O Mestre - EM HIATUS

26 Capítulo Vinte e Cinco


Notas iniciais
Olá, Olá, Olá! Como diria a velha Rose de Titanic: "já faz 84 anos...", mas olha quem finalmente ressuscitou e veio atualizar as histórias. Aliás, a história, porque as outras eu não atualizei ainda... Enfim, passei um período bem dark de falta de inspiração, onde eu não consegui escrever uma linha de nada sequer, mas no auge do meu desespero (que é quando os leitores começam a te mandar MP perguntando se você morreu) finalmente consegui terminar um capítulo e vim postar. Amém? Amém! Depois de tanto tempo em hiatus, eu nem sei se ainda tem alguém acompanhando essa história, mas caso haja, quero pedir desculpas pelo sumiço e espero que gostem desse novo capítulo, que hoje vou dedicar à Khan-Chan por nunca ter desistido de mim e por todo o incentivo que me deu nesse período de ausência e à Cris Pleuka que a essa altura já deve ter se tornado mamãe outra vez (Cris, minha flor, considere esse capítulo um presente de chá de bebê muito atrasado). Agora vamos ao novo capítulo? Espero que gostem. Boa leitura.

“O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade.” – John Dryden.

[Alyssa]

Blake não atende o celular. Eu devo ter discado seu numero pelo menos uma dezena de vezes e, em todas elas, a chamada foi redirecionada para a caixa de mensagens, deixando-me a beira de um colapso nervoso.

Tento me acalmar, dizendo a mim mesma que está tudo bem, que ele provavelmente só está preso no meio de mais um ensaio, que não há como Dylan ter chegado à universidade tão rápido e que, portanto, eu não preciso me preocupar com a possibilidade de encontrar Blake na sala do reitor assinando seu pedido de demissão, mas todas as unhas que roí no caminho até ali, me mostram que nada do que eu diga será capaz de amenizar minha preocupação com Blake naquele momento.

Sei que ele havia me dito que não se importava que nossa relação viesse a público ou que isso comprometesse seu emprego na universidade, mas bem... eu me importava! E me importava muito!

Por mais que Blake não tivesse intenção de permanecer lecionando no próximo semestre, ser demitido por se envolver sexualmente com uma aluna podia lhe trazer consequências até mesmo fora do ambiente acadêmico. Seu próprio emprego como ator poderia ser comprometido por essa demissão, porque, querendo ou não, as pessoas sempre julgavam e apontavam seus dedos para casos como esse, antes mesmo de saber todos os detalhes e eu sabia que, se Dylan cumprisse sua ameaça, ele faria questão de pintar um quadro em que Blake era um vilão pervertido que havia seduzido uma aluna doce e inocente, talvez até a chantageado, ameaçando-a com uma reprovação para levá-la para cama, muito embora ele soubesse bem que nossa relação não era um simples caso e, sim, uma paixão verdadeira e mutuamente correspondida. Dylan era perverso em suas vinganças. Eu sabia disso.

Assim que o táxi estacionou em frente ao portão principal da universidade, paguei a corrida ao motorista e praticamente voei para fora do carro, correndo até o auditório onde eu sabia que os ensaios de Um Bonde Chamado Desejo aconteciam. Para a minha imensa decepção, o auditório estava vazio, então, atravessei o campus em direção ao prédio de artes onde tínhamos aula de Musicalidade e Interpretação, rezando para que Blake estivesse lá, mas ele não estava.

Sem fôlego por causa de toda a correria, parei um pouco e tentei me lembrar de outros lugares onde Serena havia me dito que os ensaios ocorriam ocasionalmente, mas nenhum me veio à cabeça, então, peguei o celular e liguei para ela, praguejando quando a chamada caiu na caixa de mensagens.

— Maldição, Blake! Você tinha mesmo que ensiná-los a ser tão profissionais?!

Guardei de volta o celular na bolsa e tentei pensar. Se eles não estavam ensaiando nos principais auditórios da universidade, onde mais estariam? Em um dos pátios com Blake lhes passando ensinamentos sobre as diversas formas de se sentir a arte? Nos jardins? Em um dos ginásios? Aquele lugar era tão malditamente grande que eu sequer sabia por onde começar a procurar.

— A diretoria! – Decidi por fim e me encaminhei rapidamente para lá.

Eu sabia que os horários dos professores de todos os cursos de artes estavam afixados no quadro de avisos da diretoria, para facilitar a vida dos alunos perdidos e tinha certeza que as pessoas que ali trabalhavam saberiam me informar em que local da universidade os ensaios da peça de Blake estavam acontecendo naquele sábado.

