O Melhor Das Piores Intenções

10 Capítulo 9 - Festival de Estrelas


Notas iniciais
Olá olá, minna-san! Espero que gostem do capítulo de hoje. Eu particularmente me diverti escrevendo-o. Boa leitura! ♥

Três dias se passaram.

O tão esperado final de semana chegou para Shizuo. Aquela semana tinha sido extremamente turbulenta e ele precisava de um bom descanso. Finalmente, dois dias sem trabalho algum, os quais ele podia passar em casa assistindo televisão ou dormindo o dia inteiro ao lado de seu gatinho. Seus vizinhos do andar de cima, que tinham crianças barulhentas, tinham até viajado.

Parecia perfeito.

Tão perfeito que Shizuo já tinha até esquecido que já tinha algo marcado para esse sábado. Ele estava sentado em seu sofá preguiçosamente, só de bermuda e bebendo uma limonada com toneladas de açúcar, quando seu celular tocou.

O ex-barman estava com tanta preguiça, tanta que até cogitou não atender. Mas então ele pensou duas vezes, pensou que poderia ser Kasuka quem estivesse ligando e portanto acabou por levantar-se para atendê-lo.

Não era Kasuka, Shizuo logo percebeu.

Shi~zu~cha~n!

– Izaya-kun...!

Você não esqueceu sobre o que combinamos para hoje, certo?

– Eu? Ah? Eu... Não esqueci...

Algo na sua lentidão me diz exatamente o contrário.– O informante suspirou, do outro lado da linha.

– É um festival, não é? Tanabata. É hoje...

Exatamente. Quero que você esteja aqui no meu apartamento às sete.

– Eu não tenho uma yukata pra vestir. A última vez em que realmente participei de um Tanabata deve ter sido quando eu era criança.

Que de~pri~men~te! Mas tudo bem, Shizu-chan, eu já imaginei que você não teria uma então eu comprei uma pra você.

– VOCÊ O QUÊ?

Ora ora, Shizu-chan, tão novo e já ficando surdo? Eu disse que comprei uma yukata pra você.

– Isso eu entendi! Mas...

Shizuo logo começou a imaginar que tipo de yukata Izaya teria comprado para ele. Como o objetivo de vida da pulga parecia ser humilhá-lo em toda e qualquer situação possível, deveria ser algo ridículo e chamativo. Rosa, vermelho, laranja...?

– Se você tiver comprado alguma coisa ridícula, Izaya-kun, já deixo avisado que eu vou acabar com o nosso acordo.

Não se preocupe, Shizu-chan, eu já não disse que queria que fôssemos discretos? É óbvio que eu não comprei algo chamativo.

Ele não tinha pensado nisso mas... Ainda bem.

– Ok.

Certo. Então esteja aqui às sete. Não se atrase!

***

A campainha do apartamento de Izaya tocou.

– Já vou~ — disse o informante, para quem quer que estivesse do outro lado de sua porta. Após alguns segundos, foi atendê-la. — Shizu-chan! Fiquei surpreso ao ver que você resolveu não arrombar a porta dessa vez.

Izaya já estava vestindo sua yukata e Shizuo ficou boquiaberto ao vê-lo. Estava realmente... Atraente. A cor preta do tecido contrastava com sua pele extremamente branca e o estilo clássico da roupa simplesmente parecia combinar com ele.

Tão branco... Dá vontade de morder o pescoço dele... Morder, chupar... Deixar uma marca roxa...

– Alô, alô, terra para Shizu-chan... — Izaya provocou, tirando Shizuo de seus devaneios. — Você estava me ouvindo?

– Hm, não. O que você estava falando?

Izaya deu um longo suspiro e revirou os olhos como se lidasse com uma criança.

– Você precisa vestir a sua yukata. Para a gente poder sair.

– Ah, sim. Onde está?

O moreno foi até sua escrivaninha e abriu uma gaveta, retirando de lá uma sacola. Tirou de dentro da mesma uma yukata azul-marinha dobrada.

– Tomara que sirva — disse, entregando-a a Shizuo.

– O-Obrigado...

Izaya riu.

– Shizu-chan às vezes é tímido como uma garota.

– O QUE VOCÊ DISSE?! — O loiro deu um soco na parede. — Você fala isso agora, pulga, mas precisa ver o quanto você fica vermelho quando eu f-

– Sh-Shizu-chan!!! — Izaya desviou o olhar, tentando parecer irritado. — Cale a boca e vista isso logo, nee?

Shizuo foi até o banheiro de Izaya e tentou vestir a roupa típica japonesa. Era bem mais difícil do que parecia. Para ele, era só um monte de pano que tinha que ser dobrado, mas ele não sabia como arrumar aquilo até parecer realmente uma roupa. Notando que ele estava demorando, Izaya bateu na porta do banheiro.

– Shizu-chan! Precisa de ajuda?

– N-Não... — O loiro respondeu.

