Notas iniciais
Oii gente. Queria agradecer a todos que estão lendo. Obrigado mesmo!

Já eram quase 21:00 horas. A noite estava quente e úmida. Era o dia perfeito para sair com o namorado ou com a namorada. Assim como tinha feito sua filha. Sofia. Helena não teve a oportunidade de conhecer o garoto. Tudo que Sofia disse antes de sair de casa, era que ia sair com um garoto chamado John e que não tinha motivos para ficar preocupada. Helena confiava em Sofia. Ela já tinha uma mentalidade muito evoluída comparada com a de seus amigos. Desde pequena, Sofia sempre foi responsável e nunca deu trabalho para Helena. Não era à toa que o dia do nascimento de Sofia, tinha sido para Helena “O Melhor Dia de Todos”.

Helena nunca se arrependeu do que fez no passado. Ela tinha feito tudo isso porque os motivos e as circunstancias que naquela época existiam a tinha obrigado a fazer isso. Porém, hoje, tudo foi por água a baixo. Ela tinha que sair dali e ir para o interior, onde seu marido estava nesse exato momento. Era o certo a fazer. Ela não tinha mais escolha.

Antes de sair de casa. Ela pegou um post-it amarelo e escreveu o seguinte:

“Sofia minha filha querida. Mamãe ama você, porém tiver que sair às pressas e ir para o interior encontrar seu pai. Deixei meu cartão, se precisar de algo é só comprar ou pedir. Mamãe te ama. Beijos.”

Helena queria escrever mais, porém não podia. O post-it era muito pequeno para isso, e quanto menos coisas Sofia souber, melhor seria.

Helena pegou a sua mala vermelha e sai pela porta. Olhou para trás uma última vez. Uma lágrima escorreu pelo seu olho direito e cai no chão, molhando o tapete na porta de entrada. Ela entrou no elevador e deu um tchau para a câmera pois ela sabia que seria a última vez que iria até aquele lugar.

...

Sofia acordou num susto. John ainda gritava seu nome e dava tapas no seu rosto. Quando ela abriu os olhos, os olhos de John se iluminaram, como se ele fosse uma criança ganhando aquele carrinho de controle remoto dos pais. Ele puxou Sofia pra perto de si e a abraçou tão forte que fez com que Sofia não conseguisse respirar.

–John você está me sufocando – Sofia disse tentando afastar John de seu corpo.

–Você não faz ideia do quanto eu fiquei preocupado com você. Eu quase chamei o 190 – Disse John ainda nervoso.

–O que aconteceu mesmo? – Sofia ainda tentava se lembrar do que tinha acontecido.

Foi quando ela olhou para o lado e viu Clara, a vidente, deitada no chão. Então ela se lembrou de tudo. Da pizza. Dos gritos de Clara. Das palavras que a vidente disse a ela. “Quando mais alto se sonha, mais alta é a queda”. Foi o que Clara disse. Tudo aquilo não fazia sentido nenhum para Sofia. Por que a vidente havia lhe dito isso? Será que tinha alguma coisa a ver com seu futuro? Sofia não queria pensar. Estava com muita dor de cabeça para isso.

Clara começou a se levantar também. Sofia esperou que ela pedisse desculpas ou algo do tipo, mas tudo o que Clara disse foi “O que aconteceu?”. Ela não se lembrava de nada. Ao olhar para Clara, Sofia sentiu a mesma sensação de antes. A sensação de alguém estivesse invadindo seu corpo.

–Venha – disse John levantando Sofia – Acho que perdi a fome depois disso.

–Também perdi – disse Sofia – Me leva para casa. Por favor.

Antes de saírem, Sofia olhou uma última vez para Clara que ainda estava sentada no chão, porém, ela estava com as mãos levadas ao rosto, cobrindo seus olhos, como se estivesse envergonhada depois de ter passado um mico. O que não deixava de ser verdade.

...

No caminho para casa, John tentou quebrar o clima perguntando:

–Já namorou antes?

Sofia ficou surpresa com a pergunta. Porém John estava tentando puxar assunto depois de tudo aquilo, ela tinha que retribuir, então, resolveu responder:

–Não. Nunca quis namorar.

