...

—Então, Tio Yam, pra onde fica a capital?
—Pro leste, bem longe daqui. Levaria um dia todo caminhando.
—...Pra onde fica isso?
—O que? O leste?
—É...
Yam deu uma pequena risada. -Pra lá. — Ele apontou pro leste.
—Então por que a gente não tá indo pra lá?
—Por que por aqui tem um rio de água doce, você deve estar com sede, não?
—E eu tô com fome também...
—Ah, tudo bem, também resolvo isso.
—Você pode materializar carne?
—Quase isso.
—Então você quase resolve meu problema.
—...Ah, está conseguindo ouvir?
—O que?
—O som da água corrente!
—Eh... Não.
—Ah, tanto faz, é por aqui! — Disse Yam se apressando um pouco até chegar ao rio. -Pronto, estamos aqui!
—Oba! Finalmente, água! — Marie correu até o rio e colocou as mãos na água pra pegar um pouco e beber.
—Não! Ainda não está boa pra se beber!
—Hm? Por que não?
—Por que ela está suja! Eu ainda tenho que ferver ela e depois ainda temos que esperar ela esfriar, por que claro, tomar água quente é horrível pra só então depois então a gente tomar a água!
—...Eu ainda vou ter que esperar tudo isso?
—Ah, não, esqueceu que eu sou um mago? É fácil, é só a gente manipular a madeira assim... — Ele fez uma árvore tomar a forma de uma vasilha de madeira grande. — Depois, pegar um pouco da água. — Ele manipulou a água pra ela ir voando até a vasilha, enchendo ela rapidamente. — Pra aí a gente esquentar a água. — A água começou a borbulhar, como se estivesse sendo fervida, mas não havia fogo. — E agora, a gente só esfria. — O vapor sumiu rapidamente e a água parou de borbulhar. — Acho que deve estar no ponto.
—Onde a gente vai beber a água?
—Ah sim. — Ele manipulou alguns gravetos de uns arbustos que haviam por ali para que eles se transformassem em dois copos de madeira. — Prontinho! — Ele entregou um copo para ela.
—...Pra você é tudo sempre tão fácil assim?!
—Costuma ser.
—Tá...Mas, e sobre a carne? Você disse que também podia resolver, como?
—Ah, assim. — Um coelho assado apareceu na frente deles flutuando no ar.
—C-c-como você fez isso?!
—Simples, usei magia de clarividência numa área de três quilômetros em volta da gente, achei um coelho, removi todo o pelo do corpo dele com magia de manipulação básica, assei ele usando magia de fogo e trouxe ele pra cá com magia de tele transporte.
—...Maneiro.
—Não é?!
Ele começou a partir o coelho assado pros dois, eles terminaram de comer e montaram uma cabana pra passarem a noite ali, pois já havia escurecido.
—Tio Yam...
—Hm?
—Obrigada!
—Ué, por que?
—Você ainda tá perguntando? Você salvou a minha vida! Ainda me deu água, comida e agora até um lugar pra passar a noite, e até agora eu não tinha agradecido por nada disso!
—Ah, tá tudo bem! Não precisa se preocupar com esse tipo de coisa! É bom ter alguém pra se caminhar, você me deu um ânimo que faziam uns três anos que eu não sentia! Então acho que se é assim, eu também deveria agradecer.
—Claro que não! Eu não fiz nada além de te encher o saco!
—E de me morder.
—Cala a boca se não eu te mordo de novo.
—M-mas-
—Shhh, quietinho!
—...Que.
Os dois começaram a rir por nada como idiotas.
—Boa noite Tio Yam!
—Boa noite.

...

—Sim, vossa alteza, temo que quem fez aquilo com a Besta-Macaco foi aquele homem. — Disse um soldado
—Então quer dizer que o Yamgin está perambulando pelo meu quintal? Quero todas as unidades atentas pra qualquer indivíduo suspeito vagando pelo reino, este homem deve ser capturado!
—Claro, vossa alteza, todos do exército espalhados pelo reino serão notificados para ficarem atentos à qualquer personalidade anormal!
—Bom, você pode sair agora.
—Com sua licença... — O soldado saiu da sala deixando o homem sozinho.
—...Yamgin...O que este ser quer por aqui agora? Ele é sempre um incômodo! Mas, ele irá se arrepender por achar que o reino de Masagarth é um parque de diversões que ele pode ficar vagando por aí.

...