Com um ânimo revigorado, disparei escada acima porque os elevadores daquele prédio demoravam mais que o normal, mas, mal havia subido três lances de escada quando meu celular tocou e parei para atendê-lo, desejando que Blake finalmente estivesse retornando às minhas chamadas.

Não era ele, mas ver o nome de Serena estampado ali me animou um pouco.

— Onde você está? – Perguntei antes mesmo de dizer “oi” e ela parou do outro lado da linha tentando entender minha urgência.

— Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

— De certa forma, mas não posso explicar agora. Preciso encontrar o Blake, Serena. Você está com ele?

Pude sentir sua confusão e sua preocupação nos dois segundos que ela demorou para me responder e ouvi a voz de Wade ao fundo perguntando a ela se estava tudo bem.

— Não, Liss. Não estou mais com ele. – Ela finalmente respondeu. – O ensaio acabou há uns dez minutos. Acho que ele já deve ter voltado para casa ou talvez esteja na sala dos professores. Você já procurou lá?

Eu não fazia a menor ideia de onde ficava a sala dos professores, mas achei que poderia descobrir se fosse à direção do curso.

— Vou dar uma olhada por lá. Obrigada. – Concluí e desliguei.

Voltei a subir as escadas, amaldiçoando Blake por não atender o maldito celular mesmo depois de o ensaio já ter terminado, mas minha raiva foi novamente substituída pela preocupação quando pensei que talvez ele não estivesse atendendo por estar na sala do reitor.

— Meu Deus, não deixe que eu tenha chegado tarde demais. – Supliquei e apressei o passo a caminho da direção do curso.

Conforme Serena havia suposto, a atendente me informou que Blake tinha passado ali havia alguns minutos e que havia se dirigido para a sala dos professores em seguida. Inventei a ela uma grande mentira sobre precisar tirar uma dúvida crucial com ele a respeito de um trabalho muito importante cuja data de entrega seria na segunda e, com pena de meu visível desespero, a mulher me explicou onde a sala dos professores ficava e me deu permissão para entrar lá, já que aquela era uma área restrita aos professores.

Agradeci e corri para lá, pois não sabia quanto tempo Blake ficaria ali antes de voltar para seu apartamento e, quando cheguei a sala, encontrei sua porta entreaberta e dei uma espiadela lá dentro antes de entrar.

Blake estava sozinho na sala, encostado à grande mesa no centro dela e de costas para a porta de onde eu o observava. Revirei os olhos ao perceber que, durante todo aquele tempo em que tentei contatá-lo pelo celular, ele estava em um telefonema, mas toda a minha atenção foi sugada para aquela chamada quando o ouvi dizer o meu nome à pessoa com quem falava.

Me encostei um pouco mais à porta e tentei ouvir o que ele dizia.

Ao que tudo indicava, ele estava falando com Shelby, sua agente de Londres e, ao que parecia, o assunto ali era sério.

— Eu sei o que eu disse, Shelby. Sei que tenho uma vida aí, mas não posso voltar agora. – Blake respondeu e, então, aguardou enquanto Shelby voltava a falar. – Três anos. – Disse ele. – Preciso dessa pausa. Sim, eu sei que o trabalho não espera, mas eu preciso desse tempo. Não vou abrir mão dela.

Eu tentei entender do que eles falavam, mas a única coisa em que pensei não fazia muito sentido. Blake queria continuar na universidade por mais três anos? Era isso? Ele sempre me dissera que sua vocação era o teatro e que só ficaria aqui por um semestre, porque de repente ele queria estender sua estadia nos EUA e deixar o trabalho que amava de lado por tanto tempo?

— Ela é mais que isso. – Eu o ouvi dizer a Shelby, já um pouco irritado. – Não. Não, Shelby. A Alyssa não é só mais uma garota. Eu a amo. Quero construir uma vida com ela, você entende? Não posso voltar para Londres agora e deixá-la aqui. – Ele fez uma pausa e suspirou, parecendo cansado da conversa que, pelo visto, já durava havia alguns minutos. – Ela está no inicio da graduação, Shelby. Com as responsabilidades dela aqui e o meu trabalho em Londres, como nós conciliaremos isso? Como eu vou manter esse relacionamento à distância por três anos quando eu mal consigo ficar longe dela por três dias?!

Eu senti meu coração parar. Aquilo não podia ser verdade. Blake não podia estar desistindo da carreira que havia construído em Londres só para ficar comigo aqui em San Diego. Era loucura.

