para conhecer e se organizar no seu novo quarto.

Assim que os alunos tiveram a certeza que o professor Pedro não iria retornar começaram a ir até seus quartos. Augusto resolver ir logo até o seu, tinha muito o que fazer em pouco tempo, sem falar que ele ainda não sabia quem seria o seu colega de quarto, anotou mentalmente que devia olhar o nome na porta antes de entrar.

Enquanto passava pelas portas ia lendo os nomes, pelo o que ele pode perceber quase metade dos quartos pertenciam a alunos do primeiro ano.

— Arthur Rocha e Bruno Carvalho... Eduardo Ribeiro e Guilherme Costa... Marcos Vilar e Paulo Andrade... Rafael Pereira e Vitor Souza... – ele lia em voz alta os nomes. Mal percebeu quando o grande “1” talhado nas portas mudou para um “2” — ... Augusto Drumontt e Daniel BelMonte... Gabriel Alves e Lucas... O QUÊ?

Seu grito foi tão alto que algumas portas que já haviam sido fechadas, tornaram a abrir. Ele não pareceu perceber os pares de olhos que o encarava de maneira interrogativa. Abriu a porta do quarto com as mãos trêmulas, e a cena que encontrou só fez sua raiva aumentar.

Daniel estava deitado em sua cama, olhando para o teto, sua mala aberta jogada de qualquer jeito no chão ao lado da cama. Ele não pareceu notar que alguém tinha entrado no quarto. Porém antes que Augusto encontrasse a voz, Daniel já havia começado a falar.

— Acredite, estou gostando tanto do meu colega de quarto quanto você! – sua voz era fria, seu rosto demonstrava o tamanho da sua raiva, antes que Augusto respondesse, Daniel recomeçou o discurso. – Mas não adianta pedir pra mudar, sempre que alguém tenta o diretor Carlos dá a mesma reposta, que sabe o que é melhor para os alunos.

— E o que faz ele acreditar que o melhor para nós dois é dividir o mesmo quarto? – Augusto ainda não conseguia acreditar que era Daniel o seu colega de quarto, e mais inacreditável ainda era o fato deles estarem conversando sem que nenhum tenha tentado acertar um soco no outro.

— Não sei, o diretor não é muito conhecido por fazer sentido em suas escolhas. Talvez ele tenha ouvido falar do que aconteceu da última vez.

— Mas por isso mesmo ele devia nos deixar afastados um do outro, quem vai garantir que eu não tenha que te bater de novo.

— Quem vai garantir que eu não tente devolver a gentileza? – Daniel já não estava aguentando mais aquela conversa, Augusto estava parecendo uma criancinha que quando descobre que está em uma nova série, implica com a nova professora. Resolveu acabar de vez com a discussão – Olha só, não vamos consegui falar com o diretor hoje, e mesmo assim estar na sala dele no primeiro dia de aula seria um record até pra mim. Amanhã depois das aulas da tarde vou falar com ele, pode me acompanhar se quiser.

Augusto se surpreendeu com a atitude de Daniel. Ele achou que a primeira coisa que Daniel iria fazer seria lhe provocar, mas pelo que parece, ele realmente mudou.

— Tudo bem. – isso foi a única coisa que Augusto conseguiu dizer, ele ainda estava com um pé atrás, esperava que a qualquer momento a briga começasse.

Mas não foi isso que aconteceu.

Daniel levantou-se e se dirigiu até a porta, antes de sair disse:

— Estou indo almoçar, pode vir se quiser, para já ir conhecendo os colegas sabe? Mas é só se quiser mesmo, não estou te obrigando a nada.

Augusto notou que tinha muita ironia na voz de Daniel, mas preferiu ignorar. Aparentemente Daniel estava se esforçando mais que ele para fazer a convivência dos dois dar certo.

— Certo. Por mim tudo bem.

Quando chegou no corredor viu Daniel falando com dois meninos, ele já tinha os visto mais cedo. Ao ver a cara de interrogação de Augusto, Daniel começou a apresentar o grupo.

— Esse magrelo com cara de nerd, cabelo preto e óculos é o Orlando. — Augusto se surpreendeu pela forma como ele citou o garoto, mas relaxou depois de perceber que o menino não pareceu se importar. — Esse alto com cara de imbecil é só o Tiago.

— Daniel! Não se apresenta alguém dessa forma, é falta de educação.

— Orlando, deixe de ser chato. Quantos anos você tem? Nem o meu avô é tão chato quanto você.

— Tiago como você pode ser tão lesado? Somos primos, o meu avô é o mesmo que o seu.

Augusto não sabia como reagir, não sabia se eles estavam realmente brigando, ou se era apenas uma discussão de primos. Olhou pra Daniel e viu que ele não parecia tão preocupado, supôs que isso devia ser uma cena frequente.

— Por favor as crianças podem brigar depois? Estou com fome. — reclamou Daniel.

— É mesmo, estou morrendo de fome! — dramatizou Tiago enquanto eles começaram a andar.

— Nossa que hipérbole Tiago.

— O quê! Orando de onde você tira essas palavras?

