O Mago e a Garota.
2 "...Vou te chamar apenas de Yam!"
...
—Caralho! ...Quem é você moço? — Perguntou a garotinha.
—Você não tem a boca muito suja não?
—Hehe... Digamos que na minha vila eles pecam muito na questão da educação.
—Entendo... A propósito, por que tinha um gorila de três metros atrás de você garotinha?
—Ah, isso... Bem, acho que eu falei mais do que devia. — Disse ela com uma expressão triste.
—Hm? Como assim?
—Eu disse pra um soldado que nós da vila não éramos obrigados à obedecer um idiota que sabia usar magia... E então ele resolveu me executar, me dando como refeição praquele macaco.
—Ah, entendo, então você irritou mesmo o exército... Mas por que você disse essas coisas?
—Eles levaram meu irmãozão! Ele é... — Os olhos dela se encheram de lágrimas.
—Está tudo bem, acho que já entendi a sua situação. Então... Por que não vem comigo? Por que não me acompanha nas minhas caminhadas? Quem sabe nós não encontramos o seu irmão andando por aí?
—V-você tá falando sério moço? — Disse ela enxugando as lágrimas dos olhos.
—É claro! — Disse o homem com um sorriso gentil no rosto. — Mas aí, a sua vila fica aqui perto?
—Sim, por quê?
—Então acho melhor a gente sair logo daqui, essa explosão com certeza chamou a atenção dos soldados que estão na sua vila agora e quando eles perceberem que a besta não está voltando eles virão averiguar a situação, ficar aqui é perigoso.
—A-ah, sim!
—Você parece estar bem cansada por ter fugido daquele monstro. — Ele se agachou de costas para a garota. — Suba nas minhas costas, eu te carrego por enquanto.
—Não moço, tá tudo bem!
—Desculpe, mas isso não está em discussão, não quero que você passe mal por exaustão ou coisa do tipo
—...T-tudo bem... — Ela subiu nas costas dele e se confortou até que ele se levantou e começou a caminhar na sua direção inicial antes dos incidentes anteriores.
—Ah sim, moço, pra onde você tá indo?
—Pra casa de um velho amigo meu...
—E não tem problema eu ir com você?
—Ah, não, claro que não! É capaz de ele até gostar de você.
...
—Que explosão foi aquela agora há pouco? A Besta-Macaco também não está voltando... O que aconteceu lá? — Um soldado estava se questionando. — Vamos até lá conferir essa situação.
Chegando lá eles se depararam com a cena, o chão em uma parte estava queimado, algumas árvores caídas no meio da estrada de terra e um grande rombo onde várias árvores haviam sido carbonizadas também, mas no local haviam apenas cinzas, era como se o fogo tivesse escolhido queimar apenas o que estava ali, naquele exato ponto e nada mais.
—Que droga é essa?! — Um soldado disse assustado.
—Quem poderia ter feito isso...? — Outro questionou.
—Não pode ter sido uma carruagem do exército que estava voltando pro reino e que infelizmente se deparou com a besta então resolveu explodir ela? Ou então alguma carruagem comercial, eles também costumam levar armas consigo para evitarem assaltos, poderiam ter usado contra a besta... — Um soldado havia dito.
—Não. Não havia nenhuma transação de mercadorias pra hoje passando por essa estrada e muito menos uma carruagem do exército. Você é um membro do exército e não sabe analisar esse tipo de situação? Veja bem, esse fogo foi bem concentrado nessa área, uma bomba explodiria tudo em volta ao invés de fazer um dano em um lugar tão específico. E ainda tem mais, as árvores ao redor, por que não queimaram e começaram um incêndio na floresta? O fogo foi muito forte e concetrado, e acima de tudo, se extinguiu imediatamente depois de queimar o alvo. Isso não foi feito por uma arma.
—O-o que você quer dizer?!
—Que isso é obra de um mago bem poderoso... Temos uma ameaça rondando nosso país, bem debaixo dos nossos narizes... Vossa majestade deve ser informada imediatamente!
...
—Hey, moço, acabei de me lembrar que...
—Hm?
—Eu ainda não perguntei seu nome! Você salvou a minha vida e eu ao menos sei seu nome! Então, de novo eu vou perguntar, quem é você, moço?
—Bem... Meu nome é Yamgin 'Pholks e eu sou um mago.
—...Yammin o que?
—É Yamgin!
—Esse nome é muito difícil de se falar!
—O que eu posso fazer? É meu nome de qualquer modo!
