O Melhor Das Piores Intenções
36 Capítulo 34 - O desafio final, ou: O mais puro dos sentimentos
Notas iniciais
Era um dia nublado em Shinjuku. O céu estava coberto por grossas nuvens cinza, mas não tinha chovido nenhuma vez ainda. Apesar disso, o cheiro de chuva estava no ar, um cheiro pesado e um pouco desagradável. Parecia ser o dia perfeito para uma tempestade.
Izaya estava em seu apartamento. Junto do médico ilegal Shinra e de sua secretária e farmacêutica Namie, o informante decidia as providências a serem tomadas em relação à Segunda Saika e Shizuo, que tinha se tornado um monstro semelhante.
– Aqui está a substância que você queria. — Disse Shinra, entregando uma sacola com um pequeno pote de vidro, preenchido com um líquido incolor.
– Essa substância deve anular a principal substância contida na droga da Segunda Saika — disse Namie -, interrompendo os efeitos da mesma. Isso deve acontecer rapidamente, se você injetá-la na jugular — ela passou um dedo pelo pescoço, indicando o lugar apropriadamente.
– Vocês fizeram testes? — Izaya perguntou, examinando o vidro com seus olhos cansados porém perspicazes.
A secretária olhou para Shinra por um instante e hesitou antes de responder.
– Testamos em animais que tínhamos contaminado com a droga. Você sabe que não poderíamos fazer isso em um humanos, não sabe?
– Eu sei — o informante respondeu. — Se bem que eu estaria disposto a fazer qualquer coisa se pudesse ter uma garantia de que vai dar certo.
– Isso foi o máximo que pudemos fazer — disse Shinra. — Você deveria confiar mais nas nossas especialidades, hn?
Izaya abriu um sorriso cansado e desesperançoso.
– Eu confio — disse ele. — É só que...
– Tem mais um problema — Namie o interrompeu. — Os efeitos colaterais nos animais foram um pouco... pesados... como convulsões e perda da consciência frequentemente.
– Você tem que entender que isso tudo causa uma confusão geral no sistema nervoso — Shinra continuou. — Talvez demore um pouco mais até Shizuo-kun estar cem por cento.
– Tudo bem. Contanto que ele volte ao normal, eu vou esperar o tempo necessário.
Houve um minuto de silêncio até que Namie se pronunciou novamente.
– Você tem um plano para hoje à noite?
– Não — Izaya respondeu. — Dessa vez não existem planos, estratégias ou cartas na manga. Só estou indo buscar Shizu-chan. E só volto com ele.
* * *
Enquanto isso, na Shouichi Pharmaceuticals, o homem que dava nome à empresa conversava com um de seus funcionários mais leais.
– Shouichi-san, e se o informante tiver algo que bloqueie o efeito da D4213? — Perguntou o homem alto e magro vestindo um jaleco do laboratório. — A secretária dele é farmacêutica.
– E você acha que eu não sei? — Shouichi respondeu, tomando um gole de uísque de seu copo. — Minha concorrente, Namie Yagiri.
– Então...?
– Izaya Orihara não vai nem ter tempo de encostar em Shizuo. Quando se der conta, seu corpo estará dilacerado em meio à palha do galpão.
* * *
Estava chovendo forte quando Izaya deixou seu apartamento, à noite. Relâmpagos ricocheteavam nos céus junto do som alto dos trovões. O moreno vestiu um casaco mais pesado, colocou uma seringa em um bolso e o canivete em outro.
Ir de carro até o local combinado não parecia nem um pouco seguro. Portanto, Izaya pegou o metrô até uma parte de Ikebukuro e andou o resto do caminho a pé. Ele cobriu o rosto com o capuz do casaco enquanto gotas finas de chuva salpicavam seu corpo, andando pelas calçadas frias de cimento.
Seus pensamentos eram uma mistura de medo, preocupação e culpa, contracenando com uma determinação imperativa sobre salvar Shizuo do que tinha se tornado. Era o único que poderia fazer isso. Precisava fazer isso.
Suas roupas já estavam um tanto molhadas quando chegou ao galpão onde o encontro tinha sido combinado. Certo tremor derivado da ansiedade percorreu seu corpo, mas ele logo respirou fundo e concentrou-se em seu principal objetivo.
