O Líder Da Máfia

28 Surpresa inesperada


Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Desculpe a demora, mas não tô mais conseguindo postar os capítulos diariamente :/ Por motivos pessoais. Enfim, espero que gostem e não deixem de comentar o que acharam ! Boa leitura !

Como já era de se esperar, não dormi durante a noite. Houve raros casos em que eu conseguia cochilar e acordar assustada minutos depois, temendo estar de volta àquela cela, e é o que acabou de acontecer neste exato instante.

Olhei para o relógio na parede que marcava pouco mais de oito horas da manhã enquanto me sentava na cama, desistindo da ideia de dormir. Depois de alguns minutos encarando a parede, passei a observar Alecssander, que dormia na poltrona ao meu lado. Com os braços cruzados acima do peito e a cabeça jogada para trás no travesseiro, ele possuía uma fisionomia tranquila, mas parecia que não dormia a dias, isso porque as olheiras embaixo de seus olhos e sua barba mais cumprida do que o normal são bem evidentes. Ele soltou um resmungo baixo e virou a cabeça para o lado, fazendo algumas mechas de seu cabelo castanho rebelde e bagunçado caírem sobre seus olhos. Por um curto período de tempo, tive vontade de levantar só para ajeitar aquelas mechas, mas me contive. De repente, meu olhar pousou em sua boca entre aberta, e memórias de seus beijos surgiram em minha mente pouco a pouco, mas rapidamente balancei a cabeça e tentei espantar esses pensamentos. Era estranho, antes de tudo acontecer, pensar nos beijos dele me fazia ficar nas nuvens, mas agora, a única coisa que sinto são calafrios por todo corpo.

— Eu sou tão bonito assim ao ponto de você ficar me encarando por mais de dez minutos ?

Dei um pulo quando ouvi o som de sua voz e pisquei rapidamente, como se tivesse saído de um transe. Agora, Alecssander me encarava com os olhos abertos e um sorriso travesso nos lábios enquanto se ajeitava na poltrona.

— Achei que ainda estivesse dormindo. — falei séria, ignorando seu comentário anterior. — Está cedo.

— Então quer dizer que se eu ainda estivesse dormindo, você continuaria me admirando ? — ele provocou e eu revirei os olhos. — Você conseguiu dormir bem ? Está se sentindo melhor ?

— Sim, para as duas perguntas. — Menti. Ele não precisava saber a verdade, se não, me obrigaria a passar o dia deitada até me recuperar. Para ser sincera, as dores no corpo não estavam tão intensas como antes e eu não estou me sentindo tão tonta e fraca. Consigo passar o dia assim.

— Que bom — ele sorriu. — Vou até o escritório hoje, quer ir ou prefere continuar deitada ?

— Eu vou. — falei rapidamente.

— Certo. — ele se levantou. — Quer ajuda pra trocar de roupa ?

O olhei com repreensão e ele levantou as duas mãos como sinal de rendimento.

— Ei, ei, ei — disse — A única que maliciou aqui foi você, eu estou apenas tentando ser gentil.

Revirei os olhos.

— Tenho certeza de que consigo ao menos trocar de roupa sozinha. — falei com confiança. — Você já pode sair.

Ele assentiu.

— Esteja pronta em dez minutos. — depois de dizer isso, ele saiu do quarto e fechou a porta.

Soltei o ar que nem percebi que estava segurando. Mesmo depois de um mês, os sentimentos que sinto por ele jamais mudaram; houveram momentos de fraqueza e apenas isso.

Com certa dificuldade, coloquei os pés pra fora da cama e me levantei, indo em direção ao closet. Vendo por outro lado, eu não menti tanto para Alecssander; ainda estava me sentindo tonta e fraca, mas certamente melhor que o dia anterior. Escolhi uma roupa qualquer e prendi o cabelo num rabo de cavalo, sem ânimo algum para me arrumar melhor. Soltei uma risada fraca ao pensar que Rosalya me mataria se me visse vestindo moletom.

Desci as escadas rapidamente e encontrei Alecssander escorado na parede de braços cruzados já pronto com uma roupa social preta e um óculos escuro. Ao me ver, arrumou a postura e nos conduziu até seu carro no estacionamento.

Todo o percurso até o novo endereço do escritório foi em silêncio total, com ambos mantendo uma certa distância um do outro. Ele parecia incomodado com isso, mas não falou nada. Ao chegar, os agentes me cumprimentaram amigavelmente, sem nenhum tipo de contato ou afeto, até porque eu não conhecia a maioria. Alecssander disse que precisava resolver alguns assuntos e era para eu esperá-lo em sua sala, onde estaria Grace.

— Grace anda estranha ultimamente. — Alecssander disse de repente enquanto subíamos as escadas de concreto.

— Como assim ?

— Não sei explicar. Ela parece preocupada, ansiosa ou distraída, mas quando pergunto o motivo ela diz que está tudo bem. — ele suspirou. — Sei que não é o melhor dos momentos, mas se você puder conversar com ela, eu agradeço. Grace é mais do que minha agente, eu a conheço desde que éramos crianças e sei quando algo não vai bem.