– Ah, precisa sim. Abra a porta.

O ex-barman fez o que lhe foi dito e saiu do banheiro, com apenas metade da yukata no corpo.

– Tch... Eu não sei como ajeitar isso...

– Tudo bem — Izaya suspirou. — Eu arrumo pra você.

O informante dobrou, enrolou e virou o tecido várias vezes como se fizesse uma dobradura. Em alguns momentos, seus dedos finos traçavam o peito de Shizuo acidentalmente, fazendo-o ter calafrios. Depois de algumas pequenas mudanças, a yukata de Shizuo ficou perfeita.

– Pronto.

Por mais que Izaya não fosse admitir, Shizuo estava muito bonito naquela yukata. Na verdade, Shizuo estava bonito sempre, ele era bonito naturalmente e o moreno, por ser tão orgulhoso, só não queria dizer-lhe tal coisa diretamente. Mas a visão de Shizuo numa yukata chegava a ser... Erótica.

– É melhor saírmos agora... — falou Izaya, segurando os suspiros e tentando não encarar muito, embora fosse difícil.

– Vamos.

O Festival Tanabata parecia ficar mais bonito a cada ano que se passava. Tinha cada vez mais luzes, mais efeitos especiais, mais cores... Era um espetáculo para os olhos. Mesmo quem não era muito interessado nas tradições japonesas tinha que admitir que era um evento de uma beleza singular.

A origem desse festival, cujo nome significa 'Festival das Estrelas', vem de uma antiga lenda japonesa. Diz a lenda que, há muito tempo, morava próxima à Via Láctea uma princesa chamada Orihime, que apaixonou-se por um jovem chamado Hikoboshi. A partir de então, a vida dos dois passou a girar em torno desse amor, de forma que acabaram por esquecer suas tarefas e obrigações. Indignado com a falta de responsabilidade do jovem casal, o pai de Orihime decidiu separar os dois, obrigando-os a morar em lados opostos da Via-Láctea.

Conta-se também que a separação trouxe muito sofrimento e tristeza para Orihime. Sentindo o pesar de sua filha, seu pai resolveu permitir que o jovem casal se encontrasse, porém somente uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar, desde que cumprissem sua ordem de atender todos os pedidos vindos da Terra nesta data.

Portanto, o Tanabata originalmente celebra o encontro anual desses dois personagens, que são vistos como estrelas. É por isso que, também, nesse dia, as pessoas tem o costume de pendurar papéis com desejos em árvores de bambu, na esperança de que seus pedidos sejam realizados.

De qualquer maneira, não era para isso que Shizuo e Izaya estavam indo ao festival.

– Hm... O que mesmo a gente veio fazer aqui? — Perguntou Shizuo, ao chegarem na praça principal onde o grande evento estava acontecendo.

– Observar, Shizu-chan, observar — respondeu Izaya, com um tom de voz cansado. — Há uma grande chance de a Segunda Saika atacar aqui hoje já que ela não faz questão de matar em lugares escondidos, muito pelo contrário.

– Mas e se ela não estiver aqui?

– Também temos que encontrar Matsubara Shouichi e ficar de olho nele. Shiki tinha certeza de que ele estaria aqui hoje para promover sua empresa de alguma maneira.

Shizuo suspirou.

– Shiki, Shiki — Ele murmurou, tentando imitar a voz de Izaya de uma maneira debochada.

– Qual é o seu problema? — O moreno perguntou.

– Nada.

A praça estava cheia e era um pouco difícil passar entre as muitas barraquinhas devido ao trânsito excessivo de pessoas.

– Quanta gente... — O loiro murmurou, segurando no ombro de Izaya para evitar que o mesmo fosse mais rápido e ele acabasse perdendo-o no meio de tantas pessoas.

– O que é isso Shizu-chan? Você é por acaso uma criança? Vai precisar andar de mãos dadas comigo para não se perder? — Izaya riu.

Continuaram caminhando até notarem duas garotas adolescentes em um canto rindo baixinho enquanto comiam algodão-doce.

– Ahhh-! Aqueles dois são tão bonitos! — Disse uma delas.

– A-ham! O loiro é tão lindo! E o da direita também é uma gracinha! — Completou a outra.

Izaya sorriu na direção das garotas, deixando-as ainda mais animadas. Em seguida, suspirou pesadamente, incomodado, e começou a andar um pouco mais rápido.

– O que foi? — Perguntou Shizuo.

– Nada — o outro respondeu exasperadamente.

– Por que você ficou de mau humor de repente?

Hah, Shizu-chan não percebe o quanto ele chama atenção. Que irritante.

– Já disse que não é nada — repetiu, logo tentando desviar o assunto. — Esse barulho agora foi o seu estômago roncando ou é impressão minha?

– Foi... O meu estômago... Tch...

– Que vergonha, Shizu-chan. Vai comprar alguma coisa pra comer que eu vou ficar aqui esperando. Não demore.

