Notas iniciais
Olá, Desculpem a demora para postar (de novo!). Gostaria de ter uma ótima desculpa para dar a vocês dessa vez, como estar viajando e não ter internet ou ter tido problemas com o PC, mas, infelizmente, não tenho. Sorry! Sua autora enrolada, apenas se distraiu com um jogo de RPG dessa vez e aí passou boa parte das férias jogando ao invés de escrevendo. Dei um tempo do jogo agora para dar uma atenção para as fanfics, mas nem vou prometer atualizações frequentes, porque sempre que eu prometo nunca cumpro e vocês já devem estar cansados das minhas promessas que estão mais furadas que promessa de político nas eleições. Bem, só espero que não tenham morrido de velhice enquanto aguardavam a atualização e espero que gostem do novo capítulo. Boa leitura ^^

“Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.” – Clarice Lispector.

[Blake]

Não sei onde eu estava com a cabeça quando disse a Alyssa que a amava. Obviamente, não me arrependo de ter dito, pois essa é a mais pura verdade, mas quando decidi que aquelas três palavras precisavam ser ditas, não foi exatamente daquela forma que planejei dizê-las.

Eu sabia o quão arredia Alyssa podia ser quando o assunto envolvia relacionamentos ou qualquer coisa parecida com isso. Ela havia sido magoada por seu ex-noivo – alguém de quem ela não falara muito e de quem eu não fizera muitas perguntas – e, exatamente por isso, eu sabia que, se não quisesse que ela sentisse pressionada, deveria agir com calma.

Minha atitude daquela noite, entretanto, foi muitas coisas, menos calma. Depois da declaração que fiz, cheguei a pensar que Alyssa, mais uma vez, iria se levantar, pegar suas roupas e correr porta à fora e, quando ela ficou em silêncio, apenas me observando enquanto parecia absorver o que eu tinha dito, tive que me esforçar muito para controlar a vontade de me dar um soco na cara, pois naquele momento eu tive certeza que havia ultrapassado os limites e estragado tudo.

Já estava pronto para me desculpar, prendê-la em meus braços e implorar para que ela relevasse o que tinha dito, quando Alyssa me surpreendeu com uma declaração melhor do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado e, embora minha reação tenha sido apenas beijá-la como o se minha vida dependesse disso, o que eu queria mesmo era ter dito que nunca tinha me sentido tão feliz com alguém quanto me sentia com ela naquela noite.

– Sinto em informar, mas você virou um maricas apaixonado, parceiro. – Kirk, meu melhor amigo e ex colega de universidade, diz assim que termino de contar a ele as últimas novidades de minha história com Alyssa.

Ele está largado no sofá da sala de meu apartamento, com um saco de Doritos de queijo nacho em uma das mãos e uma lata de guaraná na outra, enquanto assiste a uma reprise do último jogo do Los Angeles Clippers¹ e, apesar de seu comentário um tanto ofensivo sobre meus sentimentos e do fato de seus olhos não terem se desgrudado da tela da TV por um só segundo enquanto eu lhe contava sobre o jantar e sobre a declaração que eu havia feito para Alyssa, sei que ele prestou atenção no que eu disse e que está feliz por mim.

Kirk é um daqueles caras que saíram da adolescência, mas cuja adolescência não saiu deles. Embora já tenha quase vinte e oito anos e seja o gerente da empresa de publicidade do pai, ele ainda age como se o mundo fosse uma grande festa, onde o mais importante é ir para a cama com uma garota diferente a cada noite e ter um grupo de amigos fiéis com quem beber e curtir.

É de se imaginar que alguém com uma mentalidade tão fútil quanto essa não fosse exatamente o tipo de amigo que eu gostaria de ter ao meu lado, mas por mais irresponsável que Kirk possa ser com relação a maior parte das coisas importantes da vida, ele também é uma das melhores pessoas que conheço, e é exatamente por eu conhece-lo tão bem e por saber que a bondade em seu coração é maior do que sua mentalidade de adolescente, que nossa amizade tem resistido ao passar dos anos e se fortalecido cada vez mais.

– Já era. – Kirk continua quando tudo o que recebe, de mim, por seu comentário anterior é um sorriso divertido – Essa garota te fisgou, Blake. Não há mais como fugir.

