O Melhor Das Piores Intenções
18 Capítulo 17 - Nada mais do que humano
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo. É uma continuação direta do anterior. Cheio de emoções (na minha opinião). Sem mais delongas, boa leitura!
Shizuo tentava atravessar o aglomerado de pessoas que estavam no centro do salão, procurando por Izaya. Depois de dançar várias vezes com Mikage, se esforçando muito para não esmagar o pé dela, ela acabou por entregar-lhe mais informações sobre a Segunda Saika, como tinham combinado.
A primeira e principal informação era o que ela já tinha dito logo quando se encontrou com Shizuo e Izaya pela primeira vez: a espada deixada pela Segunda Saika no Festival Tanabata não estava possuída por uma entidade demoníaca. Isso poderia ser comprovado pelo fato de a Segunda Saika continuar atacando com outra espada, após perder a primeira.
Isso leva a duas outras hipóteses: a) a pessoa, ou seja, a própria Segunda Saika está possuída, e b) esse não é um caso de qualquer tipo de possessão demoníaca, existindo, então, alguma outra coisa por trás da assassina. Alguma coisa que eles ainda teriam que descobrir e exterminar, de uma vez por todas.
Exatamente como Izaya tinha dito algum tempo atrás, as peças do quebra-cabeça iriam se juntar a favor deles. E Shizuo já era capaz de sentir isso, já que as possibilidades estavam aos poucos diminuindo. Mais cedo ou mais tarde eles descobririam a verdade, e com a verdade seriam capazes de destruir o mal que assombrava Ikebukuro.
Cada coisa em seu tempo. Agora, a prioridade de Shizuo era encontrar Izaya e passar todas aquelas informações para ele. O problema agora era: onde estava Izaya?
Sentindo-se ansioso, Shizuo procurou o informante por todos os cantos. Foi então que o viu, de longe, andando em direção à porta que comunicava a saída do salão com o hall do hotel, acompanhado de um homem um pouco mais alto e de cabelos castanhos escuros.
Mas que diabos?!
Shizuo foi até lá imediatamente, pisando duro. Parou bem na frente dos dois, irritadíssimo, já arregaçando as mangas caso fosse necessário tomar alguma providência mais violenta em relação ao cara que estava levando Izaya vai saber para onde.
E o informante estava claramente bêbado, visto que tinha dificuldade para andar em linha reta sem se apoiar no outro homem.
– Pode deixar que eu cuido dele daqui pra frente — Shizuo disse, a voz firme e totalmente séria.
Itsuki parou e sorriu maliciosamente para o loiro, segurando com mais força o braço de Izaya e deixando claro que não iria entregá-lo facilmente.
– Não vai ser necessário.
– Eu concordo — Izaya completou, rindo.
– Viu, ele concorda — Itsuki aumentou seu sorriso. — Então, se nos dá licença-
Shizuo deu um soco na parede ao seu lado, abrindo um buraco nela, do qual saiu uma nuvem de pó branco.
– Você cala essa boca, Izaya — retrucou, completamente sério. Em seguida, olhando para Itsuki, adicionou:
– Ele está bêbado. A opinião dele não conta.
– Claro que conta — o homem riu alto. — Você é o tal de 'Shizu-chan', não é? Ele parecia estar procurando por você. E não parecia nada feliz.
– Não é da sua conta. Eu queria evitar esse tipo de coisa, mas é melhor você soltá-lo antes que eu arrebente a sua cara.
– Ah, que ameaçador! Tente.
– Você não devia... ter dito isso... — Izaya murmurou.
Antes de o menor terminar sua frase, Shizuo já tinha dado um soco bem no meio do rosto de Itsuki Makoto e o lançado a alguns metros dali. O homem permaneceu no chão, contorcendo-se e reclamando de dor.
O ex-barman então tomou Izaya para si, guiando-o em direção ao elevador que os levaria ao segundo andar do hotel, onde ficavam as suítes.
– Vamos dar o fora daqui.
Izaya não parecia nem um pouco contente.
– Shizu-chan acabou com a minha di~ver~são...
– Diversão? Você chama aquilo de diversão? Aquele cara ia...
Shizuo preferiu não terminar sua frase.
– Ele era tão bonito... Agora deve estar com os dentes todos quebrados... Tadinho...
Aquilo tirou o loiro do sério completamente, isto é, mais do que ele já estava.
– Cala essa boca! — Ele rosnou.
– Você não manda em mim, Shizu-chan não é a minha mãe~
– Puta que o pariu... Foi só eu tirar os meus olhos de você que você já estava saindo com um cara...
– Eu não fui atrás dele, Shizu-chan, ele foi atrás de mim... Haa, quer dizer, desde quando isso importa, hm? Desde quando tenho que dar satisfações a você? Logo você que estava dançando com aquela vagabunda...
– Você enlouqueceu? Eu não estava dançando com ela porque eu queria. Eu fui adquirir informações para o NOSSO plano. Eu não fiz nada.
– Você poderia ter recusado...
– Você iria querer me matar se eu tivesse recusado.
– Adivinha só! — Izaya sorriu ironicamente. — Eu quero te matar porque você não recusou.
– Você está fora de si — Shizuo disse, ficando cada vez mais irritado.
– E você está muito 'dentro' de si, não é, gritando desse jeito, hmm~? — O moreno riu amargamente. — Aposto que você foi super educado com ela, ahh...
– Você queria que eu fizesse o quê? Fosse grosso e perdesse a chance de saber o que ela tinha descoberto?
– Foda-se. Desde quando você se importa com essas coisas?
– Desde que você começou a me encher o saco para trabalhar com você.
– Eu me arrependo, viu...
– Você é um idiota.
– Foda-se... Eu não dou a mínima para o que Shizu-chan pensa... Shizu-chan nem pensa, ha haa...
– Mesmo bêbado você continua o mesmo cuzão de sempre — Shizuo suspirou. — Anda, vem logo-
– Eu vou matar aquela vadia... vagabunda... Dava pra ver na cara dela... Tava implorando pra você foder ela...
– Izaya, chega-
– Aliás, você só é grosso comigo, não é? Valeu, Shizu-chan.
Aquilo foi a gota d'água. O loiro explodiu.
– Como se você me tratasse bem, muito engraçado! — Ele resmungou, soltando o braço de Izaya e abrindo a porta do quarto de hotel deles, em seguida empurrando-o para dentro. — Você não pode exigir nada de mim, Izaya. Você tenta fazer da minha vida um inferno desde o primeiro dia.
O informante deitou-se na cama king size, cobrindo o rosto com as mãos. Estava bêbado demais para pensar sobre isso, mas Namie tinha reservado um quarto de casal para ele e Shizuo ao invés de dois quartos separados. Normalmente ele ficaria irritado, mas seus pensamentos estavam meio longe da realidade.
– Você é tão... Estúpido... Você não sabe de nada, Shizu-chan... Você não enxerga... Não faz ideia do que eu... Do que eu...
– Do que você o quê?
Izaya se levantou repentinamente, com uma mão cobrindo a boca.
– MERDA! Eu quero vomitar...
Ele correu para o banheiro e levantou a tampa do vaso sanitário, rapidamente se inclinando sobre ele e expelindo tudo o que havia em seu estômago — ou seja, só álcool e ácido clorídrico. Shizuo ficou no quarto por alguns instantes, apenas ouvindo os sons estranhos, até que começou a ficar preocupado e foi até lá.
– Não, sai daqui! — Izaya protestou, sentado no chão do banheiro. — Não quero que você me veja assim-
– Não deveria ter bebido tanto em primeiro lugar, então.
Nisso, o loiro agarrou Izaya pelo braço e abriu a porta do box, estendendo uma mão e ligando o chuveiro. Em seguida, removeu o próprio terno, ficando apenas com a camisa e calça, e começou a despir o informante, até deixá-lo completamente nu.
– O que você tá fazendo?! — Izaya perguntou, querendo escapar mas sem força alguma para fazê-lo.
– Vou dar um banho em você.
– Não, Shizu-chan, eu não quero-
– Pare de agir como uma criança. Você cheira a álcool e vômito.
Shizuo entrou dentro do box com o moreno, sem se importar com o fato de que acabaria molhando suas próprias roupas. Depois, colocou-o embaixo da água e começou a esfregar seu cabelo com um xampu do hotel.
– Shizu-chan... Solta... Isso é embaraçoso...
– Pára de fazer escândalo.
– Me solta...
– Não até eu terminar.
– Eu tô com dor-de-cabeça.
– A culpa é sua.
– Shizu-chan-
– CALA A BOCA!
Izaya ficou em silêncio por alguns segundos, durante os quais Shizuo sentiu-se extremamente desconfortável, para a própria surpresa. Então, o moreno murmurou:
– Eu gosto de você... Então... Por favor... Não grite comigo...
O nariz do informante ficou vermelho e sua respiração ficou pesada, como se estivesse soluçando. Apesar da água corrente do chuveiro que caía sobre o rosto dele, Shizuo foi capaz de notar que havia lágrimas em seus olhos.
Era a primeira vez que Shizuo o via chorar.
Impulsivamente, o ex-barman soltou o frasco que estava segurando e passou seus braços por trás de Izaya, abraçando-o, pressionando seu corpo coberto contra o corpo nu dele, ambos molhados. Shizuo sentiu a respiração pesada do moreno em seu ombro quando este deitou a cabeça na curva de seu pescoço.
– Izaya, desculpa, eu...
Perdi o controle de novo. Eu sinto muito.
– Você tá me deixando louco, Izaya...
Nos braços de Shizuo, Izaya parecia mole, como uma boneca, apoiando-se completamente no corpo dele. O loiro tinha o visto sem roupas diversas vezes, mas seu corpo nunca tinha parecido tão magro, tão frágil, tão... Quebrável.
Izaya Orihara era uma pessoa horrível. Um informante cruel, dissimulado, imoral, mentiroso, que certamente reunia mais características negativas do que positivas.
Porém, nos braços de Shizuo, Izaya era apenas humano.
Essa era a primeira vez que Shizuo tinha sido capaz de ver um lado tão fraco do informante. Talvez fosse até a primeira pessoa a vê-lo assim, sem qualquer proteção, sem qualquer defesa. Aquele pensamento fez seu peito ficar apertado e sua garganta secar.
Ver uma pessoa em seu momento mais frágil gera uma grande responsabilidade. Ele não tinha certeza se queria arcar com aquela responsabilidade.
– O que diabos está errado com você... — O loiro murmurou, levando uma mão aos cabelos do outro, segurando-o mais próximo, como se tivesse medo de perdê-lo em meio àqueles sentimentos.
O que está acontecendo?
Além de você estar podre de bêbado, é claro.
– O que diabos está errado comigo?
Eu não sei o que fazer.
Shizuo soltou-se parcialmente de Izaya, ainda segurando-o de um lado para evitar que ele caísse. Em seguida, desligou o chuveiro e puxou uma toalha que estava pendurada no box, logo secando o corpo do outro.
Depois de completamente seco e vestido, Izaya foi levado até a cama, onde adormeceu rapidamente, graças ao efeito do álcool. Shizuo voltou ao banheiro e fechou a porta com cuidado.
– Droga... — Murmurou, lavando o rosto. — Ele só falou aquilo porque estava bêbado, não foi? Amanhã ele não vai nem se lembrar...
Ele só está bêbado, ele só está bêbado...
Isso não tem nada a ver com...
Ao observar seu próprio reflexo no espelho, Shizuo sentiu uma vontade enorme de dar um soco e arrebentá-lo. Entretanto, manteve seus punhos no lugar para não causar mais problemas do que já tinha.
Você sempre foi um problema para mim.
Mas não o tipo de problema do qual eu quero me livrar.
Notas finais
E por favor comentem! Já que esse capítulo foi meio ~forte~ em comparação aos anteriores, gostaria muito de saber se vocês gostaram e a opinião de vocês em geral! ; v ; É muito importante para mim...
Ok, agora vou calar a boca (ou seriam os dedos?). Até o próximo! Obrigada a todos que estão lendo e especialmente aos que comentam.
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