—...Vou te chamar apenas de Yam! — Ela deu um largo sorriso e uma risadinha.
—Por favor, não faça isso! — Ele deu um largo sorriso e uma risadinha, mas ele claramente estava implorando pra que ela não fizesse isso. — Ah sim, isso me lembra que você também não me disse seu nome.
—É Marie!
—É um belo nome, mas, e seu sobrenome?
—Marie!
—Espera, seu nome é Marie Marie?!
—Sim!
—E o do seu irmão?
—Marcus!
—De?
—Marcus!
—Ah tá, você se chama Marie Marie e seu irmão Marcus Marcus?
—Sim!
—Por que vocês não têm sobrenome?
—Sabe...A minha mãe já nasceu como escrava, e como o senhor já aparenta ser um tiozão, deve saber que os escravos naquela época não tinham o direito de terem sobrenomes, apenas os nomes nomes que seus donos davam pra eles, ela continuo a ser escrava por muito tempo, até depois que essa prática foi abolida ela continuou a ser escravizada secretamente pela família que tinha comprado ela... Até que um dia o papai apareceu! Ele já era do exército e salvou ela! Como ela não tinha lugar pra onde ir ele deixou ela ficar na casa dele por um tempo, até que ele se apaixonou por ela e deu no que deu.
—Bela história, mas... EU NÃO SOU UM TIOZÃO! Eu tenho 22! E o sobrenome do seu pai?
—Ah...Sobre isso, o papai era um general do exército, ele era muuuito forte e famoso também! E é por isso que... Ninguém poderia saber que ela tinha filhos com uma ex escrava, mesmo isso tendo sido abolido havia um preconceito com quem era assim, então ele preferiu não associar seu nome com os filhos de uma ex escrava.
—Entendo, então a fama dele era mais importante que a própria família... Não parece ter sido um bom pai.
—Não posso dizer que ele foi presente na minha vida, mas o meu irmão tem algumas histórias com ele! Ele parecia ser bem legal... Queria ter tido mais tempo com ele...
—...Entendo. — Yam parou de andar subitamente, sem Marie perceber ele tinha andado floresta à dentro. — Chegamos.
À frente dos dois havia uma casa de madeira coberta de lodo e folhas, parecia que a natureza tinha tomado a casa como parte dela.
—O seu amigo mora aí?
—Bem, se ele não se mudou, sim.
—Que legaaaal! — Disse Marie empolgada.
—Você também não morava dentro de uma floresta?
—Sim, mas é diferente quando você vive numa vila, esse cara mora sozinho no meio da floresta!
—Você não acha que é meio triste passar a vida toda sozinho no meio de uma floresta numa casa velha como essa?
—...Você gosta de estragar as coisas assim mesmo?
—Só um pouquinho. — Yam andou até a porta da casa e bateu nela. — Tem alguém aí nesse amontoado de madeira velha que tem gente que ainda tem a coragem de chamar de casa?
—Quem é que tá aí? — Disse alguém que estava dentro da casa, com um tom de resmungo.
—Eu estou aqui.
—Ah tá, grande merda, você tá aí. Quem é você caralho?
—É o Yamgin, e para de falar tantos palavrões, tem uma criança aqui comigo!
—Eu não sou criança! — Disse Marie inflando as bochechas.
—Ah sim, desculpe. Tem um recém nascido aqui comigo! — Yam deu uma risada.
—Ah seu... -Marie morde o ombro do Yam com tudo.
—GAHAHABFWNAHD! CARAMBA! ISSO DOEU PRA UM CACETE!
—Uma mordida de uma recém nascida dói assim?
—Tá, desculpa por isso...Ai...
A porta da casa se abriu e um homem aparentemente de meia idade apareceu de dentro da casa.
—Uma criança?! Você virou pedófilo?!
—NÃO! Eu só salvei ela!
—Ah, que bom. Mas, cadê ela?
Marie levanta a cabeça de trás das costas de Yam.
—Iae tiozão.
—Ei! Eu só tenho cinquenta e... É, eu sou um tiozão. Vamos, entrem.
—Noooossa! Quanta coisa legal! — Disse Marie impressionada, a casa era bem velha, mas dentro dela haviam vários artefatos estranhos que despertaram a curiosidade de Marie.
—Ah, pode dar uma olhada em tudo se quiser garotinha.
—Sério?! — Disse Marie com um tom de felicidade e empolgação.
