Notas iniciais
Olá senhoras e senhores (na verdade não sei se há senhores aqui, mas caso tenha...) Arranjei um pouquinho de tempo essa semana e, para a minha surpresa, consegui terminar o capítulo 15 *-* Espero que gostem do resultado. Boa leitura.

“Existe só um amor no mundo, misturado em cada partícula de oxigênio. Cabe a cada um respirar mais ou menos”– Nani Soares.

[Alyssa]

A primeira coisa que sinto, depois do pânico súbito que certamente fez o meu coração parar por um segundo, é uma vontade enorme de correr. Não faço isso, entretanto, porque além de ser uma atitude ridícula, seria como assinar uma carta de confissão para Wade e, confessar que Blake e eu estamos juntos, não é uma opção. Então, apenas respiro fundo e abro o maior e mais genuíno sorriso que consigo.

– De onde você tirou uma coisa dessas? – pergunto tentando soar o mais inocente possível.

Wade olha para mim e ergue as sobrancelhas.

– Aaaah, não sei. Talvez tenha sido da maneira bastante suspeita como vocês se olham ou dessa sua desculpa esfarrapada sobre o celular. – ele dá de ombros – Você pode escolher.

Mais uma vez sorrio.

– Você só pode ser doido. Eu e o Blake não nos olhamos de maneira nenhuma e eu realmente pensei que tinha deixado o meu celular com ele, mas agora que sei que está aqui não vou mais precisar...

– Você acha que eu sou idiota? – Wade me interrompe – Tudo bem não gostar de mim ou não confiar em mim, mas não menospreze a minha inteligência, Liss.

– Eu não estou fazendo isso. – me defendo.

– Então porque você você continua inventando uma mentira pior que a outra?

– Não é mentira. Eu realmente pensei que tinha deixado meu celular com o Blake e...

– Chega. – Wade respira fundo, visivelmente irritado com minhas desculpas e passa as mãos pelo rosto – Eu me cansei disso, tá legal?! Eu sei que tem alguma coisa rolando entre vocês dois, mas não vou ficar aqui, fazendo papel de palhaço, enquanto você mente na minha cara. Não sou idiota, Liss.

Então sem dizer mais uma palavra ele vira as costas para mim e volta para a entrada do palco para assistir ao restante das apresentações. Olho para Serena, cujos olhos parecem tão alarmados quanto os meus e sinto o meu coração despencar até o meu estômago.

Eu não cheguei a confirmar nenhuma das suspeitas de Wade, apesar de meu deslize com a desculpa sobre o celular, mas ele parece estar certo de que há alguma coisa acontecendo entre Blake e eu e não sei o que ele pode fazer com essa informação.

Mesmo sendo apenas uma suspeita, tenho certeza que se essa história chegasse aos ouvidos do reitor ou do diretor do curso, Blake poderia perder o emprego ou até sofrer algum processo administrativo e essa simples possibilidade me faz estremecer.

– Eu preciso encontrar o Blake. – aviso para Serena, dessa vez sussurrando.

– Tudo bem. – ela assente – Fico de olho no Wade.

– Obrigada. – abraço-a e depois sigo para a saída que leva aos bastidores atrás do palco.

Enquanto desço as escadas, enfio a mão em minha bolsa e retiro, de lá, meu celular para descobrir quem havia tido a audácia de estragar a única desculpa em que eu havia conseguido pensar para despistar Wade e me surpreendo ao encontrar uma mensagem de Blake com duas únicas palavras: “Muito sexy.”.

Ele certamente estava falando sobre a minha apresentação e eu poderia ter sorrido se não estivesse com uma grande vontade de matá-lo, mas me obriguei a reprimir todos os palavrões que queria gritar naquele momento e apenas digitei uma mensagem para ele perguntando onde ele estava.

Sua resposta chegou chegou cerca de trinta segundos depois e, depois de lê-la, guardei o celular de volta na bolsa e praticamente corri para fora dos bastidores, desesperada para encontrá-lo.

Eu não sabia o que fazer com o fato de Wade ter descoberto sobre nós, mas esperava que Blake pudesse me dar alguma ajuda, já que ele era quem mais teria a perder caso Wade resolvesse nos delatar.

Encontrei-o, junto com Melody e Kirk, parados ao lado a barraquinha de frutas cobertas com chocolate onde estávamos no início da festa e, assim que me aproximei, Melody se soltou de Kirk e veio me abraçar.

– Amiga, a sua apresentação foi incrível! – ela exclamou empolgada – Eu nunca imaginei que você cantaria Britney Spears na frente de centenas de pessoas.

