O Líder Da Máfia

27 Será que tudo realmente ficará bem ?


Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Gente, eu tô muuuuuuito feliz por finalmente ter conseguido colocar imagem no capítulo (é a glória), apesar de que esse capítulo tá meio triste... Enfim, sem spoilers né hahahaha Espero que gostem e comentem o que acharam ! Boa leitura !

Todos dizem que a morte é a pior coisa pela qual podemos passar, já que é o fim. Mas acredito que seja uma forma de libertação. Uma fuga para toda dor e sofrimento existente neste mundo cruel.

Eu tive esperança. Tive fé. Confiei. Mas com o passar do tempo, qualquer mísera faísca de crença de que Alecssander viria se foi. À essa altura, já sabia que ele havia desistido de me procurar e me deixado para morrer numa cela fria e escura. Talvez ele nem soubesse que eu estava aqui, mas que diferença faria ? Mesmo que ele viesse, eu não tinha mais motivos para viver. Me sentia suja devido aos estupros diários. Por algum motivo, pararam de me alimentar já fazia alguns dias -ou talvez semanas, o que resultava em muita tontura, fraqueza e dor de cabeça quase sempre. A única água que conseguia tomar era a da pia, que possuía um gosto estranho semelhante ao de ferrugem. Sempre acordar na escuridão e ficar acordada por horas num cubículo de cela estava me deixando claustrofóbica. E, como se ainda não fosse o bastante, Thomas havia voltado à me perturbar com seus comentários traiçoeiros.

Eu estava ficando louca fisicamente e psicologicamente, e estava cansada. Cansada de continuar lutando por uma vida que eu nem sabia se teria. Pensar que nunca mais poderia ver as pessoas que amava ou fazer as coisas de que gostava já não parecia algo tão ruim. Eu sei que muitos pensariam que eu devia fazer algo ao invés de ficar deitada com o chão de pedras servindo como colchão, apenas aguardando o pior. Mas, o que eu poderia fazer, se não esperar ?

Naquele tipo de situação, eu senti que já estava morta.

Ouvi o som de uma chave abrindo a porta da cela e fui cegada por uma fortíssima luz branca que entrou pela pequena fresta que foi aberta.

— Olá, Darella. Como se sente ? — disse a mulher de voz robotizada.

— Melhor impossível. — respondi com ironia. Não era a primeira vez que ela vinha à minha cela, sempre fazendo as mesmas perguntas. Na segunda vez que veio, tentei fugir, correndo para fora assim que a porta se abrisse, mas a única coisa que ganhei foi alguns socos de alguém que fica cuidando da porta pelo lado de fora.

Ela sorriu com seus carnudos lábios vermelho-sangue.

— Que ótimo. Você precisa estar bem lúcida para a conversa que iremos ter hoje. — um homem lhe trouxe um banco para ela sentar-se, e depois veio até mim e prendeu algemas com correntes que vinham das paredes em meus pulsos que eu nunca havia notado. Depois que saiu, fechou a porta nos deixando na escuridão. Segundos depois fui cegada novamente pela luz da lanterna que ela apontou diretamente para meus olhos, certamente para me impossibilitar de ver seu rosto.

— E sobre o que seria ? — perguntei com a voz seca enquanto ela ajeitava a ridícula peruca roxa.

— Sobre Alecssander, obviamente. — respondeu, ajeitando os óculos escuros propositalmente grandes em seu rosto.

— Quantas vezes preciso dizer que não sei onde ele está ?

— Não precisa, na verdade. — retrucou. — Vamos apenas conversar. Diga-me, você confia nele ?

— Isso não é relevante. E o que quis dizer com não precisa ?

— Eu que faço as perguntas aqui, querida. — ela aumentou a claridade da lanterna, o que fez meus olhos arderem e serem obrigados a olhar para o chão. — Responda.

— Confio.

— Confiaria sua vida nele ?

Franzi o cenho antes de responder.

— Sim.

Ela parecia contente.

— Você hesitou.

— Aonde quer chegar ?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse escolhendo com cuidado sua resposta.

— Alecssander já te contou sobre o passado dele, Darella ? Das coisas horríveis que ele sentia prazer em fazer ?

— Isso não importa.

Ela estalou a língua.

— Claro que importa. Já imaginou que ele ainda pode estar fazendo essas coisas bem debaixo do seu nariz ?

— Alecssander não é o mesmo de antes. Ele mudou, todos mudam.