—Vai fundo. — Marie correu mais pra dentro da casa mexendo em tudo que ela via pela frente. — Só não quebra nada!... Então, quer um chá, Yamgin?
—Aceito. — O amigo de Yam pegou duas xícaras de chá e as colocou numa mesinha, Yam e seu amigo se sentaram nas duas cadeiras das laterais e começaram a beber o chá.
—Então, Yamgin, o que você quer vindo aqui? Não vai me dizer que tá refugiado de novo né? — Disse o outro homem dando uma leve risada.
—Na verdade não, eu resolvi passar aqui pela última vez antes que sua hora chegue, Lethron. — Disse Yamgin.
—Ah... Então você já ficou sabendo da minha condição... É melhor que você não fique com pena de mim seu muleque! Eu não te perdoaria se ficasse! E quando eu for, é melhor você não chorar também!
—É claro que não, eu não me perdoaria se eu ficasse assim. Mas, quanto tempo você acha que ainda tem?
—...Por volta de uma semana ou duas.
—...Entendo. — Yam dá seu último gole no chá.
Enquanto isso, Marie estava fuçando em tudo o que podia, até que ela derrubou um tipo de estátua antiga de pedra no chão, fazendo com que a cabeça dela quebre.
—...O-o-opa... Ninguém viu isso! Eu vou é voltar pra onde o Yam tá! — Ela correu até a sala, onde os dois estavam sentados, eles pareciam sérios. — O-oi... — Disse Marie soando frio.
—Ah, oi garotinha, você não quebrou nada né? — Perguntou Lethron.
—N-n-não! Claro que não! Quebrar? Eu não faria algo tão desastroso como quebrar uma estátua de pedra! Ninguém disse isso! E-ehehe...Não quebrei nada! VOCÊ NÃO PODE PROVAR!
—A-ah, certo... Tudo bem, você não quebrou nada, tá bom! — Disse Lethron. — Hey, você sabe que o Yamgin é um mago, certo?
—Ah, s-sim! Ele carbonizou um macaco gigante com uma magia de fogo e me salvou!
—Oh, que coisa legal! Sabia que quem ensinou sobre magia pra ele fui eu?
—Foi você? Então você é mais poderoso que o Tio Yam?!
—O que ela disse? Tio Yam?! Desde quando eu deixei ela me chamar de tio?! — Pensou Yam.
—Não. Eu ensinei tudo que eu sabia pra ele, ele aprendia tudo incrivelmente rápido, até que chegou uma hora em que eu não tinha nada mais pra ensinar a ele... Mas mesmo assim, ele continuou e continou progredindo cada vez mais! Sabe, um fato interessante sobre o Yamgin, é que ele agora, nesse estado atual dele, é , com certeza, o mago mais poderoso do mundo!
—O-o que? O Tio Yam é o mago mais poderoso do mundo?! E eu ainda mordi ele! Me desculpa, senhor Yammin! Eu não fazia idéia que você era o rei do reino!
—Viu o que você faz falando esse tipo de coisa, Lethron? Eu não sou rei coisa nenhuma, esqueceu que o sobrenome do rei é Masagarth? O meu é 'Pholks, não teria como eu fazer parte do império. Eu sou só um mago que vaga por aí.
—Isso mesmo, muito pelo contrário, o rei tem até um tipo de rivalidade com o Yamgin.
—Ah, ufa, achei que eu seria de novo sentencia à execução!
—...Que. — Disse Lethron.
—Bem, vamos indo então, Marie?
—Sim!
Yam se levantou, pegou na mão de Marie e andou até perto da porta.
—Ah, eu já ia me esquecendo. Yamgin, sempre que você quiser, mesmo depois que eu me for, você pode vir aqui buscar aquilo. — Disse Lethron.
—É, eu sei disso. — Repondeu Yam.
Marie olhou pros dois confusa.
— Então, isso é um adeus, certo? — Disse Yam.
—Temo que sim...
—...Até qualquer dia.
—Tchau Tio Leth!
—Você deu apelido até pra ele?!
—Hehe!
Yam e Marie passaram pela porta e a fecharam, e voltaram a caminhar em meio a floresta.
—Ei, Tio Yam, pra onde a gente vai agora?
—Pra onde você gostaria de ir?
—Pra capital do reino! Dizem que lá é bem bonito! E eu nunca saí da vila pra confirmar...
—...A capital hein? Vamos logo então!
—E a propósito, do que era que o Tio Leth tava falando? Daquilo que você poderia pegar?
—Ah, esquece isso, não é nada.
...
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