— Eu... Eu não prometo nada, mas vou tentar. — falei.

— Obrigado. — ele disse antes de abrir a porta de sua sala.

Grace estava sentada num sofá de couro enquanto lia concentrada o conteúdo de algumas pastas espalhadas na mesinha de centro à sua frente. Ao nos ver, ela sorriu e veio para me dar um abraço.

— Darella ! — disse alegremente. — Eu não sabia que viria. Você parece muito melhor, isso é ótimo, fico feliz.

— Obrigada, Grace. — agradeci enquanto retribuia seu abraço inesperado.

— Bom, preciso resolver algumas coisas, vocês vão ficar bem ? — perguntou Alecssander.

Nós duas assentimos. Ele esticou a mão para segurar a maçaneta da porta, mas acabou roçando propositalmente a ponta dos dedos em meu braço, o que me causou calafrios e me fez afastar-se abruptamente.

— Não toque em mim Alecssander ! — falei, ficando à uns dois metros de distância dele.

Ele me encarou por alguns segundos com uma expressão séria antes de sair batendo a porta sem dizer uma palavra.

— O que houve entre vocês ? — Grace perguntou voltando a se sentar no sofá e fazendo um gesto para que eu me sentasse ao seu lado.

— Nada. — murmurei desviando o olhar. Ficamos algum tempo em silêncio até eu sentir a mão de Grace em meu ombro.

— Olha, eu sei que não somos muito próximas e que eu não sou uma Rosalya, mas você pode confiar em mim. — ela deu um aperto de leve na tentativa de transmitir segurança.

— Obrigada, Grace. — respondi sem entrar em detalhes do que houve.

Ficamos em silêncio novamente, e eu passei a observar o que Grace estava fazendo.

— O que você precisa fazer ? — perguntei.

— Separar alguns documentos que sobraram do antigo escritório e ver qual devemos guardar e qual podemos jogar fora. — ela suspirou. — Nunca pensei que fossem tantos.

— Quer ajuda ? — ofereci. — Não parece difícil.

— Tem certeza ? — ela perguntou e eu assenti. — Bom, então você pode começar com aquela pilha ali. — ela apontou para o monte de papéis à sua direita e eu rapidamente comecei a ajudá-la.

Apesar de tudo, não estava nem um pouco chato fazer aquilo. Grace e eu conversávamos sobre assuntos aleatórios enquanto organizávamos os documentos, e nem vimos quando o tempo passou rápido e já era perto da hora do almoço.

Nas últimas pilhas, vi algo que me surpreendeu: meu nome em um dos documentos. Achei estranho, mas decidi ler mais tarde com atenção, então, quando Grace não estava olhando, dobrei o papel e guardei no bolso do meu moletom.

— Ufa, finalmente terminamos ! — disse Grace depois de um longo suspiro enquanto se jogava no sofá numa posição desajeitada. — Obrigada, Darella, se não fosse por você, eu nunca teria terminado de organizar esses documentos.

— Sem problemas. — respondi com um sorriso amarelo me jogando de costas no sofá.

— Você leva jeito pra isso, já pensou em trabalhar pra máfia ? — ela disse de forma brincalhona.

Eu ri.

— Claro, seria ótimo arriscar minha vida todos os dias.

Agora foi a vez dela rir.

— Tirando esse pequeno detalhe, não é tão difícil.

— "Pequeno" ? — perguntei, arqueando as sobrancelhas.

Nós duas rimos.

— Bom, de qualquer forma, eu não levaria jeito pra máfia. Não sei atirar e nem lutar, seria um completo fracasso. — falei.

— Ah, que isso ?! — ela disse — Alecssander me disse que antes do último mês, vocês estavam treinando.

— Sim, mas é o suficiente para me defender, e não para lutar.

— Bom, talvez você esteja certa. — ela franziu o cenho. — Mas é tudo uma questão de tempo e prática. Ninguém nasce sabendo, afinal. Eu mesma, levei meses para aprender a me defender.

Apenas balancei a cabeça positivamente, concordando. Talvez ela tenha razão, é apenas uma questão de tempo e prática para que eu aprenda a atirar e me defender bem.

Lembrei-me do que Alecssander havia me falado antes de entrarmos na sala e rapidamente tentei puxar assunto.

— Mas então, como foram as coisas no último mês ?

— Ah, o mesmo de sempre. — ela respondeu simplesmente, sem entrar em detalhes.

— Não aconteceu nada ? — insisti — Como você está ?

— Estou bem. — respondeu novamente.

Suspirei. Aquelas respostas curtas estavam me deixando impaciente, então resolvi ser franca de uma vez.

— Olha, Grace, vou ser sincera com você. Alecssander me disse que você anda muito estranha ultimamente, e confesso que isso também me deixou preocupada. — isso a fez me encarar — Sei que não somos próximas, mas eu te considero muito. Se quiser conversar sobre isso, estou aqui.

Fiquei impressionada com minhas próprias palavras; Darella, a garota que a alguns meses atrás só se importava consigo mesma, agora está oferecendo ajuda.

