O Melhor Das Piores Intenções
35 Capítulo 33 - Outro homem nas sombras
Notas iniciais
Izaya se jogou no sofá, com um suspiro pesado.
– Por que ele não atende o celular?
Aquela era a quinta vez que ele discava o número de Shizuo em meia hora. Apesar de terem tido uma briga feia e o clima entre eles ter ficado meio estranho, havia notícias que precisava dar. A mais importante era sobre a substância que Namie estava estudando, e que parecia ser a resposta por trás da Segunda Saika.
– Shizu-chan é tão infantil — Izaya resmungou. — Não atender o celular só por causa daquilo.
Certo, não foi 'só aquilo'.
Eu fui um idiota.
– Mas mesmo assim... — Ele murmurou para si mesmo. — Shizu-chan não sabe que temos algo muito mais complicado acontecendo? Nós não podemos ficar aqui discutindo a relação enquanto coisas acontecem na Shouichi Pharmaceuticals.
Eu tenho que vê-lo.
Tenho que falar com ele.
Mas ele não vai querer me ver.
'Só venha falar comigo de novo quando estiver pronto para admitir o que sente'
– E se eu dissesse pra ele que... Não, eu não posso falar aquilo.
Seu resfriado já tinha passado, graças ao medicamento que Shinra tinha lhe prescrito. Entretanto, Izaya continuava se sentindo doente. Não de uma maneira física mas, por dentro, ele sabia que não estava se sentindo bem.
Dois dias sem aquele animal e eu já estou ficando louco.
– Droga, Shizu-chan, por que eu não consigo ficar tranquilo quando você não está por perto?
Qual o sentido de dizer que não o amo e depois ficar sentindo a falta dele assim?
Eu já não consigo nem mentir para mim mesmo sobre isso.
Izaya se levantou do sofá e foi até a cozinha. Ele abriu a geladeira e procurou por algo com alto teor alcóolico, acabando por retirar uma garrafa de vodka. Ele não bebia com frequência, mas naquele momento estava desesperado por algo que fosse aliviar o sentimento desagradável.
O informante se sentou no sofá novamente, segurando a garrafa e tomando um gole direto do gargalo. Em seguida, pegou o controle remoto e ligou a televisão no canal de notícias que sempre assistia.
Isso é tão patético.
Ele tentou afastar os pensamentos, virando mais uma vez a garrafa em sua boca. Talvez quando tivesse bebido o bastante fosse parar de pensar sobre tudo o que estava acontecendo. Foi com essa ideia que ele continuou bebendo, enquanto uma voz monótona na televisão falava sobre o estado da economia no Japão.
Vários goles depois, ele largou a garrafa na mesa de centro, ainda com bastante conteúdo. Sentia-se mais relaxado, mas ainda não o bastante para tirar Shizuo de sua cabeça. Será que aquilo sequer seria possível?
– Não tem remédio para isso mesmo, não é... Um resfriado é muito fácil, mas isso...
Ele respirou fundo e se levantou, ainda decidindo o que iria fazer.
– Eu vou atrás do Shizu-chan. Eu vou falar a verdade para ele, talvez. Eu preciso falar com ele...
Era quase onze horas, então ele presumiu que o loiro estivesse em seu apartamento. Izaya trocou de roupa e chamou um táxi para ir até Ikebukuro, já que não se considerava em boas condições para dirigir.
Quando chegou lá, ele tocou a campainha repetidas vezes, mas ninguém atendeu. Também não houve qualquer som de movimento dentro do apartamento. Izaya imaginou que Shizuo já sabia que era ele, por causa do horário. Então, o moreno tirou a cópia da chave de seu bolso — sim, ele tinha uma — e abriu a porta sozinho.
– Shizu-chan? — Ele perguntou, entrando no apartamento e fechando a porta atrás de si.
Izaya acendeu a luz da sala, já que todas as outras estavam apagadas e era impossível enxergar naquela escuridão. Um pequeno gatinho malhado foi recebê-lo, passando e esfregando-se nas suas pernas.
– Ei, acho que eu me lembro de ter visto você quando estava aqui da última vez. Mas Shizu-chan não me disse o seu nome, não é? — Ele perguntou, abaixando-se para acariciar a cabeça do felino.
