O Mestre - EM HIATUS
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
“Paga-se um preço muito alto para viver uma paixão, e um ainda maior para não vivê-la.” – Mari Marconccine
[Alyssa]
Os raios de sol atravessam a janela de meu quarto e eu me remexo sob as cobertas, incomodada com a luz que bate em meu rosto. Sinto meus pés esbarrarem na cabeça de alguém e os recolho rapidamente, recebendo um resmungo irritado da pessoa que atingi. Desorientada, abro os olhos e me sento na cama.
Serena está deitada ao meu lado, de cara para a parede. Seu cabelo castanho claro, longo e ondulado, está espalhado perto de meus pés, cobrindo seu rosto quase por completo. Provavelmente eu devo tê-la acordado quando chutei sua cabeça sem querer, mas ela já caiu no sono outra vez.
Olho ao redor e vejo que Melody está largada sobre um colchonete ao lado de minha cama. Seu cabelo negro e liso está todo bagunçado e ela está dormindo de barriga para cima e com a boca aberta, o que me faz rir.
Em uma situação normal eu tiraria uma foto daquilo e zombaria dela por uma semana inteira, mas eu não tenho a menor ideia de onde está o meu celular e, sinceramente, eu sequer me lembro de como cheguei em casa.
Tudo o que sei é que, depois que Blake me deixou sozinha no meio do corredor escuro do West, eu decidi que precisava de uma bebida. Melody e Serena não discutiram. Simplesmente me acompanharam até o bar e permitiram que eu bebesse.
Acho que fiquei completamente bêbada depois da quinta – ou décima – dose de tequila, mas não parei por ali. A imagem de Blake me dando as costas e se afastando sem olhar para trás estava me corroendo por dentro e eu estava mais que disposta a afogar aquela sensação em uma garrafa de tequila na noite anterior.
Esfrego os olhos e dou uma olhada em meu relógio de parede, somente para constatar que eu já estou muito atrasada para ir à universidade. É apenas o segundo dia de aula e já é a segunda vez que acordo de ressaca. Acho que, se eu continuar nesse ritmo, me tornarei uma alcoólatra antes de o semestre acabar. Vitória!
Espreguiço-me um pouco e sinto minha cabeça latejar e minha garganta arder por causa da sede. Uma das coisas na qual nos esquecemos de pensar quando decidimos beber até cair, é na ressaca do dia seguinte. Creio que se pensássemos nisso não beberíamos tanto, mas os seres humanos tendem a ser idiotas e, infelizmente, eu não sou uma exceção à regra.
Levanto e, ainda meio trôpega por causa da bebedeira da noite anterior, tento me dirigir ao banheiro para escovar os dentes, mas antes que eu possa dar um passo para longe da cama, sinto a mão gelada de Melody agarrar meu tornozelo, quase me fazendo tropeçar.
– Que horas são? – ela pergunta ainda de olhos fechados.
– Quase três da tarde.
Melody assente e solta meu tornozelo, sentando-se, vagarosamente, no colchonete e se inclinando na direção de minha cama para dar um tapa no bumbum de Serena.
– Acorda, coisa imunda! – ela grita fazendo Serena se pôr de pé com um salto.
– A Liss está passando mal de novo? – Serena pergunta, preocupada.
Melody aponta o dedo indicador para mim e Serena segue seu gesto, virando-se em minha direção. Seus olhos param em mim e ela me encara, sem reação, enquanto seu cérebro recém-desperto parece absorver a cena.
– Você está bem? – ela pergunta, por fim, andando em minha direção e segurando meu rosto entre as mãos.
– Estou. – respondo, retirando suas mãos de meu rosto e afastando-a de mim com calma.
– Ah, graças a Deus! – Serena solta um suspiro profundo e volta para a cama, dando um tapa na nuca de Melody antes de se sentar – Te mato se me acordar desse jeito de novo. – ela adverte, fuzilando Melody com o olhar.
Olho para as duas, que mais parecem dois zumbis que acabaram se levantar do túmulo e elas me encaram de volta, deixando-me apreensiva. A noite anterior está praticamente em branco na minha cabeça, mas convivo com Melody e Serena a tempo suficiente para saber que quando elas me olham daquela forma é porque eu devo ter aprontado alguma coisa muito feia.
