Notas iniciais
Oi gente. Faz tempo né? Então, quando eu fico muito tempo sem escrever me dá aquele bloqueio de criatividade. Então o texto saiu uma bosta. Mas espero que gostem.

“Eu não deveria ter feito o que fiz”. Pensava Sofia. “Ele vai achar que sou uma louca, uma demente, uma sei lá o que”. Sentada no sofá da sua casa, ainda com a roupa do encontro, Sofia pensava no beijo que John havia lhe dado. Foi seu primeiro beijo. Ela ainda não acreditava no que tinha acabado de acontecer.

Sofia se sentia feliz. O primeiro beijo tinha sido com um cara bonito, charmoso e educado. O tipo de cara que ela sempre quis que a beijasse. John foi tão amoroso com ela. Depois de três segundos, ele a prendeu em seus braços e a abraçou tão forte como se ele estivesse com medo de que um dia ela fosse embora. Ela lhe respondeu com outro abraço apertado e com a mão esquerda fazia carinho no cabelo do John. E assim, os dois ficaram lá, parados no meio de uma praça. Se beijando. Como se o mundo não existisse. Naquele momento, o mundo de Sofia era apenas John.

Porém, depois que John a soltou, ela saiu correndo. Saiu correndo de volta para casar sem dar nenhuma explicação ao pobre John que ficou plantado no meio da praça.

Sofia se sentia tão mal por ter feito aquilo com ele, que tudo o que ela queria fazer era se punir dando socos em seu próprio rosto. Mas antes que ela fizesse isso, ela pegou seu celular e mandou uma mensagem para Beatriz dizendo que já estava em casa.

Sete segundos depois, Beatriz ligou para Sofia que atendeu na hora. Sofia deitou no sofá e começou a contar como foi a sua noite com John. Desde o momento em que eles se encontraram na praça até o beijo. Sem esconder nenhum detalhe. Ela até mesmo contou sobre a vidente maluca que apareceu na pizzaria. Mas o assunto principal foi mesmo o beijo. Beatriz ficou tão alegre que se Sofia soubesse que Beatriz fosse ficar assim, ela teria beijado alguém antes. Sofia sempre quis ver sua amiga feliz, assim como nesse momento. Depois disso, ela mandou uma mensagem para Enzo contando tudo o que aconteceu naquela noite. A resposta do seu amigo foi imediata. Enzo ficou tão alegre quanto Beatriz. Sofia ficou contente em saber que seus amigos a apoiavam nesse momento.

O tempo de festa acabou. Sofia agora tinha que concertar algo que ela se arrependeu de ter feito essa noite. Ela pegou o celular e ligou para John.

–Oi – ela começou a conversa.

–Oi – disse ele do outro lado da linha.

–Eu só liguei para pedir desculpas por ter saído correndo e nem ter dito tchau.

–Não tem problema. Eu achei que tinha sido muito abusivo com você. Beijei-te sem ao menos ter perguntado se eu queria. Eu deveria pedir desculpas.

–Não diga isso. Eu gostei do beijo.

–Sério?! ­– pelo tom de sua voz, Sofia podia perceber que nesse momento John tinha aberto um sorriso de orelha a orelha.

–Sim. Você é um cara legal e eu gosto de você – a conversa permaneceu em silêncio por um tempo – Bom, agora tenho que ir. Obrigado pela noite.

–Podemos nos ver amanhã. Quero falar com você de novo.

­–Sim. Vemos-nos amanhã então. Tchau.

–Tchau.

Foi uma conversa simples, mas serviu para Sofia se desculpar e a agradecer John por ter acompanhado-a a noite toda.

Quando se levantou do Sofá para ir a seu quarto, Sofia percebeu que sua mãe não estava em casa. E só para se certificar, ela deu um grito:

–Mãe! Cheguei! Estou em casa!

Mas ninguém respondeu. O silêncio no apartamento chegou a ser arrepiante. Sofia conseguia ouvir a batida de seu coração, que a cada minuto ia se acelerando. Ela foi até a cozinha e lá viu um Post-it amarelo colado na geladeira. A letra era de sua mãe. Sofia pegou o papel para ler, e nele estava escrito:

“Sofia minha filha querida. Mamãe ama você, porém tiver que sair às pressas e ir para o interior encontrar seu pai. Deixei meu cartão, se precisar de algo é só comprar ou pedir. Mamãe te ama. Beijos.”

