O Melhor Das Piores Intenções
11 Capítulo 10 - Cuidado com o que você deseja
Notas iniciais
Boa leitura! ♥
– Pronto, chegamos — disse Shizuo, parecendo muito satisfeito ao parar em frente aos enormes bambus cheios de pedaços de papel colorido.
Izaya estava surpreso quanto ao número de bambus e de papéis e, também, quanto ao número de pessoas que estavam ali, escrevendo nos pedaços de papel, animadas, rindo. Ele se perguntava o que cada uma delas estaria desejando. Dinheiro? Sorte no amor? Fama? Saúde?
Ah, como os seres humanos são interessantes...
Shizuo andou até a barraca onde estavam os papéis e canetas e trouxe um de cada para que os dois pudessem escrever. Entregou em seguida um papel e uma caneta para o informante.
– Pronto — disse. — Vê se escreve alguma coisa importante aí, pulga, que você queira de verdade porque seria uma idiotice gastar sua única chance de fazer um pedido com uma coisa estúpida.
– Ehh, Shizu-chan está tentando me dizer o que fazer, é? Eu não preciso da sorte, Shizu-chan, as coisas que eu quero dão certo porque eu mesmo uso a minha astúcia e as realizo com as minhas próprias mãos.
Shizuo deu de ombros e mordeu a ponta da caneta, pensando no que iria escrever. Algo que ele desejasse de verdade, que acreditasse que não poderia fazer sozinho...
Conhecer o verdadeiro Izaya.
O loiro escreveu tais palavras e logo em seguida se arrependeu, ficando de certa forma envergonhado. Mas era realmente o que ele queria. Conhecer todos os lados de Izaya. Descobrir suas fraquezas. Ver o homem por trás das máscaras. O informante, a pulga, a pessoa que ele tanto dizia odiar, quem era, afinal?
Shizuo detestava admitir isso a si mesmo, mas já percebia que não odiava o moreno tanto quanto antes. Era errado, ridículo, quase ingênuo da parte dele deixar de alimentar tanto ódio pelo outro. Não que agora ele gostasse de Izaya ou algo do tipo, a pulga continuava sendo desagradável e ainda era um filho da puta por tudo o que tinha feito, mas ódio era uma palavra que já não tinha mais a mesma validade de algumas semanas atrás.
E Shizuo sentia-se a pessoa mais idiota do mundo por pensar assim.
O ex-barman foi prender seu papel nos galhos de bambu e logo notou que Izaya já tinha terminado o seu e estava fazendo a mesma coisa.
– O que você pediu? — Shizuo perguntou.
– Pedi para o plano dar certo — Izaya deu de ombros. — E você?
– Eu... Bem... — Obviamente, ele não podia falar a verdade porque seria muito constrangedor, então acabou por mentir. — Pedi para ser capaz de controlar a minha força.
– Faz sentido — o moreno respondeu. — Agora, vamos aos assuntos sérios. Ou seja, encontrar Matsubara Shouichi. Acabei de receber uma mensagem de texto de Shiki, ele está por aqui também-
– Então esse 'Shiki' também fica mandando mensagens de texto pra você... — Shizuo resmungou baixinho, quase inaudível, cerrando os dentes.
– O que você disse?
– Nada...
– Enfim, Shiki ficou sabendo que Shouichi vai fazer um anúncio sobre um novo medicamento produzido por sua empresa. Aparentemente ele também está patrocinando o evento e algumas barraquinhas.
– Então é por isso que várias das barraquinhas tem propaganda de remédio para a dor de cabeça?
– Hehe, achei que Shizu-chan não fosse reparar. Mas é isso mesmo. Ele está patrocinando muita coisa aqui. Estranho, não é? Logo agora que a empresa dele está perdendo dinheiro, gastar mais dinheiro... Se bem que propaganda é uma coisa ótima. Talvez ele ache que vale a pena investir para atrair mais consumidores.