– Que bom, porque eu não quero fugir. – sorrio e me recosto no sofá, cruzando as pernas na altura dos tornozelos – A Alyssa é incrível, Kirk. Nunca conheci uma garota como ela.

– Eu tenho certeza que não. – Kirk desvia seu olhar da TV pela primeira vez desde que o jogo começou e ergue uma de suas sobrancelhas grossas para mim – É por isso que você precisa de mim esta noite? Para te ajudar a quebrar a cara do tal barman idiota que gosta de se atirar para cima da sua garota?

Uma careta de desagrado se instala, automaticamente, em meu rosto quando me lembro da noite em que Wade flertou com Alyssa, no Bar West, e sinto meu sangue ferver só de pensar que ele possa fazer algo semelhante esta noite. Por mais que ela tenha me garantido que sua relação com Wade não ultrapassa os limites de uma boa convivência entre colegas de classe e por mais que desejar quebrar todos os dentes de um aluno, com socos, não seja a atitude mais louvável de um professor, não posso evitar de me sentir irritado com as possibilidades daquela noite, ainda que elas estejam apenas em minha cabeça até o momento.

– Na verdade, te chamei porque você é meu melhor amigo e porque preciso de companhia. – respondo e Kirk me lança um olhar de pura desconfiança ao qual não consigo retribuir.

– Tudo bem. – ele sorri e desliga a TV, levantando-se do sofá enquanto amassa a lata de refrigerante e a joga dentro do saco vazio de Doritos – Quando chegarmos à festa você me mostra quem é o cara e me apresenta à sua garota. Eu vou ficar de olho por você. Se ele se aproximar demais dela ou fazer qualquer gracinha eu o empurro para um canto e o encho de porrada.

– Kirk... – tento adverti-lo, mas ele ergue a palma da mão, interrompendo-me.

– Tudo bem, parceiro. Eu sei que esse cara também é um dos seus alunos, então vou tomar o cuidado de não te envolver. – Kirk dá um tapinha em meu ombro e pisca para mim – Não precisa agradecer. – diz antes de se dirigir a cozinha para jogar o saco de Doritos no lixo.

As dez horas em ponto, Kirk e eu deixamos meu apartamento e seguimos, de moto, até a praia de Torrey Pines Gliderport, onde a festa irá acontecer. Nós dois nutrimos certa paixão por motos e alta velocidade e esse interesse em comum foi uma das coisas que nos aproximaram durante a universidade.

Enquanto minhas preferências giram em torno de motos com design mais esportivos como os da Ducatti e da Kawasaki, Kirk prefere motos com design mais clássicos como os da Harley Davidson e está sempre tentando me convencer a aderir as suas preferências. Ele diz que, quando se está sobre uma Harley, não importa o que esteja vestindo, você sempre será visto como alguém cheio de estilo, mas enquanto ele passa por mim, pilotando sua Harley 883 Iron de chinelos, calção de banho e uma camiseta havaiana de cores chamativas, acho difícil acreditar nisso.

Quando chegamos a praia, percebo que minhas suspeitas quanto ao grande público daquela festa estavam corretas. Mesmo enquanto procuramos por uma vaga no estacionamento lotado logo acima da orla, já consigo ouvir o barulho da multidão e da música eletrônica agitada que toca lá embaixo. Ao que vejo, Wade e seus amigos, não pouparam esforços para fazer daquela uma das festas mais badaladas do ano e só consigo me perguntar como encontrarei Alyssa em meio a todas aquelas pessoas.

– Cara, não me lembro de as festas serem tão legais assim no nosso tempo de universidade. – Kirk comenta assim que estacionamos nossas motos entre duas picapes antigas e nos dirigimos a escada de concreto que leva à praia – Os luais que Noah Lancaster organizava não chegam nem perto do que esses caras fizeram aqui hoje.

Assinto, sendo obrigado a dar algum crédito a Wade pela organização que ele os amigos fizeram. Ele pode até não ser o meu aluno ou barman favorito, mas não sou tão estúpido ao ponto de não reconhecer quando alguém faz um bom trabalho.