Tenho que salvar Shizuo.
Izaya bateu algumas vezes na madeira da grande porta fechada, até que ela foi aberta por alguém que estava dentro. Seus olhos rapidamente encontraram os de seu verdadeiro inimigo, Matsubara Shouichi, que vestia um terno marrom e parecia estar alguns quilos mais gordo do que da última vez que o informante o tinha visto.
– Bem-vindo, Izaya-san — disse Shouichi, usando um tom de voz falsamente gentil. — É um prazer falar com você pessoalmente.
– Será que você poderia fazer o favor de sair da frente e me deixar entrar? — Izaya perguntou, irônico, ignorando as formalidades.
O homem mais velho sorriu, o mesmo sorriso de gato de Cheshire que Izaya tinha às vezes, porém pior, mais assustador, mais medonho, obviamente mal intencionado. Ele se moveu e permitiu que Izaya entrasse no galpão, que estava pouco iluminado com a luz de uma lâmpada amarela.
– Onde está Shizu-chan? — O informante perguntou, cuidadosamente.
A iluminação ruim tornava difícil enxergar o que estava no fundo do galpão, mas logo que Shouichi apontou uma lanterna naquela direção, Izaya conseguiu identificar duas formas humanas — ou talvez nem tão humanas — em um canto.
– Shizu-chan?
A voz de Izaya saiu trêmula quando identificou uma das duas figuras. Seu peito doeu, como se tivesse acabado de levar um soco e um nó se formou na sua garganta.
Shizuo estava acorrentado e amordaçado. As correntes que envolviam seu corpo estavam presas em diversos pilares de concreto, um deles já estava até quebrado, provavelmente devido à força que o loiro exercia. Seus braços estavam cheios de arranhões e cortes, alguns ainda frescos, sangrando.
O cheiro pungente de sangue revirou o estômago do informante. Ele levou uma mão à boca para impedir que vomitasse, tentando ao máximo manter o controle, mas sentindo como se morresse aos poucos por dentro. Pior do que o estado do loiro, eram seus olhos; tinham uma expressão vidrada, vazia, que ao mesmo tempo que pareciam encará-lo, não estavam realmente encarando a ninguém. Como se ele não estivesse ali de verdade. Talvez não estivesse.
Seus braços fortes tremiam, contraindo-se involuntariamente em alguns momentos. De sua boca coberta por uma mordaça, saía um som gutural, como um rosnado. Aquela visão lembrou Izaya de seu pior pesadelo — era como se estivesse se tornando realidade, em uma versão alternativa ou algo do tipo.
Completamente focado em Shizuo, demorou um pouco para que o moreno notasse o outro corpo acorrentado no canto oposto do galpão. Era uma mulher, definitivamente a Segunda Saika que tinha visto antes, com seus cabelos pretos e compridos. Seus olhos tinham exatamente a mesma expressão dos de Shizuo e havia uma katana aos seus pés.
– Não é maravilhoso? — Disse Shouichi, interrompendo Izaya em seus pensamentos. — Nunca houve um medicamento que conseguisse exercer tanto controle sobre o sistema nervoso de um ser humano. É quase como se tivesse acontecido uma mutação, mas os genes continuam os mesmos.
A mão de Izaya coçou o canivete em seu bolso, mas ele logo assumiu o controle de suas emoções e resolveu escutar o farmacêutico. Por mais desagradável que fosse, ele tinha consciência de que qualquer ação que tomasse por impulso poderia significar total fracasso no final.
– Este, Izaya-san, é o potencial completo de um ser humano. Nós somos capazes de muito mais do que pensamos ser. Isso já foi demonstrado antes, como por exemplo quando uma mulher conseguiu levantar um carro para salvar o próprio filho. Os seres humanos podem ser extraordinariamente fortes, se você apertar os botões certos.
– Por que tinha que ser o Shizuo? — Izaya perguntou, encarando o homem mais velho diretamente. — Por que ele?
Shouichi sorriu, como se estivesse esperando por aquela pergunta.
– Ele sempre foi capaz de exercer a força extraordinária que os outros seres humanos comuns não conseguem usar. Naturalmente, ele é muito mais interessante do que qualquer outro.
