O Melhor Das Piores Intenções
9 Capítulo 8 - Vinho e água
Notas iniciais
Enquanto Shizuo encontrava-se com seu irmão, Izaya estava na sede da Awakusu, uma das organizações de crime organizado — yakuza — mais influentes de Ikebukuro. Uma das organizações para as quais ele tanto entregava informações quanto 'comprava' informações.
A Awakusu realizava os mais diversos 'serviços', entre eles o contrabando de armas e a captura ou sequestro de pessoas mediante um pagamento.
Naquele dia em particular, Izaya estava lá para obter informações. Mais especificamente, informações sobre a Segunda Saika, a mais recente ameaça de Ikebukuro.
– Nos dêem licença para que possamos conversar em particular — ordenou Shiki, um dos membros de alto escalão no grupo, aos seus vários guarda-costas. — Sente-se, Orihara-san.
Izaya sorriu e sentou-se em uma cadeira de veludo vermelho dentro do escritório de Shiki.
– Aceita algo para beber, Orihara-san? Café, uísque?
– Não, muito obrigado — os olhos vermelhos do informante percorreram uma grande estante cheia de garrafas de bebidas alcóolicas em todas as prateleiras, da qual Shiki tirou uma garrafa, servindo um copo de uísque para si mesmo.
– Que assunto você veio tratar aqui? — Perguntou.
– Shiki-san, você reconhece esse nome? Matsubara Shouichi.
***
Já estava de noite em Ikebukuro. O horário em que Izaya e Shizuo tinham combinado de se encontrar se aproximava.
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20:10
Cadê você?
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20:11
Tô chegando.
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20:13
Ok. Diga ao Simon que veio encontrar alguém na ala particular do restaurante. Já fiz o pedido para que ele não tenha que interromper a gente.
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20:14
Ok.
Shizuo virou uma esquina, continuou caminhando e chegou ao Russia Sushi. O restaurante tinha passado por reformas recentemente e estava mais bonito, com grandes letreiros luminosos e piscantes.
Naquela noite, especialmente, o Russia Sushi estava bastante movimentado, com mesas postas até na calçada. Quando Shizuo chegou lá, andando com as mãos dentro dos bolsos, algumas pessoas o reconheceram e rapidamente endireitaram sua postura nas cadeiras, abaixando a cabeça e evitando encará-lo nos olhos.
Shizuo fingiu não se importar. Já estava acostumado.
Simon logo o viu e foi cumprimentá-lo:
– Oi, Shizu-o! Sushi veio comer hoje? Pra você ser promoção. — Disse o grande homem russo, com um sotaque engraçado.
– Boa noite, Simon. Na verdade eu vim me encontrar com alguém na ala particular — respondeu o loiro.
– Shizuo tem encontro? Ala particular ali — Simon apontou para o outro lado do restaurante. — Sorte boa!
– Não é bem isso mas, er, obrigado...
Quando se trata daquela pulga maldita um pouco de sorte é sempre necessário.
A ala particular do Russia Sushi consistia em algumas cabines onde haviam mesas e que eram fechadas por grandes portas de correr de bambu. Era uma área com decoração mais oriental, cheia de lanternas de papel vermelhas e quadros, geralmente usada para encontros mais particulares, como o próprio nome dizia.
Uma das portas de correr se abriu, revelando Izaya. O informante provavelmente tinha escutado Shizuo chegar. Ele sorriu seu típico 'sorriso de negócios' e fez um sinal para que o ex-barman entrasse.
Entrando na cabine, Shizuo sentou-se em uma das almofadas no chão, enquanto Izaya sentou-se do outro lado. Na mesa baixinha haviam alguns pratos com tipos diferentes de sushi, dos mais estranhos sabores que eram oferecidos no Russia Sushi: com queijo, com frango, frutas exóticas. Izaya beliscava um pouco de ootoro de um outro prato enquanto bebia vinho, parecendo muito satisfeito.
– Sirva-se — disse Izaya, pegando mais um pedaço de ootoro de seu prato.
Shizuo timidamente pegou sushi de um prato e levou à boca, mastigando devagar. Resolveu que era melhor ser direto à respeito do assunto do qual iriam tratar.
– O que você descobriu, pulga?
O informante tomou mais um gole de vinho e sorriu.
– Meu cliente, Shiki, conhece Matsubara Shouichi. Esse homem é dono de uma empresa desenvolvedora de medicamentos que está próxima à falência, a Shouichi Pharmaceuticals. Os laboratórios dos quais Shouichi é dono também produzem drogas proibidas para emagrecimento e aborto, as quais são vendidas no mercado negro, portanto recentemente ele andou tento problemas com gangues, que o levaram ao prejuízo.
Izaya olhou para Shizuo para ver se o mesmo estava o escutando antes de continuar:
– A Shouichi Pharmaceuticals costumava ser concorrente da Yagiri Pharmaceuticals, empresa da família da minha adorável secretária. Ultimamente, porém, a empresa de Shouichi aparenta ter tido uma grave queda nas vendas de seus medicamentos, tanto os legais quanto os ilegais. Também acabei descobrindo que Matsubara Shouichi separou-se da esposa recentemente.
– Shinra tinha me contado sobre a empresa mas eu não sabia sobre estarem falindo... Ou sobre venderem medicamentos ilegais... Ou sobre... Bem, todo o resto. Isso é tudo reelevante mesmo? — Perguntou Shizuo, arqueando a sombrancelha, desconfiado.
– Claro que é! Nós já sabemos que esse homem está envolvido na situação de alguma maneira. Agora precisamos descobrir como. Não é do meu feitio trabalhar com a sorte, prefiro sempre fazer uso da astúcia em primeiro lugar e desconfiar de tudo, mas tenho que admitir que realmente foi uma feliz coincidência a Saika ter deixado aquele cartão cair, Shizu-chan.
– Hm...
– É por isso que eu amo ser um informante. Uma única conversa e já tenho tantas informações... Tantos arquivos... Tantos lugares onde pesquisar e pessoas para interrogar... Mas isso, o que temos até agora, está longe de ser suficiente. Podemos dizer que Matsubara Shouichi está em um momento ruim de sua vida, — Izaya fez uma falsa cara de pena — pobre homem. Porém isso não nos responde nada sobre a Segunda Saika.
– É, eu sei... Precisamos descobrir quem é a Segunda Saika.
– Exatamente. E, em seguida, precisamos descobrir qual é a relação de Shouichi com a Segunda Saika. Porque ele com certeza tem alguma.
Shizuo ficou em silêncio, mordiscando outro pedaço de sushi.
– Shiki sugeriu que fôssemos ao festival Tanabata que vai acontecer daqui a alguns dias — continuou o informante. — Sabe, o festival anual? Onde todos vestem yukatas e penduram pedaços de papel em bambu para realizar desejos?
– Por quê diabos ele quer que estejamos lá?
– Não, Shizu-chan, você entendeu errado. Eu estava tentando ajudar você a se lembrar de qual festival era, mas nós não vamos lá para vestir yukatas e fazer desejos, obviamente. Nós, na verdade, eu, vou lá para analisar o local e as pessoas. Matsubara Shouichi vai provavelmente estar lá, também. E Shiki tem um palpite de que a Segunda Saika irá fazer um ataque lá. Ou seja: será o lugar perfeito para um pouco de investigação.
– E o que eu vou fazer?
– Você vai garantir a minha segurança — Izaya sorriu. — Não que eu precise de você, claro. Eu sei me defender muito bem sozinho. Mas nós estamos tratando de um assassino ou assassina provavelmente sobrenatural, certo? Então pode ser que dessa vez seja bom ter você por perto.
– Tá.
– E você tem que ir de yukata.
– NÃO!
– Sim. Eu também vou, Shizu-chan. Precisamos ser discretos e nos misturar aos cidadãos comuns. Não podemos destoar ou chamar a atenção com nossas roupas de sempre, nee? Iriam nos reconhecer em dois segundos.
– Não vejo a hora da gente acabar logo com isso. É estressante — o ex-barman passou a mão por seus cabelos loiros tingidos, suspirando com pesar.
– Eu sei. Embora eu deva admitir que até me divirto nessas situações.
– Você é doente.
– E Shizu-chan é mu~u~ito cruel! — O moreno dramatizou. — E está de mau humor, pelo visto. Devia beber — ele ofereceu a garrafa de vinho tinto fino.
– Não. — Shizuo respondeu firme, virando o rosto.
– Eu sei que você quer~!
– Eu não quero nada, pulga.
– Vamos lá, Shizu-chan, não desperdice a oportunidade de tomar um vinho de qualidade, já que eu sei que você não tem dinheiro para comprar um desses normalmente~
Izaya afastou os pratos de sushi do centro da mesa baixinha e inclinou-se sobre ela, praticamente subindo sobre a mesma. Em seguida, levou a taça de vinho à boca novamente.
– Pare de ser tão esnobe sua pulg-
O informante inclinou-se sobre Shizuo dando-lhe um beijo. No momento em que Shizuo abriu a boca, surpreso, Izaya soltou o vinho que estava segurando na sua, obrigando-o a beber um pouco contra a sua vontade.