– Alguma ideia de onde a sua garota possa estar? – Kirk pergunta caminhando ao meu lado na orla da praia.

Há dezenas de corpos se remexendo ao som da música eletrônica alta a nossa volta e como a festa abrange uma boa parte da praia não tenho a menor ideia de onde Alyssa e suas amigas possam estar.

– Vou ter que ligar para ela. – respondo, por fim, retirando o celular do bolso de minha bermuda e digitando a senha de desbloqueio do aparelho.

Kirk assente e enquanto zapeio por minha lista de contatos a procura do número de Alyssa, ele intercepta um garoto que passa por nós, carregado de copos plásticos vermelhos, cheios de cerveja, e toma um para si.

O garoto fecha a cara e se volta para Kirk, abrindo a boca para reclamar, mas ao ver seu tamanho e seu o olhar desafiador, apenas abaixa a cabeça e seu segue de volta para o grupo de amigos que o aguarda logo mais à frente. Vejo-o entregar os dois copos de cervejas que restaram em suas mãos para duas garotas de seu grupo e conversar com elas, enquanto aponta para Kirk, como se explicasse que ele havia lhe tomado uma de suas cervejas. As garotas olham para Kirk de esguelha e então puxam o garoto pelo braço, afastando-se dali e sendo, rapidamente, engolidos pela multidão.

Volto-me para meu amigo com uma expressão de desagrado estampada no rosto.

– O que foi? – ele questiona como se não entendesse o porquê de minha reação negativa – Eu precisava de uma cerveja, cara. O garoto pode pegar outra para ele depois.

Reviro os olhos e suspiro, voltando minha atenção para meu celular. Quando encontro o número de Alyssa, clico e aguardo até que ela atenda. Sua voz doce ressoa do outro lado da linha segundos depois.

– Oi. – ela diz em um tom alegre e tenho que colocar a mão sobre minha orelha esquerda para abafar um pouco o ruído da música e poder ouvi-la melhor.

– Oi. Estou aqui na praia. – digo no tom mais alto que consigo, sem gritar – Esse lugar está lotado. Onde você está?

– Bem, onde você está exatamente? – ela repete a minha pergunta e eu olho ao redor tentando encontrar um ponto de referência.

– Estou a alguns metros da escada que dá acesso à praia. Perto de um vendedor de... bem, parece que é um vendedor de chocolate com formatos inusitados. – digo e sorrio quando vejo uma garota se afastando do vendedor com um chocolate que me lembra um par de seios embalado em um saquinho plástico.

– Ah. – Alyssa solta uma pequena risada – Sei onde você está. Eu estou ao lado de uma barraquinha que vende frutas cobertas com calda de chocolate. Bem perto do palco. Consegue ver?

Olho ao redor e localizo a grande armação metálica com luzes de neon do palco do outro lado da praia.

– Chego aí em dois minutos. – digo rapidamente – Talvez mais, dependendo da multidão que eu encontre pelo caminho.

– Estarei esperando. – ela sorri e desliga.

Guardo o celular de volta no bolso da bermuda e dou um tapinha no ombro de Kirk que está concentrado em uma garota loira, de biquíni branco, que está dançando com as amigas a dois passos de distância dele.

– A Alyssa está do outro lado da praia. – aviso e aceno com a cabeça em direção ao palco que é o meu ponto de referência– Eu estou indo até lá. Você vem ou vai ficar aí apreciando a dança?

Kirk abre um largo sorriso para mim.

– Que tipo de amigo eu seria se trocasse o meu parceiro por um rabo de saia? – ele pergunta e eu o olho de cima a baixo.

– Seria exatamente você mesmo e essa nem seria a primeira vez que faz isso comigo. – respondo lembrando-me da festa onde conheci Alyssa. Uma festa para a qual ele praticamente me arrastou e depois sumiu com a primeira garota que encontrou, deixando-me sozinho.

– Hoje é um novo dia, Blake. – Kirk ergue seu copo de cerveja em minha direção – Talvez eu tenha te trocado por um ou dois rabos de saia antes, mas hoje estou aqui para conhecer a sua garota, te fazer companhia e, talvez, quebrar a cara do organizador dessa festa.