Shizuo deu de ombros pois não entendia quase nada de negócios e coisa do tipo.
– Tem uma multidão reunida perto daquela barraca maior. Acho que é lá que ele vai discursar. Vamos até lá ver o que ele tem a dizer.
Depois de alguns minutos, Shouichi apareceu com seus homens, entre eles seguranças e companheiros de empresa. O empresário próximo à falência — embora quase ninguém soubesse disso além de Shizuo e Izaya, que era um informante, afinal — subiu em um palanque e começou a fazer um discurso sobre o novo produto de sua empresa.
– Há muito tempo a Shouichi Pharmaceuticals tem tentado desenvolver um medicamento que fosse ao mesmo tempo eficiente e que não causasse qualquer efeito prejudicial para quem fosse fazer uso contínuo do mesmo. Queríamos algo mais natural e menos químico. Finalmente chegamos a um resultado...
Izaya ligou um dispositivo sob sua roupa e começou a gravar o discurso desde o começo. Também começou a tomar nota de algumas coisas no seu celular. Shizuo apenas o assistiu, espantado ao ver o quão concentrado o informante parecia estar.
O discurso falava apenas do lançamento do novo medicamento, dos compostos orgânicos de sua fórmula, dos princípios ativos e de sua utilidade... Parecia algo bem normal para alguém que era dono de uma empresa de laboratórios farmacêuticos. Não parecia ter nada de suspeito.
Porém, enquanto não entendia muito de química e negócios, Shizuo notou uma outra coisa. O empresário parecia muito confiante. Confiante até demais. Era estranho, ver alguém cuja empresa estava à beira da falência, demonstrar um sorriso tão confiante, como se fosse exatamente o contrário, como se estivesse em seu ápice. Como se tivesse certeza de que tudo aquilo daria certo. Como se nada pudesse falhar.
Era realmente muito estranho.
– Matsubara Shouichi parece ser um humano extremamente interessante, nee... — Izaya murmurou, com um sorriso cruel em seus lábios, sem tirar os olhos do empresário que continuava discursando.
– Ele parece confiante demais para alguém que acabou de perder a esposa e está falindo.
– Então Shizu-chan também notou? Estou orgulhoso de você... Brincadeirinha.
– Mas ainda não consigo fazer qualquer tipo de ligação entre ele e a Segunda Saika.
– Calma, Shizu-chan, calma, aos poucos as peças do quebra-cabeça hão de se juntar ao nosso favor.
– Espero...
Shizuo ficava impressionado ao ver como Izaya parecia se divertir com esse tipo de coisa. Ele parecia tão... Interessado, apaixonado... Era quase assustador, a maneira como seus olhos vermelhos pareciam brilhar enquanto ele tentava desvendar o mistério em sua mente.
Era quase assustador... E de certa forma bonitinho, também. Izaya Orihara realmente amava seu trabalho.
O discurso terminou e a multidão aplaudiu, em seguida começando a se desfazer, cada pessoa indo para um lado diferente, deixando o local.
– Você vai querer falar com ele pessoalmente? — Perguntou Shizuo.
– Ainda não. Ainda. — Izaya respondeu, guardando seu celular.
Conforme a multidão se dispersou, os dois também saíram dali e continuaram andando pelo festival, passando entre as mesmas barraquinhas, meio sem rumo.
– Então... Agora nós estamos livres? — Perguntou Shizuo.
– Livres? O que você quer dizer com isso?
– Nós acabamos de ouvir aquele cara falar. Você até gravou. Agora temos o resto da noite livre, certo?
– Quem disse isso, Shizu-chan? Pode ser que a Segunda Saika ainda ataque e-
– Eu sei — o loiro interrompeu. — Mas pode ser que não. Então vamos aproveitar o resto do festival.
– Aproveitar como?
– Os fogos de artifício já vão começar. Vamos assistir.
– Shizu-chan está extremamente tradicional hoje, nee? Foi só botar uma yukata que o espírito da festividade parece ter baixado em você.