Izaya não queria admitir, mas entendia aquilo, de certa forma. Shizuo sempre tinha sido o mais interessante para ele, também. Mas aquelas palavras saindo da boca de Shouichi lhe davam nojo.
– Eu transformei minha esposa em um monstro acidentalmente, quando estava tentando matá-la. No momento em que percebi o que tinha feito, a primeira coisa que surgiu na minha mente foi 'quero fazer de novo'; eu só precisava da cobaia perfeita. Então, depois de um tempo, fiquei sabendo que você e Shizuo estavam atrás de mim.
De minuto em minuto, Izaya lançava um olhar para Shizuo, que continuava rosnando e puxando as correntes em alguns momentos.
– Foi perfeito — Shouichi continuou. — Eu nem precisei ir atrás de vocês, porque vocês vieram atrás de mim. Eu sabia sobre a força sobre humana de Shizuo, mas nunca tinha pensado em usá-lo antes. Foi aí que eu vi a oportunidade de criar um monstro perfeito, muito mais forte do que a minha esposa e qualquer outro. Eu diria até que é algo do destino; o destino tem sido generoso para mim ultimamente.
– O que você quer dizer com isso? — O informante perguntou, com desdém.
– Quando eu achei que minha vida estava arruinada, com a empresa falindo e minha mulher ameaçando me abandonar, tive vontade de cometer suicídio. O experimento que resultou na droga D4213 foi a gota d'água. Pensei que estava tudo acabado. Pronto para desistir, planejei me matar depois de torturar a minha mulher. Então eu descobri que aquela droga era na verdade a minha salvação, a sorte mostrando que estava do meu lado.
– Você é uma pessoa muito doente.
– Você diz isso, mas achei que fosse me entender, com todos os complexos que me disseram que você tem. Sendo capaz de exercer tanto poder sobre as pessoas, eu me sinto quase como um deus. Não é isso que você procura no seu dia-a-dia?
– Não ouse me comparar a você — disse Izaya, completamente sério, com uma expressão de total nojo em seu rosto.
Shouichi deu uma risada rouca e tirou uma chave do bolso.
– Chega de conversa fiada, então. Você quer 'conversar' com o Shizuo, não quer? Pois bem, eu vou deixar vocês se divertirem um pouco.
O sorriso que se formou no rosto do farmacêutico fez com que Izaya tivesse uma sensação completamente negativa sobre o que iria acontecer.
– Eu os treinei recentemente — disse Shouichi, andando em direção aos dois prisioneiros. — Para que respeitassem os meus comandos e não me atacassem.
Ele enfiou a chave em um cadeado das correntes de Shizuo e foi soltando-as aos poucos.
– Vocês vão jogar um jogo muito divertido — continuou. — Ou você mata ele, ou ele mata você. Acho que a segunda opção é a mais provável, não é mesmo?
Nisso, Shizuo foi liberado de suas correntes e correu na direção de Izaya, com uma velocidade impressionante e assustadora. O moreno desviou com um salto bem a tempo de evitar um soco, que acabou atingindo uma das paredes do galpão. Ele podia jurar que tinha sentido o pulso de Shizuo tocar seu rosto, como uma bala que passou de raspão, tamanha a velocidade.
Izaya retirou seu canivete do bolso, preparando-se para a luta. Aquela situação era de certa forma semelhante aos conflitos que tinham na cidade, mas agora Shizuo tinha total intenção de matá-lo e estava pelo menos três vezes mais forte e rápido. Ele, pelo contrário, queria apenas uma oportunidade de salvar o loiro com a substância que tinha trazido.
A força e rapidez de Shizuo eram praticamente esmagadoras; Izaya tentava desviar dos ataques da melhor maneira possível, mas era muito difícil e ele sabia que em algum momento seria acertado. E ser atingido por um soco daquela magnitude significaria morte na certa.
Assistindo de longe, Shouichi percebeu que tinha subestimado Izaya. E muito. Ele acreditou que o informante fosse ser abatido no primeiro ataque, mas já tinha escapado várias vezes.
Shizuo tinha uma fúria impressionante; parecia cego de raiva, dava vários golpes rápidos em poucos segundos. As veias de seus braços estavam saltadas, de tão contraídos que estavam. Seus olhos, ainda paralisados, pareciam mais escuros, transitando de um dourado para caramelo quente; eram ferozes, como os de uma besta.
