O Melhor Dia de Todos
10 "Clarear"
Notas iniciais
Sofia achou que não tinha ficado muito bonita para um encontro. Acho que ela estava jovem demais, porém ao ver John com uma jaqueta College, ela resolveu mudar de ideia. Sofia estava usando um vestido que ia até o joelho todo branco. Na cintura, um cinto preto com fivela dourada se destacava no meio da branquidão de seu vestido. Por cima, ela usava um colete* que cobria apenas a parte de cima do tronco. Ele era preto. Nos pés estavam sapatilhas pretas. Ela usava uma maquiagem leve, já que ele não gostava muito de maquiagem pesadas. Seu cabelo estava solto e todo jogado para trás. Em suas mãos, uma bolsa pequena com estampa da bandeira da Grã-Bretanha.
John ao vê-la, se levantou e segurou sua mão. Ele respirou fundo para que o cheiro do perfume dela entrasse em seu nariz e fizesse com que ele tivesse a melhor sensação do mundo.
–Se eu soubesse que você fosse vir tão linda eu tinha trago um cavalo branco – disse John
–Que gay – disse Sofia. Mas logo depois colocou a mão na boca como se tivesse feito algo totalmente errado – Desculpa! Desculpa! Não estou acostumada a ser romântica.
John estava rindo.
–Tudo bem – os dois ficaram sentados no banco da praça.
John sabia que o assunto não iria cair do céu, então ele começou a conversa:
–Adorei a sua bolsa com a bandeira da Inglaterra. Todas as meninas gostam. Achei que você não usaria.
Sofia pressionou as duas mãos, e em num ato súbito, começou a falar de uma maneira muito rápida. Parecia o Galvão Bueno narrando os jogos de futebol.
–Primeiramente não é a bandeira da Inglaterra. A bandeira da Inglaterra é aquela branca com uma cruz vermelha. Essa aqui, azul com a cruz vermelha e traços brancos e pretos, é a do Reino Unido. Bandeiras totalmente diferente. Odeio que confundam. Segundo, eu a comprei porque eu achei que fosse legal, eu já curtia o Reino Unido muito tempo antes de virar modinha – Quando Sofia parou de falar, John estava com a boca aberta e com os olhos semicerrados. Ele parecia espantado.
–Desculpa ter estragado tudo – continuou Sofia.
–Relaxa. Eu adoro esse sei jeito de ser. Mandona.
Os dois começaram a rir. Pelo jeito, o clima estava começando a ficar bom. Sofia nunca tinha saído antes em um encontro amoroso. Muitos garotos já tinham pedido pra ficar com ela, mas ela sempre recusou. Namorar ou ficar com garotos nunca foi seu ponto forte. Mas com John era diferente. Ele tinha algo que a atraia. Talvez fossem seus olhos, verdes e atraentes. Ou então o seu jeito de ser. Ela conviveu pouco tempo com ele. Ela ainda queria saber mais coisas, por esta razão, resolveu aceitar o pedido de John de sair com ela. E da mesma forma, já estava na hora dela ter esse tipo de aventura. Talvez o “Melhor Dia de Todos” estivesse ali, junto com John.
–Onde vamos comer? – Sofia perguntou, tentando puxar assunto.
–Tem uma pizzaria aqui perto, podemos ir se quiser.
–Eu ia adorar.
...
A pizzaria não era grande, mas era a melhor de todo o bairro. As mesas ficavam em um salão grande e retangular com a parede pintada de amarelo e algumas partes vermelho. Lembrava muito a rede de Fast-Food McDonald’s. Eles sentaram em uma mesa no fundo do salão. A pizzaria estava mais cheia do que o normal para um dia de semana, mas Sofia não se importava. Ela queria ficar ali com John e aproveitar a noite.
Os dois pediram uma pizza metade frango catupiri e outra metade mussarela. Sofia adorava pedir pizzas meio a meio, assim, ela podia comer dois sabores diferentes e pagar o preço de uma. Para o acompanhamento, John pediu uma coca e Sofia um suco de laranja.
–O que você gosta de fazer nas horas vagas? – perguntou John enquanto os dois esperavam a pizza.
–Bom. Eu gosto de escutar música, ler livros e às vezes cozinhar. E você?
