O Líder Da Máfia

34 Por favor, não me mate, eu pago o dobro


Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Sei que sumi, mas me bateu um tremendo bloqueio criativo e eu não soube o que escrever. Mas aqui estamos nós, depois de muuuuito tempo, estou de volta com um capítulo fresquinho. Espero que gostem e não deixem de comentar sua opinião. Boa leitura !

Com as costas apoiadas numa parede sendo consumida pelo mofo e prestes a ruir, com os braços cruzados acima do peito e uma expressão de impaciência, eu aguardava a volta de Alecssander.

Um sorriso momentâneo surgiu em meus lábios automaticamente assim que pensei em seu nome. A verdade é que eu não parava de pensar no que ele havia me dito essa manhã, quando acordamos.

"Você é a única razão que me faz querer sair da cama todas as manhãs"

A frase ressoava em minha mente como se fosse uma doce melodia ou um poema do próprio Shakespeare. Alecssander não faz ideia do quanto mexe comigo, em todos os sentidos possíveis. Esse sentimento, a sensaçãode estar apaixonada, de amar alguém, é muito além do que eu pensei que sentia por Thomas no passado. Se estar apaixonada é sentir essa felicidade imensa, então é muito bom ser feliz.

— Darella ? — ouço aquela voz me chamar. Ao olhar em sua direção, vejo Alecssander na curva do corredor, me encarando com um sorriso de canto. Ele certamente me pegou sorrindo sozinha igual uma idiota, e assumo não estar envergonhada por isso. — Está pronta ?

— Eu sempre estou. — respondo indo em sua direção, agora sorrindo abertamente para ele.

— Ainda dá tempo de desistir. — ele disse enquanto me conduzia por outro corredor. Conforme andávamos, podia-se ouvir um murmúrio de vozes conversando animadamente ficando cada vez mais alto.

— Eu não quero desistir. — afirmei, tentando parecer o mais confiante possível, o que não era verdade. Eu estava nervosa. Se fosse em qualquer outro dia tudo bem, mas, porra, Alecssander tinha que escolher justamente hoje para oficializar meu cargo na máfia ? Justo hoje, quando eu não consigo pensar em nada além do que ele me disse mais cedo ? — Você quer ?

Ele apenas balançou a cabeça negativamente e continuamos seguindo pelos corredores, em silêncio. Depois de virar várias vezes e andar o que pareciam quilômetros, finalmente chegamos num salão imenso, onde provavelmente toda a máfia estava reunida, conversando entre si. Assim que nos viram, se calaram num silêncio impressionante.

— Bom, como sabem, antes dos... Acontecimentos desta semana, Grace havia deixado alguém para ocupar seu cargo, e essa reunião é justamente para isso. Gostaria de oficializar Darella Melbourne como Sub-Líder da máfia. Toda e qualquer questão que antes vocês resolveriam com Grace, agora podem resolver com ela. — ele finalizou, mas quando as conversas retornaram, ele pigarreou e novamente houve um silêncio. — Antes que eu me esqueça, sei que muitos aqui são contra essa escolha, e à esses, se tiverem algum problema com ela — ele olhou mortalmente para todos da sala, como se tivesse os desafiando — Podem vir resolver diretamente comigo.

Dito isso, ele deu as costas para a multidão e me puxou pelo braço em direção aos corredores que levariam à parte administrativa da máfia.

[...]

— O que estamos fazendo aqui fora ? — questionei, cruzando os braços acima do peito.

— Esperando. — Alecssander respondeu simplesmente, ajeitando os óculos escuros sobre os olhos.

— Esperando o quê ? — apoiei a lateral do corpo no portão de ferro ao meu lado. O novo escritório da máfia não era tão afastado da cidade como o outro, ou seja, a rua estava levemente movimentada. Devido à isso, o prédio que ocupamos estava ainda mais protegido do que antes, contendo agentes de guarda em três janelas de cada andar e um "porteiro" disfarçado ao lado do portão que eu e Alecssander nos encontrávamos.

— Não é "o que", é "quem". — ele disse misteriosamente, colocando as mãos dentro dos bolsos de sua calça social preta.

— Então, quem ? — perguntei novamente, e neste exato instante, um carro estacionou em frente ao prédio, e dele saíram duas pessoas com expressões apreensivas.

— Não fale nem faça nada a não ser que eu mande, entendeu ? — ele murmurou rapidamente para mim, e eu só tive tempo de concordar com a cabeça, mesmo sem entender muita coisa.

— Alecssander — a jovem, que parecia ter uns vinte e poucos anos, disse, quase sem fôlego.

— Ora, ora... Você não é mais a pequena Maddy, hein ? Seu pai não me contou que você tinha ficado tão bonita. Eu estava esperando por você. Ouvi dizer que tem um pagamento para mim.

A garota assentiu e Alecssander fez um gesto indicando o jovem ao seu lado, que parecia ter mais ou menos a mesma idade que ela. A ruiva ergueu o queixo, provavelmente na tentativa de parecer mais confiante.

— Ele está comigo.

— Receio que seu companheiro terá que esperar do lado de fora. — disse o porteiro pela primeira vez com uma voz grave.