Izaya nem suspeitava que o gato tivesse o mesmo apelido que ele.
– Será possível que Shizu-chan já está dormindo...?
O informante foi até o quarto de Shizuo, acendendo todas as luzes no caminho. Ele ficou surpreso quando viu que o ambiente estava totalmente vazio.
– Ele saiu... Onde estaria? Possivelmente em um bar, como naquela outra vez?
Eu tenho um sentimento ruim sobre isso.
Izaya soltou um suspiro pesado e se deitou na cama de Shizuo, abraçando um travesseiro e afundando o rosto nele, aspirando o cheiro de cigarro reminiscente. Aquilo lhe trazia uma sensação tão confortável que tinha se tornado quase um vício.
– Mas que droga — o moreno murmurou, olhando para o teto acima de si. — Será que eu espero ele voltar, ou volto aqui amanhã?
Ele sentiu seu peito ficar cada vez mais apertado.
– Não quero imaginar que ele está com outra pessoa mas... A culpa é minha. Fui eu quem estragou tudo. Merda...
Uma sensação desagradável se formou na sua garganta e ele se levantou, arrumando os lençóis que tinha bagunçado. Estava quase deixando o apartamento quando seu celular começou a tocar.
Izaya sentiu uma enorme esperança crescer dentro de si quando viu que o número na tela era o de Shizuo.
– Alô, Shizu-chan?
Toda aquela esperança morreu quando a voz que lhe respondeu do outro lado da linha, apesar de masculina, foi bem diferente da do loiro.
– Izaya Orihara?
– Quem é você? — Ele perguntou, cuidadoso. — E por que você está com o celular do Shizu-chan?
– Ah, você já vai entender.
– Quem é você? — Izaya repetiu, tentando ao máximo controlar a si mesmo para que não demonstrasse a irritação e preocupação que estava sentindo
– Meu nome é Shouichi. Nós não nos conhecemos pessoalmente, Izaya-san, mas eu tenho certeza de que você sabe bastante sobre mim.
– Matsubara Shouichi — o moreno pronunciou, devagar.
– Exatamente.
Izaya sentiu o nó em sua garganta ficar mais forte. Ele já tinha lidado com mais pessoas perigosas do que poderia contar em sua vida, mas nunca tinha envolvido alguém com quem se importasse. Era a primeira vez que sentia aquele tipo de medo, como se estivesse prestes a perder a pessoa com quem mais se importava no mundo.
Aquilo tinha sido inesperado demais. Apesar do choque, Izaya tinha que manter a compostura e continuar 'calmo', para que não piorasse as coisas. Entretanto, quando ele imaginou a possibilidade de Shizuo não estar mais vivo, algo dentro de si doeu com força e suas mãos começaram a tremer.
– Onde está o Shizu-chan?
– Shizuo? Shizuo está morto. Tudo o que tenho aqui é um grande monstro. Muito mais forte do que a minha esposa.
Os batimentos cardíacos do informante pareceram congelar quando ouviu 'Shizuo está morto', mas a segunda frase fez com que acreditasse no contrário.
Então a Segunda Saika é realmente a esposa dele.
Um grande monstro. Mais forte do que ela...
Ele injetou a droga em Shizuo.
Shizuo virou um monstro como a Segunda Saika.
Izaya precisou se sentar no sofá.
– Izaya-san, ainda está na linha?
– Estou.
– Eu achei que você fosse me perguntar 'o que você fez com ele?', mas agora suponho que você já tenha uma noção disso, hm?
– Você vai se arrepender de tê-lo chamado de monstro.
– Ah, não seja tão rude, Izaya-san. Na verdade, eu liguei para lhe fazer um convite, sabe como é, apresentar a você a minha nova criatura. Você parecia tão interessado na Segunda Saika, procurando informações sobre ela, sobre mim, o tempo todo. Não é uma gentileza da minha parte convidá-lo para conhecer o novo monstro de Tóquio?
– Me sinto honrado — disse Izaya, ironicamente. Aquela conversa estava lhe dando vontade de vomitar.
