O Milagre
1 Regina Mills
Notas iniciais
Os primeiros raios de sol atravessavam a cortina do quarto de Emma, mostrando que mais um dia estava começando. Logo seu despertador tocou e ela teria que encarar mais um dia nada agradável, já que que assistirá naquela manhã uma palestra com o mais famoso sobrenatural Robert One.
Como de costume, Swan fica mais alguns minutos na cama pensando como seria chato ter que assistir àquela palestra de sabe-se lá quantas horas, sobre coisas que ela não acredita. Pra ela nada daquilo fazia sentido. Como alguém poderia falar com mortos? Pior que eles sempre apareciam do mesmo jeito. Com uma luz branca, em um lugar tranquilo e estavam bem. Nada de lugares quentes, com mal cheiro ou qualquer coisa parecida, eram sempre as mesmas histórias e Swan não engolia aquilo. Tanto que se formou em jornalismo investigativo, porque pra ela as coisas tinham que ser provadas e para isso precisavam ser de verdades, concretas e existirem. E não ser coisas de outro mundo.
Emma foi tirada de seus pensamentos com o toque do seu celular. Olhou pra tela e viu que era Ruby, sua melhor amiga ligando. Provavelmente para lembrar que à noite teriam uma festa de despedida para Elsa que partiria no dia seguinte para Boston para cuidar de sua mãe que estava muito doente.
– Emma?
– Oi, Ruby – Respondi aérea
– Por que demorou pra atender? – Ruby perguntou preocupada
– Ligou pra saber o que eu estava fazendo? – Respondi em um falso tom de incomodo e ouvi minha amiga bufar do outro lado. Sorri com aquilo. Ruby mais parecia minha mãe do que minha amiga de tão preocupada que era. – Mas respondendo a sua pergunta, eu estava pensando e não pergunte em quê porque não vou responder.
– Você podia ser mais delicada às 07h da manhã não acha?
– Não tem como ser delicada há essa hora. Mas então, pra quê me ligou? Pra dá bom dia que não foi, porque você não é dessas.
– Credo, Emma! Quem te ouve falando assim pensa que não me importo com você. – Ela disse com uma voz manhosa e pude imaginar ela fazendo biquinho. Sorri ao imaginar isso e minha amiga sorriu do outro lado. – Mas então, eu não liguei pra isso mesmo! – Sorriu – Liguei pra lembrar a Sra. da festa de despedida da Elsa na casa da Belle. Você vai não é?
– Claro que vou! Quem mais vai está lá? – Respondi me levantando e indo em direção ao banheiro
– Graham, Anna, Belle, Elsa, você e eu. Parece que a Belle vai levar o Will, mas não tenho certeza. Ele não parece gostar da gente. – Sorrimos com aquilo e era verdade. Desde que Belle e Will começaram a namorar, ele evita o sair com a gente. Não sei bem porquê, mas um dia vou perguntar.
– De que horas a festa começa? – Perguntei amarrando meu cabelo em um coque e tirando a roupa
– 19h em PONTO, Emma! Não me venha chegar aqui 1h depois do combinado que arranco seu coração pela boca! – Ruby disse isso tão séria que quase acreditei
– Ok, mamãe! Não vou me atrasar. Agora sua filhinha precisa se arrumar para ir trabalhar, caso contrário vai ser despedida.
– Ok filhinha. Bom trabalho e nada de atrasos. – Sorri e desliguei o celular entrando em baixo d'água. Demorei alguns minutos e sai do banho. Fui direto ao meu guarda-roupa em busca de algo social e confortável para usar naquela ocasião. Se bem que por mim iria de jeans e regata, porque o calor estava insuportável! Depois de tirar quase que todas as roupas dali de dentro, encontrei uma calça social cinza, uma blusa social branca e um blazer da mesma cor da calça. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo, passei base, rímel e um batom clarinho, coloquei o óculos de grau, apanhei a bolsa e sai do quarto.
Quando desci as escadas do meu apartamento, vi a Granny na cozinha preparando o café da manhã. Granny mora comigo desde que sai da casa dos meus país em Nova York e vim morar em Los Angeles. Ela é como uma mãe vó para mim e a única que me conhece como ninguém. Entrei na cozinha me sentando à mesa e ela veio servi meu amadíssimo café com canela. Depois sentou a minha frente e eu pude ver que ela não estava bem.
– Anny, aconteceu alguma coisa? Você parece triste. – Disse colocando minha mão por cima da sua que repousava sobre a mesa.
– Não é nada minha menina. Só estou um pouco cansada, não dormi bem essa noite. – Respondeu sorrindo de lado e tive certeza que algo estava errado. Granny é a pessoa mais animada que já conheci em toda minha vida e mesmo que fosse isso, ela não se comportaria de tal forma.
