O Machado De Hefesto
17 Separação
Notas iniciais
POV Amber
Me separo de Clarck. Vejo Tyler na porta do banheiro. Resmungo.
–Desculpa, — ele diz, irônico. – Não queria atrapalhar o casalzinho, vou sair pra vocês terminarem o que começaram.
–Não, tudo bem, já terminamos por hoje, não é Clarck? – Tento manter a voz friamente irônica de Tyler.
–Qual é a sua, Tyler? Bateu a cabeça com muita força ou finalmente decidiu virar homem e não sair correndo que nem uma garotinha toda vez que beijo Amber? – Diz Clarck alterado.
–Vá se ferrar, Clarck. – Diz Tyley, meigo. – Eu só vi o tipo de pessoa que Amber é, manipuladora. Não é só porque ela “acidentalmente” quase me matou. – Posso sentir as aspas em sua voz. – Ou talvez tenha sido desde da cabeçada mesmo, talvez tenha sido desde a primeira vez em que eu a vi te beijando, ou talvez agora mesmo. Não teve um momento certo...- Ele faz cara de pensativo.
–Momento certo? – Minha voz sai rouca. Ele me olha diretamente nos olhos.
–Sim, não teve o momento certo em que eu decidi que você não serve pra mim. – Ele diz isso e sustenta meu olhar, isso me atinge como uma facada. Arquejo.
–Você está me... Me dispensando?- Minha voz sai estranhamente aguda na última palavra.
–Não me leve a mal... Mas sim. – Ele com convicção.
E é então que me dou conta, não vou chorar ou gritar. Só estou... surpresa. Sim, essa é palavra. Eu estou magoada, claro. Porém, não com dor, em meus olhos, nenhuma manifestação de lágrimas. Se é assim que Tyler quer... Por mim tudo bem, que assim seja. Eu não vou correr atrás dele.
Por fim, encolho os ombros e digo:
–Se quer assim... Tudo bem. – Franzo os lábios. A boca de Clarck se escancara de choque. Vejo a surpresa e a decepção por um segundo no rosto de Tyler, mas logo depois suas nova máscara de frieza assume seu lugar no seu novo rosto.
–Sem problemas.- Diz, frio.
Assinto.
Pego minha mochila e entro no banheiro, certa de uma só coisa: eu não vou voltar atrás.
POV Clarck
Amber fecha a porta do banheiro com um baque. Sinto minha boca escancarada. Tento achar os músculos para fechá-la, obrigo-os a trabalharem. Ainda estou completamente em choque.
Olho para Tyler que olha a porta do banheiro. Um segundo depois, dor atravessa seu rosto. Ele se senta na cama e enterra o rosto nas mãos, o idiota parece sofrer.
–Seu idiota! – Exclamo não me contendo, ele nem se move. Ouço Amber ligar o chuveiro. – Você ainda gosta dela! – Digo isso como uma acusação. – Como pode ser tão ridículo? – Uma fúria irracional me atinge, ele está fazendo Amber sofrer de graça. Chuto a mochila no chão, não contendo minha raiva. – Eu estava esperando uma competição justa! Não você mentir para Amber e fazê-la sofrer. Tem ideia de que agora ela não tem escolha?
–Ela... Ela tem sim, ela pode falar comigo. – Diz ele com uma voz rouca.
–Seu idiota! – Chuto a mochila de novo, tentando não chutar ele. – Amber é orgulhosa. Você não a conhece? Acha mesmo que ela vai atrás de você?
–Eu só quis ser nobre. – Diz ele com aquela voz rouca ridícula.
–Nobre?- Cuspo a palavra. – Você acha que foi nobre falando que ela é uma manipulado? Ou acha que foi nobre quando acusou ela de tentar te matar? Você é ridículo Tyler, ridículo. – Tento me controlar para não socar Tyler, mas ele não está facilitando as coisas.
–Eu... Eu acho que errei Clarck. – Diz ele com aquela voz.
–É óbvio que você errou. Idiota! – Grito. Ele começa a chorar. Olho-o. – Olhe Tyler, se você acha que eu vou me afastar da Amber por ter peninha de você com essa carinha chorosa... Você está completamente enganado. Você poderia estar com uma corda no pescoço que eu não me afastaria dela. Diferente de você com toda a sua nobreza. – Eu disse a palavra com nojo.- Eu a amo. – Foi difícil dizer isso.
–Você a ama?- Tyler levanta a cabeça em choque.
