Notas iniciais
Oie! Por tudo que é mais sagrado me desculpem. Não esperava passar tanto tempo assim sem atualizar. Mas nessa semana tive um trabalho da faculdade que passei o período desenvolvendo pra apresentar agora. Então vocês já imaginam como foram minhas últimas semanas. Espero que gostem do capítulo. Divirtam-se!

Laura não lembrava como havia chegado até o jardim, suas lágrimas lhe impediram de ver o caminho com clareza.

“ Quem Daniel pensava que era pra falar com ela daquele jeito?”

E o mais importante: como ele sabia?

Sua adoção nunca havia sido assunto público. Apenas sua família sabia disso. O fato de ter sido adotada logo após o parto mal sucedido da filha do casal Drumontt ajudava a esconder a verdade. E por sorte era extremamente parecida com Diana.

Sentiu alguém deitar ao seu lado, e mesmo sem ver sabia que era o seu irmão. Ela nunca conseguiria colocar em palavra tudo que Augusto já fez por ela, era de se imaginar que ele deixaria a festa para procurá-la.

— Como você está? — Perguntou Augusto enquanto puxava a irmã para um abraço.

— Como ele sabe? — Foi tudo que Laura conseguiu responder, no momento era o que mais lhe preocupava.

— Não sei, só nós sabíamos. O vovô sempre fez de tudo pra proteger esse segredo. Não consigo imaginar como o Daniel descobriu.

— Mas agora isso não importa muito, toda a escola escutou o que ele disse. Amanhã alguém já terá vendido a história pra uma revista de fofoca qualquer.

— Você sabe o quanto o odeio, e não pense que estou defendendo ele. Mas ele tava com raiva, sabia que aquilo ia lhe machucar, acho que a intenção dele não era espalhar pra todo mundo. Ele falou sem pensar. — Nem Augusto sabia o porquê de estar defendendo Daniel, porém no momento Laura não precisava de alguém lhe incentivando mais ódio ainda.

— Não Augusto. Ele não falou sem pensar. Você ouviu o que as meninas disseram hoje. E acredite, não irei ser a próxima vítima dele.

— Não vou deixar isso acontecer. Vou falar com ele. Nunca fomos amigos de infância, mas ele vai ter que me ouvir. E caso resolva não me atender, aprendi algumas coisinhas nesses anos que passei na Itália... Laura? Laura, pra onde você tanto olha?

Só agora Augusto percebeu a total falta de atenção da irmã. Que olhava em volta de maneira assustada.

— Pra onde você tá olhando? — Perguntou Augusto enquanto tentava enxerga algo através da escuridão da floresta.

— Pensei ter visto alguém nos observando. Senti passos do lado de fora dos muros.

— Sentiu?

— É, senti. Sei o quanto isso soa estranho. Mas é como se eu sentisse tudo que acontece na floresta. Estou ficando louca?

Augusto não sabia o que responder, Laura parecia nervosa. Ele sabia o quanto aquilo parecia loucura, mas não queria deixar a irmã mais preocupada ainda.

— Vamos voltar pra festa? — Ele tentou desviar o assunto.

— Se você não se importar, eu gostaria de ir para o meu quarto. Essa festa já acabou pra mim.

— Tudo bem, te levo até lá.

— Augusto, você não pode entrar lá.

— Não posso?

— Claro que não, são normas da escola. Você não leu?

— Preciso responder?

— Por isso que seus pais me adotaram, depois de colocar um filho como você no mundo eles tinham que restabelecer o equilíbrio de alguma forma.

— Seu amor por mim me deixa admirado. Mas já que não posso te levar até o seu quarto, vou pedir pra alguma das meninas fazer isso. — Disse Augusto enquanto se levantava e ajudava a irmã a fazer o mesmo

— Não precisa Augusto, não é como se eu fosse me perder no caminho.

— Laura isso não está aberto à discussão. Vou ficar mais tranquilo se alguém estiver lá com você. Não discuta comigo, sou seu irmão mais velho.

Tudo que Laura conseguiu fazer foi rir do argumento infantil do irmão.

* * *

Havia poucas pessoas presentes do saguão de entrada, a maioria já se encontrava na sala de refeições onde a festa estava acontecendo. Augusto mal havia pisado na sala e todas as cabeças viraram para ele. Ignorando os cochichos e olhares, seguiu em direção a Valentina e Catarina estavam, em uma mesa mais o fundo.

Elas o olharam com um misto de curiosidade e preocupação, com certeza se perguntavam se tudo era verdade.

— Achou ela? Ela está bem?

Catarina não esperou nem Augusto chegar mais perto, foi logo lhe enchendo de perguntas.

— Ela está bem, só não quer continuar na festa. Falou que ia voltar ao dormitório, mas eu não queria deixa-la só. Mas tem essa regra estúpida e eu não vou poder ficar com ela. Queria saber se vocês se importam de ficar um pouco com ela?

— Tudo bem Augusto, nós vamos. Nunca gostei de festas mesmo. — Disse Valentina aliviada por ter uma desculpa pra sair daquele lugar barulhento.

— Ela está na entrada do saguão, acompanho vocês até lá.