—...Hm? Tio Yam? — Disse Marie esfregando os olhos, ela havia acabado de acordar. Ela olhou em volta na cabana e não achou ele. — Cadê ele? ...Será que ele me deixou pra trás?
Marie saiu da cabana, olhou em volta e não encontrou Yam. Ela correu até o rio desesperada, ela chegou lá ofegante. — Tio... Yam...?
—Ah, Marie, já está acordada? Ainda é bem cedo!
—Ah! Tio Yam! — Ela havia ficado muito aliviada, até que ela olhou direito para Yam. -...Eh? — Ele estava todo molhado, sem o chapéu e com a camisa amarrada na cintura. — Pervertido.
—Que? Não! Você não toma banho? E nem estou pelado!
—Mas tá sem camisa. Meu irmão sempre me disse pra ter cuidado com os pervertidos, pervertido. — Marie pegou um graveto do chão pra se defender.
—Espera, por que eu sou um pervertido?
—Por aparecer assim pra uma garota, pervertido.
—Mas, pra começo de conversa, não foi você quem veio correndo pra cá? Eu não tenho a menor culpa. Como eu iria saber que você apareceria?
—Mas... É que...Ah, morre logo!
—Touché.
—...A gente já está indo?
—Sim. — Yam colocou sua camisa de volta e também o chapéu. — Vamos.
Ele andou até Marie e estendeu a mão pra ela.
—Desculpa, eu não pego na mão de pervertidos.
—É o que? Ainda tá nessa?! Tá bom então.
—Vamos logo, Tio Pervertido.
—Ótimo, estou sendo chamado de pervertido por uma recém nascida.
—...Do que você me chamou...?! Seu... Seu... — Marie agarrou o braço dele e deu mais uma mordida.
—...SUAJQNFNQSJ, MEU DEUS, VOCÊ ARRANCOU UM PEDAÇO DO MEU BRAÇO!
—Você mereceu!
—...Me enterre em todas as minhas cores favoritas...
—Para de drama, foi só uma mordidinha de nada!
—Mordidinha?! Isso de longe é só uma mordidinha!
—Tanto faz, desculpa por isso.
—Só...Só vamos logo.
—Espera, você não poderia simplesmente nos tele transportar pra capital de uma vez?
—Eu nunca fiz isso com humanos, e nem farei.
—Ué, mas por que?
—A magia de tele transporte consiste em desintegrar o ser, levar ele até o local indicado numa velocidade incrível e depois reconstruir o ser no local. Como você "morre" no processo de desintegração, quando você volta a ser construído do outro lado tem aquela pequena chance de você não ser mais...Você. É perigoso sabe.
—...Que saco.

...

Depois de um dia andando sem parar eles finalmente chegam na capital do reino. Um lugar bem movimentado cheio de vendas e hotéis, muito diferente da vila de onde Marie veio.
—Uaaaau! É...É bem mais legal do que eu pensava! Olha toda essa gente com essas roupas xiques! E tem gente vendendo até comida!
—Ué, na sua vila não tinha comércio?
—Nadinha, era tudo contado certinho pra todo mundo, então não tinha o que se vender. Todo mundo vivia normal.
—Entendi. — Yam reparou que algumas pessoas estavam olhando estranho pra ele e Marie. — Espera...Ah, merda! — Yam agarrou Marie pelo braço e correu pra um beco com ela.
—Espera, Tio Yam, o que você quer agora?!
—Nós vamos ter que mudar essas nossas roupas.
—Espera, o que?! Você está se assumindo um pervertido!
—Você entendeu errado! Droga... — As roupas de Yam e Marie começaram a brilhar, ele havia manipulado o tecido de algum modo para se tornarem roupas normais dos cidadãos da capital. — Entendeu agora? Se nós ficássemos passeando pela cidade com aquelas nossas roupas eles nos dariam muita atenção e provavelmente nós seríamos pegos pelo governo! É perigoso sabe, com você sendo uma refugiada e eu... Bem, eu estando te acobertando por esse tempo.
—Podia ter falado antes sabe, você me arrastando pra um beco escuro e me falando pra trocar de roupa, não tem como não entender errado!
—Erro meu, desculpe... Mas o que eu iria querer com uma criancinha?
—Eu sei lá que tipo de pessoa você é! Meu irmãozão disse que tem alguns por aí que são "pedo" ou sei lá o que.
—Eita, essa não é minha praia não.
—Melhor mesmo!
—Seu irmão disse muitas coisas sobre o mundo, né?

—Maior parte sobre os pervertidos que tem nele!
—Percebi... Bem, onde você quer ir na capital? Tem uns lugares bem legais sabe.
—Ah, eu não conheço nada daqui, só me mostra alguns lugares que você acha que talvez eu goste!

...

Notas finais
Terceiro capítulo postado! Esse foi um capítulo mais parado e leve pra aliviar um pouco já que o próximo capítulo vai estar cheio de perguntas a serem respondidas, não tem muito o que comentar sobre ele. Apenas que, vejo vocês no próximo capítulo! :D