Ela ficou me analisando por algum tempo, parecia estar avaliando os prós e contras. De repente, seus olhos se encheram de lágrimas e ela se jogou em meus braços.

— Minha mãe está com uma doença grave no coração — ela disse entre o choro — Ela está morrendo, Darella ! E eu... Eu não sei o que fazer !

Sem reação e sem saber o que falar, apenas acariciei seus cabelos negros cacheados e deixei que ela chorasse em meu peito. Ela precisava desabar em algum momento, e por ser da máfia certamente não tinha ninguém por perto, e com certeza Alecssander é ocupado demais para dar atenção a isso. Sem falar que sendo Sub Líder, ela precisa manter o papel de durona, para não pensarem que ela é um alvo fácil. Eu a admiro.

Depois de algum tempo, ela se acalmou e começou a ter soluços baixos que logo cessaram.

— Está melhor ? — perguntei.

Ela se afastou e limpou o rosto com a manga do terninho.

— Sim. — disse. — Obrigada, Darella. Você é uma boa amiga.

Ficamos algum tempo em silêncio. Soltei um longo suspiro e nem percebi em que momento havia começado a falar.

— Eu fui estuprada, Grace. — murmurei, mas com certeza ela ouviu pois levantou o olhar para mim de imediato. — Várias e várias vezes, todas as noites desse mês. E por causa disso simplesmente não consigo ficar tranquila quando qualquer homem me toca. — suspirei. — É muito difícil para mim dizer isso, então se puder não julgar, eu agrad- ela não me deixou terminar a frase, pois me puxou para um abraço apertado. Segundos depois, me soltou.

— Não sei nem o que dizer.

— Tudo bem, não precisa dizer nada. — dei um sorriso amarelo.

Ela ficou algum tempo em silêncio encarando o vazio até voltar a falar.

— Olha, não faço nem ideia pelo que você passou, e realmente estou tentando entender o fato de que você não suporta ser tocada por homens. — disse. — Mas... Tente pegar mais leve, principalmente com o Alecssander. Ele tem todo esse jeito de machão e é um babaca na maior parte do tempo, mas foi quem mais se empenhou para te procurar. Em todo esse mês, ele praticamente viveu dentro deste escritório, tentando de todas as formas achar pelo menos uma pista do lugar que você estava. Tinha dias que ele mal comia e nós precisávamos arrastá-lo de volta para o apartamento para que ele dormisse um pouco. — ela suspirou. — Ele não desistiu nem por um segundo, Darella. E eu queria muito que você tivesse visto o sorriso que ele deu quando descobrimos sua localização. Enfim, apenas tente levar tudo isso em consideração. Eu o conheço o suficiente para saber que ele nunca fez e nunca vai fazer nada parecido por nenhuma outra garota.

Uma batida na porta interrompeu nossa conversa e a cabeça de Alecssander surgiu numa fresta que foi aberta.

— Grace, me informaram que você queria fazer um anúncio e chamou toda a máfia até aqui. Bom, eles já chegaram e estão esperando no andar de baixo.

Ela assentiu.

— Obrigada por avisar, já estou descendo.

Ele fechou a porta e Grace se levantou, dando uma última limpada no rosto e arrumada no cabelo, em seguida olhou para mim.

— Você vem ?

— Eu posso ?

Ela sorriu.

— Claro que sim. Vamos.

Descemos as escadas rapidamente chegando num saguão enorme lotado de homens e mulheres de todas as idades, da posição mais baixa até as mais altas. Rapidamente, Grace nos conduziu até umas cadeiras ao lado da que Alecssander estava sentado, encima de um palco improvisado. Ele levantou-se e foi até o centro e imediatamente todas as conversas cessaram.

— Agradeço a todos por terem vindo para este rápido anúncio da sua Sub Líder. — disse Alecssander. — Grace Pines, por favor, venha até aqui.

Grace se levantou e foi até lá e Alecssander voltou a se sentar ao meu lado. Ela pigarreou e começou a falar.

— Mais uma vez, agradeço a todos por terem vindo, é muito importante que estejam aqui pois as coisas serão diferentes daqui pra frente. — ela começou. — Como sabem, já faz mais de doze anos que estou como Sub Líder da máfia americana, e gostaria de dizer que foram os melhores anos da minha vida, sério, vocês foram a minha família nesse tempo, e eu agradeço por cada momento que passamos juntos e por todos os amigos que fiz aqui, à vocês, deixo meu "muito obrigada". Enfim, sem mais delongas, informo que estou deixando meu cargo por motivos pessoais, me mudarei em alguns dias para o interior. — esse anúncio chocou a todos, inclusive a mim, e fez com que vários murmúrios começassem pelo saguão. — Ainda como Sub Líder, sei que tenho o direito de escolher um sucessor. Obviamente, quem vai decidir é o seu Líder, mas essa é a minha sugestão. Pensei que levaria semanas para escolher alguém, mas depois de hoje, tudo ficou claro. Eu sugiro, como minha sucessora e a nova Sub Líder da máfia americana, a senhorita Darella Melbourne.

Notas finais
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