O loiro ao lado da garota segurou seu braço com força no mesmo instante.

— Ela não vai entrar aí sozinha. Eu vou junto.

Alecssander encarou o garoto e pude ver o mesmo engolir em seco. Quando o líder da máfia fez um sinal para o porteiro indicando que estava tudo bem, vi o casal soltar o ar, aliviados, mas somente por um instante antes de voltarem às expressões apreensivas.

— Venham comigo. — Alecssander ordenou, e sem esperar uma resposta, deu as costas ao casal e adentrou o prédio, sendo seguido por nós três até as escadas que levariam ao terceiro andar. Chegando lá, nos conduziu por um corredor largo até abrir a porta do seu escritório, fazendo sinal com a cabeça para que entrássemos e fechando a porta em seguida.

Havia uma grande mesa de madeira maciça no meio de uma sala ampla. Alecssander foi andando até sua cadeira luxuosa atrás da mesa e se sentou, fazendo um gesto para que o casal ocupasse as cadeiras à sua frente. Mesmo com certo receio, eles se sentaram nas poltronas de couro preto. Eu me posicionei ao lado de Alecssander, mantendo uma determinada distância, cruzando os braços acima do peito, como se fosse sua guarda-costas.

— Seu pai me deve vinte e cinco mil. Acredito que você tenha o valor total. — disse Alecssander, rabiscando algo em um bloco de notas.

— Bom, na verdade... — a tal Maddy disse, pigarreando nervosamente — Ainda faltam cinco mil, Alecssander. Mas eu tenho o dia todo amanhã para conseguir o restante. E cinco mil não é problema, certo ?

— Madison — disse Alecssander, franzindo o cenho. — assim você me decepciona. Você conhece minhas regras muito bem.

— Por... Por favor, Alecssander. Estou pedindo que você pegue os dezenove mil e novecentos, e amanhã eu te trago o resto.

O líder da máfia retirou os óculos escuros que até então ainda estavam em seu rosto, mesmo estando numa sala com pouca claridade, e seu olhar revezou entre Madison e o garoto ao seu lado. Foi nesse momento em que Alecssander fez um pequeno gesto com uma das mãos e dois brutamontes surgiram ao meu lado, saídos de cantos escuros da sala. Pude ver claramente que a garota ficou pálida e o loiro perdeu o fôlego.

— Você sabe que não aceito nada além do valor total. O fato de você estar tentando me entregar menos que isso me diz algo. Sabe o quê ? Que você não tem certeza se vai conseguir tudo.

Os capangas deram um passo à frente, se aproximando do casal.

— Eu posso conseguir o seu dinheiro, Alecssander — a ruiva disse, dando uma risadinha nervosa. — Consegui oito mil e novecentos em seis horas com uma-

— Eu não estou interessado em saber como você conseguiu o dinheiro, Madison. — Alecssander a interrompeu e apontou um dedo em sua direção — Sabe quantas pessoas sentaram nessa mesma cadeira, momentos antes de morrer ? — a garota engoliu em seco. Dava para ver o medo refletido em seus olhos cor de mel. — Tenho certeza de que você não quer ter o mesmo destino que essas pessoas.

— O prazo termina somente amanhã à meia-noite. — o garoto disse pela primeira vez desde que entramos no escritório.

— Sabe, não é a primeira vez que seu pai me deve. Estou pensando em ensinar uma lição à ele, e estou curioso para saber até onde vai sua sorte. — disse Alecssander, apoiando os cotovelos na mesa.

— O... O que está fazendo, Alecssander ? — Madison perguntou, com a postura rígida, assim que os capangas se aproximaram ainda mais deles.

— Seu pai me ligou hoje. Disse que você está cuidando da dívida dele.

— Estou fazendo um favor à ele. Não devo nada à você. — ela disse, séria.

— Bom, agora deve.

O garoto loiro levantou como um raio da cadeira e puxou Maddy, colocando-a atrás de seu corpo e indo de costas em direção à porta.

— O agente Dane está do lado de fora cuidando da porta. Para onde exatamente você acha que vai fugir ?

— N-Noah, eu estava errada quando pensei que poderia persuadir Alecssander a ser racional, eu deveria ter previsto que não daria certo. — a ruiva murmurou para o garoto loiro, que agora sei que seu nome é Noah.

— Maddy — ele falou em tom de aviso, observando os capangas se aproximarem.

— Alecssander, já chega. — murmurei para que somente ele ouvisse, falando pela primeira vez desde que o casal chegou.

— Calada, Darella. — ele disse, sem me encarar.

Quando os brutamontes se aproximaram, Noah tentou lutar, mas foi nocauteado num só golpe e acabou caído no chão, acompanhado dos berros de Madison.

— Alecssander... — murmurei novamente, porém, dessa vez, Alecssander me encarou com fúria no olhar.

— Eu disse calada ! — disse entre dentes. Aquilo me assustou. Ele nunca havia me olhado ou falado comigo dessa forma, e por isso, me contentei em ficar calada.