– Anny... O que você tá me escondendo? – Perguntei apertando sua mão e ela logo puxou, o que me assustou, porque ela não faria isso ao menos que estivesse me escondendo algo sério.
– Anny! – Chamei em um tom mais firme e ela abaixou a cabeça. Aquela cena apertou meu coraçãozinho. Ver a Granny assim é como um soco no estômago sabe? Esses que você nem consegue respirar.
Ficamos em silêncio por alguns segundos que mais pareciam minutos internáveis e estava me incomodando, mas não queria pressionar ela. Se tivesse que me falar algo, falaria por livre e espontânea vontade. Decidi continuar minha refeição, já que passava das 08h e a palestra começaria em meia-hora. Quando terminei minha refeição, Granny que me observava decidiu falar.
– Menina! – Me chamou e logo a olhei fazendo menção de que continuasse
– Você lembra da minha filha? – Assenti e ela continuou
– Hoje cedo recebi uma ligação dizendo que ela tinha falecido – Não foi preciso falar mais nada. Eu sabia o quanto a relação delas era complicada, tanto que a menina não quis vim com minha família assim que meus pais decidiram sair do Maine para morar em Nova York. Eu era muito pequena e não lembro como era sua filha, mas cresci ouvindo suas histórias e ela sempre disse que Cora, nome de sua filha, era uma mulher difícil e não gostava do fato da mãe trabalhar para meus pais. Não soube o que falar e acho que nenhuma a palavra a confortaria naquele momento. Me levantei, fui até ela e a abracei como se toda àquele dor fosse se esvair naquele abraço. Ficamos assim por longos minutos, até que ela decidiu quebrar o silêncio.
– Menina, você vai se atrasar. Já são 08h50 e você já devia está lá. – Disse que desfilhando do meu braço e enxugando as lágrimas. Olhei para o relógio e realmente, eu estava atrasada vinte minutos. Mas depois daquela notícia, não queria ter que sair e deixar a Anny sozinha. Ela precisava de mim e não me importaria de perder àquela palestra chata que eu nem estava afim de ir.
– Não, Anny! Vou ficar aqui com você tá? E não adianta dizer o contrári... – Ela não deixou eu concluir e foi logo dizendo:
– Nem pensar! – Quase que um grito, o que me assustou e fez eu ficar de pé junto a ela. – Você vai já para o trabalho okay? Okay! Eu estou bem, não se preocupe. Minha dor é interna e nem mesmo você pode curar ela. Disso o tempo se encarrega e em quanto isso não acontece, eu quero que minha menina vá trabalhar. – Dito isso, eu soube que não teria como ir contra. O que ela dizia era lei e ninguém ousava dizer o contrário. A abracei com força e beijei sua testa. Ela segurou meu rosto e depositou um beijo no mesmo lugar. Sorri com aquilo e ela retribuiu. Quando estava saindo virei pra ela e disse:
– Qualquer coisa, eu estou falando qualquer coisa Anny, você não excite em me ligar tá ouvindo? Pode ter sido uma agulha que caiu, mas você deve me ligar certo? – Ela me olhou revirando os olhos e sorriu.
– Ouvi sim menina! Agora anda porque você tá muito atrasada. – Dei mais um beijo nela e sai de casa sabendo que ouviria muito do Neal (meu chefe) pelo atraso.
Assim que entrei no carro meu celular começou a tocar e quando olho para o visor era ele, meu chefe e eu já podia ouvir seus berros do outro lado. Atendi e para minha surpresa ele estava calmo.
– Sra. Swan você está atrasada sabia?
– Eu tenho relógio Sr. Fire – Respondi ligando o carro e dando partida
– Além de atrasada é abusada. – Falou em um falso tom de repressão e logo começou a rir. O que me fez rir em seguida.
– Ok Neal, estou à caminho tá? Chegando aí te explico o que aconteceu. Agora preciso desligar, porque não quero atropelar ninguém. – Falei isso e desligamos.
Neal era um chefe legal, as vezes parecia mais um funcionário qualquer dentro daquela empresa do que o dono daquilo tudo. Me pergunto como consegue ser assim, pois nas outras duas empresas que trabalhei antes da Fire empire, os donos eram rígidos e não toleravam atrasos. Uma vez precisei chegar meia-hora atrasada e quase fui demitida.
Assim que cheguei em frente ao espaço Alfandega onde acontecia a palestra, pude ver uma movimentação bem em frente a entrada. O que não me surpreendeu, já que o paranormal Robert era muito conhecido. Estacionei meu carro e caminhei em passos largos até a entrada. Assim que entrei vi o Neal bem em frente ao palco e não pude acreditar que teria que me sentar na primeira fileira. Bufei e caminhei até lá. Sentei ao lado do Neal que estava acompanhado de sua esposa Tamara que prestava atenção em tudo que o Robert dizia.