–No dia de hoje quem não gosta de música? – John e Sofia deram risada – Além das coisas normais que um adolescente sedentário gosta de fazer, eu também gosto de praticar esportes e de estudar biologia.
“WOW! Ele gosta de biologia. Como assim?”. Pensou Sofia. Nos dias de hoje, encontrar uma pessoa que gosta de estudar esses assuntos é realmente muito difícil. John ficou um bom tempo falando de suas habilidades, mas Sofia não prestava atenção no que ele falava. Ela prestava atenção em sua mão, bronzeada e grande. A boca de John chamava a atenção de Sofia a toda horas. Repentinamente, ela tinha vontade de interrompê-lo e beija-lo como nunca antes. Os olhos dele brilhavam com as luzes do local. Aquele verde mais brilhante que luzes de natal a deixava hipnotizada. Nunca tinha ficado daquela maneira. Ela se sentia bem em sua companhia e realmente não queria ir embora dali nunca mais.
–Então foi assim que eu li 100 páginas de como as vacinas são feitas e suas explicações. Algum problema? – perguntou John.
Sofia cai em si, ele começou falando de um assunto e agora ele estava totalmente em outro. Ela nem reparou nisso.
–Estou te chateando? – perguntou John.
–Não. Eu só estava te ouvindo atentamente.
–Qual meu tipo sanguíneo então?
Sofia não sabia. Ele tinha falado do tipo sanguíneo dele e ela nem reparou. Isso ia ser um vexame. Como Sofia era esperta, ela ia chutar qualquer tipo de sangue e depois falaria que tinha esquecido como desculpa.
–É claro que seu tipo sanguíneo é A – disse Sofia.
–Na verdade, eu não disse meu tipo sanguíneo.
Sofia queria colocar a sua cabeça em um buraco e nunca mais sair de lá.
–Mas você tem futuro pra vidente – disse John – Pois meu tipo sanguíneo realmente é A.
Os dois riram juntos.
–Falando em vidente. Olha só quem chegou.
Uma mulher com um vestido todo azul entrou na pizzaria e sentou-se à mesa a frente da de Sofia. A mulher tinha um cabelo preto todo encaracolado e sua pele era bronzeada.
–Conhece? – perguntou Sofia.
–Não – respondeu John.
–Ela se chama Clara, mas é conhecida no meu prédio por “Clarear”. Ela é vidente e uma de suas propagandas é “clarear o seu futuro para que você possa melhorar o presente”
–Broxante – disse John em tom de deboche.
–Sim. Muito broxante.
...
Alguns minutos depois, a pizza finalmente chegou. Sofia se serviu de um pedaço de Mussarela e John de um pedaço de frango com catupiry. Os dois comiam em paz. Riam. Conversavam. Mas do nada. Clara, a vidente. Urrou tão alto que parecia um lobo sendo acertado por um tiro de um caçador. Todos na pizzaria ficaram parados, surpresos com o grito. John se virou rapidamente para ver a situação toda.
Clara adormeceu e sua cabeça bateu com tudo na mesa. Mas dez segundos depois ela se levantou. E olhou bem nos olhos de Sofia.
Sofia sentiu uma sensação estranha, uma sensação de ter alguém invadindo seu corpo sem permissão. Clara levantou e foi em direção a Sofia, mas John interrompeu a e ficou na sua frente, impedindo que Clara chegasse até Sofia.
–Calma aí senhora – disse ele. Mas não foi suficiente. Clara deu um tapa na cara de John que caiu em cima da mesa, derrubando a pizza e todos os objetos que estavam em cima dela. Clara chegou e apontou seu dedo indicador direito no nariz de Sofia, que estava totalmente petrificada. Ela não sentia seu corpo. Ela não conseguia se mexer. Ela queria gritar e sair dali o mais rápido possível, mas ela não conseguia.
–Cair – disse Clara.
–O que? – Foi a única coisa que Sofia conseguiu dizer.
–Cair – repetiu Clara.
–Não entendi o que você quis dizer. Dona Clara, olha...
Clara gritou de novo, assustando Sofia, fazendo arrepiar até o ultimo pelo de seu corpo.
–Quando mais alto se sonha, mais alto é a queda – Essa foi a última fala de Clara, que depois de mais um grito, caiu dura em cima de Sofia, derrubando-a no chão e fazendo com que ela desmaiasse.
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