Quando se soltaram, Shizuo tossiu e um pouco de vinho escorreu pelo canto de deus lábios.
– Eca!
– Ahh, Shizu-chan, você deixou escorrer... — Murmurou Izaya, fazendo biquinho e em seguida lambendo o vinho que tinha escorrido para o queixo do outro, sem vergonha alguma.
– É amargo... Argh...
– Ehhh?! — O moreno fingiu estar surpreso. — Vamos tentar de novo, então...
Izaya passou por cima da mesa, sentando-se no colo de Shizuo. Dessa vez, ao invés da taça, ele levou a garrafa até os lábios, pegando mais um gole e levando-o mais uma vez à boca do loiro.
Pouco escorreu nessa segunda tentativa e eles continuaram se beijando mesmo após Shizuo engolir a bebida alcóolica. A língua de Izaya, ao deslizar dentro da boca do outro, parecia fazer a bebida menos amarga, mais doce. Ou talvez essa fosse apenas uma ilusão que o ex-barman estava tendo ao beijar o informante.
Quando começou a faltar ar, soltaram-se novamente.
– Mmm... Melhorou... — Disse Shizuo.
– Mm, então Shizu-chan gosta de vinho se for eu quem está oferecendo a ele?
– Não tem nada a ver com o vinho, pulga. Eu só acho... Que gosto... De beijar você...
No terceiro beijo, foi Shizuo quem tomou o controle, diferente dos anteriores. O loiro segurou o pescoço de Izaya por trás, inclinando-o um pouco para colar sua boca à dele mais uma vez. Izaya gemeu quando seus lábios foram mordidos de leve, abrindo-os então para que Shizuo usasse sua língua na boca dele.
Em meio a beijos quentes, Izaya levou suas mãos ao rosto de Shizuo, segurando-o perto e acariciando sua bochecha de leve com o polegar. Shizuo mantinha uma das mãos na nuca de Izaya, fazendo movimentos com as pontas dos dedos que lhe davam arrepios.
Estavam tão destraídos que não ouviram alguém bater na porta de bambu duas vezes. E então, essa pessoa, ou melhor, Simon, acabou abrindo a porta repentinamente-
E pegando-os no flagra.
– SHIZUO?! IZAYA?!
Simon permaneceu congelado em estado de choque enquanto Izaya deslizou para fora do colo de Shizuo, tentando manter o controle de suas expressões faciais mas visivelmente constrangido.
Shizuo também parecia estar em choque, pois ficou parado no lugar sem mexer um músculo, certo rubor marcando suas bochechas enquanto ele procurava algo para dizer.
– S-Simon... Não é o que parece — disse, abaixando a cabeça como um cachorrinho que fez xixi no lugar errado.
– Shizu-chan não sabe lidar com essas coisas. — Izaya suspirou, levantando-se, vestindo sua jaqueta e arrumando o cabelo bagunçado. — Deixe comigo. Simon, eu vou te pagar a quantia que você quiser para essa história não sair daqui.
Simon finalmente pareceu voltar ao normal, dessa vez parecendo levemente irritado.
– Não vou falar. Não precisa dinheiro. Pelo menos Shizuo e você não brigar mais. Beijar melhor do que destruir a cidade inteira — ele respondeu, com seu sotaque estranho.
Shizuo fez um esforço para não se levantar e quebrar a mesa ao meio.
– Isso é só uma 'trégua' temporária, Simon. Não alimente grandes expectativas. — Disse Izaya, deixando dinheiro sobre a mesa para pagar a conta. — Nee, não que eu me importe mas, você tá bem Shizu-chan?
– Eu odeio a minha vida... — O loiro murmurou, tirando a cartela de cigarros de seu bolso e acendendo um.
– Ei, Shizuo, não fumar aqui dentro! — Reclamou Simon.
– Ótimo. Tenho que ir embora. — O informante andou em direção à porta. — Nos vemos daqui a três dias, Shizu-chan, no festival. Antes disso permanecerei mu~u~ito ocupado mas tentarei manter você informado por mensagens de texto. Até mais Shizu-chan, até mais Simon!
O moreno saltitou pelo restaurante em direção à saída, dando um último aceno antes de ir embora.
– Quem diria, Shizuo e Izaya... — O grande homem russo riu.
Shizuo lançou-lhe um olhar agressivo, fazendo-o rir ainda mais.
Notas finais
Me diverti bastante escrevendo este. Por favor me digam o que acharam nos comentários! Não fiquem quietinhos! Quanto mais comentários, mais rápido vem o próximo (na medida do possível). Beijos ♥
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