Ela soltou uma gargalha tão alta que quase senti as paredes vibrarem.

— Você acha que o conhece melhor do que eu ? — disse — Eu o conheço desde muito antes dele ser líder da máfia. O conheço o suficiente para saber que ele não mudou nada.

— Como o conheceu ? — não resisti perguntar.

— Eu era como você. Uma garota boba e ingênua que se deixou levar pelos encantos do encantador Alecssander Al'Capone. Ele me usou para conseguir o que queria e depois que conseguiu, me jogou fora como um copo descartável.

— Eu não tenho nada que Alecssander tenha interesse. Só isso já prova que ele mudou.

— Tem certeza ? — desafiou.

— O que quer dizer com isso ?

— Como seu pai morreu, Darella ? Bandidos, certo ? Nunca se perguntou quem eram os bandidos ?

— Aonde quer chegar com isso ?

— Acho que você está mal informada. Mas tenho certeza de que Alecssander adoraria lhe contar essa história. — ela riu.

Franzi o cenho.

— O que meu pai tem a ver com Alecssander ? Nada disso faz sentido.

Ela riu.

— Tão tolinha quanto o pai.

Senti meu sangue ferver.

— Não ouse falar sobre meu pai ! — esbravejei tentando pular pra cima dela, mas fui impedida pelas algemas que se apertaram em meus pulsos.

Sua risada ficou ainda mais alta.

— Você ainda tem muito a aprender, criança. — ela desligou a lanterna e caminhou com seus saltos agulha até abrir uma fresta da porta. — Quer um conselho ? — fez uma pausa enquanto colocava a mão na maçaneta do lado de fora, me permitindo ver suas afiadas unhas pintadas com esmalte rosa pink. — Não confie nele para não acabar como eu. Não há vingança pior do que a de uma mulher rejeitada.

Depois disso, trancou a porta pelo lado de fora e saiu andando com seus saltos ecoando pelo corredor. Minutos depois, senti aquele profundo cansaço me atingindo e me entreguei ao efeito da droga.

[...]

Vadia. Merece mesmo morrer num lugar como esse.

Thomas se divertia com suas frases traiçoeiras, e eu tentava ignorar na medida do possível enquanto acordava lentamente, sentindo dores por todo o corpo e fortes fisgadas na cabeça.

Me levantei com dificuldade e tateei o caminho na escuridão até a pia para beber um pouco de água.

Gostaria de dizer que sinto pena em te ver nessa situação, mas não sinto.

Ignorei seu comentário e voltei a me sentar no chão de pedra, tentando pensar numa música ou qualquer coisa que me distraísse da voz de Thomas.

O que foi, Darella ? Não suporta a verdade ?

Comecei a cantarolar a música que eu e Alecssander dançamos no baile da faculdade, me lembrando da maioria dos detalhes. Eu sentia tanta falta daquilo.

Seu príncipe encantado não vai vir te salvar dessa vez. Ele te deixou para morrer sozinha.

— Cale-se ! — esbravejei, com minha voz fazendo eco pela cela minúscula.

Ele deu uma risada diabólica.

Fique tranquila, em breve estaremos juntos. Para sempre.

— Alecssander nunca permitiria isso.

Tem certeza ? A mulher de mais cedo tem razão. Como pode confiar tanto em um homem que mal conhece ?

— Eu conheço ele. — revirei os olhos.

Ah é ?! Então qual é o segundo sobrenome dele ? Idade ? Ou melhor, o que você sabe sobre o passado dele ?

Fiquei em silêncio. Odiava admitir, mas dessa vez, Thomas tinha razão. Eu não sabia nada sobre Alecssander e mesmo assim, confiava minha vida à ele.

Viu ? Você sabe que eu tenho razão. Vocês não se mereciam, de qualquer forma.

— Já chega ! — esbravejei, ficando de pé. — Chega Thomas ! Saia da minha mente ! AGORA !

Ele riu.

Nós dois sabemos que isso não será possível. Você consegue me afastar com remédios, mas jamais vai se livrar de mim.

Senti sua mão puxando meus cabelos e um calafrio subiu pelo meu corpo. De repente, ouvi ruídos do lado de fora da cela, parecia alguém correndo desesperadamente ou algo assim, mas cessou logo em seguida. Senti aquele familiar cansaço e voltei a me deitar no chão frio de pedras. Os vigias certamente pensaram que eu estava ficando louca e me colocaram pra dormir.