— Hipérbole Tiago, é uma figura de linguagem, usada para expressar um pensamento exagerado, vimos isso ano passado, em português.

— E você acha que eu lembro? Eu não lembro nem o que comi no café da manhã, quanto mais o que eu estudei no ano passado.

— Como você passou de ano? Vimos isso na última unidade.

— Não importa como passei de ano!

Augusto se surpreendeu com a forma como Tiago falou, ele tinha percebido que o menino nunca tirava o sorriso do rosto, mas nesse momento a expressão dele era de raiva, porém tinha algo a mais, uma espécie de mágoa.

— Tiago você não falou que estava com fome? E Orlando não importa como ele passou, ele está aqui e agora vamos almoçar que quem já está morrendo de fome sou eu. — Disse Daniel totalmente sem paciência, Augusto percebeu que tanto Daniel quanto Tiago escondia alguma coisa.

O resto do caminho até a sala de refeições foi silenciosa. Tiago e Orlando mal se olhando, Daniel não fazia suas brincadeiras e Augusto não sabia como agir, já que essa era a primeira vez em anos que falava com aquelas pessoas. Depois de algum tempo chegaram novamente no saguão de entrada, porém dessa vez não subiram as escadas, passaram por baixo delas.

Quando Daniel abriu uma das duas grandes portas, Augusto pôde ver o quanto aquela escola era bem organizada. Ao fundo havia uma grande mesa, onde ele viu vários alunos envoltos, provavelmente o almoço estava posto lá. Espalhado pelo lugar havia varias mesinhas redondas, com seis cadeiras cada. Ele avistou Laura em um canto mais reservado da sala, conversando com outras duas garotas, ela estava tão entretida na conversa que não percebeu que ele havia chegado.

— Vai ficar parado aí na porta? Tem gente querendo passar.

Um menino mais baixo que ele, porém com os braços bem maiores, o tirou de seus pensamentos. Ele percebeu que os outros já estavam em volta da grande mesa se servindo. Percebeu que tava fazendo papel de besta parado na porta, então se dirigiu até a mesa, porém eram tantas coisas que ele não sabia o que escolher.

— Sinto lhe informar, mas a comida não aparecerá magicamente no seu prato como nos filmes de Harry Potter.

— Oh sim, desculpe.

Antes que Augusto percebesse quem tinha falado com ele a pessoa já havia se afastado. Ele se serviu e foi em direção à mesa onde estavam seus “novos amigos”.

— O que você estava falando com o Bernardo? — essa foi a primeira coisa que Tiago perguntou quando Augusto chegou à mesa.

— Quem?

— Bernardo Souza. Aquele branquinho de cabelo preto que falou com você enquanto você estava se servindo. E não venha dizer que não se falaram, porque vi sua boca se mexendo, a não ser que estivesse falando sozinho...

— Chega Tiago, para pelo menos pra respirar. Acho que o Augusto nem sabe que o menino se chama Bernardo.

— Eu não pensei nisso Orlando. E também não sou obrigado a pensar em tudo.

— Claro que você não pensou. Seu QI é muito baio pra você falar e pensar ao mesmo tempo.

— Chega você dois! — gritou Daniel, atraindo a atenção de algumas pessoas que estavam em volta — Se as duas crianças passarem novamente o ano inteiro brigando, eu não respondo por mim. Se for preciso tranco os dois em uma sala, e só deixo sair quando virarem adultos. Entenderam? — Tiago e Orlando confirmaram com um simples aceno de cabeça, nenhum dos dois com coragem o suficiente para abrir a boca. — Ótimo!

O silencio que se seguiu foi um silencio constrangedor, onde todos só olhavam para o próprio prato.

— Quem são elas?

Augusto foi o primeiro a quebrar o silêncio, e não foi preciso dizer mais nada, todos seguiram o olhar de Augusto e viram de quem ele estava falando.

— São Catarina Azevedo e Valentina Andrade, a outra eu não conheço, deve ser alguma novata. — Orlando resolveu dá uma trégua em seu momento de raiva para participar da conversa.

— É a minha irmã. — esclareceu Augusto.

— Valentina, a de cabelo cacheado, é a nerd da turma, mas não ajuda ninguém na hora da prova, se é que você me entende. E a outra é a Catarina, a filha do professor de matemática. São duas metidas se você quer saber minha opinião.

Augusto estranhou Orlando falar delas com tanta raiva, ele supôs que o motivo só podia ser um: alguma das duas tirara dele o posto de melhor da turma.

— Por quê?

— Valentina é bolsista, mas dá uma de patricinha, a Catarina dá algumas dicas de moda a Valentina, e em troca Valentina não conta a ninguém que a Catarina vive fugindo da escola, sabe? É uma amizade proveitosa — as palavras de Daniel eram carregadas de sarcasmo.

— Você sabe que não é assim, elas realmente são amigas.

— Porque você tem que ser sempre o responsável da turma? O certinho que não quebra regas, você tem apenas quinze anos, viva e seja feliz! — Orlando não pareceu ligar muito pra “dica” de Daniel, o que evitou uma nova discussão.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijos!!!!