Eu me afastei lentamente. — Vamos para casa. — Eu falei encarando seu rosto, que apesar de tudo ainda continuava a mesma perfeição de sempre.

- Eu não posso. — Ela falou enquanto eu a puxava pela mão.

- Eu dou um jeito. — Eu respondi e a puxei tirando daquela sala.

Havia uma multidão louca , todos pareciam bem agitados e muito bêbados, todos dançavam e percebi que muitos meninos pararam pra observar a Tamy que estava ao meu lado.

Eu a puxei mais rápido, e percebi que alguns meninos tentavam passar a mão nela.

- Ei, ei, ei. — Eu gritei com eles. — Não toquem nela, entenderam? Ou você não vão conseguir enxergar amanhã de manhã. — Eu respondi bravo.

- É mesmo mauricinho. Porque? — Um dos meninos perguntou.

- Não toque nele, ok? E nem toque em mim, tá legal? Tudo bem pra você? — Ela falou calmamente e todos logo se acalmaram.

Continuamos andando até lá fora, e logo eu acenei para um táxi que passava, ele parou bem na nossa frente, eu abri a porta pedi pra ela entrar. Ela assentiu com a cabeça e logo entrou.

Entrei e seguida e disse para o motorista para onde seguir. Logo senti suas mãos encontrarem as minhas e ela se aconchegou no meu ombro. Eu podia sentir o cheiro que seus cabelos exalavam e assim que percebi já estava com uma mão em volta do seu corpo a trazendo pra mais perto de mim.

O caminho não foi tão logo, na madrugada quase não haviam carros e logo chegamos. Eu paguei o táxi e a cutuquei de leve, ela abriu os olhos e resmungou, eu abri a porta do táxi e saí. Estendi a mão, e ela pegou. Eu a ajudei a sair.

- O que vamos fazer agora? — Ela perguntou enquanto entrávamos no prédio.

- Não se preocupe. — Eu falei enquanto seguia até o elevador.

Ele não demorou, entramos e logo ela segurou minha mão. E aproximou seu corpo do meu.

Sentia calafrios com o simples toque de sua mão, mas eu não deveria e não sentiria mais aquilo, ela me traiu e era assim que tinha que ser, nenhum dos dois sentir mais nada pelo outro.

- Não, por favor. — Eu falei desentrelaçando nossas mãos e logo ela se afastou, fazendo uma careta.

O elevador abriu no nosso andar. Ela saiu apressada e eu corri atrás dela a puxei pelo braço.

- Ei, ei espera. — Eu falei baixo.

- Eu não tenho nada que esperar, vou logo ser morta pela minha mãe e a culpa é sua. — Ela falou, ainda parecia um tanto bêbada.

- Você não precisa ir pra casa, pode ficar no quarto de hóspedes da minha casa, você toma um banho e descansa. — Eu a propus.

- Não é uma boa ideia, sua mãe pode brigar e eu já te causei muitos problemas por hoje. — Ela falou com uma feição triste.

- Você nunca me causa problemas, vamos. Pelo menos pra você se recompor e aí se quiser você vai pra casa, ok? — Eu falei a puxando pela mão sem esperar sua resposta.

Abri a porta da minha casa e ainda eram duas da manhã, minha mãe só chegaria daqui a uma hora mais ou menos, então teria bastante tempo.

Ela entrou e se jogou no sofá. Eu cheguei perto dela e falei:

- Nã-nã-não. Vamos lá, se levanta, toma um banho e se recompõe, ok? — Eu falei a levantando e seu corpo se chocou contra o meu, estava tentando evitar ao máximo qualquer tipo de contato além do que já estávamos tendo.

Eu não iria deixá-la naquela festa, eu tinha que ajudá-la. Apesar de tudo.

- Onde posso tomar banho? — Ela falou esforçando os olhos pra tentar se localizar.

- Vem. — Eu falei e ela começou a me seguir, fui até o quarto de hóspedes e lhe mostrei o banheiro. — Você toma banho aqui, tá? E se sentir que quer dormir aqui, então você dorme nesse quarto, ok? — Eu perguntei e ela assentiu.

- Eu vou pro meu quarto. Se precisar... — Ela não em deixou terminar e logo entrou no banheiro fechando a porta.

Saí do quarto e fui em direção ao meu. Tirei meu supra e joguei em um canto do quarto, junto com as minhas roupas. Entrei no banheiro nu e liguei o chuveiro na água bem quente. Era uma madrugada fria. Entrei debaixo do chuveiro com tudo e deixei a água lavar todos os desejos incontroláveis que eu estava sentindo agora, ela estava a poucos metros de mim. E eu simplesmente não podia fazer nada, por causa do imbecil do Fred. Porque ele tinha que se meter na minha vida logo agora. Mas a culpa não foi toda dele, ela não sentia nada por mim e estava me usando, o beijou sem pensar nem duas vezes.

Saí do banho e coloquei uma box branca. Bocejei e quando ia me deitar, a porta do meu quarto abre, era ela, enrolada apenas na toalha.

- O que eu devo vestir pra dormir, não posso usar aquele vestido. — Ela falou coçando os olhos.

Ficava tão linda quando estava frágil e estava muito sexy apenas naquela toalha, mas eu estava tentando nem ao menos olhar.

- É... — Eu falei indo em direção ao guarda-roupa e procurando uma blusa minha bem grande. Aproveitei e peguei um short pra vestir — Toma essa blusa, tá bom pra você? — Eu perguntei.

Ela veio na minha direção e estendeu a mão que segurava a toalha, deixando a mesma cair. Ela estava apenas de calçinha e eu me conti pra não olhar pros seus seios. Ela estava ali praticamente pelada na minha frente e eu tentava apenas olhar pros olhos dela.

