O Melhor Dia de Todos
9 Amigas
Notas iniciais
Beatriz com certeza era a melhor amiga do mundo. Em uma escola onde todas as pessoas só pensam em si mesmas, encontrar pessoas como Beatriz ou Enzo era muito raro. Sofia sabia escolher seus amigos muito bem. Ela não queria aqueles que fossem ricos, metidos e que gastassem todo o dinheiro do cartão de crédito do pai em sapatos ou roupas. Preferia ter dois amigos a ter dez falsos. Quando era mais jovem Sofia leu uma frase na internet (cujo autor ela esquecera) que falava o seguinte:
“Valorize os verdadeiros, porque o resto...bom, é resto”
Ela leva essa frase até hoje em sua mente. E por esta razão, cortou laços de “amizade” com as pessoas que ela sabia quem não estariam lá quando ela precisasse.
Esses pensamentos ocorreram durante o banho. Ela nunca demora no banho, pois gosta muito do meio ambiente e sempre economizou água. Mas hoje era uma questão especial. Ela ia encontrar John. Nunca saiu com um menino assim antes. Era um momento muito especial para ela. Um momento que não queria esquecer nunca.
Depois de lavar todas, sem exceção, as partes do corpo. Ela lavou o cabelo aplicando o xampu duas vezes seguidas e por último um condicionador. Depois disso, pegou o secador e secou fio por fio de seu cabelo ruivo sedoso. Pela primeira vez ela pensou em como seu cabelo era bonito. Antes nunca reparava nisso, mas dessa vez, se sentia agradecida por ter um cabelo bonito naturalmente.
–Não querendo ser chata e nem ser hipócrita, será que a senhorita poderia ir mais rápido – a voz de Beatriz podia ser escutada do outro lado da porta – É seu primeiro encontro, não ia querer chegar atrasada.
Beatriz estava certa. Sofia tinha que se apressar. E foi o que ela fez, começou a secar seu cabelo de uma forma mais rápida e depois de terminado, lavou o rosto em água fria e saiu do banheiro.
Sofia sentou na cama colocando a mão na coxa. Beatriz entrou no corredor com uma maleta preta de alça rosa, escrito “Se mexer você terá sua perna arrancada enquanto dorme”. Era a caixa de maquiagem dela.
–Agora relaxa que eu vou te deixar a garota mais bonita da cidade.
Quando Beatriz ia abrir a maleta, Sofia disse:
–Bia.
Beatriz a encarou por um momento com uma cara de espanto. Fazia séculos que Sofia não a chamava assim. Fazia tempo que Beatriz não via Sofia de uma forma tão amorosa quanto essa. As emoções começaram a se aflorarem em Beatriz. Ela sabia o que Sofia queria dizer.
–Obrigado – continuou Sofia.
–Eu que agradeço.
Beatriz abraçou Sofia. As duas ficaram assim se abraçando por mais ou menos três minutos. O amor entre as duas amigas eram claro. As duas se amavam como irmãs, mas não como aquelas irmãs que brigam porque a outra roubou o batom da outra. E sim, aquelas irmãs que preferem morrer uma ao lado da outra, do que morrer sem a companhia de uma.
Beatriz conteve as lágrimas, abriu a maleta e começou o trabalho. Ela sabia que “choradeira” estava na lista de coisas que Sofia não gostava. Então ela decidiu se apressar e deixar a sua amiga como uma completa princesa.
...
A mala de emergência sempre esteve lá. No fundo do closet, atrás dos edredons. A grande mala vermelha de emergência tinha o necessário para que um adulto sobreviva um mês longe de onde mora. Como Dona Helena era esperta, ela tinha duas dessas malas. Uma para o verão e outra para o inverno. A que ela precisava era a que continha a kit para o verão. Roupas de verão, toalhas, calças, sapatos, itens para higiene, chapéus e principalmente “O Precioso”. O Precioso sempre foi importante para Dona Helena. Mas desta vez era muito mais importante. Depois de tudo que ela fez, o esforço de esconder O Precioso foi em vão. Ela esperou tanto que a J.O. não contasse nada, mas ela contou, agora ela tinha que fazer isso. Antes de pegar a mala e partir, Dona Helena deu um telefonema, porém a pessoa nunca atendia ligações com número privado, para isso, eles tinham um código. Helena esperou o telefone tocar três vezes. Desligou. Ligou outra vez, porém deixou tocar cinco vezes. Desligou. Depois, ligou de novo, tocou uma vez. Desligou. Ligou outra vez, mas desta vez a pessoa atendeu na hora.
–Sim.
–A J.O. me traiu por um valor mais alto. Sabe o que fazer.
–Se a polícia vier atrás de mim...
–Uma das coisas que combinei com você era de que a polícia não ia atrás de você. Eu te garanto isso. Prometo. Mas agora a J.O. tem que depositar o valor na minha conta de débito automático.
–Acredite em mim. Mas o cheque terá que será com fundo.
–Você acha que eu não sei.
–O depósito será feito amanhã. Obrigado por ligar.
...
John estava sentado no banco de uma praça a cinco quarteirões da casa de Sofia. A praça estava relativamente vazia. Pelo local só passavam pessoas saindo do trabalho ou indo para algum lugar. A cada pessoa que passava ela gostava de imaginar para onde elas estariam indo. Talvez fossem encontrar com o amor da vida deles. Talvez fossem apenas para casa e lá comeria algo, depois iriam dormir para que no dia seguinte fossem trabalhar novamente.
A praça tinha uma fonte no meio. Um anjo em cima de uma estrutura de 3 metros jorrava água de uma jarra que segurava na mão esquerda. Ao redor da fonte, havia vários bancos com cores diferentes. Ao redor de cada banco, um arco diferente passava por cima da cabeça de quem sentava neles. John escolheu o banco vermelho. O arco em cima do banco era todo cheio de flores vermelhas que significavam o amor. Era o que ele buscava naquela noite. Ele vestia um jeans azul, all star preto, camisa vermelha e uma jaqueta de College preta. Seu cabelo preto sedoso estava penteado pra esquerda, e ele admitia que tinha exagerado um pouco no perfume.
Depois de alguns minutos esperando. John achou que tivesse levado um tiro enquanto esperava Sofia e tinha ido parar no céu, porque de longe ele avistou a figura mais linda da cidade.
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