Notas iniciais
Desculpem a demora.
Espero que gostem.

Recebi uma cotovelada da Ginny. Escorreguei na mesa e quase caí. Fuzilei-a com os olhos. Ela virou os olhos noutra direção, segui o olhar dela e deparei-me com o professor Snape, mesmo à minha frente.

-Algo mais importante que a minha aula? – Perguntou. Abanei a cabeça. – Cinco pontos a menos para os Slytherin. Começou bem Irvine. – Ele falou cerrando os dentes.

Os da minha casa olharam todos com raiva. Pelo menos tinha sido só cinco, se fosse outra pessoa de outra casa teria tirado mais. Continuou a aula e vi a Ginny a controlar risos. Ri-me com ela. Acabou a aula e fui dar uma aragem pelo castelo. Passei por um grupo de raparigas da minha casa que riam de algo que a nojenta da Pansy dizia, ela olhou para mim e sorriu. Apetecia mandar-lhe para um sítio tão específico. Andei mais depressa. Sentei-me na relva, se eu dissesse que na noite anterior tinha estado com o namorado dela, ela tentaria matar-me e só me daria alegria lançar uns quantos feitiços naquela cara, podia ser que conseguisse fazer algo mágico na beleza dela. Vi a Hermione Granger e a Ginny a passar, a ruiva ria-se alto, enquanto a outra estava com as faces rosadas. A Ginny despediu-se dela e veio ter comigo, as da minha casa olharam de lado para ela e a Ginny encarou-as com um sorriso. Era por isso que eu a adorava, ela não tinha medo delas por serem Slytherin, acho que ela não tem medo de nada, ela era muito forte e era a única que falava comigo, acho mesmo que a posso chamar de amiga. Com ela conheci a Lovegood, um pouco lunática e esquisita, pelo que lhe chamam mesmo Loony Lovegood, mas era simpática e divertida.

-Olha a bela adormecida. – Disse quando chegou perto. Sentou-se perto de mim.

-Não estava a dormir.

-Mas estavas a pensar no príncipe. – Ri-me. – Eu sabia.

-Porque estavas a rir-te com a Granger? – Perguntei, mudando de assunto.

-Eles tiveram Poções com o professor Slughorn e aprenderam a Poção do Amor e pelo que a Granger disse – copiou-me, ri-me. – ao cheirar a poção sentes o cheiro daquilo que mais amas e ela sentiu algo que não queria, mas sabia que ia acontecer. – Riu-se.

-O Draco também experimentou? – Ela revirou os olhos.

-Não sei, mas a Parkinson ficou toda estúpida com aquilo. – Caímos as duas na risota. – Bem ela já era.

Fomos para as aulas. Ainda não tinha visto o Draco e isso deixava-me preocupada. Na noite anterior ele chorou à minha frente, uma coisa que era impossível, Draco não chorava, ele não tinha coração. Mas ele não me disse o porquê de chorar. Eu sabia que ele era Devorador da Morte, mas será só isso? Sim, ele tem que seguir algumas coisas do Lord mas não é tão mau, especialmente quando se é um Malfoy e os dois pais também o são, nestes casos é até uma honra e um privilégio. No fim das aulas, fui para a Sala Comum e sentei-me numa poltrona a ler o livro de poções. Parei de prestar atenção, quando a Pansy entrou com umas raparigas.

-Eu quero. – Uma disse.

-Sim, também quero. Eu senti mesmo o cheiro dele, o professor começou a dizer que a poção era perigosa, mas quero lá saber, uma gota não faz mal. — Disse Parkinson e riu-se.

Suspirei, se eu ao menos pudesse usar uma das maldições, talvez a Cruciatus só um pouco para ela sentir a minha raiva.

-Oh Sophie. Tu ias adorar estar na nossa aula de poções. – Elas riram e eu fixei o olhar nelas. – Deves ter aí um rapazito que te arrasa o coração, talvez com a poção de amor, ele olhasse para a tua cara ou mesmo assim, ele te achasse horrível.

Riram-se mais. Era agora, eu contar tudo, quem era o rapazito, comigo ela não goza. Ia falar, mas os capangas do Draco entraram e a Pansy saltou logo para cima deles.

-Onde está o Draco?

-Ele ficou para trás, não sei onde. – Disse Crabbe.

-Tu nunca sabes nada. – Reclamou a cara de buldogue. Olhou para o Goyle.

-Eu acho que ele ficou na Torre de Astronomia.

Ela não respondeu e sentou-se novamente à beira das outras. Fechei o livro e saí da sala. Andei até à torre, eu não devia estar a fazer isto. Estou a ser tão burra, ele vai-me maltratar, mas não consigo estar longe dele, não consigo ver o futuro sem ele. E sei que ele deve estar muito abalado com isto tudo e mesmo que não queira à beira dele, eu vou estar sempre por perto. Cheguei lá cima. Vi ele debruçado, caminhei devagar.

-Como sabias que precisava de ti? – Perguntou. Estaria a pensar que era eu? – Anda cá.

Aproximei-me e pousei a minha mala no chão. Ele olhou para mim, sorriu e voltou a olhar par a frente.

-Como sabias que era eu? – Perguntei.

-Para além de saber que deves ser a única pessoa que se preocupa comigo, senti o teu perfume.

Sorri e olhei para a vista de lá de cima. Estou a enganar-me e isto vai doer mais tarde, mas agora vou aproveitar o momento que me deixa feliz. Ele pousou a mão sobre a minha e apertou-a.

-Estás bem? – Perguntei.

Ele suspirou. Virei-me para ele e fi-lo olhar para mim.

-O que te preocupa?

-Sou um Devorador da Morte. – Ele arregaçou a manga e eu vi a marca negra.

-Não. – Ele olhou para mim com as sobrancelhas cerradas. – Não é isso. Conheço-te, sim pode ter alguns pontos negativos, mas és sangue puro e vens de uma linhagem de devoradores da morte. Não tens medo disso, tem que ser algo mais.

-Sabes o que é estar numa mesa rodeada de gente com o mesmo objetivo? E o objetivo é matar pessoas. Eu também pensava que era giro maltratar sangues de lama, mas quando estive lá é mais assustador, eles não se riem, eles matam.

-Mesmo assim. – Respondi.

-Não posso contar. Estou sobre ordens superiores. – Ele colocou a cabeça sobre os seus braços.

Coloquei a minha mão no ombro dele.

-Isso deixa-me preocupada.

-Não vai acontecer nada comigo, não se eu fizer tudo direito. – Ele disse com a voz abafada.

-Não é isso. É que estás a fazer algo contra a vontade.

-E que posso fazer? – Perguntou. Levantou a cabeça e olhou-me nos olhos. – Sabes onde fica a Sala das Necessidades?

-A quê? – Perguntei. – Que raio estás a falar?

-Nada.- Ele olhou para a minha mala. – Dás-me aquela maça, preciso dela. – Abanei a cabeça e el foi buscar. Obrigado Soph. – Encostou os nossos lábios e saiu a correr.

Voltei-me para a vista. Mas que se passa com ele? Deve ter enlouquecido de vez. Vai ser complicado fazer o loirinho falar.

Notas finais
Beijinhos,

Madame Tupert Cullen