- Está perfeito. — Ela falou levantando so braços pra passar a blusa. Logo tamparam a sua cabeça enquanto ela tentava se vestir. E só me sobrava a visão da perfeição, seus seios, sua barriga e suas pernas, a sua calçinha. Eu estava começando a me desconcentrar, minhas mãos pareciam começar a ter vontade própria, queria segurar e apertar cada parte do corpo dela. Queria ela mais perto.

Ela terminou de vestir e pra não fazer nenhuma besteira me virei de costa e vesti o short.

- Você quer uma água, um café? É um café, assim você fica melhor. — Eu falei saindo do quarto, sem esperar sua resposta.

Fui até a cozinha e coloquei o pó e a água na cafeteira. E deixei ela fazer seu serviço.

Foi aí que me lembrei que não tinha avisado a ninguém da festa sobre a gente ter saído. Mas depois eu mandaria uma mensagem de texto ou algo do tipo.

O café ficou pronto e eu peguei uma xícara, não colocaria açúcar, lembro bem quando eu chegava em casa bêbado e minha mãe me dava café sem açúcar, é horrível mas logo faz com que o efeito da bebida passe.

Entrei no quarto e ela estava deitada na minha cama, a blusa apesar de grande deixava a mostra parte do seu bumbum. Coloquei o café em cima da escrivaninha. A observei por alguns instantes e percebi que ela devia estar dormindo.

Sua respiração profunda me acalmava e parecia tão doce e meiga, incapaz de fazer qualquer tipo de mal a alguém.

Saí dos meus pensamentos por uns instantes e lembrei de ligar para os meninos pra avisar que a tinha deixado em casa. Apesar de ser mentira.

Procurei o celular na minha calça e lá ele estava. Liguei logo pro Chaz e depois de uns segundos ele atendeu.

- Ligação mode ON —

- Oi Chaz. — Eu falei.

- Cara você ainda tá na festa? — Ele perguntou e ao fundo podia ouvir a barulheira.

- Não eu vim pra casa. — Eu falei.

- Ah, cara você não sabe... — Eu o interrompi.

- Olha só liguei pra te avisar que eu trouxe a Tamy pra casa, vocês não perceberam mas ela estava mega bêbada, então eu a trouxe. Está tudo bem. — Eu falei enquanto me virava e a observava dormir de novo.

- Era isso? Ok. Eu tenho que desligar a Nick voltou. — Ele falou e nem me esperou responder, desligou.

- Ligação mode OFF —

Joguei meu celular na escrivaninha e me aproximei da cama, sentia um cheiro doce exalar de sua pele e ela respirava calmamente. Eu também estava com muito sono, mas estava hesitando dormir.

Eu não dormia bem fazia noites, uma dor no peito me consumia e um buraco imenso se formou no lugar onde antes estava meu coração. Juro que se soubesse que amar seria assim, nunca teria nem tentado.

De repente ela se mecheu e virou olhando pra mim.

- Não vai dormir? — Ela falou sauvemente.

Eu ia responder mas ela pegou a minha mão e me puxou, tentando me fazer deitar ao seu lado.

- Não... — Eu falei.

-Por favor, só preciso que você fique ao meu lado, é a única coisa que te peço. — Ela falou fazendo biquinho.

Eu mordi os lábios e tirei o coberto que a cobria, me joguei debaixo das cobertas e me deitei ao seu lado.

Diferente das outras vezes em que eu sempre tinha que fazer algo, ela simplesmente me puxou contra seu corpo e foi apoiando sua cabeça no meu peito. Eu tentava não ligar pro fato de que meu coração disparava e a minha vontade era de agarrá-la também.

Ela respirou fundo e disse:

- Porque você não acredita em mim? — Seu tom era de súplica.

- Porque eu vi. — Eu respondi friamente.

- Por favor, eu só preciso que acredite em mim. — Ela falou se apoiando no seu cotovelo e me olhando nos olhos.

- Não dá. — Eu falei meio que decepcionado com a minha própria resposta.

- Por favor... — Ela falou mais triste. Suspirou bem forte e pegou uma de minhas mãos e levou até seu peito esquerdo. Não entendia o que ela estava tentando fazer. — Consegue sentir? — Ela me perguntou. — O meu coração? — Ela complementou.

Eu fechei os olhos e pude sentir seu coração bater acelerado, e descompassado. O meu coração e o dela pareciam bater no mesmo ritmo, e aquilo me assustou.

- Ele só bate por você. — Ela falou com os olhos lacrimejando. — Se isso não for o suficiente, me diga o que você quer e eu prometo que te darei, mas não me deixe mais um dia sem você. — Ela falou e apertou minha mão contra seu peito.

- Eu não posso fazer mais nada. Você brincou com os meus sentimentos, e isso eu não perdôo — Eu falei e estava quase me levantando quando ela me puxou.

- Não vai por favor, dorme aqui comigo hoje. Pelo menos uma última vez. Não falarei mais nada, só me deixa ficar ao seu lado. — Ela falou se agarrando contra o meu corpo de novo.

Eu suspirei e dessa vez não ia negar, apertei o seu corpo contra o meu e como se fosse uma última vez, respirei o cheiro que saía de seu corpo, toquei seus cabelos macios e sentia a sua pele quente se chocar contra a minha. Ela enlaçou uma de suas pernas na minha cintura.

Logo senti uma lágrima encostar no meu peito, eu não a queria chorando, não a queria sofrendo, mas acho que traição não tem perdão. A gente tá sofrendo agora, mas o tempo pode curar tudo, eu acho. E espero que seja verdade.

Notas finais
E então o que acharam? Quero saber de tudooooooo *.*
Obrigada a todos que me apoiam (:
JBeijos divas :*