–Algum motivo?

–Na verdade não sei. Acho que é porque eu me sinto presa quando estou namorando.

–Mas você nunca namorou. Como se sente presa?

Sofia tinha que admitir que John a pegou nessa. Pela primeira vez ela parou para pensar que ela sempre dava a desculpa de se sentir presa quando está namorando, sendo que ela nunca havia feito isso antes. Ele realmente era muito questionador e inteligente. Talvez John fosse o tipo de Sofia.

–Um dia prometo tentar.

John segurou a mão de Sofia. Ela não se conteve, e abriu um sorriso de orelha a orelha. Era uma sensação que ela nunca tinha sentido antes. Talvez ela nunca tivesse sentido sensação alguma antes. Talvez a vida dela estivesse acontecendo agora, no meio dos seus 17 anos. Ela não recusou e apertou a mão de John com mais força ainda. Ela se sentia segura perto dele. Ele era forte e mesmo estando usando uma jaqueta College ela podia ver os músculos do braço dele perfeitamente. Era algo extraordinário. Mas como toda alegria de Sofia tem tempo curto, alguém resolveu ligar para ela durante esse momento incrível. Quando Sofia pegou o celular e viu que era Beatriz, simplesmente ignorou e colocou de volta no bolso. “Você pode esperar amiga” pensou Sofia “Eu não posso te atender agora, conto tudo mais tarde”.

–Quem é? – perguntou John.

–Beatriz.

John parou de andar, mas continuou segurando a mão de Sofia. Ele não expressava nenhum sentimento.

–Atende – disse ele.

Ok. Naquele momento Sofia não sabia o que pensar. Os dois estavam tendo um momento só deles. E John pede para que Sofia atenda ao telefonema de Beatriz. Ela não entendeu mais nada.

–Por que? Não quero atender.

–Pode ser importante. Além do mais, está tarde, sua mãe deve estar preocupada.

“Se minha mãe estiver preocupada, ela ligaria pra mim” pensou Sofia. O telefone ainda tocava.

–Atende. Eu espero – John ainda segurava a mão de Sofia.

Sofia atendeu.

–Você tem dois minutos – disse Sofia.

–Oi para você também minha amiga querida – disse Beatriz do outro lado da linha.

–Aconteceu alguma coisa?

–Não. Só queria saber se está tudo bem.

–Melhor impossível. Tchau.

–Espera, eu...

Sofia guardou o telefone na bolsa e voltou a encarar John que sorria feito um bobo.

–O que foi? – perguntou Sofia.

–Você é legal. Você é engraçada. Adoro ficar na sua companhia.

–Obrigado. Também sinto o mesmo por você.

–Essa sua amiga Beatriz é aquela que é filha do empresário que ninguém sabe no que ele trabalha né?

Sofia não estava entendo. John era fanático por Beatriz ou algo assim? Não entendia nada.

–Por que pergunta tanto sobre Beatriz?

–Tá achando o que? Que quero dar em cima dela? Não! Eu estava preocupado. Chamei você para sair a essa hora da noite. Eu estou totalmente responsável por você. Quero te proteger. Se alguém ligou para você essa hora deveria ser importante. E eu só perguntei, porque existem milhares de Beatrizes na escola, queria saber qual delas era sua amiga.

John fez uma cara de choro. Uma cara parecida com a que o Gato do filme Shrek faz que deixa qualquer um bobo. Sofia não se controlou e abraçou John. Nunca alguém tinha se preocupado tanto assim com ela. Ela estava realmente encantada com ele. John retribuiu o abraço, porém, alguns segundos depois, ele levantou a cabeça de Sofia e lhe deu um beijo.

Sofia pirou. Aquilo era melhor que qualquer droga. Era seu primeiro beijo. Ela sentiu os vasos sanguíneos de seu corpo se dilatar para que o fluxo de sangue que estava maior não tivesse problema. Sentiu cada pelo do seu corpo ficar em pé. Era a melhor sensação de todas. Valia por todas as sensações que ela nunca havia sentido antes. O primeiro beijo, ninguém esquece.

Notas finais
Obrigado por ler até aqui ^^