– Estou muito encrencada? – pergunto já me preparando para o que vou ouvir.
– Ah, mas você nem imagina o quanto! – Melody exclama, colocando-se de pé – Para começar, você subiu no palco de Pole Dance do West e disse que ia fazer um strip-tease ao som de S&M. Tivemos que pedir ao Wade para te tirar de lá, porque você não queria sair. Ele teve até que largar o emprego mais cedo ontem para nos ajudar a te trazer para casa, porque você mal conseguia ficar de pé e nós não conseguíamos te carregar.
– Caramba! – exclamo surpresa – Aprontei tudo isso em uma única noite?
– O que? Você acha que isso é tudo? – Melody continua para o meu total desespero – Você roubou um beijo do Wade, Liss. Passou a mão na bunda dele e depois disse que ele era gostoso e que tinha cheiro de menta.
– Eu fiz o que?! – pergunto horrorizada com minhas peripécias.
– Passou a mão na bunda do Wade, disse que ela gostoso e que tinha cheiro de menta. – Serena faz questão de repetir, como se ouvir aquilo uma única vez não fosse ruim o suficiente – Mas isso nem foi o pior de tudo...
– E tem como ficar pior que isso? – questiono, preocupada com a resposta.
– Estamos falando de você, Alyssa Cooper. Sempre tem como ficar pior. – Melody responde rindo – E, acredite, você encerrou a noite com chave de ouro quando vomitou no sapato do Wade.
Sinto minha boca se abrir. Eu sempre soube que meu histórico em bebedeiras não era muito bom, mas na noite anterior eu havia passado – e muito – dos limites. Eu era um perigo para sociedade!
– Ai.Meu.Deus! – cubro o rosto com as mãos, completamente desolada, e escorrego pela parede até me sentar no chão – Como é que vocês me deixam fazer uma coisa dessas?
– Em nossa defesa eu digo que, na verdade, você não nos pediu permissão. – Serena se coloca de pé e abre um sorriso divertido – Se tivesse pedido nós, com certeza, não teríamos deixado você fazer o que fez.
Abro os dedos das mãos e a encaro através deles.
– É tão bom saber que posso contar com vocês para colocar um pouco de juízo na minha cabeça. – digo com ironia.
– Ah, deixa disso, Liss. – Melody caminha até mim e se abaixa para passar um braço ao redor de meus ombros – Todo mundo já fez alguma coisa idiota quando estava bêbado. Você não tem que ficar aí se martirizando.
– A Mell tem toda razão. – Serena cruza os braços e dá de ombros – Fazer coisas idiotas quando se está bêbado é mais que normal. Aliás, se você fica bêbado e não faz nada idiota é sinal de que não se divertiu o bastante.
Reviro os olhos e reprimo uma risada.
– Vocês têm alguns ensinamentos bastante estranhos.
– Mas todos eles são ótimos. – Melody dá uma piscadela e depois se coloca de pé, estendendo-me a mão – Agora deixe de ser uma molenga e levante-se daí. A vida continua e eu preciso de café da manhã.
– Não seria almoço? – ergo uma sobrancelha para ela.
– Tanto faz. – Melody dá de ombros – Desde que eu coma alguma coisa, você pode chamar até de chá da tarde.
Agarro sua mão e me levanto com um pequeno sorriso nos lábios. Talvez Melody e Serena não sejam as pessoas mais indicadas para tentar colocar algum juízo em minha cabeça, mas com certeza elas são as mais indicadas para me animar.
– Valeu, garotas. – agradeço abraçando-as, uma de cada vez, antes de me dirigir ao banheiro.
Meu estado físico é tão deplorável quanto meu estado emocional. Meu cabelo está todo embaraçado e grudento por causa da noite no West e há olheiras tão profundas sob os meus olhos, que eu poderia ser facilmente confundida com um panda.
– Parabéns, Liss. – abro um sorriso irônico para o meu reflexo no espelho – Você está no caminho certo.
Ainda praguejando pego minha toalha e minha escova de dente e sigo para o chuveiro, onde tomo um longo banho, escovo os dentes e, com alguma dificuldade, desfaço os nós em meu cabelo.
Quando volto para meu quarto, Melody e Serena já arrumaram a cama e recolheram o colchonete do chão, deixando tudo na mais perfeita ordem, então apenas visto a roupa mais confortável que encontro em meu novo guarda roupas – que se resume a uma camiseta e um short velho – e vou para a cozinha preparar o nosso café da manhã atrasado.
Enquanto comemos panqueca com calda de chocolate e tomamos refrigerante, as garotas me contam mais alguns detalhes sobre a bagunça que aprontei no West e, depois do choque inicial de saber que eu havia roubado um beijo de Wade, passado a mão em seu traseiro e ainda vomitado em seus sapatos, eu já até conseguia rir da situação.
Após o café da manhã, ajudo Serena e Melody a arrumar a cozinha e então volto para o meu quarto para procurar por meu celular que, depois de toda a confusão da noite anterior, acabou se perdendo. Por sorte, eu o encontro no espaço que há entre minha cama e a parede e, depois de constatar que não havia nenhuma ligação perdida ou novas mensagens de texto, volto para dentro da casa das garotas.
Melody já está em seu quarto, tirando um cochilo que, tenho certeza, durará até a manhã seguinte e Serena está na sala, lendo o livro Um Dia do autor David Nicholls e fazendo algumas anotações em um caderno.
– Dever de casa? – pergunto jogando-me no sofá ao lado dela.
– É aquele trabalho que o Blake nos passou na última aula, lembra? Eu decidi fazer um monólogo e encontrei um trecho nesse livro do David Nicholls que me descreve muito bem. – ela sorri – Você já sabe o que vai apresentar amanhã?
Paro e a encaro por um minuto. Com tudo que havia acontecido entre Blake e eu desde a última aula, eu havia me esquecido completamente de seu dever de casa. Nem sequer tinha encontrado alguma coisa que me descrevesse ainda, quanto mais pensado em algum tipo de apresentação para ela.
Serena ri.
– Eu sabia que você não ia lembrar. – diz arrancando uma folha de seu caderno e estendendo-a para mim junto com uma caneta azul – Escreva todas as coisas que você acha que podem descrevê-la e, depois que escolher uma delas, pense numa apresentação.
– Você é o meu anjo da guarda. – digo abraçando-a com força.
– Tudo bem. – ela me empurra – Agora comece a escrever. E, já que você está cursando música, sugiro que siga essa vertente. É mais fácil trabalhar com algo que já está acostumada.
– Entendido, capitã. – bato continência e depois me concentro na folha de caderno em branco que está diante de mim.
Vasculho minha mente à procura de alguma música que eu conheça e que possa me descrever e anoto as opções na folha como Serena me aconselhou. Quando vejo que já tenho uma boa quantidade, começo o processo de decidir qual delas apresentar no dia seguinte e, depois de quase meia hora analisando-as, umas por uma, decido que cantarei Warrior, da Demi Lovato, porque ela descreve bem o que foi minha relação com Dylan e o que eu me tornei depois do rompimento de nosso noivado.
Decido também que vou me apresentar usando um piano, pois me lembro de ter visto um atrás das cortinas do auditório durante a aula de Blake, mas como não tenho um piano em casa para ensaiar, apenas uso meu notebook para estudar as partituras pela internet.
Às dez horas, sinto que já estudei além do meu limite e decido parar por ali, pois de nada adiantará estudar tanto se eu acabar dormindo sobre o piano durante a apresentação. Então, desligo o notebook e, depois de desejar boa noite à Serena que ainda está na sala encenando o trecho do livro que escolheu, me enfio sob as cobertas e adormeço quase imediatamente.
Acordo ao som de Not Ready To Make Nice da Dixie Chicks e decido que preciso, urgentemente, trocar a música do meu despertador, pois essa ainda é do tempo em que eu dormia e acordava chorando por causa de Dylan. Um tempo do qual, diga-se de passagem, eu prefiro não lembrar.
Me arrumo rapidamente e, depois de tomar o café da manhã, me aperto com Melody e Serena em seu antigo Porsche 911 para ir à universidade. Assim que chegamos lá, eu e Serena rumamos para o auditório onde as aulas de Musicalidade e Interpretação acontecem e Melody segue para sua aula de Estilismo.
Eu havia passado todo o caminho até ali recitando um “Você não deve nada a ele, Alyssa.” mentalmente para mim, mas, ao entrar no auditório, sinto-me imediatamente nervosa. Depois da noite que tivemos no West eu não sei o que esperar de Blake e, algo dentro de mim, me diz que eu não vou gostar de descobrir.
