O Medo Persiste Naqueles Que Necessitam
3 Atormentar o atormentável
Notas iniciais
Após ficar dias sem vê-lo ou sem ver qualquer outra coisa, ele entrou e me levou de volta para o porão. Aquele lugar parecia até um pequeno paraíso, perto de onde eu estava.
Havia duas janelas com grades no lado esquerdo da parede. Podia ver o céu e sentir um brisa fraca dos ventos gelados. Ele desamarrou meus pulsos e arrancou a corda que prendia minha boca. Jogou-me no chão e empurrou um pote com sopa velha e mal temperada. Vez ou outra ele se lembrava de que era preciso me alimentar. Vez ou outra ele se importava.
Quando terminei minha deliciosa comida, puder vê-lo me encarando admirado. Era assustador. Pediu para voltarmos a conversar. Aceitei.
– Oi. – Foi o que eu disse.
– Vejo que estava com fome, hein? Agora podemos voltar a conhecê-la melhor? – Claro, seu babaca, vamos voltar a conhecer melhor uma faca cravada em seu peito.
– Certo. O que você quer?
– Você. – Isso me assustou. Assustou muito.
– Ei, não fique assustada. Não precisa ter medo de mim. Não agora, ok? Vamos fazer assim: eu lhe pergunto algo e você responde com sinceridade e vice-versa.
– P-p-pode s-ser. – Falei tão baixinho que foi quase impossível de se escutar.
– O que sentiu quando seus pais morreram? – Não esperava por essa pergunta. Doeu ao ouvi-la. Lembrar deles sempre doía. Era uma cicatriz que jamais iria sarar.
– Dor. Remorso. Culpa.
– Culpa de quê? Você não podia ter impedido o acidente, podia? – Ele estava mexendo com o passado que eu sempre tentava esquecer. Estava invadindo minha cabeça e me testando.
– Não, não podia. – Respondia friamente.
– Então do que se culpa?
– Eu tive uma crise, em uma festa. Estava muito mal e liguei pedindo que me buscassem. Eles estavam aproveitando a única férias juntos em uma praia. Por eu estar aparentemente mal, isso os preocupou. E nisso voltaram em alta velocidade. Foi quando aquele carro acertou-os. Morreram na hora. Morreram por minha causa. Por minha crise imbecil. – Nunca havia contado sobre isso. Foi difícil dizer. Fez-me lembrar. E lembrar me fez sofrer. Algo que já deveria estar acostumada, devido a esse lugar.
– Interessante... – Interessante, é? Seu psicopata escroto!
–Vejamos, minha cara. Por sua culpa seus pais morreram. Por sua culpa sua irmã morreu e... – Interrompi-o.
– Agora a minha pergunta. Você já sequestrou outra pessoa antes?
– Sequestrar é um termo muito formal. Eu não sequestro pessoas, meu bem. Eu os ajudo. E sim, já ajudei muitas pessoas. – Riu. Uma risada fria e maléfica.
– Qual é o nome daquele seu cachorrinho branco? – Meu Deus. O Sammy. Ele pegou o Sammy.
– O que você fez com o meu cachorro?!?! – Gritei com tanta força que acabei machucando minha garganta.
– Calma! Não machuquei ele, ainda. Ele está comigo em by Browse to Save\">minha casa. É um bom garoto. Caso você se comporte, poderá vê-lo. Em breve. Sua pergunta...
– Qual é o seu nome? – Foi a única pergunta idiota que venho em minha mente.
– James. James Prescott.
– Tens medo da morte?
– Não. Tenho medo da vida, mesmo. Por que eu? – Cheguei na pergunta que me assombrava por muito tempo.
– Desculpe, mas isso terá o seu tempo. Saiba que há mais de 3 anos pesquiso sobre você. Um dia saberá toda a verdade por trás disso. Mas agora não!
Então ele virou e saiu pela porta que sempre entrava. Negando responder a única pergunta que me atormentava. Deixou-me novamente sozinha nesse mar de inferno. Estava tão frio. Queria tanto algo para me cobrir. Queria ver minha família reunida feliz. Queria ver o Sammy. Ele deve estar com medo. Com frio. Será mesmo que ele está vivo? Ou será só mais um teste do James? James era o nome dele. Precisava ser forte pelo Sammy e por minha família morta. Precisava encontrar alguma esperança nisso tudo. Precisava de fé. Fé. Algo que perdi há muito tempo atrás. Mas só com fé poderia ter esperança. E só com esperança... Poderia sobreviver.
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