Naquele momento, ele era realmente um monstro, tudo o que nunca quis ser. E cabia a Izaya trazê-lo de volta, mostrar a ele mais uma vez quem realmente era. Mas estava ficando cada vez mais difícil, conforme o corpo do moreno perdia energia e ficava mais cansado a cada minuto.
Shouichi começou a achar que as coisas estavam 'devagar' demais para o seu gosto e resolveu soltar sua esposa, também. Quando se viu livre das correntes, a mulher rapidamente levantou a espada do chão, com um rosnado. O farmacêutico só não esperava que ela fosse atacá-lo ao invés de ir na direção de Izaya.
– O que você está fazendo? — Gritou ele, quando viu que a katana estava apontada para si. — Eu treinei você-
Ignorando as palavras de seu 'mestre', a Segunda Saika tentou atacá-lo, em um flash. Era a criatura revoltando-se contra o criador. Entretanto, Shouichi tinha habilidades semelhantes às de Izaya e conseguiu escapar da lâmina, agarrando rapidamente a primeira estaca de madeira que encontrou no chão.
Agora aconteciam duas lutas simultâneas, Izaya contra Shizuo e Shouichi contra sua esposa. Do lado de Izaya, as coisas já estavam ficando desequilibradas. Ele estava chegando próximo ao seu limite, ofegante, enquanto o loiro parecia ficar mais forte a cada segundo.
O corpo humano e frágil de Izaya cedeu por um instante, do qual Shizuo se aproveitou para finalmente dominá-lo. Ele segurou o pescoço de Izaya e o encostou contra a parede, como um animal que acaba de capturar sua presa. Para a surpresa do moreno, seus dedos estavam apenas segurando-o, mas sem tanta pressão, caso contrário sua traqueia já teria sido esmagada.
Os olhos cor-de-caramelo antes vidrados agora pareciam estar encarando os olhos vermelhos de verdade, como se estivesse esperando por algo.
– Shizu... Pare, por favor... — Izaya implorou, sentindo falta de ar. — Você realmente vai... me matar...
Shizuo rosnou e seus dedos em volta do pescoço de Izaya passaram a exercer mais pressão. O informante tentou agarrar a mão dele, mesmo sabendo que seria inútil. Estava quase se debatendo, tentando desesperadamente salvar a própria vida, para que pudesse salvar a do outro.
Com muita dificuldade, Izaya levou uma mão ao rosto de Shizuo, acariciando a pele suada e suja de sangue em uma de suas maçãs do rosto. Sem qualquer sensibilidade, o loiro simplesmente afastou a mão que o tocava, quebrando o braço de Izaya por causa de sua brutalidade.
Lágrimas escaparam dos olhos do moreno, junto com um grunhido por causa da dor de ter seus ossos partidos. Mas a dor maior era ver aquele que mais amava naquela situação, selvagem, como um animal, tão ferido quanto ele.
Eu não vou desistir de você, Shizu-chan.
Eu vim aqui para salvá-lo.
Me deixe salvar você.
– Você não é um monstro — Izaya disse, meio engasgado. — Então pare de agir como um!
Aquelas palavras acertaram Shizuo como uma flecha.
Algo em si despertou.
Era ele mesmo, acordando dentro do monstro.
Shizuo soltou o pescoço de Izaya imediatamente e ficou paralisado. Os braços dele continuavam contraídos e seus olhos continuavam frios, mas agora estavam cheios de lágrimas, como se estivesse lutando com um demônio dentro de si.
– Pul...ga... — Ele murmurou, soluçando.
Izaya sentiu uma esperança crescer dentro de si, mas não teve tempo para se sentir aliviado. Encostado na parede, ele tentou recuperar um pouco da respiração que tinha perdido e notou que Shouichi estava lutando contra sua esposa.
Sem tempo a perder, Izaya tirou a seringa de seu bolso e a chacoalhou. Aproveitando a distração do loiro com as próprias lágrimas, o moreno se inclinou sobre ele e murmurou:
– Desculpa, Shizu-chan. Isso vai doer um pouco.