Será que não foi uma ideia meio estúpida deixar o Shizu-chan sair sozinho logo agora que já vi garotas elogiando ele? Com certeza devem ter mais dessas por aí.

­- Merda... Ao mesmo tempo eu não poderia deixar ele notar que eu... Ah... — O informante murmurou, sentando-se em um banco. — Aliás, por que eu tenho que me importar com isso?!

Não é como se eu quisesse o Shizu-chan só pra mim ou algo do tipo.

Com certeza não...

Definitivamente não...

Bom, mesmo que eu não queira e na verdade não esteja nem aí, o Shizu-chan é meu. Mesmo assim. Ele é meu. Não que eu me importe com ele, mas continua sendo meu.

A próxima garota que olhar pra ele vai se arrepender disso. A próxima pessoa, quero dizer, em geral.

– Shizu-chan está demorando...

Eu não deveria ter deixado ele ir. Merda. Mas eu precisava respirar um pouco. Será que ele está falando com uma garota agora...?

Não devia ter dado uma yukata tão bonita pra ele, também. Tinha que ter dado algo ridículo mesmo. Se bem que Shizu-chan fica bonito em qualquer coisa, nee.... E ainda mais sem nada...

Desgraçado, eu vou matar ele.

Enquanto esperava sentado, a figura do homem que tinha andado pesquisando passou por sua frente.

Matsubara Shouichi.

Izaya sabia como Shouichi era em termos de aparência porque tinha pesquisado sobre ele na internet, nos fórums e arrancado informações de outras pessoas. Matsubara Shouichi era um homem alto, nem gordo nem magro, na faixa dos quarenta anos e de cabelo com comprimento médio castanho. Passou por ali com alguns seguranças e possíveis companheiros da empresa.

– Ahh eu não acredito que Shizu-chan não voltou ainda... Mas que droga...

Falando no diabo, Izaya logo avistou Shizuo voltando em sua direção segurando um algodão doce, um espetinho de takoyaki, uma lula frita e um pretzel enorme.

– Shizu-chan! Eu falei pra você comprar uma coisa pra comer e não tudo... Isso...

O loiro deu de ombros, mordendo a lula.

– Todas as barracas de comida ficam perto umas das outras então achei melhor aproveitar.

De certa forma, Izaya estava agradecido por ele ter comprado tudo isso de comida — ao menos justificava sua demora. Se o ex-barman tivesse aparecido lá com uma coisa só, ele teria ficado muito desconfiado.

– Você perdeu — disse. — Shouichi tinha acabado de passar por aqui com outros caras.

– Depois a gente vai atrás dele, pulga. — Falou Shizuo. — Primeiro nós vamos prender nossos desejos no bambu.

– Nós o quê?! Shizu-chan, não viemos aqui pra isso-

– Mas nós já estamos aqui mesmo, sim? Não custa nada.

– Shizu-chan, não-

– É uma tradição.

– Desde quando você se importa com tradições? Você está pensando que isso é um encontro ou algo do tipo? — Izaya riu falsamente, tentando disfarçar a vergonha. — Ou tem algo que você deseje com tanta vontade ao ponto de achar necessário fazer essa simpatia estúpida?

– Cale a boca — Shizuo puxou o braço de Izaya, com força. — Vamos logo. O festival está só começando. Depois a gente acha aquele cara por aí.

– Por que você está fazendo isso, seu monstro est... — O moreno logo se lembrou que não mencionar a palavra 'monstro' fazia parte do acordo. — Esquece. Mas por quê?

– Você tem cara de ser o tipo de pessoa que nunca se diverte com ninguém — respondeu Shizuo. — Já que nós estamos nessa porcaria de festival mesmo, achei bom te dar uma chance.

Izaya bufou, em seguida ficando em silêncio e deixando Shizuo guiá-lo até o lugar onde as pessoas estavam pendurando seus papéis com desejos.

Nee, tem como você ao menos soltar do meu braço? — O informante resmungou.

– Tem — Shizuo respondeu, soltando o braço de Izaya para logo em seguida agarrar a sua mão.

– Não foi isso que eu quis dizer, seu protozoário!

Ah, aquela seria uma longa noite para esses dois.

Notas finais
Shizuo e Izaya, saindo juntos... Embora não seja um encontro ~de verdade~ e só uma parte do 'plano' deles (pelo menos na cabeça deles) a gente sabe que parece bem mais que isso, né? Quanto mais eles tentam fazer parecer que odeiam um ao outro mais óbvio fica que tem algo a mais entre eles... Amo esses dois ♥

Aliás, hoje é meu aniversário *joga confetti sobre a própria cabeça* nada melhor do que passar uma parte do dia de hoje com o meu casal favorito, ah. ♥ Por favor deixem comentários!

P.S.: Na semana que vem e na próxima eu vou estar cheia de provas e trabalhos da escola então posso demorar um pouco para postar o próximo capítulo. ; ___ ;