– Eu só quero me divertir.
– Mesmo que seja comigo?
– ...É.
– Sh-Shizu-chan... — Izaya hesitou. — Estamos aqui à trabalho.
– Dane-se — disse Shizuo. — Vamos ver os fogos de artifício.
Os dois estavam prestes à seguir a multidão que ia em direção a um campo vazio para assistir os fogos de artifício quando Izaya lembrou-se de algo.
– Eu sei de um outro lugar em que nós podemos assistir sem ter que ficar no meio da multidão — disse. — Lá daria para ter uma vista muito melhor e sem empurra-empurra.
– Que lugar?
– Você vai ver quando chegarmos lá. Siga-me.
Shizuo bufou mas concordou em seguir o informante até esse outro lugar, que realmente estava vazio. Quando chegaram lá, os fogos já estavam estourando no céu.
– Esse realmente é um bom lugar — o loiro afirmou. — A vista é perfeita.
Izaya assentiu e notou como Shizuo realmente parecia estar feliz por ver os fogos de artifício. No rosto no qual o moreno estava tão acostumado a ver expressões de raiva e irritação, estava estampado um sorriso leve e satisfeito. Quase como o de uma criança.
Logo Shizuo percebeu que estava sendo observado por Izaya e retribuiu o olhar, fazendo o informante ficar envergonhado por ter ficado o encarando.
– Hm... Isso é realmente tão divertido assim? — Izaya perguntou, tentando disfarçar. — Para mim, assistir humanos é muito mais interessante do que assistir fogos de artifício.
– Ah é? — Shizuo sorriu maliciosamente, aproximando-se do moreno. — Então porque você quis sair de perto da multidão para vir para esse lugar sem humanos, Izaya-kun?
– Ah...
Pela primeira vez em muito tempo, Izaya parecia não ter argumentos. E estava ficando visivelmente envergonhado dessa vez, com certo rubor marcando-lhe a face.
– Os seres humanos que você tanto ama — continuou Shizuo — não há nenhum aqui além de mim, certo?
Nisso, o ex-barman levantou o queixo do informante com a mão e colou seus lábios nos dele. No começo, Izaya pareceu fazer um grande esforço para se soltar mas logo parou de se mexer e permitiu que a língua quente e molhada de Shizuo massageasse a sua, dominando-o por alguns segundos.
– Idiota... — O moreno murmurou, ofegante, quando se soltaram.
– Esse lugar realmente é bem escondido... — Disse Shizuo, dessa vez beijando o pescoço de Izaya e descendo a mão para as partes mais baixas da yukata dele.
– N-Não! Nós não vamos! Não aqui! De jeito nenhum! — O informante se debateu, tentando soltar-se de Shizuo, mas a força do outro era impossível de transpor.
– Pare de se mexer! — O loiro resmungou, segurando os pulsos de Izaya com mais força, mas logo se arrependendo ao lembrar-se de que poderia estar machucando-o. — Vamos pra casa então...
– Que casa? Shizu-chan, quantas vezes eu preciso te dizer que nós viemos aqui para investigar?
– O meu apartamento ou o seu... Nós já fizemos isso, já chega por hoje.
Izaya tentava ao máximo fingir que não queria nada, mas a verdade é que ele também não via a hora de sair dali e deixar Shizu-chan fazer tudo o que queria com ele.
– Ah Shizu-chan... Isso é péssimo...
– A visão de você vestindo uma yukata — Shizuo sussurrou, seu hálito quente no pescoço do outro, causando-lhe calafrios — é demais pra mim...
– Tá bom... Vamos embora...
Notas finais
Esse foi o capítulo que demorei mais para postar até agora (nove dias, acho?) porque a última semana foi muito, muito ocupada. Ainda tenho provas para fazer mas espero que a semana que vem seja melhor ; __ ; só estou tendo tempo para escrever de madrugada...
Até mais! ♥
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