– Não é mais fácil você apenas dizer que veio com a intenção de ser preso?

– Eu nunca tenho intenção de ser preso. – ele retruca despreocupado – Às vezes acontece, mas nunca é por intenção.

Olho para o copo vermelho na mão de Kirk e balanço a cabeça, perguntando-me se foi realmente uma boa ideia trazê-lo comigo esta noite. Ele é um bom amigo, mas se comporta como um valentão idiota em boa parte do tempo, principalmente quando está bebendo e tem algum objetivo estúpido em mente, como proteger Alyssa de Wade porque acha que é isso o que eu espero que ele faça.

– É melhor você beber menos. – digo, apenas, e me viro para seguir em direção ao palco do outro lado da praia.

Alyssa me vê antes mesmo que eu chegue à barraca onde ela e suas amigas estão e acena, para mim, empolgada. Aceno de volta e apresso o passo até ela, desviando-me da multidão que se aglomera perto do palco onde um DJ está mixando as músicas.

– Oi. – ela me cumprimenta com um sorriso e um abraço breve – Já estava começando a pensar que você não viria mais.

– Eu prometi que viria. – sorrio de volta – Demorei porque o Kirk queria assistir, pela décima vez, a reprise de um jogo dos Clippers versus Lakers.

– Kirk? – Alyssa franze a testa, confusa, e só então percebo que nunca falei sobre ele. Mancada!

– Desculpe. Kirk é o meu amigo. – afasto-me um pouco para o lado e seguro a mão de Alyssa puxando-a para mais perto de Kirk que está parado atrás de mim, esperando – Liss, esse é o Kirk, meu melhor amigo. E, Kirk, essa é a Alyssa, a garota de quem te falei. – apresento-os.

Kirk dá um passo à frente e estende a mão.

– É um prazer, Alyssa. – ele diz com um largo sorriso que, para mim, já é costume ver estampado em seu rosto.

– O prazer é meu. – Alyssa aperta a mão dele, gentilmente.

Seu sorriso é doce e seu rosto está repleto de um entusiasmo discreto que só consigo interpretar como satisfação por, finalmente, ter conhecido um amigo meu. Algo que notei ser importante para ela no dia em que ela decidiu que eu precisava conhecer Melody e Serena formalmente.

– Vocês são amigos há muito tempo? – Alyssa pergunta passando o palito, repleto de uvas cobertas de chocolates, que está segurando, para a mão esquerda, enquanto usa a direita para tirar seu longo cabelo loiro do rosto e jogá-lo para trás.

O movimento faz meus olhos recaírem de seu rosto para seu busto e sinto minha boca ficar seca quando vejo o top azul tomara-que-caia que ela está usando. Aquilo nem de longe se parece com um vestido!

– Blake e eu nos conhecemos no nosso terceiro semestre na universidade. – Kirk responde por mim – Somos amigos há quase oito anos.

– Caramba! – Alyssa sorri – Fico feliz que sejam amigos há tanto tempo assim. Eu e as minha amigas crescemos juntas, sabe? Somos praticamente irmãs. Aliás, me deixe apresentá-las a você.

Alyssa se vira para acenar para Melody e Serena que estão encostadas numa das hastes que sustentam a barraca de frutas com cobertura de chocolate e eu aproveito para dar uma boa olhada nela.

Ela está usando uma rasteirinha, cujas correias são enfeitadas por pequenas pedras de strass, uma tornozeleira prateada com uma pingente em forma de estrela, um biquíni azul celeste tomara-que-caia e uma canga estampada que mau cobre suas coxas. Sei que é besteira implicar com aquilo, mas ainda estou me perguntando onde está o maldito vestido que ela disse que usaria naquela noite.

Quando Melody e Serena se aproximam, ambas com um copo plástico vermelho e uma maçã coberta de chocolate nas mãos, Alyssa se volta novamente para Kirk e eu com um largo sorriso nos lábios, que estão rosados por causa do gloss que ela está usando.

– Kirk, essas são minhas amigas, Melody e Serena. E, meninas, esse é o Kirk, o melhor amigo do Blake. – Alyssa os apresenta e Kirk aperta a mão de cada uma das garotas, parando para dar uma bela conferida no biquíni vermelho de Melody.