– É bom saber que está interessado. Nesse caso, me encontre depois de amanhã, no galpão que fica ao lado da madeireira principal de Ikebukuro.
– Eu sei onde é.
– Ótimo. Não chamarei mais ninguém, nem levarei meus homens. Será só você, eu, minha esposa e o monstro. À meia-noite, certo?
– Só vou lhe dizer mais uma coisa, seu velho desgraçado — disse Izaya, sem alterar o tom de voz, ainda tentando soar calmo e sério. — Você vai se arrepender de ter encostado um dedo no Shizuo.
– Isso é o que vamos ver.
Shouichi desligou o telefone de seu lado e Izaya foi deixado apenas com o 'tu tu tu' da linha vazia. Ele finalizou a ligação e derrubou o celular no sofá da sala de Shizuo, em seguida suspirando pesadamente e fechando os olhos.
Não não não não não...
Não pode ser...
Isso é um pesadelo.
Izaya mordeu o lábio, esforçando-se para não ter nenhuma reação exagerada. Porém, seu esforço foi provado inútil quando lágrimas começaram a descer dos cantos de seus olhos. O pânico ficou óbvio na maneira com que suas mãos tremiam quando tentou secar o próprio rosto.
– E se ele não voltar ao normal... O que eu vou fazer...
Havia uma chance: o 'antídoto' que Namie tinha ficado de preparar. Entretanto, como apostar todas as suas cartas em algo que não era totalmente seguro? Ele nunca tinha estado em uma situação como aquela. Além disso, teria que se encontrar com Shouichi depois do dia seguinte e não fazia ideia de quanto tempo levaria para reproduzir a substância.
Ele imaginou como Shizuo estaria sob o efeito daquela droga pesada. Será que seus olhos dourados e quentes estariam vidrados e vazios como os da Segunda Saika? Será que já teria matado pessoas? Será que acabaria por atacá-lo também?
Sem contar a dor que poderia estar sentindo, a ansiedade, o sofrimento de ter seu sistema neurológico totalmente dominado e alterado para transformá-lo em um monstro que nunca tinha desejado ser.
As ideias somadas à quantidade de álcool ingerida fizeram o estômago de Izaya se revirar. Ele correu até o banheiro e vomitou, mais de uma vez, desejando que fosse capaz de expelir seu nervosismo junto com o álcool.
Shizuo preferiria morrer a matar alguém.
Se ele cometer um assassinato, vai sofrer para o resto da vida.
– Eu preciso salvá-lo. Só eu posso fazer isso.
Izaya chorou alto. Soluçou e puxou os próprios cabelos como nunca tinha feito antes. Era a primeira vez em que se importava tanto com alguém — e talvez estivesse perdendo essa pessoa.
Antes de Shizuo, era fácil não se importar com nada; nada poderia ser usado contra ele, não havia quem fazer 'refém', não havia ameaças. O mundo de Izaya era frio, vazio e seguro. Mas agora era diferente. Ele não conseguia pensar só em si mesmo.
Ele provavelmente foi chamado para ir lá e pensou que não teria problemas por ser forte.
Não consigo imaginá-lo sendo capturado ou algo do tipo. Ele foi lá pela própria vontade.
Shizu-chan idiota.
Talvez, se eu não tivesse dito aquelas coisas horríveis, a gente teria evitado tudo isso.
Deitado no piso frio do banheiro de Shizuo, Izaya sentiu a força de seu corpo deixá-lo, pouco a pouco. Bêbado, ainda em choque e sem comer há horas, não era algo inesperado. Seus olhos inchados de chorar, como não chorava há muito tempo, se fecharam devagar, entrando em uma escuridão que era um misto de desmaio e sono profundo.
Dormir, dormir como se tudo o que tivesse acabado de acontecer tivesse sido só um sonho ruim... Mas um pesadelo de verdade era o que estava prestes a ter.
O mesmo sonho que tinha tido semanas atrás, enquanto dormia ao lado de Shizuo, repetiu-se em sua mente perturbada. Dessa vez, porém, estava mais rápido, como se tivesse sido acelerado em uma série de imagens. Como um flashback.