–Você é surdo? – Rebato.
–Como você a ama? – Pergunta Tyler.
–Amando-a, idiota. – Não sei onde ele quer chegar. Então cai minha ficha. – Claro que você não entende isso, Tyler. Você só um garotinho mimado com uma mãezinha rica que sempre teve tudo o que quis. Você sempre foi popular, sempre teve um milhão de amigos, sempre teve todas as meninas que queria. É óbvio que você não entende o que é amar. Eu realmente estava esperando muito de um garotinho mimado filho de Poseidon.- Eu disse isso como se fosse uma ofensa.
E foi então que eu senti um soco em minha cara.
POV Tyler
–Essa foi pelo chute no meu peito! – Grito.
Vejo Clarck cair de encontro ao chão e me arrependo na mesma hora de ter batido nele. O que Amber vai pensar? Vai me matar. Mas o Clarck me xingando me mimado foi demais pra mim. A vida inteira, todo mundo dizia que eu era mimado, e eu simplesmente ignorava. Mas Clarck desmerecendo meu pai foi demais pra mim.
Ouço um barulho e Amber abre a porta do banheiro.
–Ai meu Zeus, Clarck!– Sua voz sai quase... histérica. Ela olha acusatoriamente para mim. – O QUE VOCÊ FEZ? SEU IDIOTA! – Ela grita e se joga de encontro comigo. Eu sou logicamente mais forte que ela, mas seu encontrão faz com que eu caia na cama, ela se atira no chão dramaticamente.
–Eu bati nele, óbvio. – Digo. Ela me fuzila e desejo engolir minhas palavras na mesma hora.
–Ah, meus deuses, Clarck. Sua boca. – Diz Amber quando vê o minúsculo corte do lado da boca de Clarck, ele encosta levemente e solta um gemido de dor. – Ah deuses, está doendo muito? – Ela pergunta derramando preocupação.
–Está tudo bem. – Ele responde lançando um olhar nojento pra ela, que eu só poderia definir como meigo, argh.
–Não se preocupe, Amb. – Digo, irônico. Ela não responde, então continuo.– Logo você vai poder beijar a linda boquinha do Clarck. – Ela não diz nada. — Aposto que ele beija muitoooo bem. Dê um pouquinho de ambrosia pra ele, ele vai ficar bem. Eu aposto. – Continuo irônico.
–Ele beija melhor que você. – Ela diz um sussurro baixo enquanto pega a ambrosia. Sorrio com dor.
–Era isso que eu queria! Achei que a Amb tivesse perdido a voz linda dela. – Continuo provocando. Amber vira para a mochila, de costas para Clarck e ele levanta o dedo do meio pra mim. Semicerro os olhos e tremo de raiva, ele sorri.
Depois disso o dia passa rapidamente, eu continuo implicando com Amber e ela, me ignorando. Saímos para comer e — graças aos deuses,- nenhum monstro nos ataca. Quando vejo, já estamos no final do dia e nos trocamos para nos deitar.
–Com vamos dormir? — Pergunta Clarck quando estamos todos de pijamas encarando a cama de casal e o colchão de solteiro no chão.
–Você dorme com Amber na cama e eu durmo no colchão. – Respondo certo de que Amber vai protestar, por isso, sorrio.
–Que tipo de garota você acha que eu sou? – Ela pergunta claramente irritada. Antes de eu responder, ela levanta um dedo me advertindo a não falar. Depois, se joga no colchão no chão e simplesmente diz:
–Boa noite.
–Levante daí, Amber. – Digo entredentes. Clarck bufa junto comigo. Ela finge estar dormindo e não responde.
–Jogamos ela do colchão? – Pergunta Clarck.
–Não enquanto ela estiver com essa adaga do lado dela. – Bufo.
–Eu durmo no primeiro turno, depois você me acorda e dorme. De boa? – Ele cria uma ideia.
–E o que eu faço enquanto você dorme? – Pergunto. Ele me olha estranhamente e diz:
–Eu lá vou saber? – Balanço a cabeça e se deita.
A noite voa, quando eu acordo Clarck e durmo não parece que se passou nem uma hora. Logo de manhã vamos direto para o aeroporto e saímos daquele “hotel” nojento. Quando me dou conta, já estamos no avião, provavelmente partindo para a morte certa de um de nós três.
Notas finais
(Capítulo para mostrar o verdadeiro eu do Tyler, kk)
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