Minha visão estava começando a ficar turva quando a porta da cela foi escancarada brutalmente e uma figura masculina passou por ela, vindo em minha direção e me pegando em seus braços com desespero. Senti meus olhos se encherem de lágrimas que logo escorreram por minhas bochechas. Mesmo com a vista embaçada e turva, eu o reconheceria em qualquer lugar, não importa as circunstâncias. Seu perfume me atingiu em cheio, fazendo meu coração palpitar. Juntei o restante de forças que ainda me restavam para passar a ponta dos dedos por sua bochecha, roçando em sua barba por fazer. É real ?

Antes de tudo ficar escuro, um último pensamento passou ela minha mente: Não sei como fui capaz de perder as esperanças. Porque ele estava ali. Alecssander veio me buscar.

[...]

— Acha que ela bateu a cabeça ou algo assim ?

Minha cabeça estava latejando quando abri os olhos, com a claridade absurda do sol me cegando. Era perceptível que eu não estava mais na cela escura, e fiquei extremamente aliviada por isso. Senti o cheiro de lençóis lavados e me mexi na cama, notando o colchão e travesseiros confortáveis. Tive quase certeza de que era a cama do meu quarto no apartamento de Alecssander.

— Não. Tomei cuidado quanto a isso. Ela ainda deve estar sob o efeito da droga. — Alecssander disse. Estavam conversando baixo, mas pareciam estar dentro do quarto.

Soltei um grunhido baixo de dor enquanto tentava me sentar na cama, e foi suficiente para que Grace e Alecssander viessem rapidamente em minha direção.

— Como se sente ? — Grace sentou-se na beira da cama perto dos meus pés e Alecssander ficou em pé encostado na parede ao lado da janela, com os braços cruzados acima do peito.

— Dolorida. — murmurei.

Ela deu um sorriso acolhedor.

— Isso é normal. — disse — Você passou por muita coisa no último mês.

— "Último mês" ? — arqueei as sobrancelhas. — Eu fiquei um mês inteiro naquele lugar ?

Ela desviou o olhar, mas concordou com a cabeça.

Soltei um suspiro e passei os olhos pelo quarto. Nada havia mudado, a não ser as várias cartelas de remédios e seringas em cima do criado mudo.

— São antipsicóticos. — disse Grace. — Alecssander me contou sobre seu... Hum... Probleminha e-

— É uma doença, Grace, não um "probleminha". — falei friamente. Não queria ter sido grossa, mas odiava falar sobre esse assunto.

— Desculpe. — ela disse sem se deixar abalar. — Enfim, aplicamos uma boa quantidade com a seringa, mas se precisar de mais, não deixe de avisar.

Assenti.

— Está com fome ? — Grace perguntou enquanto se levantava e ia até um balcão com sacolas de papel. — Tenho certeza que sim. Vendo as condições daquele lugar, duvido que você tenha comido algo de verdade.

Ela me entregou as sacolas cheias dos mais variados tipos de comida, como rosquinhas, refrigerantes, etc. Tinha comida suficiente para alimentar um batalhão, e não hesitei em começar a atacar um pouco de tudo. Alecssander e Grace me observavam em silêncio, pareciam achar graça da minha felicidade em finalmente poder comer algo que não fosse um mingau insosso e uma água com gosto de ferrugem. Quando terminei, agradeci e eles sorriram.

Fiz menção de levantar para fechar as cortinas, mas me senti tonta e apenas cambaleei de volta para a cama. No processo, Alecssander segurou meu braço para dar apoio e eu senti um calafrio subir pelo corpo, mas não era algo bom. Com aquele inocente toque, senti como se tivesse de volta àquela cela escura com o estuprador me tocando sem parar.

Puxei meu braço de sua mão brutalmente e desviei o olhar.

— Por favor, não toque em mim. — murmurei, encarando o chão.

Um silêncio tenso pairou no ar. Grace estava com uma expressão surpresa, já Alecssander estava desconfiado, com o cenho franzido. Ficamos nos encarando por alguns segundos, tentando desvendar o pensamento de ambos, até Grace limpar a garganta.

— Bom, acho melhor deixar vocês conversarem. — disse — Fico feliz que esteja bem, Darella. Volto amanhã para ver como está.

Sozinhos no quarto, o clima ficou ainda mais pesado.