Sangue, quarto sujo, luz fraca, cheiro ruim, sangue, paredes, ferrugem, sufocado, sangue, celular, canivete, mensagem no papel ensanguentado.
犠 牲 が 必 要 で あ る
S a c r i f í c i o s s ã o n e c e s s á r i o s.
Sangue, dor, medo, vontade de correr, sangue, olhos fechados, olhos abertos, parede, Shizuo, sangue, entranhas, Shizuo, katana, olho esquerdo, Shizuo. Sangue respingando. O som das gotas de sangue juntando-se à poça no chão.
Izaya abriu os olhos de imediato, sentindo-os arder conforme a luz branca do banheiro os atingiu com toda a força. O gatinho malhado estava lambendo seu rosto com sua pequena língua áspera.
Mais lágrimas desceram dos olhos de Izaya, algumas poucas pela dor da luz mas a maioria pela dor de Shizuo. O moreno ficou no chão por alguns instantes, tremendo e suando, ainda tentando se localizar no que estava acontecendo.
Fato número um: estava no apartamento de Shizuo. Fato número dois: Shizuo tinha se tornado um verdadeiro monstro sob o efeito da droga de Matsubara Shouichi. Fato número três: ele tinha tido aquele pesadelo pela segunda vez. Deveria ser mais um efeito da preocupação que estava sentindo. Ou realmente queria lhe dizer alguma coisa.
O informante finalmente se levantou, as costas doendo por causa do contato duro e frio com o piso. Ele fechou a torneira que estava a respingar. A julgar pela escuridão que emanava da janela do banheiro, ainda não tinha amanhecido.
Izaya foi até a sala de estar e pegou o celular que tinha deixado no sofá. Era quatro horas da manhã, indicando que havia ficado apagado por algumas horas. Ele colocou o objeto no bolso, em seguida procurando o canivete no bolso oposto. Por fim, deixou o apartamento, trancando a porta antes de si.
Ele não chamou um táxi dessa vez, pretendendo ir a pé, para que pudesse pensar enquanto andava. Era um longo caminho até Shinjuku e Izaya percebeu rapidamente que aquela ideia tinha sido estúpida, pois seu corpo estava fraco e o ar da cidade estava frio. Ele fechou a jaqueta com pelúcia nas mangas e colocou o capuz sobre a cabeça, ainda sentindo a brisa fria tocar seu rosto como se dedilhasse um instrumento.
Que ideia estúpida, de fato, pois aquele era o momento em que não poderia estar doente ou falhar de maneira alguma. Entretanto, Izaya não tinha mais espaço em sua mente para pensar em si mesmo. Tudo o que conseguia imaginar era como Shizuo estava, o que faria, quais eram os planos de Shouichi ao chamá-lo para um 'encontro' no galpão. Como Shizuo iria reagir quando o visse. Seria capaz de reconhecê-lo?
Os efeitos da droga de Shouichi ainda não eram totalmente conhecidos e Izaya tinha um número limitado de informações com as quais poderia trabalhar. Mesmo assim, estava determinado a dar o seu melhor. Não havia outra opção; salvaria Shizuo ou salvaria Shizuo. Chegou a um ponto no qual nem se importava mais com o fato de que veria a Segunda Saika. Já não era mais sua prioridade.
Sair daquele galpão com Shizuo em seu estado normal: esta era a sua prioridade.
E, quando estivesse seguro, fazer Matsubara Shouichi pagar pelo que tinha feito.
Izaya chegou cambaleando em seu apartamento em Shinjuku, fraco e tonto. Teve dificuldade para girar as chaves na fechadura e despencou no próprio sofá quando entrou. Em seguida, fez um esforço para preparar algo rápido na cozinha e engoliu os pedaços rapidamente, mesmo sem nenhum apetite.
Depois disso, sentou-se em frente ao computador e não saiu de lá pelas próximas horas.
* * *
Namie chegou às sete horas da manhã, como de costume. Ela ficou surpresa ao encontrar o informante já trabalhando, olhos vermelhos concentrados na tela do computador. Mal sabia que ele nem tinha dormido.
– O seu rosto está pálido — notou, deixando suas pastas sobre a escrivaninha.