Era muito estranho a mãe de Sofia viajar assim de uma hora para outra e ainda mais sem falar nada para ela. Helena gostava de planejar as viagens detalhe por detalhe. Com meses de antecedência para evitar qualquer imprevisto. O motivo deveria ser muito importante para que sua mãe viajasse assim tão repentinamente. Mas Sofia resolveu não se preocupar. Sua mãe sabia o que fazer. Ela olhou para o restante do apartamento e pensou: “Bem, agora somos eu e você”. Ela foi para o quarto de onde só saiu na manhã seguinte.

...

Era sábado então Sofia podia acordar a hora que quisesse. Porém ela acordou mais cedo do que ela costuma acordar em um dia que não tem aula. Era 09:14 da manhã. Ela tirou o pijama e vestiu uma camiseta azul sem estampa nenhuma, colocou um moletom preto com listras brancas na lateral e ficou com suas pantufas de coelhinho. Foi até a cozinha e preparou um café da manhã bem mais calórico do que o normal. Pão de forma com manteiga de amendoim, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e leite com achocolatado em pó. Ela colocou o pão e o bolo em um prato grande e foi até o sofá onde ligou a TV. No primeiro canal estava passando um programa de culinária. Sofia pulou. O segundo era um canal religioso onde um pasto fazia uma sessão de exorcismo em uma fiel. Sofia pulou, não queria ver aquilo. O terceiro canal era um canal de notícias. Nele passava uma reportagem de uma enfermeira chamada Jaqueline que havia sido encontrada morta em seu apartamento. Sofia pulou também. “Tragédia as 9 horas da manhã ninguém merece”. O quarto canal era um canal de vendas que passava um anel de esmeralda que custava mais de quatro mil reais. “Será que alguém compra essas coisas?”. Pensou Sofia, e logo depois, pulou o canal. O quinto e último canal era um canal de desenhos onde passava uma das séries favoritas de Sofia. Ela deixou nesse canal. “É o que temos pro momento”.

Sofia se sentia solitária naquele apartamento sem sua mãe. Quando seu pai foi para o interior a trabalho, ela sentia que faltava alguma coisa naquele lugar. Agora que sua mãe estava viajando também, ela estava se sentida tão solitária que parecia àquelas mulheres de 30 anos, solteiras, sem filhos e que tentam arrumar um marido a todo custo. Porém esse sentimento foi quebrado quando Enzo lhe mandou uma mensagem pelo WhatsApp.

Enzo: Vai fazer o que amanhã?

Sofia: Nada. Por favor, me convide para algum lugar.

Enzo: Amanhã eu vou fazer paraquedismo. Quer ir comigo?

Sofia: Não acredito que seu pai deixou você fazer isso.

Enzo: EU TAMBÉM NÃO! Vou aproveitar e usar esse dia como o meu “Melhor Dia de Todos”

Sofia: Não me lembre desse trabalho que eu tenho que fazer o meu também. Mas respondendo sua pergunta. Sim. Eu irei com maior prazer.

Enzo: Beleza. Amanhã cedo passo aí para te buscar. Era só isso. Tchau.

Não havia mais motivo para continuar a conversa, então Sofia colocou o celular de lado. Porém nesse momento o interfone tocou. Sofia atendeu e ao ouvir o que o porteiro tinha a falar, ela quase caiu pra trás.

...

A campainha tocou e Sofia abriu a porta.

–Demorou para abrir – disse John entrando no apartamento de Sofia. Ele estava usando uma calça jeans azul, All Star preto e uma camiseta Hollister amarela.

–Por que veio? Você sabia que estou parecendo uma mendiga? – disse Sofia.

–Mendigos não usam pantufas e moletons da Adidas. Você não está parecendo uma.

Sofia ficou sem palavras. Ela apenas observava John com uma cara de dúvida sobre qual o verdadeiro motivo dele estar lá.

–Senta. Me diga o que lhe traz aqui.

John se ajoelhou na frente de Sofia e segurou sua mão. Sofia ficou sem reação.

–Sofia. Quer namorar comigo?

A sensação que Sofia sentia naquele momento foi parecida com a de três tiros seguidos de uma metralhadora em seu coração. Aquilo parecia um sonho. Ela estava sem palavras. Não sabia mais como abrir a boca. Estava muda. Sem saber de mais nada.

–Sim ou não? – Insistiu John.

–Sim. Eu quero – respondeu Sofia sem nenhum tom de dúvida.

John se levantou e os dois se abraçaram e cada um sentia a respiração do outro. Sofia estava namorando.

Notas finais
Obrigado por ler até aqui ^^