— O que aconteceu naquela cela ? — Alecssander perguntou sem mudar sua expressão.

Desviei o olhar.

— Nada.

Ele bufou.

— Então tá. — disse — Melhor você voltar a dormir, precisa descansar.

Ele se aproximou para me cobrir com o fino cobertor e eu recuei quando sua mão encostou na minha. Ele franziu o cenho e estalou a língua.

— O que aconteceu, Darella ? — perguntou, aumentando o tom de voz.

— Já falei que não aconteceu nada. — falei com rispidez.

Ele bufou.

— Achei que confiasse em mim.

— Eu também achei. — respondi encarando minhas mãos entrelaçadas em cima das pernas. As juntas dos dedos já estavam brancos de tanto que eu os apertava. Nervosismo ? Medo ? Insegurança ? Não sei.

— Então o que mudou ?

Demorei para responder e finalmente criei coragem para encará-lo.

— Na verdade, nada mudou. Eu simplesmente não consigo confiar em você totalmente sendo que você não me conta nada sobre seu passado.

Ele bufou novamente enquanto cruzava os braços.

— Já tivemos essa conversa, Darella. O que está no passado, deve ficar lá. E você me conhece, não sei nem porque ainda insiste nisso.

Agora foi a minha vez de bufar.

— Eu não estou falando sobre saber sua cor preferida ou seu nome do meio, estou falando sobre o que você fazia antes de me conhecer ! Todos dizem que você mudou muito, mas por que não me diz o que mudou ?

— Porque não é importante, Darella ! Meu Deus, porque você quer tanto saber essas coisas ?

— Porque o que fizemos no passado influencia para sermos que somos hoje, eu quero saber quem você foi !

Ele ficou algum tempo em silêncio.

— Chega desse assunto, Darella.

Bufei.

— Do que você tem tanto medo que eu saiba ?! — gritei.

Ele ficou me encarando por alguns segundos até simplesmente sair do quarto e bater a porta com força.

Bufei, cruzando os braços sobre o peito e tentando voltar a dormir.

[...]

Alguns minutos, ou talvez horas, se passaram e eu não tinha conseguido dormir. Já estava escuro lá fora, mas não parecia tão tarde. De repente, Alecssander entrou no quarto.

— Ainda acordada ? — perguntou, enquanto se aproximava e sentava na cama ao meu lado.

— Não consigo dormir. — dei de ombros.

— Ainda se sente dolorida ? Quer remédios ?

Neguei.

— Não consigo dormir porque... — suspirei, murmurando a próxima frase: — Porque tenho medo de acordar naquela cela e perceber que tudo isso foi um sonho.

Ele colocou a mão sobre a minha para transmitir conforto, mas senti apenas mais calafrios e tive que retirar a mão debaixo da dele.

— Não é um sonho. — assegurou. — Me sinto mal por ter demorado tanto para te buscar, não consigo nem imaginar o que você passou, mas tente relaxar; está segura agora. Não vou deixar ninguém te levar de novo... Nunca mais. É uma promessa. Tudo ficará bem.

— Sinceramente — comecei, seguido de um suspiro. — Eu não acho que tudo ficará bem.. Eu só quero que fique. Quero acreditar nisso.

— Você não tem motivos para desacreditar. — ele assegurou, dando um sorriso fraco. — Confie em mim.

— Difícil. — murmurei, sem encará-lo.

Ele desviou o olhar. Ficamos em silêncio durante algum tempo até Alecssander pigarrear e se levantar.

— Bom, só vim ver como você estava. Já estou voltando para o meu quarto. — disse. — Boa noite.

Antes que ele pudesse sair do quarto, meu corpo agiu sem pensar.

— Espe...ra — minha voz falhou. Ele parou onde estava e me olhou com uma expressão de dúvida. — V-Você p-poderia... Poderia f-ficar aqui ?

— Claro. — disse sem mudar a expressão, indo em direção ao interruptor de luz.

— Não apague ! — apressei. — Por favor.

— Certo. — murmurou antes de pegar o travesseiro ao meu lado e se jogar na poltrona ao lado da cama. — Se precisar, estarei aqui.

Assenti.

— Obrigada, Alecssander.

Ele se acomodou na poltrona, cruzando os braços sobre o peito e fechou os olhos enquanto apoiava o pescoço no travesseiro. Fiquei o analisando por alguns segundos até deitar e tentar dormir um pouco, mesmo com receio.

Notas finais
Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !