O Melhor Das Piores Intenções
13 Capítulo 12 - Chega de brincar
Notas iniciais
Um raio de luz irritante que passava por uma fresta da persiana amassada acordou o informante de Shinjuku. Aliás, se ele se lembrava corretamente, a persiana tinha sido amassada na noite passada quando Shizuo o jogou contra a mesma.
Izaya bocejou e tentou se espreguiçar, mas o movimento mínimo trouxe-lhe uma dor aguda na espinha, seguida de um calafrio. Seu corpo estava dolorido por causa da noite passada — talvez tivessem pegado pesado demais.
– Ahhh... — Ele suspirou, virando-se e encarando a feição adormecida de Shizuo, cujo corpo estava literalmente esparramado pela cama, braços e pernas abertos, tomando quase todo o espaço enquanto Izaya geralmente dormia encolhido, sem ocupar muito.
O moreno esticou o braço com cuidado para alcançar seu celular no criado-mudo e checar o horário. Já eram mais de onze e meia da manhã.
– Ah, droga! Eu deveria ter acordado mais cedo...
Do outro lado da cama, Shizuo resmungou algo incompreensível. Talvez estivesse sonhando ou vai saber o quê.
No momento em que o informante estava quase devolvendo o celular, o mesmo começou a tocar. O identificador de chamadas mostrava 'Shiki'. Izaya sentiu Shizuo mover-se na cama, provavelmente acordando com o toque irritante.
– Alô, Shiki-san?
– Orihara. Você acabou de acordar ou...
– Como sabe~?
– Sua voz.
– Ah... Então, sobre o que queria tratar?
– Por que você saiu do festival cedo? Depois que você saiu, várias coisas aconteceram.
– Que tipo de coisas?
– Ligue a televisão.
Izaya pegou o controle remoto e ligou a televisão de LCD que tinha na parede em frente à cama. A primeira imagem que apareceu lhe deixou surpreso.
O principal canal de notícias exibia filmagens de barracas do festival da noite passada pegando fogo e pessoas correndo, com uma manchete: 'Incêndio no Tanabata'. Logo abaixo havia também, em letras menores: 'Misterioso assassino de Ikebukuro ataca novamente'.
– A Segunda Saika causou o incêndio diretamente? — Izaya perguntou, já entendendo o que tinha acontecido.
– Na verdade não — respondeu Shiki, do outro lado da linha. — A Segunda Saika atacou da maneira de costume. Digo, mais ou menos. Atacou um grupo de jovens que estavam num canto do festival. Ao ver a cena brutal do assassinato, várias pessoas ficaram desesperadas e saíram correndo. Alguém derrubou um conjunto de lanternas de papel que causou o incêndio.
– Entendi — disse o informante, repetindo mentalmente para si mesmo 'Merda merda merda não acredito que perdi isso'.
– A melhor parte vem agora — continuou Shiki. — A Segunda Saika deixou sua espada cair no local quando estava tentando escapar.
– SÉRIO?! E quem está na posse da espada agora? É preciso fazer análises, estudar-
– Eu sei. Para a nossa sorte, consegui que os homens do meu grupo recolhessem a katana antes da polícia chegar ao local, senão com certeza a retirariam como evidência e nunca descobririam o que há com ela, já que não fazem a mínima ideia sobre as entidades sobrenaturais dessa cidade.
– Perfeito. Conseguiu alguém que pudesse fazer uma boa análise da katana?
– Conheço alguém que lida com esse tipo de coisa. Espíritos, objetos possuídos, magia... Vou entregá-la nas mãos dessa pessoa para que faça uma análise.
– Poderia me informar quem é?
– Mikage Sharuku. É uma mulher, filha do dono de um templo. Tal descrição pode fazê-la parecer inocente, mas não se engane; na verdade ela trabalha para várias organizações ilegais além da Awakusu.
– Esse nome me parece familiar. De qualquer maneira, é realmente ótimo que tenham a espada em mãos. Aliás, se a entidade demoníaca pertencer à espada, então, na ausência da mesma, a Saika deveria ser incapaz de atacar, certo?
– Exatamente. Você demorou um pouco para pensar.
– Shiki-san, me dê um desconto, sim? Acabei de acordar.
– Tudo bem. Enfim, faremos a análise da espada e vamos ficar de olho se a Segunda Saika vai continuar seus ataques. Se ela parar, talvez essa situação toda já esteja resolvida.
– Acho que Shiki-san está sendo otimista demais — Izaya riu.
– Por que diz isso?
– Embora pareça realmente ótimo que tenham a espada e que talvez, repito, talvez a Segunda Saika pare de atacar, você não acha que isso parece simples demais, Shiki-san? Fácil demais? E Matsubara Shouichi? Qual a relação dele com tudo isso? Ainda tem muita coisa para se descobrir.
– Por mais que eu deteste concordar com você, Orihara, está certo. Não podemos deixar de lado as suspeitas contra Shouichi só porque tivemos um pouco de sorte.
– Exato.
– De qualquer maneira, você deveria ter ficado até o final ontem. Por quê foi embora cedo?
– Não estava me sentindo muito bem.
– Sei — Shiki riu roucamente, do tipo "vou fingir que acredito".
– Tenho algumas coisas pra fazer hoje, então vou ter que desligar. Mantenha-me atualizado se for possível e me ligue se for preciso.
– Certo.
Izaya encerrou a ligação e deixou o celular novamente sobre o criado mudo, dando um longo suspiro. Quando virou-se para o outro lado, percebeu que Shizuo estava olhando para ele.
– Eee~ então Shizu-chan acordou?
– Claro. Você não cala a boca. — O outro respondeu, com a voz meio rouca de sono ainda.
– Estava falando no celular, nee? O que você queria...
– Estava falando com o... — Shizuo fez uma pausa e uma cara de nojo — Shiki.
– Sim, a Awakusu kai me passa boa parte das informações. Acabei de ficar sabendo que a Segunda Saika atacou no festival e acabou terminando em um incêndio.
– É, eu estava vendo na televisão. Pelo que eu entendi da sua conversa, ela perdeu a katana e agora alguém vai analisá-la ou algo do tipo?
– Exatamente. Shizu-chan estava prestando tanta atenção assim na conversa~? É feio ficar ouvindo a conversa alheia, Shizu-chan.
– Eu queria saber o que você estaria falando com aquele cara.
– PFFFT! — Izaya riu. — Então Shizu-chan está com ciúmes~?
– Como se eu fosse ter ciúmes de você, pulga.
– Não duvido... Aliás, Shizu-chan, você está proibido de me tocar daqui pra frente enquanto estivermos envolvidos no caso da Saika.
– HUH?! POR QUÊ?! — Shizuo perguntou, alterado.
– Graças à você ser um cachorro insaciável, nós saímos mais cedo ontem e perdemos de ver o ataque da Segunda Saika e o incêndio — disse Izaya, revirando os olhos. — A katana poderia estar nas minhas mãos agora ao invés de estar nas mãos do Shiki. E embora eu não vá contestar os métodos da yakuza, eu poderia fazer muito melhor do que eles. Posso não parecer porque me controlo muito bem, mas estou com muita raiva. Perdemos uma oportunidade que simplesmente não podia ser perdida. E a culpa é sua, Shizu-chan.
– A culpa é minha?! Hah, até parece que você não queria também. Na verdade, foi você mesmo que disse 'tá bom, vamos embora', pulga. Você age como se eu te forçasse mas na verdade você adora.
O rosto de Izaya ficou vermelho como seus olhos.
– SHIZU-CHAN!! Não fale... Desse jeito... Protozoário... E eu não disse nada disso.
– Disse sim.
– Disse nada.
– A noite foi tão boa que te fez esquecer, Izaya-kun?
– Boa?! — Izaya segurou os próprios braços e fingiu uma expressão dramática. — Shizu-chan quase me quebrou ao meio... Que maldade...
– Diz isso agora, mas na hora estava pedindo por mais.
– Shizu-chan é como um velho per~ver~ti~do~!
– Eu tenho a mesma idade que você...!
Izaya deu de ombros.
– Enfim, nada de sexo até Shizu-chan aprender a se comportar. Talvez eu devesse te levar para uma dessas escolinhas de adestramento de cachorros ou algo do tipo~
– Desgraçado — Shizuo grunhiu. — Como se você fosse aguentar ficar todo esse tempo sem. Você é bem pior do que eu.
– Nee, eu aguento muito bem. Aliás vai ser ótimo pra mim poder acordar com minha coordenação motora perfeita. Shizu-chan só me obriga a fazer sexo com ele, nee...
– Até parece. Você fica aí se achando, cheio de frescura, então da próxima vez vai ter que me pedir de joelhos.
– Isso nunca vai acontecer, Shizu-chan.
– Veremos.
Após alguns segundos de silêncio, Izaya fechou sua expressão, franzindo a testa e ficando completamente sério.
– Precisamos focar no nosso acordo, Shizu-chan. Chega de brincar. Estamos lidando com algo muito perigoso. Espero que você esteja ciente disso, sim?
– Eu estou.
– Perfeito.
Um sorriso malicioso à la gato de Cheshire se formou nos lábios finos do informante de Shinjuku.
Notas finais
E também, não se preocupem a respeito de não ter mais lemon na fanfic porque vai ter mais lemon sim (isso conta como spoiler? socorro), acho que vocês sabem que o Izaya fala as coisas bem da boca pra fora e não vai aguentar ficar sem sua dose de Shizu-chan por muito tempo né.
(Sim, sou dessas autoras que escrevem as coisas e ficam com medo dos leitores ficarem com raiva. /se esconde debaixo da cama/ /a culpa é minha mas a culpa não é minha/ /os personagens agem sozinhos na minha cabeça e me obrigam a escrever essas coisas POR FAVOR ME AJUDEM/)
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