– A maioria das pessoas diz 'bom dia'. — Izaya não fazia ideia de como tinha conseguido bolar aquela resposta no estado em que estava.
– Você não parece estar tendo um bom dia. Sua cara está horrível.
O moreno suspirou.
– Namie, eu preciso saber como está aquela substância que eu falei para você preparar. A que deveria reverter os efeitos do medicamento que eu trouxe.
– Eu ainda estou desenvolvendo aquilo. Não está completa ainda, falta adicionar alguns componentes e testar em cobaias, eu acho. Sem contar que eu não faço ideia se vai funcionar ou não.
Aquela frase doeu em Izaya como se fosse a realidade dando-lhe um tapa na cara.
– Eu até dobraria o seu salário se você fosse trabalhar mais rápido naquilo.
– Você realmente está estranho hoje — disse a secretária, arqueando as sombrancelhas bem modeladas. — Por que está me apressando?
– Shizuo.
– O quê?
– Shizuo foi contaminado com aquela substância. Ele é a mesma coisa que a Segunda Saika agora, eu suponho.
Namie não costumava demonstrar emoções, mas o choque ficou estampado em seu rosto quando Izaya lhe respondeu.
– Como conseguiram pegá-lo?
– Não tenho certeza ainda. Acredito que ele tenha sido chamado para ir lá e, no fim das contas, foi uma armadilha ou algo do tipo.
A secretária assentiu e se sentou atrás da própria escrivaninha. O escritório ficou em silêncio por alguns instantes, até que ela se pronunciou novamente.
– Você parece tão sério e comportado, você não está ansioso?
Izaya abriu um sorriso amargo.
– Você não imagina o inferno pelo qual eu passei essa última noite.
A honestidade de Izaya em sua resposta deixou Namie mais surpresa do que já estava. Ela se levantou imediatamente e passou a guardar as pastas de volta em sua bolsa.
– Aonde você vai? — Ele perguntou.
– Eu tive uma ideia. Shinra Kishitani é seu amigo, não é? Você poderia convencê-lo a me ajudar com o que eu estou fazendo.
– É uma boa ideia — disse o moreno, finalmente desgrudando os olhos da tela do computador. — Shinra também é amigo de Shizu-chan. Ele provavelmente vai querer ajudá-lo.
– Com os conhecimentos de medicina dele somados aos meus conhecimentos de farmácia, talvez a gente consiga fazer isso dar certo. Não é uma promessa, mas eu posso tentar.
Izaya sorriu sinceramente pela primeira vez desde que tinha brigado com Shizuo.
– Vou ligar para ele.
– E eu vou voltar ao meu laboratório. Passe a ele o meu número do celular e o endereço, e peça para me encontrar lá.
– Pode deixar. Ah, Namie, espera.
Ela parece estranhamente determinada em relação ao que estamos fazendo.
– O que foi?
– Quanto?
– 'Quanto' o quê?
– Quanto eu devo te pagar, é claro.
– Só adiante um cheque com o meu pagamento do fim do mês — Namie respondeu. — Eu sei que isso não é nem um pouco a minha cara — ela suspirou -, mas eu não estou tão interessada no dinheiro. Eu também quero que funcione.
Foi a vez de Izaya ficar surpreso.
– Eu sei muito bem o que vai acontecer se não der certo — continuou -, e eu não quero ter que ver a sua cara assim amanhã, e depois de amanhã, e para o resto dos dias. Eu iria acabar me demitindo. E é melhor que isso tudo termine o mais rápido possível, senão o trabalho vai acumular.
– Mas-
– Ah, e não se atreva a me agradecer. Não que eu ache que você vai fazer isso, mas você está tão estranho que tenho as minhas dúvidas. Agora eu preciso ir. Vejo você mais tarde.
– Até mais tarde, então...
A secretária saiu rapidamente e bateu a porta atrás de si.
Namie-san é meio estranha às vezes, não é?, o informante pensou.
Ele sentiu um pouco de alívio. Não era certo, pois ainda havia muito a se fazer e nenhuma certeza de que terminaria tudo bem, mas era de certa forma... reconfortante.
Izaya respirou fundo e discou o número de Shinra.
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