– É um prazer. – ele diz com um sorriso que vai de orelha a orelha.

– Igualmente. – Melody responde de maneira educada.

Seus olhos azuis passeiam pelo rosto de Kirk por um breve instante, antes que alguém atrás dele chame sua atenção e ela acene, empolgada.

Viro-me, ao mesmo tempo que Kirk, para ver para quem Melody está acenando e dou de cara com Wade abrindo passagem em meio a um grupo de pessoas, enquanto caminha em nossa direção. Era tudo o que eu precisava...

– Wade! – Melody corre até ele e passa os braços ao redor de seu pescoço, cumprimentando-o com um abraço apertado que quase faz com que ela derrube a cerveja de seu copo.

– E aí, Mell. – ele retribui ao abraço erguendo-a um pouco do chão antes de soltá-la – Está gostando da festa?

– Está maravilhosa. Você e os garotos arrasaram!

– E isso é só o começo, hein. – Wade pisca para ela e então corre o olhar pelo grupo de pessoas reunido ali, parando em mim – Sr. Carson! – ele se aproxima e me estende a mão – Não sabia que viria a minha festa. Como o senhor está?

– Estou bem, Wade. – aperto a mão dele brevemente – Obrigada por perguntar. E me chame apenas de Blake, okay? Eu não sou tão mais velho que vocês, afinal.

– Tudo bem, Sr. Cars... Quero dizer, Blake. – ele se corrige na metade do caminho e então nota minhas mãos enfiadas no bolso de minha bermuda – Ainda não pegou uma bebida? Posso pegar uma cerveja para o senhor, se quiser.

– Obrigada, Wade, mas estou bem assim. Vim de moto, então prefiro não beber hoje. – explico.

– Posso oferecer um refrigerante, então? Ou um suco? – ele insiste – Não vou deixar que um dos meus professores venha até aqui e saia com sede, né?

– Traga uma Coca. – Alyssa sugere, postando-se no meio da rodinha que se formou em nosso grupo – Aproveite e traga uma para mim também.

Os olhos de Wade se desviam de mim e se concentram nela, percorrendo toda a extensão do seu corpo semi nu com visível interesse. Sinto a necessidade súbita de socar alguma coisa, ou alguém, mas apenas pigarreio, chamando a atenção dele e fazendo-o se virar novamente para mim.

– Aceito a Coca. – digo, tentando ao máximo controlar a raiva que sinto que está explicita em minha voz – Com gelo, se for possível.

Wade assente e dá mais uma olhada em Alyssa, apertando uma das bochechas coradas dela antes de se afastar.

– Volto em um instante, gata. – ele diz ao seguir em direção ao quiosque de bebidas e eu cerro os punhos tentando reprimir a louca vontade que tenho de esmurrá-lo e jogá-lo dentro do oceano.

Meu desejo homicida é interrompido quando sinto os dedos finos e macios de Alyssa se fecharem ao redor de meu pulso.

– Está tudo bem. – Alyssa sussurra baixinho, seus lábios mal se abrindo enquanto ela fala – Tenho tudo sob controle. Não precisa ficar irritado.

– Não me parece que você tem tudo sob controle. – sussurro de volta, irritado. Nossa pequena discussão silenciosa passando despercebida por todos ali, com exceção de Serena, Melody e Kirk que estão concentrados em cada movimento nosso.

– Você sabe que isso não é justo, Blake. – Alyssa retruca, encarando-me magoada.

– Alguém aqui quer um cupcake? – Serena joga sua maçã, parcialmente devorada, no lixo mais próximo e nem espera por uma resposta antes de segurar Melody e Kirk pela mão e puxá-los na direção do palco – Tenho certeza que vi uma barraquinha de cupcakes a caminho daqui e estou louca para provar um. – ela diz ao se afastar com os garotos, sem lhes dar outra opção a não ser acompanhá-la.

Observos enquanto eles desaparecem no meio da multidão e, depois, me volto para Alyssa que continua a me encarar com fervor. Seus grandes olhos verdes me fulminam com uma mistura de mágoa e ira e, por mais louco que possa parecer, tudo em que consigo pensar ao vê-la assim é em arrastá-la para algum lugar deserto daquela praia enorme e beijá-la até que ambos estejamos sem fôlego.