Augusto percebeu que Daniel os observava, e ao contrario do que ele esperava, não era a raiva que preenchia suas feições, era algo como arrependimento ou confusão.

Laura continuava no mesmo lugar onde Augusto havia a deixado minutos atrás.

— Até que fim! Já estava considerando a opção de ir sozinha.

— Você não é tão louca assim.

— Você realmente não me conhece irmãozinho. E meninas, desculpa pelo meu irmão ter tirado vocês da festa.

— Não tem problema Laura, a Valentina já estava quase colocando protetores auriculares. — riu Catarina.

— Bem, agora que você já está entregue, vou ter uma conversinha com o Daniel. Se cuida — disse Augusto dando um beijo na testa da irmã.

— Augusto eu não sou um bebê! — choramingou Laura.

— Pra mim você sempre vai ser o meu bebê.

— Tudo bem, é melhor eu ir logo antes que você encontre mais algum jeito de fazer passar vergonha. Tchau, amo você. — despediu-se Laura abraçando o irmão. — Obrigada! — sussurrou ela em sei ouvido, se afastando logo em seguida.

* * *

Só depois de voltar à sala de refeições foi que ele percebeu o quanto ela estava lotada. A maioria ainda continuava sóbria, o que levando em consideração as horas não era uma coisa tão grande. Não havia chegado nem às 21:00hrs.

Daniel como Augusto percebeu estava sentado sozinho, em uma mesa próxima a entrada Tiago e Orlando já estavam perdidos no meio da multidão que se aglomerava na pista de dança. Dirigiu-se a mesa de Daniel, e mal tinha sentado quando este já começou a falar.

— Sei o que veio fala comigo, e não! Não vou dizer como sei sobre a adoção. Saiu sem querer, eu não sabia que ela ia surtar e me dar um tapa. Já fiz brincadeiras piores com algumas pessoas e nunca ninguém me bateu.

— Esse é o seu problema, você está acostumado a “brincar” com todos e nunca lhe acontecer nada. Isto é, nem tenho certeza se isso que você faz deve ser considerado uma brincadeira. — Ao contrário de Daniel, Augusto não se preocupou em manter o tom de voz baixo. — Mas hoje foi diferente, não é? A Laura fez o que ninguém nunca teve coragem, ela revidou. Aposto que a Catarina e a Valentina nunca nem falaram nada, mas com a Laura foi diferente.

— Já terminou o discurso ou tem algo a mais pra acrescentar? Não? Pois bem, agora quem vai falar sou eu. Quem você pensa que é pra vim me dar lição de moral? Acha que só porque passou uns anos fora voltou como o detentor da verdade? Nunca falei nada contra a Valentina ou a Catarina em público, hoje foi uma exceção, não sei o que me aconteceu.

— Não falei que você as humilhava em público. Só que você nunca parou pra pensar em como elas se sentem? Isso não é certo!

— E o que e certo pra você?

A essa altura da discussão nenhum dos dois se importava em manter o tom de voz baixo. O que impedia a multidão de escutar toda a conversa era a música alta que tocava no ambiente. Porém qualquer um que olhasse em direção a eles perceberia que aquilo não era uma simples conversa. A forma como as orelhas de Daniel estavam vermelhas, e o rosto de Augusto inclinado sobre a mesa, não deixava dúvidas, sobre o tipo de conversa que estava acontecendo ali.

— Certo é você primeiro conhecer alguém pra só depois ter o direito de falar algo sobre elas. Porque eu sim conversei com elas, e pelo que pude ver não são nada daquilo que você me falou.

— O que você ganha com isso Augusto? Até entendo sua vontade de defender a Laura, é sua irmã. Mas não precisa defender a Valentina e a Catarina pra ganhar o título de o heroi do ano.

— Eu desisto de falar com você. Você não sabe o que é se importar com alguém, porque ninguém nunca se importou com você. Sei pai quer qualquer um pra comandar as empresas dele, menos você. Não me lembro dele em nenhuma das nossas apresentações na infância. Sabe por quê? Ele deve conhecer o filho que tem. Por que alguém iria se importar com o que você faz se no fim iria sair decepcionado? Me diga uma pessoa que já ouviu você? Pelo menos uma que se soubesse o que você fez hoje, iria lhe defender? Você não tem ninguém! — A raiva de Augusto era tanta que ele segurava as bordas da mesa, esperando assim que isso evitasse um novo soco na cara de Daniel.

Augusto levantou da mesa sem nem olhar para trás. O que talvez tenha sido um erro. Se apenas uma vez ele tivesse virado o rosto, iria ver que o objeto que Daniel apertava na mão com tanto afinco, uma antiga moeda de ouro, ele já tinha visto diversas vezes na infância. Exatamente em cima da mesa do escritório que seu falecido avô mantinha em casa. A moeda em algum momento do passado pertencera a Francisco Drumontt.

Notas finais
Não vou prometer postar domingo que vem. O pior professor do curso passou um trabalho pra apresentar quinta. Detalhe, o trabalho é em dupla, e mesmo assim estamos desde o início de novembro fazendo ele. Qualquer erro é só me falar. Beijos!!!!!!