Um dos capangas passou os braços ao redor de Madison e a imobilizou, e mesmo com ela se debatendo na inútil tentativa de se soltar, o brutamonte parecia se divertir, a segurando sem nenhum esforço.

— O que fazemos com eles, senhor ? — perguntou o agente que segurava Noah, que ainda estava meio grogue.

Alecssander suspirou, como se estivesse pensando.

— Vamos acabar logo com isso. — dito isso, ele pegou um revólver do seu coldre e apontou para Noah.

— NÃO ! — Madison deu um berro. Ele puxou a trava de segurança e estava prestes a atirar quando foi impedido. Por mim. O som do tiro ecoou na sala inteira, mas felizmente atingiu algum canto da parede.

— Não faça isso ! — falei, tentando retirar a arma da sua mão. Num movimento brusco, Alecssander me empurrou com somente um dos braços, e como consequência, acabei caindo sentada no chão.

— Eu disse para não se intrometer ! — ele esbravejou e mirou o revólver novamente para Noah, que agora parecia estar se dando conta do que estava acontecendo e assumiu uma expressão de desespero.

— P-Por favor, não me mate, eu pago o dobro do valor que ela deve ! — ele suplicou.

Alecssander revirou os olhos.

— Não sou burro para acreditar nisso.

— Espere ! E-Eu tenho todo o dinheiro ! Eu tenho ! — Madison gritou.

— E onde está ? — Alecssander arqueou uma das sobrancelhas.

— No banco ! — ela disse, desesperada. — Está tudo no banco. Por favor, me deixe ir buscar.

Alecssander ficou algum tempo em silêncio, analisando a situação.

— Tudo bem, vá buscar. Mas por mera precaução, meus agentes irão junto. E não tente nenhuma gracinha, eles têm ordens para te matar, se necessário.

Ela engoliu em seco, mas assentiu, saindo da sala minutos depois acompanhada dos agentes, deixando somente eu e Alecssander na sala.

— Isso foi intenso. — Alecssander disse, soltando um suspiro. Ele me encarou em seguida, dando um sorriso.

Eu olhei incrédula para ele e saí da sala, batendo a porta e andando sem direção pelos corredores. Infelizmente, não se passou muito tempo até Alecssander me alcançar, segurando meu pulso com força e me virando de frente para ele.

— Ei, o que foi ? — perguntou.

— "O que foi" ?! — franzi o cenho. — Você ia matar aqueles dois ! Eles são inocentes !

— Eles me devem, Darella. Não são inocentes.

Eles não te devem nada, o pai dela quem deve ! E você ia matá-los ! Que porra, Alecssander ! — passei a mão pelos cabelos, sentindo o suor frio na nuca.

— O pai dela se meteu com a máfia porque quis ! O que eu faço é mera consequência dos atos de pessoas desesperadas.

— Então isso é ser da máfia ? Matar pessoas sem motivo ? — questionei.

— Tem motivo ! — ele revirou os olhos. — E você achou que a máfia era o que ? Um lugar onde tudo se resolve numa conversa amigável ? Sinto lhe informar Darella, mas se fôssemos amigáveis não seríamos procurados pela polícia, não seríamos a máfia !

Aquilo me calou. Ele tinha razão, no que eu estava pensando quando quis participar da máfia ? Isso é loucura.

Me virei de costas para ele e suspirei. Ficamos em silêncio, e se eu não sentisse sua presença atrás de mim, pensaria que tinha ido embora.

— Você ia mesmo matá-los ? — murmurei.

Ele suspirou, mas não respondeu. Minutos se passaram quando senti seus braços ao redor do meu corpo, seu peito colado nas minhas costas e sua cabeça deitando na curva do meu pescoço.

— Não sei. No início era apenas persuasão, mas depois eu realmente cogitei a hipótese de matá-los.

— Meu Deus... — murmurei.

Silêncio novamente. Levou algum tempo até ele virar meu corpo para ficar de frente para si, me permitindo olhar seus olhos.

— Eu não quis falar daquela forma com você. — quando ele viu minha expressão, continuou: — Percebi que ficou chateada. Desculpa.

Suspirei.

— Tudo bem.

— Mesmo ? — ele perguntou, procurando meus olhos.

Balancei a cabeça, concordando. Ele me surpreendeu quando beijou meus lábios num selinho demorado, e quando separou, deu um sorriso fraco.

— Eu esqueci completamente que agora você é a Sub-Líder e nem pedi sua opinião sobre o que fazer com aqueles dois.

— Eu também não lembrei. — dei de ombros e ele sorriu.

— Vamos voltar para o escritório. Em breve eles voltarão e veremos o que fazer.

Concordei com a cabeça e me deixei ser levada por ele, que havia entrelaçado nossos dedos.

— Sabe... Eu entendo que tenha ficado brava com o que houve, mas Darella, a máfia é assim. Não é a primeira vez que isso acontece, e garanto que não será a última e nem sempre terá um final bom. Deveria ter pensado nisso antes de aceitar entrar pra máfia. — Alecssander disse de repente, e recebeu o meu silêncio em resposta. Tenho certeza de que pensaria sobre isso pelo resto do dia.

Notas finais
Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !