O Mestre - EM HIATUS
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
“Amores passados contentam-se com migalhas e sobrevivem muito: ajude-se, negando-lhes qualquer banquete.” – Martha Medeiros.
[Alyssa]
Estar de volta à San Diego faz com que eu me sinta em meio a um turbilhão de sentimentos. Há o alívio por voltar ao lugar que passei a chamar de lar, a melancolia por deixar para trás a cidade de Nova Iorque – que foi o meu lar por tantos anos –, a tristeza por me despedir dos meus pais e da família de Blake que tão bem me acolheu durante a nossa curta estadia em sua casa, a alegria por reencontrar Melody, com seu jeito desbocado que tanto me irrita e me encanta e, principalmente, a preguiça que já começa a se apoderar de mim, agora que o feriadão acabou e que as aulas voltaram com tudo.
Na verdade, essa parte das aulas quase me deixa deprimida. Não pela volta às aulas, em si – afinal, eu amo o meu curso e estou mais que satisfeita com ele –, mas pela forma como isso exige tanto do meu tempo e do tempo de Blake que torna quase impossível que nós passemos algum tempo juntos.
Em Nova Iorque, nós visitamos o Central Park, fomos a museus e galerias de arte, almoçamos juntos em pequenos restaurantes à beira do Rio Hudson, andamos de bicicleta com Sunrise e, uma noite, fomos até assistir O Rei Leão na Broadway, uma experiência que eu achei maravilhosa e que me fez entender, completamente, o porquê Blake amava tanto esse universo. Lá eu realmente senti como se fôssemos um casal, desfrutando de momentos agradáveis juntos, criando boas lembranças para nós, mas aqui… Estávamos de volta ao estereótipo de professor-aluna que parecia errado até quando falado em voz baixa.
Blake estava sempre ocupado dando aulas ou preparando-as, além dos ensaios de Um Bonde Chamado Desejo terem entrado na reta final e estarem consumindo quase todo o tempo livre que ainda lhe restava. Do mesmo modo, eu tinha aulas para assistir, trabalhos para entregar, os ensaios de O Leque de Lady Windemere e, ainda por cima, meu trabalho no Starbucks perto do campus. Nós mal conseguíamos nos ver aos finais de semana e, quando conseguíamos, sempre havia aquele receio de que alguém da universidade pudesse nos flagrar. Eu sentia muita falta daqueles momentos de casal em Nova Iorque.
— Você parece péssima. – Melody comenta quando termino de responder meu questionário e me recosto no sofá, suspirando. – Acho que está lidando com coisas demais.
— O semestre já está quase no fim. Todos nós estamos lidando com coisas demais. Até mesmo você. – Olho para ela que está no canto da sala, diante de sua nova máquina de costura, criando seja lá o que for aquilo. Da última vez que se sentou ali, Melody surpreendeu Kirk, presenteando-o com um conjunto estampado incrível, que fez Serena e eu implorarmos a ela para nos fazer um vestido.
— São só uns ajustes. – Ela explica notando meu olhar. – Figurinos para a sua peça. Aliás, alguém precisa dizer à Marnie que essa é apenas uma peça universitária e que ela não é a Scarlett Johansson. – Melody bufa e eu rio.
Marnie será a atriz principal em O Leque de Lady Windemere e, pelo que posso observar dela no palco, imagino que ela esteja dando tanto trabalho à Melody, quanto Sophie deve estar enlouquecendo o figurinista de Um Bonde Chamado Desejo. Ambas se acham às Maryl Streep de nossa geração e, em uma competição para descobrir quem tem o maior ego da universidade, a batalha seria acirrada.
— Verei o que posso fazer. – Espreguiço-me e começo a recolher minhas coisas da mesa, sentindo meus ossos estalarem.
— Vai sair com o Blake essa noite?
Eu nego com a cabeça.
— Não. E acho que nem irei vê-lo esse fim de semana. Ele está cheio de coisas para resolver e eu tenho que trabalhar.
— Outro fim de semana inteiro no Starbucks? – Melody soa horrorizada. – Isso é quase escravidão. Achei que você tinha folga a cada quinze dias.
— E tenho. Mas a Jackie está doente e precisam de alguém para cobrir o lugar dela. – Melody faz uma careta de desgosto e um riso cansado me escapa. Ela recebe um ótimo salário para trabalhar, por vinte horas semanais, como ajudante de estilista em uma loja no centro da cidade, então, para ela, perder um fim de semana sim e outro não servindo cafés deve ser mais ou menos a definição de inferno. – Eles vão me pagar a mais por esse fim de semana. – Comento, tentando convencê-la de que meu trabalho não é assim tão ruim. – E eu ganho cafés grátis. Muitos estudantes se matariam por um Mocha sem custo.
— Tentador. Mas eu ainda prefiro dormir até mais tarde nos fins de semana. – Ela me dispensa com uma piscadela e eu levo a mão à boca para conter um bocejo, denunciando que, nesse momento, eu também preferia algumas horas a mais de sono.
— Vou tomar um banho e me deitar. Você sabe da Serena?
Melody me encara como se eu fosse burra.
— Com o Wade, é claro.
— Ah, sim. – Eu sorrio e reviro os olhos, dando um tapinha em minha própria testa. – Não sei porque eu ainda pergunto.
— Nem eu. – Ela dá de ombros, concentrada em seu trabalho na máquina de costura.
Desde que voltamos de Nova Iorque, Serena tem passado ainda mais tempo com Wade do que passava antes. Ela diz que ambos estão muito empenhados nos ensaios da peça, já que querem dar o seu melhor na apresentação, mas, cá entre nós, tanto eu quanto Melody sabemos que suas motivações são outras. Wade, no entanto, parece precisar de um pontapé no traseiro para enxergar isso.
Me despeço de Melody com um abraço e tomo um banho rápido antes de me deitar e telefonar para Blake para lhe desejar boa noite. Caio no sono quase no exato momento em que fecho os olhos e, quando meu despertador toca no dia seguinte, eu me levanto e me arrumo praticamente no modo automático.
Glenn já abriu a loja e já está checando as máquinas de café quando chego, então, guardo minhas coisas no depósito, pego o avental verde e o boné preto de nosso uniforme e prendo o cabelo em um rabo de cavalo, antes de colocá-los e voltar para o balcão para abrir o caixa.
— Você parece cansada. – Glenn comenta, enquanto cumprimentamos os outros funcionários que vão chegando aos poucos. Ao todo, nossa equipe é formada por doze pessoas, incluindo nosso gerente, mas hoje a equipe está reduzida.
— Muito trabalho na universidade. Terei que pedir algumas folgas ao Reed no fim do semestre ou não conseguirei cumprir meus prazos.
— Quem diria que ser músico dava tanto trabalho. Vou passar a apreciar um pouco mais as composições do Steve agora.
— Quem é Steve?
— É o meu irmão caçula. – Glenn responde, ligando a última máquina de café. – Ele tem uma banda. Tocam num pub aqui perto, todo domingo. Talvez um dia você queira ir assistir.
— Pode marcar. Se eu estiver livre e acordada, irei sim. – Sorrio para ela que sorri de volta para mim, gentilmente. Passar oito horas de pé, servindo cafés, pode ser cansativo, mas meus colegas de trabalho são legais o suficiente para fazer aquilo valer um pouco a pena.
A manhã de sábado passa, basicamente, como todas as manhãs de sábado. Atendemos alguns estudantes sonolentos, alguns homens e mulheres de negócios que parecem sempre atrasados demais e algumas famílias que, imagino, consideram a ida ao Starbucks um programa de lazer dos fins de semana. O período da tarde é um pouco mais agitado, principalmente após o almoço, quando até Blake passa por lá e eu deixo um recadinho carinhoso na etiqueta de seu copo, já que com tantos estudantes ali não posso fazer mais que isso.
Eu sinto a falta dele no momento em que ele sai pela porta, rezando para que esse semestre acabe logo e nós possamos curtir nossas férias no Hawaii ou em algum lugar parecido, sem ter que nos preocupar mais com essa coisa dele ser meu professor já que ele me garantiu que só ficará na universidade esse semestre.
Estou justamente sonhando com todas as possibilidades coloridas que nosso futuro reserva, quando alguém bate os dedos no balcão a minha frente e sou forçada a sair do meu País das Maravilhas e estampar em meu rosto o sorriso de atendente com o qual fui treinada, mas ele cai de meus lábios no momento em que vejo quem está diante de mim.
Eu não posso acreditar que ele esteja ali. Quero dizer, com todo um país onde ele poderia estar em vez disso e com outras milhares de Starbucks por aí, não é possível que Dylan Parker, meu ex noivo traidor, esteja de pé, bem na minha frente, vestindo uma bermuda cáqui preta e uma camisa polo azul bem passada, sorrindo para mim como se aquilo não fosse absurdo.
— O que, raios, você está fazendo aqui, Dylan?! – Eu não tenho muita certeza do porquê estou sussurrando ou do porquê meus olhos se voltam para a porta de entrada da loja como se eu temesse ser apanhada em flagrante, mas eu atribuo o meu comportamento estranho ao choque de vê-lo parado ali.
— Ora, não é óbvio? – Ele se recosta no balcão, despreocupado. – Eu vim comprar um café.
— Comprar um café? – Eu cerro meus punhos ao lado do corpo, tentando impedir a mim mesma de pular sobre ele e esganá-lo. – Você realmente atirou essa em mim? E, mais que isso, você realmente espera que eu acredite que você atravessou o país inteiro para comprar um café nessa loja, especificamente?
Dylan ergue as palmas das mãos para mim.
— Tudo bem. Você pegou. – Responde como se toda aquela situação fosse muito engraçada e eu devesse rir também. – Eu vim para ver como você está.
— Você o que? – Por Deus! Se o café desperdiçado não saísse do meu próprio bolso, eu encheria um copo e o atiraria no rosto dele agora mesmo. – Como foi que você me achou?
— Emma.
— Emma?!
Eu quero gritar!
Eu sabia que havia algo muito suspeito no fato de Emma McKenzie ter me telefonado há dois dias só para saber “como andava a minha vida em San Diego”, quando sequer me lembrava de ter dito a ela que havia me mudado, mas agora tudo fazia sentido.
Malditos amigos em comum!
— O que você quer, Dylan?
— Eu quero apenas conversar.
— Apenas conversar? – Eu o encaro com seriedade. – Você atravessou o país apenas para conversar?
— Bem, na verdade, não. – Ele admite e eu tento dar a ele algum crédito por, pelo menos, ter sido homem suficiente para dizer a verdade. – Nós temos um congresso de Medicina aqui na Universidade de San Diego e eu pensei “bem, porque não unir o útil ao agradável?”. Então, eu vim e decidi te encontrar.
— Simples assim?
— Simples assim. – Ele assente.
Noto que Glenn está no caixa ao lado nos encarando com curiosidade e suspiro de maneira audível. Não é possível que, nem mesmo tendo me mudado para o outro lado do país, Dylan não me deixe em paz.
— Pode cobrir o meu caixa por cinco minutos? – Peço a Glenn. Uma pequena fila de clientes insatisfeitos está se formando atrás de meu ex noivo e parece que eu não conseguirei fazer meu trabalho enquanto ele estiver aqui.
— Claro. – Ela concorda, observando Dylan da cabeça aos pés e eu pego a placa de “caixa fechado” e a coloco sobre o balcão, retirando meu avental e meu boné de trabalho.
— Vocês serão atendidos no caixa ao lado. – Anuncio, arrancando lamentos irritadiços dos clientes que precisam mudar de fila. – E, você, venha comigo.
Saio pela porta lateral da loja e espero que Dylan me siga até lá fora, algo que ele faz sem reclamar.
— Muito bem, você tem cinco minutos. – Dito quando ele para a minha frente, com as mãos descansando no fundo dos bolsos da bermuda. – Comece a falar.