– Eu também não imaginei, mas fico feliz que tenha gostado.

– E quem disse que eu gostei. Eu adorei! Aliás – Melody me lança um olhar sugestivo –, eu não fui a única que adorou a sua apresentação. Teve um certo professor aqui que estava praticamente babando.

Meu olhar encontra o de Blake e o sorriso que ele abre faz meu coração acelerar um pouco, mas me forço a não pensar no quanto eu queria que ele me beijasse, pois temos coisas mais importantes para resolver.

– Nós podemos conversar em particular? – peço, soltando-me de Melody e indo em direção a ele – Agora?

Blake franze a testa para mim e seus olhos azuis refletem a preocupação que deve estar estampada nos meus.

– Aconteceu alguma coisa? – ele segura uma de minhas mãos, mas me livro de seu toque rapidamente e isso faz com que ele me encare ainda mais preocupado. Sei que muitas coisas estão passando por sua cabeça naquele momento, mas não posso me dar o privilégio de lhe explicar os motivos de minha atitude ali. Wade pode estar nos observando do palco.

– Vamos caminhar por aí. – sugiro e, antes mesmo que ele concorde, me afasto e sigo em direção a parte mais deserta da praia.

Blake me acompanha em silêncio, caminhando logo atrás de mim, e posso sentir o olhar questionador dele em minhas costas. Gostaria de poder ler pensamentos para saber o que ele está pensando, mas acho que ele também gostaria, pois minha atitude certamente está deixando-o confuso.

Quando chegamos a um conjunto de rochedos, iluminados apenas pela luz do luar e pela fraca luz dos postes que ficam no calçadão próximo a orla da praia, paro e olho para Blake que faz o mesmo e cruza os braços diante do peito.

– Agora você finalmente vai me explicar o que está acontecendo? – ele questiona e eu balanço a cabeça, afirmando

– Nós temos um grande problema, Blake.

– Que tipo de problema?

Respiro fundo e esfrego as mãos, uma na outra, nervosa.

– O Wade descobriu sobre nós. Ele sabe que temos algum tipo de relacionamento.

– Como ele descobriu? – Blake me encara e, de repente, sinto o meu rosto esquentar.

– Ah, isso? Bem... Acho que... Acho que ele deve ser vidente. – dou de ombros, envergonhada demais para confessar meu deslize, e Blake estreita os olhos para mim.

– Liss.

– Ou... talvez eu tenha contado. Sem querer. – assumo desviando o olhar para o chão.

Wade tinha descoberto tudo por minha causa. Porque eu não sabia controlar minha boca e minhas emoções e porque tinha o costume de inventar péssimas desculpas quando estava sob pressão. A culpa seria inteiramente minha se Wade contasse a alguém sobre o meu relacionamento com Blake e se ele acabasse perdendo o emprego por isso e aquilo me deixava em pânico.

– Como assim você contou a ele sem querer? – Blake questiona e o nervosismo cresce dentro de mim.

– Olha, eu tinha acabado de sair do palco. – explico – Estava eufórica, completamente agitada por causa da apresentação e acabei falando que precisava te ver. O Wade ouviu tudo, perguntou porque eu precisava ver você e, como eu não consegui pensar em nada melhor, disse que era porque você tinha ficado com o meu celular, aí... – paro e olho para ele, enchendo-o de tapas logo em seguida – Aí você me mandou aquela maldita mensagem, Blake. Mas que raios!

– Ei. – ele segura meus braços, puxando-me para perto – Como é que eu ia saber que você tinha acabado de dizer ao Wade que eu estava com o seu celular. Eu não sou vidente, Liss.

– Eu sei, droga. Eu sei! – paro de me debater e solto um suspiro derrotado – Mas agora ele sabe sobre nós, Blake. O que vamos fazer?

– Nada. – Blake responde, despreocupado, e eu sinto a minha boca se abrir.

– Como assim “nada”?

Ele dá de ombros.

– Você já contou e, agora, o Wade já sabe, Liss. Nós não podemos matá-lo e enterrar o corpo dele numa floresta, por mais que a ideia seja tentadora, então não há nada que possamos fazer.

– Mas e se ele contar para alguém? – questiono – E se ele contar ao reitor da universidade?

– Então, muito em breve, eu receberei um telefonema nada contente do Sr. Maxfield. – Blake ri e tenho vontade de lhe dar um tapa.

– Você não está nem preocupado? Você pode perder o emprego!

