Notas iniciais
Parei de escrever essa fic, mas tenho alguns capítulos prontos então vou postar. Parei porque achei que ficou meio estranho e estou trabalhando em outras 3 fics, mas talvez eu refaça ou retome de onde eu parei. Só posto o próximo com no mínimo 3 reviews!

— Arschloch! — bradou Liesel ao jogar a bicicleta no chão de terra do pequeno e sombrio bosque. Seu papai costumava levá-la àquele bosque para ler antes das árvores começarem a definhar — Saukerl, por que você fez quilo? Ouviu o que ele disse? A polícia, Rudy, eles estão atrás de nós!

Não estavam. Sei disso porque fiquei mais um pouco na casa da Grande Strasse. As ameaças do prefeito eram tão vazias quanto seu saco de pão. Mas os ladrões não o sabiam.

— Ei, Saumensch, a culpa não é minha! — murmurou o menino sem olhar para ela — Sabe, eu não controlo essas coisas. Você parecia tão feliz e eu... Tive vontade de rir. Que posso fazer? Isso não é um crime, é?

A menina o ignorou. Ela queria realmente sentir raiva de Rudy. Sabia que devia sentir, mas simplesmente não conseguia. Como qualquer um, inclusive eu, poderia detestar um rosto como aquele?

*O Rosto de Rudy Steiner*

Seus olhos eram como duas piscinas azuis repletas de arrependimento.E os lábios sorriam um sorriso de desculpa.

As bochechas sardentas mostravam duas covas,como profundas e misteriosas crateras lunares.

Confesso, aquele garoto mexe comigo. Sempre. E, aparentemente, com amenina também, embora ela não o soubesse. Ainda.

Liesel procurava uma solução. Seu coração palpitava furiosamente. Se voltassem e fossem capturados, os levariam embora. Assim como fizeram com o pai que ela nunca conhecera, o Comunista. Sua mãe também, a que deixara na estação de trem. Levariam também sua mamãe e seu papai que a esperavam na rua Himmel. Ela não podia arriscar. Podia ouvir os xingamentos de Rosa Hubermann como se fossem trazidos pelo vento. Onde você se meteu, sua pequena Saumensch?Havia também Rudy. Podia ver em sua mente o rosto sério de Kurt transbordando preocupação e aborecimento.

A menina apertou o livro furtado recentemente contra o peito. Ele ainda guardava a friagem da biblioteca no papel. Nesse momento, decidiu que eles precisavam voltar. Haveria mais um desfile de judeus. Se Max estivesse lá, ela precisava ajudá-lo, nem que isso custasse sua vida. E Rudy levaria pão para distribuir...

— Saukerl idiota! — sussurrou para si mesma, encostando-se em um tronco de árvore úmido.

O menino sentia raiva de si mesmo e culpa. Ele sabia do judeu, Max, no porão de Liesel, e sabia que ele era importante para ela. Dessa vez, ele era o ladrão. Roubara de Liesel a preciosa oportunidade de encontrar um amigo que precisava de ajuda.

— Não podemos voltar hoje — disse Rudy — Mas talvez amanhã eles não estejam nos procurando. Talvez...

Deixou-se cair ao lado da roubadora de livros. Ela permitiu que ele ficasse, porque estava frio e as roupas molhadas roubavam todo o calor. Era mais fácil se aquecer daquele jeito.A cor daquela noite era um negro pesado e fundo, que se aproximava das estrelas como se quisesse engoli-las. Muito diferente do vermelho escaldante que o substituiria na noite seguinte.

Notas finais
Reviews!!!