– Você sabe que eu estou tentando. – Alyssa diz, arrancando aqueles pensamentos de minha cabeça – Estou fazendo o meu melhor, Blake, mas não é como se eu pudesse controlar as ações do Wade também.

Olho para ela por um instante, sabendo que ela está certa, mas o ciúme ridículo que estou sentindo me impede de agir racionalmente.

– Eu não deveria ter vindo. – digo antes que possa me conter – Está na cara que não consigo lidar com isso, Alyssa. Sinto o meu sangue ferver só por vê-lo perto de você e ver o jeito como ele te olha, principalmente quando você está tão linda e tão sexy nesse biquíni... – sacudo a cabeça, porque o ciúme voltou a arder em minhas veias e passo as mãos pelo cabelo, irrequieto – Você tem alguma noção do quanto eu tive que me segurar para não dar uma surra no Wade quando ele te chamou de “gata”? – questiono – Sabe o quanto estou tendo que me segurar agora para não te puxar para os meus braços e te beijar na frente de todas essas pessoas? Faz dez minutos que cheguei e mal consigo manter as minhas mãos longe de você e os meus punhos longe do Wade. – abro um sorriso nervoso – Não tem como essa noite acabar bem se eu continuar aqui.

Alyssa olha para o chão, a expressão em seu rosto assumindo um quê de tristeza enquanto ela tenta assimilar minhas palavras e tirar o significado delas.

– Então... você vai embora? – ela pergunta baixinho – Vai simplesmente dar meia volta e ir embora, Blake?

Me aproximo dela e ergo seu queixo com o dedo indicador, pouco me importando com quem possa estar nos vendo ou com o que vão falar.

– Eu não vou se você não quiser. – respondo, olhando-a nos olhos – Eu vim porque você me pediu que viesse, então só vou embora se você quiser que eu vá.

– Eu não quero que vá. – ela responde quase imediatamente e eu assinto.

Me pergunto como é possível que em tão pouco tempo eu já ame tanto aquela mulher que chega a doer, mas já sei que nunca vou encontrar a resposta. Assim como a arte, o amor não é uma ciência exata e nem sempre faz sentido. O amor é como uma pintura abstrata, que você nunca sabe onde começa ou terminar, mas onde cada observador enxerga e deduz o que quer. Às vezes as pinceladas fazem sentido, às vezes não, mas é aí que a beleza da obra: nas infinitas sensações que aquele quadro pode te proporcionar ainda que ele não possua sentido algum para o restante do mundo ao seu redor.

– Só espero que você consiga encontrar um jeito de me carregar até em casa, porque se vou aturar o Wade te cantando pelo resto da noite, acho que vou precisar de uma bebida. – sorrio – Bem mais que uma, eu imagino.

Alyssa abre um pequeno sorriso para mim e o brilho do qual eu gosto tanto volta a enfeitar seus olhos.

– Vou substituir aquele seu copo de Coca-Cola por um de cerveja assim que possível. – ela diz, depositando um beijo rápido em minha bochecha antes de se afastar dois passos para trás – E não se preocupe, professor, há poucas coisas nessa vida em que tenho mais experiência do que levar amigos bêbados para casa.

Notas finais
Bem, pelo tempo que demorei para postar sinto que lhes devia um capítulo maior, mas não deu. Eu tinha uma linha de raciocínio a seguir e ela terminava bem aí mesmo, então, apesar de achar que vocês mereciam um capítulo beeeem longo para compensar toda a espera, preferi não ficar enrolando no texto, porque isso poderia torná-lo cansativo, né? Espero que tenham gostado do capítulo e de se aprofundarem um pouco mais na vida e nos sentimentos do Blake. E por falar nele, o que acharam do Kirk? Espero todos vocês lá nos reviews, com suas opiniões, elogios e críticas e nos vemos de novo assim que eu me desenrolar com o novo capítulo da minha outra fanfic. Beijos! ps: Se houver algum leitor da "Wake Me Up" aqui, saiba que já estou concluindo os ajustes que queria fazer e que, em breve, ela estará de volta ao Nyah. o/