— Eu já me decidi. – Ele comunicou a Shelby. – Posso encontrar um trabalho aqui ou, se tudo der errado, posso permanecer na universidade como professor. O diretor do curso de Artes já me ofereceu uma proposta como professor efetivo. Sim, Shelby, eu sei que isso não é o que eu queria. – Blake bufou, alterado. – Serão apenas três anos, ok? Só até a Alyssa se formar, depois nós dois decidiremos o que fazer. Eu só não quero que ela pense que precisa escolher... Ah, dane-se que a companhia não vai me esperar todo esse tempo, Shelby! – Blake bradou irritado. – A Alyssa é a coisa mais importante que eu tenho agora. Não vou deixá-la.

Eu cobri minha boca com as mãos para evitar que um ofego escapasse por meus lábios. Ele estava desistindo. Estava desistindo de toda a sua carreira em solo britânico para ficar aqui comigo. Estava disposto a sacrificar tudo que havia conquistado e a se prender a uma profissão que ele não amava só para esperar por mim. Uma profissão que estava ameaçada por Dylan e todo o seu veneno. Eu não podia permitir que ele jogasse todo o seu futuro fora assim.

— Sei que você não entende, mas essa é a minha resposta final, Shelby. Eu não voltarei para Londres no fim do semestre. Ficarei aqui com a Alyssa. Sinto muito.

Shelby deve ter desligado o telefone em sua cara, porque Blake parou e encarou a tela do celular com um suspiro cansado. Eu podia ver por sua postura que ele estava tenso, afinal, como poderia não estar? Ele havia simplesmente feito a escolha mais difícil de sua vida e havia escolhido deixar tudo que ele construíra para trás só para permanecer ao meu lado.

— Liss? – Ouvi Blake me chamar e percebi que eu havia me perdido em meus próprios pensamentos por um instante. – O que está fazendo aqui?

Ele largou seu celular em cima da mesa e atravessou a sala para encontrar na porta onde eu ainda estava encostada, espionando-o.

— Eu... – Na verdade, eu já nem sabia o que dizer. Eu havia ido até ali para alertá-lo sobre a ameaça de Dylan e para ter certeza de que ele realmente não se importava com as consequências que isso poderia causar ao seu emprego na universidade, mas agora minha mente estava uma confusão.

— Está tudo bem? – Blake me encarou preocupado e eu abri a boca para responder, mas as palavras que saíram de meus lábios foram outras.

— Você está jogando sua vida fora. – Disse e ele franziu um pouco a testa, confuso.

— Minha vida?

— Blake, você está abrindo mão da sua carreira para ficar aqui. – Fiz um gesto abrangente para as paredes, indicando a universidade como um todo. – Você não quer ser professor. Você ama o seu trabalho no teatro, é a sua vocação, a sua paixão e você o está jogando fora por minha causa!

— Liss... – A compreensão finalmente caiu sobre ele e ele segurou minhas mãos delicadamente. – Quanto da minha conversa com a Shelby você ouviu?

— Ouvi o bastante para saber que você está desistindo da sua vida para ficar aqui.

— Ei. – Ele apertou minhas mãos com um pouco mais de força. – Eu não estou desistindo da minha vida. Você é minha vida agora, Liss. Eu te amo e quero ficar com você, quero construir uma vida ao seu lado. Há companhias de teatro no mundo inteiro, mas há apenas um lugar no mundo onde você está e esse lugar é aqui.

— Blake, você tem uma carreira lá. Tem trabalhos maravilhosos apenas esperando que você volte. Se você ficar aqui terá que reconstruir tudo isso do zero e não é tão fácil. Construir algo sólido no nosso meio leva tempo e você já tem tudo isso em Londres. Eu não quero que você jogue fora todo o seu trabalho e esforço só para ficar aqui comigo.

— Mas eu quero ficar com você. – Ele me fitou com um olhar intenso e eu abaixei a cabeça, me recusando a aceitar algo assim.

— Não posso deixar você desistir de tudo que construiu lá. Você precisa voltar para casa, precisa voltar para Shelby e para o seu trabalho. Nós podemos nos corresponder, podemos visitar um ao outro nas férias ou em feriados prolongados. Você não tem que se prender aqui para ficarmos juntos.

— Liss, eu não vou deixar você.

— É só por um tempo. – Encarei-o suplicante. – Três anos, Blake, assim como você disse a Shelby. Podemos superar a distância. Por favor, não jogue toda a sua carreira fora desse jeito.