Para o meu alívio momentâneo, vejo que Blake ainda não está no auditório, mas mesmo assim, decido me sentar em uma das cadeiras mais afastadas do palco e mais próxima da porta, para o caso de eu precisar fugir como da última vez. Serena, no entanto, se dirigi a uma das cadeiras no meio do auditório para conversar com uma garota que é sua colega de turma em outras disciplinas.
Vejo que a maior parte dos alunos está aproveitando esse momento antes da aula para ensaiar sua apresentação, mas como eu teria que ir até o palco para usar o piano, caso quisesse ensaiar, e como não quero estar lá quando Blake chegar, apenas retiro meu celular da mochila e conecto o fone de ouvido nele para ouvir música.
Estou de olhos fechados, praticamente cochilando ao som de Give Me Love, do Ed Sheeran, quando sinto uma mão pesada agarrar meu ombro. Abro os olhos, sobressaltada, e dou de cara com Wade, me encarando com um sorriso.
– Mas olha como esse mundo é pequeno. – ele diz sentando-se ao meu lado – Como você está, Alyssa?
Demoro alguns segundos para reagir. Toda a minha mente está concentrada em absorver o fato de que Wade – o barman de quem eu havia roubado um beijo na noite anterior e depois vomitado em seus sapatos – está sentado ao meu lado naquele momento.
– O que está fazendo aqui? – pergunto quando finalmente saio de meu estado de choque.
– Eu estudo aqui. – ele ri – Achei que soubesse.
– Eu não fazia a menor ideia. – franzo a testa confusa – Não me lembro de ter te visto na aula passada.
– É porque eu faltei à aula passada. – Wade se recosta na cadeira e cruza os braços atrás da cabeça – Mas ouvi dizer que o professor é bacana.
Apenas assinto, afinal, o que mais eu poderia falar sobre Blake?
– O que você vai apresentar? – Wade pergunta, alheio a todas as coisas que passam por minha cabeça naquele momento.
Sigo seu olhar e vejo que ele está encarando Sophie, a bela morena de olhos verdes que praticamente se jogou em cima de Blake na aula passada e que, agora, está num canto mais afastado do auditório parecendo pronta para encenar outro filme do High School Musical.
– Vou apenas cantar e tocar piano. – respondo por fim – E você?
– Ainda não sei. – ele sorri – Só descobri sobre essa apresentação hoje e, sinceramente, eu tinha esperança de que você me desse uma ideia.
– Eu? – sorrio também – Por quê?
– Bem, eu imagino que se você está dormindo enquanto todos estão ensaiando como se suas vidas dependessem disso, é porque você deve mandar bem nas apresentações.
– Ou então é porque eu sou uma aluna relapsa que vai se dar mal na matéria. – retruco divertida.
–É. – ele pisca para mim – Essa era a minha segunda opção.
Sorrio e dou um pequeno tapa no ombro de Wade. Por mais estranho que possa parecer, a presença dele ali me fez ficar mais calma e, confesso, até um pouco mais animada, porém, eu não podia deixar de lado o que eu havia feito para ele na noite anterior.
– Err... Wade. – começo um pouco constrangida – Sobre ontem à noite...
– Ah, não esquenta com aquilo não. – ele me interrompe sorrindo – Não foi nada demais.
– É claro que foi. – continuo, envergonhada – Eu vomitei no seu sapato.
– É. – Wade faz careta – Isso realmente não foi legal. Mas não esquenta, Alyssa. É sério. Você não é a primeira garota bêbada que vomita em mim. – ele dá de ombros – Eu trabalho em um bar, lembra? Isso acontece bastante.
Olho para ele, surpresa.
– Então você não se importa?
– Não. – ele sorri – Mas eu preferiria que você não vomitasse mais nos meus sapatos, se possível.
Reviro os olhos e, sem pensar duas vezes, me inclino em sua direção, abraçando-o.
– Você é uma graça, sabia?
No instante em que as palavras saem de minha boca, a porta do auditório se abre e Blake entra por ela. Seus belos olhos azuis recaem certeiros sobre Wade e sobre mim e sou obrigada a reprimir um palavrão. Meu azar realmente não conhece limites!