– Agora você já pode inventar um bom motivo pelo atraso se não quiser ser demitida Sra. Swan! – Neal cochichou em meu ouvido e eu ri com aquilo.
– Não vou inventar nada, Sr. Fire. Tenho motivos verídicos para meu atraso. – Disse isso e pisquei pra ele que não conteve o riso. – Então, quer ou não saber o motivo?
– Por favor!
– A Anny, sabe? A minha mãe vó? – Ele assentiu e continuei – A filha dela faleceu e eu não pude deixar ela sozinha. Ela é muito importante pra mim e mesmo não querendo vim pra essa palhaçada de palestra, ela me obrigou. Porque por mim estaria lá com ela que precisa de mim de verdade. – Falei isso e senti meu estômago revirar. Granny era importante para mim, ver ela triste me quebrava no meio.
– Oh! Emma! Eu.. Eu sinto muito! – Neal falou buscando minha mão e apertando-a. Sorri pra ele.
– Então meu atraso foi perdoado? – Disse arqueando as sobrancelhas
– Não exatamente. – Cerrei os olhos e o encarei. Quando Neal falava aquilo, boa coisa não sairia dali. – Calma Swan! Não vou te demitir. – Disse isso sorrindo, o que me fez revirar os olhos.
– Eu sei que não. Sou sua melhor jornalista investigativa, morreria pra encontrar outra párea a mim. Se é que existe. – Disse me gabando
– Além de atrasada e abusada, é convencida. Mas tenho que concordar. – Disse piscando. Sorri. – E por ser a melhor, estou lhe escalando por uma semana em uma jornada de investigações na pequena cidade do Maine, Storybrooke. – Dito isso meu sorriso se desfez em questão de segundos e tomei uma feição séria. Ele só podia tá brincando.
– Qual o problema? – Perguntei mais pra mim do que pra ele. Aliás, qual era mesmo o problema de ir para uma jornada de investigações? Não foi nisso me formei?
– Recebi uma ligação da preferida da cidade. Zelena, esse é o nome dela. Ela disse que tem umas luzes estranhas no cemitério da cidade e que vem assustando os moradores. Os mesmo acreditam ser assombração. – Revirei os olhos ao ouvir a última palavra. Só podia tá de brincadeira comigo.
– Qual é Emma! Eu sei que você não acredita nessas coisas e por isso te escolhi. Nada mais justo você mesma provar para o pessoal daquela cidade que eles estão enganados. Além do mais, você já pegou causas mais bizarras e é só uma semana. Vai passar rápido Swan! – Não tinha saída! Eu teria que passar uma semana em Storybrooke, investigando luzes em um cemitério? Fala sério! Bufei e por fim aceitei em ir com a condição de levar Ruby que também trabalhava com isso e tinha um faro maravilhoso. Diria que se não fosse humana, ela seria uma ótima loba.
Nem percebi que a palestra estava chegando ao fim. Só notei, porque Robert falou que viu uma mulher ruiva que acabara de falecer, querendo se comunicar comigo. Me espantei e todos me olhavam boquiabertos. Era só o que faltava ter que passar por essa palhaçada em frente a esse tanto de gente. Revirei os olhos e fui até o meu querido paranormal que estendeu uma das mãos para me ajudar a subir no palco. Todos o encaravam maravilhados e eu só queria acabar logo com aquela palhaçada. Aliás, que ruiva era essa? Não lembro de conhecer nenhuma ruiva além da Ruby que graças a Deus, está vivíssima. Então lembrei que ele falou que ela acabara de falecer e imediatamente lembrei da Cora. Mas por que comigo? Eu nem a conheci e se era isso verdade, porque se tem uma coisa que eu não acredito é nessas coisas de falar com mortos.
Ele pediu que eu fechasse o olho e assim fiz, então ele começou a falar: – Cora! O nome dela é Cora não é? – Assenti e ele continuou. – Ela morreu de acidente de carro deixando uma filha e um neto. Ela diz que você tem que procurar por eles, porque só você é capaz de fazer a filha dela amar novamente. Ela diz também que não quer vingança e pede que você tire isso da cabeça de sua filha – Ele se cala e eu começo a abrir os olhos, ele vira pra mim e diz só pra que eu escute: – Emma, eu sei que você não acredita em nada disso, mas essa mulher precisa de você. Somente você pode salvá-la! – Tive vontade de rir quando ouvi aquilo, mas preferi respeitar a memória da Cora e por educação perguntei o nome da tal filha dela.
– Qual o nome dela?
– Regina... Regina Mills!
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