Nisso, ele enfiou a agulha no pescoço de Shizuo com toda a força que lhe restava. Com um grunhido selvagem de dor, o loiro tentou atacá-lo novamente, como se tivesse ativado mais uma vez seu 'modo monstro'. Entretanto, segundos após a injeção, ele caiu no chão com alguns tremores.
Izaya tinha ficado com medo de que mesmo uma agulha grossa não fosse perfurar a pele de Shizuo, mas para sua sorte pelo menos essa parte tinha funcionado. Agora, só lhe restava rezar para que a dosagem fosse suficiente e o loiro voltasse ao normal.
Ele estava pensando sobre uma maneira de sair do galpão com Shizuo, quando acabou por visualizar os últimos momentos da luta entre Shouichi e a Segunda Saika. O farmacêutico tinha conseguido roubar a katana da esposa, e agora a perfurava em cheio no estômago com a espada milenar.
A Segunda Saika caiu no chão com um baque surdo, mãos e barriga completamente ensanguentadas. Shouichi tinha um largo e assustador sorriso no rosto, como se dissesse 'eu ganhei'. Ele limpou as mãos sujas de sangue na roupa, manchando seu terno marrom-claro.
Izaya, sentindo-se fraco, tonto e enjoado, perdeu o equilíbrio e acabou por sentar-se no chão. Ele sabia que não poderia ficar assim, precisava fugir, o pânico dentro de si crescia sabendo que Shouichi tentaria atacá-los novamente. Porém, seu corpo não parecia reagir.
E foi então que o farmacêutico começou a se aproximar deles, mantendo o sorriso de vitória em seu rosto envelhecido. Ele pegou o canivete de Izaya, que tinha caído no chão durante a luta com Shizuo, e o abriu.
O moreno percebeu que estava sendo ignorado. Shouichi estava apenas olhando na direção de Shizuo, que agora estava desmaiado no chão, sofrendo com o conflito das substâncias dentro de seu corpo.
Izaya percebeu quais eram as intenções de Shouichi com aquele canivete. Agora que seu monstro estava bloqueado, ele queria terminar com Shizuo de uma vez por todas. E aquela era sua única chance, aproveitando o momento de fraqueza do homem que costumava ser o mais forte.
– NÃO!
O informante gritou e se levantou imediatamente, entrando na frente do corpo desacordado de Shizuo, a poucos metros de distância de Shouichi. Izaya sabia que praticamente não tinha mais forças, mas a decisão foi automática.
Mesmo sem força, mesmo sem nada, ele lutaria por Shizuo até o fim. Essa era a sua vez de proteger o homem que tinha tentado protegê-lo por tanto tempo. Estava disposto a fazer qualquer coisa pelo loiro.
Estava disposto a cometer qualquer sacrifício.
Agora eu entendo, Shizu-chan.
Agora eu entendo o que eram todos aqueles sentimentos.
Amor. Amor é isso, não é?
Essa força que me mantém aqui mesmo quando meu corpo não tem nenhuma.
Essa sensação de que eu seria capaz de dar a minha vida por você agora.
A voz dentro de mim que diz que vai ficar tudo bem.
Eu amo você, Shizu-chan.
É por isso que eu estou aqui.
Obrigado por me ajudar a entender.
Shouichi se aproximava em passos firmes, com um sorriso perturbador ainda estampado no rosto. O sorriso ficou mais largo quando viu Izaya se posicionar na frente de Shizuo. Para o farmacêutico, as coisas ficavam cada vez mais interessantes.
– O que foi? — Ele perguntou, parando na frente do informante. — Você também quer morrer? Sinto muito, mas eu não pretendo te dar esse privilégio. Entretanto, eu posso fazê-lo sofrer um pouco mais, talvez?
Mesmo não tendo quase nada de energia restante, Izaya tentou dar um soco com o braço que não estava quebrado. O golpe foi desviado rapidamente e Shouichi o atacou com o canivete.
O moreno engasgou em um grito desumano de dor conforme a lâmina perfurou-lhe o olho esquerdo, fria, afiada e devastadora.
Mesmo a dor não seria capaz de me parar agora.
Nada mais importa, porque...
Eu sei o que é amor.
O som de um disparo invadiu o galpão.
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