Imediatamente, me arrependo de ter me sentado tão próximo da porta, mas antes que eu possa ter qualquer reação, Blake desvia seu olhar de Wade e de mim e segue para o palco do auditório.
– Bom dia. – ele diz aos alunos que, rapidamente, começam a se sentar em seus lugares – Estão preparados para a apresentação?
Um burburinho de vozes agitadas percorre a turma e eu aproveito a situação para me afastar de Wade e me ajeitar melhor em minha cadeira.
– É. Parece que estão preparados. – Blake sorri – Antes de começarmos, quero pedir que vocês se sentem mais próximos aqui do palco, ok? Isso facilitará o andamento das apresentações. – ele explica – Vocês serão chamados para subir ao palco de forma aleatória e, para que todos possam se apresentar hoje, suas apresentações deverão ter um tempo máximo de cinco minutos. Então, se vocês planejaram algo que exceda esse limite, terão de improvisar.
Algumas pessoas reclamam e, entre elas, Sophie – que parecia ter se preparado para apresentar um musical digno da Broadway – é a que mais parece decepcionada com a notícia, o que me faz comemorar mentalmente. Apesar de nós nunca termos trocado uma só palavra, sempre que me lembro de como Sophie se jogou para cima de Blake, na aula anterior, sinto raiva dela.
– Galera! – Blake chama a atenção da turma, erguendo uma das mãos – Eu poderia dividir as apresentações em duas aulas para que vocês pudessem ter mais tempo para se apresentar, mas quero que se acostumem com esses limites. Vai haver momentos na carreira de vocês em que terão apresentações grandiosas para mostrar, mas não terão tempo suficiente para fazer isso. Vocês precisam estar preparados para enfrentar as adversidades e esse limite de tempo que eu estou estipulando hoje será a primeira delas, ok?
Blake percorre o auditório com o olhar, mas ignora completamente a parte onde eu e Wade estamos e, por algum motivo, aquilo me incomoda. Eu estava com medo de que ele me confrontasse durante a aula, mas vê-lo me ignorar tão arduamente me pareceu algo ainda pior.
– Bem... – Blake abre, mais uma vez, seu sorriso radiante – Vamos começar?
Imediatamente, os alunos que estão sentados no meio e no fundo do auditório se colocam de pé e se dirigem aos lugares mais próximos do palco, como Blake havia pedido e, sem ter escolha, eu e Wade também nos levantamos e os seguimos, sentando-nos na segunda fileira de cadeiras.
Assim que todos estão em seus lugares, Blake pega uma prancheta e se senta em uma cadeira que fica exatamente no meio da primeira fileira e de onde ele pode ter uma bela visão do palco.
– Isaiah Rodriguez. – ele chama o primeiro aluno e eu solto um suspiro de alívio quando o garoto moreno e de origem latina se dirige ao palco para realizar sua apresentação.
Nos minutos seguintes, um a um, vejo os alunos sobirem ao palco para se apresentar. Alguns encenam, outros dançam, outros cantam e, conforme o número de alunos que ainda não se apresentou começa a diminuir, eu começo a me sentir mais nervosa.
É fácil perceber que algumas apresentações, como a de Serena, emocionam mais que outras, mas apesar disso, não é o medo de desapontar que me preocupa e, sim, o fato de que Blake estará observando cada um de meus movimentos enquanto eu estiver no palco.
Ele passou cada minuto daquela aula ignorando a minha existência, fazendo questão até de evitar olhar para o lugar onde eu estava e, ao mesmo tempo em que quero que ele volte a prestar atenção em mim como fez na primeira aula, também tenho medo de como irei reagir se ele o fizer.
– Alyssa Cooper. – ouço a voz grave de Blake chamar meu nome, pegando-me de surpresa.
Sinto Wade esbarrar seu ombro no meu, gentilmente, e, tremendo dos pés à cabeça, eu me coloco de pé e me dirijo ao palco para me apresentar.
Se eu fosse esperta, eu me sentaria no banquinho em frente ao piano, me concentraria em suas oitenta e oito teclas e terminaria minha apresentação em menos de quatro minutos.
O problema é que eu não sou esperta.
Então, como uma grande idiota, eu desvio meu olhar das teclas de marfim do piano e olho para a primeira fileira de cadeiras do auditório, encontrando os belos olhos azuis de Blake.
Sim. Eu estava perdida.
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