– Liss. – ele segura os meus ombros e me oferece um sorriso calmo – Eu sou um professor temporário. Só estou aqui porque o Jacob me pediu para substituir o Sr. Palmer enquanto ele estivesse doente.

– Mas e se o Sr. Palmer não voltar?

– Eu espero que ele volte, mas caso isso não aconteça, tenho certeza que a universidade encontrará um professor adequado para substituí-lo.

Franzo a testa.

– Isso quer dizer que você não pretende continuar lecionando?

– É. – Blake responde, despreocupado, e minha boca se abre em surpresa.

– Mas... porque não? – consigo perguntar finalmente – Eu achei que você gostasse de dar aulas.

– E eu gosto. – ele sorri – Assim como gosto de música, de fotografia e de dança, mas não é com isso que pretendo trabalhar.

– Você quer trabalhar com teatro? – suponho e ele assente.

– Eu adoro atuar, Liss. É isso que quero fazer e era isso que eu estava fazendo antes do Jacob me ligar. – ele explica – Eu só aceitei esse trabalho de professor porque o Jacob me ajudou muito em meu projeto de graduação e porque tenho uma grande consideração por ele, mas ele já sabia que eu só ficaria aqui por um semestre.

Uma onda de alívio e de decepção me invade ao mesmo tempo, mas não sei dizer qual delas exerce mais controle sobre mim. Estou de aliviada por Blake não se importar tanto com seu trabalho na universidade que pode estar ameaçado pela descoberta de Wade, mas estou verdadeiramente decepcionada por saber que ele não pretende continuar lecionando, algo que realmente acho que combina com ele e que, por sinal, ele faz muito bem.

Apesar da pouca idade, Blake é um ótimo professor e não tê-lo mais ensinando seria uma grande perda para a universidade e para os alunos.

– Você está triste? – ele toca o meu rosto e eu balanço a cabeça levemente.

– Não. Eu só estou... pensando, sabe? Em você e no que vai fazer quando deixar a universidade. – dou de ombros e o encaro.

Eu queria respostas. Saber o que posso esperar do nosso relacionamento no futuro, pois se Blake realmente quer trabalhar com teatro é provável que ele não fique na Califórnia por muito tempo. Quase todos os bons atores americanos que conheço acabam se mudando para Nova Iorque, para tentar uma vaga na Broadway, e se Blake fizer isso teremos todo um país de distância entre nós. Não sei se eu saberia levar uma relação nessas condições.

– Vai ficar tudo bem. – ele responde como se pudesse ouvir os meus pensamentos – Não sei se te contaram, mas eu tipo o Superman.

– Superman? – lanço a ele um olhar cético, mas quase esqueço minhas preocupações quando ele se aproxima e me empurra, gentilmente, contra um dos rochedos ali.

– Eu sempre consigo resolver os problemas. – explica deslizando um dedo de meu pescoço até meu umbigo, deixando o rastro de calor em minha pele no caminho – A única coisa com a qual não consigo lidar é com uma Kryptonita.

– E você já encontrou alguma? – pergunto tentando não perder fôlego com seu toque, mas aquilo se torna um esforço inútil quando ele envolve minha cintura com as mãos e cola seu corpo quente no meu.

– Estou olhando para ela nesse exato momento. – Blake diz e a última em que consigo pensar antes de os lábios dele se unirem aos meus é em como eu não me sinto capaz de passar mais um único dia longe dele.

Se eu sou sua Kryptonita, ele é o meu oxigênio. Desde que o conheci é como se eu precisasse estar perto dele para poder respirar. Ele faz com que eu me sinta viva.

Notas finais
Bem, meu povo e minha pova, aposto que muita gente ficou surpresa com o fato do Blake não querer continuar sendo professor, mas é até compreensível, né? Ele sempre disse que era apaixonado por teatro e tal... Espero que tenham gostado do capítulo e gostaria de agradecer a todos que me deixaram seus comentários no capítulo anterior, em especial a Mari Kinomoto e a Boneca de Porcelana, que começaram a ler a fanfic recentemente e que já me conquistaram com seus reviews cheio de empolgação. Obrigada a você também (sim você mesmo que está lendo isso agora), por acompanhar a fanfic e prestigiar essa história. O feedback de vocês com a "O Mestre" tem sido muito positivo e estou muito contente por todo o carinho que vocês tem para com essa história e com seus personagens. Próximo capítulo será um P.O.V. do Blake e vem mais algumas novidades por aí, incluindo uma conversinha entre ele e o Wade. Beijos e até lá.