Blake soltou minhas mãos e atravessou a sala, parando diante das janelas, onde se apoiou e ficou encarando o pátio da universidade logo abaixo. Eu não sabia o que havia de errado com ele. Blake era sempre tão sensato, mas agora ele estava querendo jogar todo o seu trabalho fora mesmo com todas as opções que eu havia lhe apresentado e eu não conseguia entender o porquê. Tudo bem, eu concordava que relacionamentos à distância eram ruins, mas nós não viveríamos daquele jeito para sempre. Ele tinha que entender que aquilo seria temporário, assim como nosso relacionamento de professor e aluna esse semestre.

— Blake. – Atravessei a sala e me postei ao lado dele, buscando seus olhos azuis. – O que está havendo com você? Eu sinto que há algo que você não está me contando e eu preciso entender o que é para que eu possa entender você.

Ele me olhou relutante e foi então que eu tive certeza de que havia algo mais ali. Algo que o incomodava mais do que a possibilidade de estragar sua carreira.

— Me diga em que está pensando. – Pedi, pousando minha mão sobre a dele. – Seja lá o que for, podemos resolver.

Seus olhos estudaram o meu rosto, não sei se em busca de conforto ou de algum sinal que traísse minhas palavras, mas seja lá o que ele encontrou não pareceu o bastante para fazê-lo falar.

— Porque você veio até aqui, Liss? Não deveria estar no trabalho? – ele questionou mudando totalmente de assunto.

Abri a boca para responder, mas antes que uma única sílaba escapasse de meus lábios, a porta da sala se abriu e um professor entrou por ali, forçando-me a me afastar de Blake rapidamente.

— Sr. Carson. – Ele cumprimentou Blake com um sorriso gentil e depois se voltou para mim. – Senhorita. – Disse e a indagação em seus olhos deixava claro que ele estava se perguntando o que uma aluna fazia ali dentro.

— Boa tarde, senhor. – Abri meu melhor sorriso para ele e depois voltei a me concentrar em Blake. – Como eu dizia, professor, estou com uma grande dificuldade no trabalho que o senhor passou, naquela parte sobre identidade artística. – Menti e vi a confusão rondando os olhos azuis de Blake por um segundo, antes dele se dar conta de que eu estava apenas improvisando.

— Você pode me enviar seu trabalho, junto com as suas dúvidas, por e-mail? Darei uma olhada e verei em que posso ajudá-la.

— Ah, claro. Vou enviá-lo assim que eu chegar em casa. Muito obrigada, professor. – Agradeci e acenei para o outro professor na sala, antes de me retirar.

— Esses alunos... – Ouvi-o murmurar para Blake. – Sempre querendo que façamos o trabalho deles por eles.

— Sempre. – Foi a resposta que Blake lhe deu e eu tratei de sair do corredor, para o caso de o professor sair da sala e me encontrar parada ali como uma idiota.

Segui em direção aos elevadores, mas não demorou muito para que meu celular vibrasse, alertando-me sobre a chegada de uma nova mensagem e, quando o retirei da bolsa, vi que a mensagem tinha vindo de Blake e continha apenas uma palavra: “Café”.

Eu sabia que Blake estava se referindo ao Café que ficava a duas ruas da universidade, então, não perdi tempo e me dirigi até lá para esperá-lo. Alguns minutos depois, quando foi ao meu encontro, ele não desceu da moto ou sequer retirou o capacete. Simplesmente me estendeu outro e fez sinal para eu montasse atrás dele e, assim que eu o fiz, Blake deu a partida e seguiu em direção ao seu apartamento.

Eu havia corrido até a universidade para contar a ele sobre meu terrível encontro com Dylan, mas aquilo havia se tornado uma preocupação secundária para mim. No momento, o que mais me importava era o que Blake tinha para me contar e sua insistente recusa em voltar para seu trabalho em Londres.

Pelo visto, teríamos muito que conversar naquela tarde.

Notas finais
Quem aí está preocupado com o fato do Blake ter simplesmente desistido do trabalho para ficar com a Alyssa em San Diego? Bem... certamente a Liss está. E no próximo capítulo descobriremos uma parte do passado do Blake que ele ainda não tinha deixado transparecer, então... fiquem curiosos kkk Espero que tenham gostado do capítulo e espero que tenham me perdoado pelo sumiço de meses =,( algo que eu espero que não volte a acontecer tão cedo! Vamos cruzar os dedinhos né? Vejo vocês no próximo capítulo. Até breve.