— Você parece nervosa, Ally. – Dylan me joga um daqueles seus olhares que são uma mistura entre a doçura e a pureza de um cãozinho perdido e a segurança de um leão que sabe que é o rei da selva. No colégio, esse tipo de olhar me causou muitas borboletas no estômago, mas, agora, um noivado e muitas traições depois, eu já estava imune ao seu charme.
— Desembuche, Dylan.
— Você não precisa ser assim tão dura comigo. Será que não podemos, nem mesmo, ser amigos, Ally? Você ainda está tão brava assim?
Eu tenho que rir. Não acredito que ele realmente tenha me feito essa pergunta.
— Primeiro, eu agradeceria se parasse de me chamar por esse apelido e, segundo, você só pode estar brincando comigo!
— Não vim aqui para brincar. – Ele para e apoia o peso corpo sobre uma das pernas, me encarando como se eu estivesse sendo muito injusta ao tratá-lo com tamanha frieza. – Olha, eu sei que fui um canalha com você…
— Ainda bem que reconhece. – Retruco de má vontade.
— Mas você não pode me punir para sempre, Ally… Alyssa. – Ele se corrige após receber outro de meus olhares enraivecidos. – Veja, eu sei que errei, ok? Estou arrependido. Você não pode, nem mesmo, me dar outra chance para eu te provar que mudei e que sou digno de estar com você agora?
Eu apenas o encaro. Minha língua coça para dizer a ele exatamente onde ele pode enfiar aquele seu ridículo pedido de desculpas, mas o meu fim de semana já começou muito ruim para eu ainda estragá-lo um pouco mais em uma discussão tola com Dylan.
Qual é?! Eu já havia atirado o anel de noivado em sua cara quando saí de seu apartamento, havia mudado toda a minha vida para ficar longe dele e, finalmente, tinha encontrado Blake e superado tudo o que aquele filho da mãe havia me feito de ruim, então, eu não desceria novamente àquele nível de noiva traída e magoada demais para superar a decepção. Eu havia evoluído e era muito superior agora! Eu tinha uma nova vida e tinha Blake, que me amava e me respeitava e me fazia muito mais feliz do que Dylan jamais fez.
Então, respirando fundo, passo a mão pela barra de minha camiseta e a ajeito melhor sobre os quadris, tentando recuperar a calma momentaneamente perdida. Eu poderia apenas respondê-lo com um “vá se foder” e, então, lhe virar as costas e voltar para o meu trabalho, mas isso faria parecer que eu ainda me importava com ele ou com o nosso noivado destruído e eu não me importava mais com essa coisa fútil. Na verdade, estar frente a frente com Dylan agora me faz enxergar o quanto, realmente, toda a nossa história havia ficado enterrada no passado.
— Olha, Dylan, eu não guardo mágoas. – Finalmente digo. – O que aconteceu entre nós foi ruim, mas já passou, ok? Se você veio aqui para se desculpar, tudo bem, eu aceito as suas desculpas e digo que podemos esquecer todas as coisas ruins pelas quais passamos e a forma como o nosso noivado terminou, mas não haverá segundas chances, nem qualquer coisa parecida com isso entre nós. Eu apenas espero que você fique bem e lhe desejo tudo de bom de agora em diante, mas isso é tudo. Preciso voltar para o meu trabalho. Tenha um ótimo dia, Dylan.
Viro-me para ir embora, muito satisfeita com minha a resposta e com a calma que permeia minha voz, mas nem chego a dar dois passos antes de sentir a mão quente de Dylan prender o meu pulso.
— Eu sei sobre o seu namoradinho. – Ele diz, puxando–me de volta para si. – Eu o vi na universidade ontem, sei que ele é um dos seus professores. Imagino o que o corpo acadêmico da UCSD pensará sobre isso.
— Solte já o meu braço, Dylan. – Eu o encaro com o mais puro ódio, tanto por ele achar que pode me segurar daquela forma, tanto por suas palavras repletas de veneno, mas ele nem se mexe.
— Aposto que o reitor da sua universidade não ficaria muito satisfeito ao descobrir que um dos professores dele está dormindo com uma aluna. O que você acha que ele faria se soubesse, hein?
— Eu já mandei você me soltar! – Cravo minhas unhas na pele de seu braço e ele faz uma careta de dor, mas não solta.
— Deixe-me dizer o que eu farei, Ally: vou denunciar o seu professorzinho ao reitor da universidade e fazer com que ele perca o emprego, mas posso reconsiderar a denúncia se você aceitar a minha oferta.
— Me solte, Dylan! – Eu tento socá-lo e chutá-lo entre as pernas e após uma pequena luta desajeitada, Dylan finalmente larga o meu pulso e eu consigo me afastar um passo dele.
Tenho vontade de voar para cima dele de novo por ameaçar o emprego de Blake daquela maneira e eu sei que minhas unhas já deixaram a pele de seu braço ferida e sangrando, mas se eu pudesse lhe causaria ferimentos muito piores.
— Você realmente está usando de chantagem para tentar me fazer voltar com você?! – Digo fervendo de raiva. – O quão baixo você ainda pode chegar, Dylan? Você não se envergonha?
— Eu sempre consigo tudo o que eu quero, Ally. Você sabe disso. E eu quero você de volta e não vou medir esforços para isso.
— Esforços? – Eu mal consigo encará-lo tamanho é o nojo que sinto por ele agora. – Você chama isso de esforço? Esforço seria você me provar que mudou, Dylan. Tentar todos os dias ser alguém melhor, me impressionar, mas isso que você está fazendo é apenas ridículo e digno de pena. Você está tentando coagir alguém que te despreza a estar com você de novo.
— Você não me despreza! — Ele também parece lívido de raiva e eu começo a me perguntar como puder ficar tantos anos com ele, ter até mesmo aceitado me casar com ele e nunca ter reparado que ele era assim. Para falar a verdade, eu sempre soube que Dylan era um péssimo perdedor. Isso estava claro pela forma como ele nunca aceitava bem as derrotas mesmo em coisas bobas como nossos jogos de cartas nas noites de domingo, mas isso… o que ele está fazendo agora, tentando me chantagear dessa maneira, é absurdo.
— Eu não voltarei com você. — Declaro. — Se quer denunciar o Blake para a reitoria, vá em frente, Dylan. Ele é apenas um professor temporário e, de qualquer maneira, ele sairá da universidade no final do semestre, então, para ele, pouco importa se terá de ir agora ou daqui a algumas semanas. Faça o que quiser! — Eu o enfrento porque sei que Blake realmente não se importará com isso. Ele já havia deixado claro que o emprego na UCSD não era uma prioridade em sua vida quando Wade descobriu sobre nosso romance. — Você pode ir agora e denunciá-lo, Dylan. Espero que isso supra essa sua necessidade estúpida de achar que você tem controle sobre todo o universo porque, não importa o que você faça, eu nunca, nunca mesmo, voltarei para você.
Lanço para ele o meu mais puro olhar de repúdio e insatisfação e, então, viro-lhe as costas e volto para o meu trabalho. Eu o ouço gritar que cumprirá sua ameaça e que eu pagarei caro por não ter aceitado sua oferta, mas o ignoro e continuo andando.
Quando estou dentro da loja novamente, me recosto na parede fria atrás de mim e me permito respirar. Eu estou tremendo e o meu coração está disparado, mas eu sei que fiz o que era certo, sei que Blake também preferiria que eu fizesse o que fiz. No entanto, certa ou não, eu preciso avisá-lo sobre Dylan e sua ameaça. Se Blake vai perder seu emprego na universidade, ele precisa, ao menos, estar ciente da possibilidade, então, contrariando meu acordo de trabalho e toda a fila de clientes que há ali, eu aviso a Glenn que precisarei sair e que eu talvez não volte mais hoje. Seu olhar preocupado revela o quão pálida eu provavelmente estou e ela não se opõe a minha ida. Com Reed, nosso gerente, eu me resolverei depois, mas, agora, eu só espero que Blake ainda esteja na universidade e eu consiga encontrá-lo antes que Dylan encontre o nosso reitor.
Fale com o autor