O Melhor Dia de Todos
5 Ops...ele é meu herói
Notas iniciais
Todos os policiais afirmam que na hora que você estiver sendo assaltado, você precisa manter a calma. Fazer tudo que o ladrão pedir. Não tentar fazer justiça com as próprias mãos e depois de tudo, fazer um Boletim de Ocorrência o mais rápido possível. Provavelmente eles nunca foram assaltados.
Sofia sempre achou que seria fácil seguir essas recomendações, mas era impossível ficar calma quando se tem uma pistola apontada para sua cabeça. A arma era uma Walther PPK de fabricação alemã. Sofia reconheceu essa arma, pois era mesma usada por James Bond nos filmes do agente secreto 007.
O ladrão era de estatura baixa. Usava aquelas toucas onde você só consegue visualizar os olhos e a boca. Os olhos negros davam calafrios em Sofia. O home usava uma camisa preta da Nike e uma bermuda branca do Corinthians F.C. No seus pés, uma havianas preta com a bandeira do Brasil.
–SAI DO CARRO! AS DUAS! – Ele gritou.
O ladrão agarrou o braço de Sofia e, literalmente, a jogou para fora do carro. Seu braço ficou vermelho e ao cair, bateu a cabeça no chão. O sangue quente escorria pela sua sobrancelha.
A mãe de Sofia estava em pânico total. O bandido também agarrou o braço dela e a jogou no chão. Ele pegou a bolsa azul que estava em sua mãe e tirou de dentro um celular de ultima geração, e pegou os três cartões de crédito que estavam lá dentro. Ao se levantar, Sofia viu Bruno correndo na direção das duas com o celular na orelha. Sofia esperava que ele estivesse ligando para a polícia.
–Deixa comigo. Fica calma – Disse a mãe de Sofia.
–Você é uma mulher de 38 anos que nem sabe descascar uma laranja. Acha mesmo que vai conseguir tomar conta dessa situação.
–Você é muito ignorante mocinha.
–Cala a boca as duas – Disse o ladrão. Ele se aproximou da mãe de Sofia e lhe deu um tapa na cara tão forte que lágrimas saíram dos olhos dela – Me passa a chave do carro. ANDA!
A mãe de Sofia desesperada começou a vasculhar sua bolsa, mas não achava a chave. Sofia sabia que sua mãe estava tentando segurar o choro.
–Não consigo achar – disse a mãe.
–ANDA! – Gritou o ladrão
–Para de gritar ninguém aqui é surdo – disse Sofia. Mas rapidamente se arrependeu quando o ladrão apontou a arma em sua direção.
Mas depois disso tudo aconteceu muito rápido.
Bruno apareceu por de trás do ladrão e agarrou seu pescoço. Na tentativa de se livrar do golpe, o ladrão deu quatro tiros para o alto. Sofia e sua mãe se agacharam e se esconderam atrás de um Corolla prata que estava na frente do carro das duas.
Bruno segurou o antebraço do ladrão e o chacoalhou na tentativa de fazê-lo derrubar a arma. Não deu muito certo. O ladrão levantou a perna e deu um chute na canela de Bruno que urrou de dor. E logo depois o ladrão deu outro chute, só que esse foi na região intima de Bruno. A dor que ele sofria era a de um caminhão passando por cima de sua cabeça. Sofia não sabia como era levar um chute no pênis, porque ela não tinha um pênis, mas da mesma forma, conseguiu sentir a dor que Bruno sentia. Bruno levou a mão ao seu pênis e caiu no chão em posição fetal. O ladrão levantou a sua Walther PPK em direção a Bruno, mas quando estava preste a apertar o gatilho, uma pedra de tamanho médio foi arremessada e caiu na mão do ladrão como um tiro preciso. A arma caiu no chão e antes que ele pudesse pegar a arma de volta, John, o cara que havia despertado uma chama dentro de Sofia, deu uma rasteira no ladrão que o fez cair no chão imediatamente. Sem noção nenhuma do que fazia, Sofia saiu em disparo na direção da arma ignorando sua mãe que gritava de uma forma desesperadora. Sofia pegou a arma e apontou para o ladrão, que naquele momento já havia levantado e agarrado John pelo pescoço. Sofia suava frio, nunca havia pegado em uma arma. Não sabia nem como funcionava uma arma. Mas naquele momento de pânico, a única coisa que ela sabia fazer era não pensar no que poderia acontecer. Bruno ainda estava no chão, mas Sofia o ignorou.
–Solta ele – disse Sofia num tom de alerta.
–E você vai fazer o que se eu não soltar? – perguntou o ladrão.
–Você quer pagar para ver? – respondeu Sofia em um ar de ameaça.
John moveu os lábios. Sofia nunca foi boa em leitura labial, mas tinha a leve impressão de que ele havia dito “continue”, então ela continuou:
–Sou fã de 007. Não sei como se usa uma arma, mas posso aprender agora mesmo.
O ladrão riu como se estivesse debochando dela. O que não era mentira, ele realmente estava debochando dela.
–Se você atirar você pode acertar o seu amigo e ele irá...
O ladrão não teve tempo de continuar. John mordeu a mão dele e deu um giro de 180º até ficar de cara com ele. John colocou o braço esquerdo do ladrão no seu próprio pescoço na expectativa de que o ladrão subisse em cima dele, o que realmente aconteceu. John se abaixou e colocou a mão atrás do joelho da perna esquerda do ladrão e o levantou, apoiando todo o corpo do ladrão em suas costas. Depois disso, ele rodou o ladrão e o jogou no chão com toda a força possível. Sofia reconheceu aquele golpe. Três anos atrás ela havia feito aulas de judô, mas desistiu depois de um tempo, porque uma de suas características é enjoar rápido das coisas. Mas com aquele golpe ela se lembrou das aulas que havia feito. O que John havia feito, ou pelo menos tentado, foi um golpe que se chama Kata-guruma. Sofia nunca tentou fazer esse golpe, porque ela nunca teve força suficiente para levantar uma pessoa. Mas John provou o contrário, ele tinha muita força. Quando o ladrão caiu no chão, desmaiou na hora, pois John fez questão de que ele batesse a cabeça com a maior força possível. Depois de sete segundos, já se podia escutar os barulhos das sirenes da polícia que se aproximava o mais rápido possível. Sofia aproveitou esse momento e correu em direção a John, e em um ato involuntário, lhe abraçou o mais forte possível. E para sua surpresa, ele retribuiu esse ato.
–Você está bem? – perguntou ele colocando as mãos em seu rosto e limpou o sangue que mesmo depois de todo aquele tempo ainda escorria pela sua sobrancelha.
–Sim. Obrigada.
A polícia chegou e rapidamente prendeu o sujeito que estava jogado no chão. Um policial se aproximou de John e Sofia. Ele era alto, forte, e Sofia tinha que admitir muito gato para ser um policial. Ele tinha olhos pretos, lábios pequenos e a cor de seu rosto era amarela. Parecia que ele estava doente. Mas do mesmo jeito ele disse:
–Vocês dois poderiam ter se machucado como aquele cara ali – o policial apontou para Bruno. Ele estava sentado no chão e a mãe de Sofia estava do seu lado. Sofia não queria pensar nele, Havia muitas coisas que ela tinha que lhe perguntar. O porquê de toda essa questão de viver a vida corretamente. O porquê de ele ter desmaiado no corredor. Ela queria saber tudo que ele escondia. Mas depois de um tempo, ela achou que estava exigindo demais do Bruno. Ele era apenas um professor que provavelmente estava passando por momentos difíceis, e hoje tinha feito o possível para que Sofia e sua mãe não saíssem machucadas desse terrível acidente. Apesar de todas as coisas que ela tinha a dizer, ela só queria dizer “Obrigado” – Nunca mais reajam quando forem assaltados. Vocês precisam manter calma.
–Desculpe senhor Policial – disse Bruno – Mas deve ser impossíveis para duas mulheres se sentirem calmas quando se tem um revolver apontado para sua cabeça.
“FINALMENTE ALGUÉM ME ENTENDE”, era o que Sofia queria gritar. Mas não fez isso. Estava muito assustada para fazer isso.
–E o ladrão tinha pegado o celular delas. Não tinha como elas ligarem para a polícia — finalizou John.
O policial simplesmente disse:
–Nunca mais façam isso – ele provavelmente havia pensado que estava errado. Mas ele era policial, jamais admitiria que estivesse errado. Depois dessa pronuncia, ele saiu e levou o ladrão para o carro da policia.
–Acho melhor eu ir para casa – disse Sofia.
–Quer que eu te acompanhe?
–Não precisa John. Eu só quero dizer uma coisa – Sofia parou
–Diga.
–Muito obrigada.
Sofia abraçou todo o tronco de John. Ela queria ficar ali, do lado dele. Ela se sentia segura. Ao sair daquele colchão king size que era o peito de John. Eles se encararam por mais ou menos dois minutos. E a cada segundo, eles aproximavam seus lábios um do outro em milímetros, até que de repente, seus lábios se encostaram. Sofia sentiu uma sensação muito boa. Ela sentia calor, sentia frio. Ela ficou lá até sentir algo subir em sua perna, mas não era um inseto. Vinha de John. Isso mesmo, John estava ficando excitado e ela estava sentido aquela parte crescer cada vez mais, até que em um determinado momento, ela o empurrou e saiu correndo em direção a qualquer lugar. Ela não podia acreditar que dera o primeiro beijo. Ela estava se apaixonando. Ela não queria se apaixonar. Então foi para o único lugar que fazia com que ela esquecesse esse negócio de homens.
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