O Líder Da Máfia
26 Especial Alecssander - Perdendo a cabeça
Notas iniciais
Eu já estava perdendo o controle.
Mais de um mês de pesquisas e muito esforço e o que conseguimos ? Nada. Nenhum tipo de informação que nos ajude.
Graças a Grace, ainda não matei os incompetentes que não conseguiram nenhuma pista de onde Darella possa estar, mas estou por um fio. Meu coração dói só de pensar o que fizeram com ela nesse último mês. Não tenho como saber se ela ainda está nos Estados Unidos, não tenho como saber se ela está bem, e o pior, não tenho nem como saber se está viva. E isso é o que me destrói.
— Você está péssimo. — disse Grace entrando no escritório. A única coisa de útil que fizemos nesse mês foi encontrar um novo lugar, mais escondido e mais seguro, para nos instalarmos novamente.
— Não é para menos. — falei entre um suspiro, cruzando os braços acima do peito. — Já faz um mês, Grace.
— Eu sei... Mas fique tranquilo, iremos encontrá-la.
Soltei uma risada nasal.
— Sendo da máfia você sabe muito bem que otimismo não nos leva pra frente, Grace. — falei, e ela desviou o olhar. — Sabe... Eu fui otimista, acreditei que a encontraríamos, mas veja só, já faz um mês. Otimismo são para pessoas fracas, que preferem acreditar que tudo vai ficar bem ao invés de tomar uma atitude. Eu sou o líder da máfia, porra ! Não vou ficar parado enquanto os inúteis dos meus agentes não fazem nada.
Ela arqueou as sobrancelhas.
— O que foi ?! — esbravejei, me levantando da cadeira.
— N-Nada... É só que... Você não age assim há muito tempo. Desde que conheceu a Darella, na verdade.
— O que está querendo dizer ? — indaguei, e eu mesmo respondi. — Está querendo dizer que depois de Darella ter entrado na minha vida, eu me tornei fraco ? É isso mesmo que quer dizer ?!
Mas no fim, era verdade. Darella se tornou minha fraqueza. Que ridículo. É um estado deplorável; O grande líder da máfia americana, uma das maiores e mais poderosas máfias do mundo todo, tem como fraqueza uma mulher. A que ponto cheguei ?!
— Não é nada disso, Alecssander ! — ela aumentou o tom de voz. Grace era a única que poderia fazer isso sem que eu desse um tiro nela. — Porra, se acalma !
— Me acalmar ?! Sabe-se lá o que podem estar fazendo com Darella neste exato momento enquanto estamos aqui gritando um com o outro e você pede para que eu me acalme ?! — arqueei as sobrancelhas, incrédulo. — Não conseguimos nenhuma pista de onde ela possa estar ! Nada, nenhuma mísera informação sobre seu paradeiro ou de seus captores, mas tudo bem né, vamos manter a calma e aproveitar para sentar e tomar um chá porque no fim, tudo ficará bem ! — falei com ironia.
Grace suspirou, massageando as têmporas.
— Olha, eu falei com Rosalya e ela conversou com seus superiores da máfia francesa e eles ofereceram ajuda para procurá-la. Em troca de algo, claro. Mas essa não foi a única máfia que concordou ajudar. — ela fez uma pausa. — Sei que é difícil, mas por favor tente se acalmar. Quase todo o mundo está procurando por Darella, nós vamos encontrá-la alguma hora.
Suspirei, me jogando de costas na cadeira.
— Tudo bem.
Ela deu um sorriso fraco e estava prestes a dizer algo quando um agente entrou brutalmente no escritório.
— Senhores, desculpe a entrada sem permissão, mas acho que encontramos algo.
Nós nos levantamos imediatamente e o seguimos até uma sala cheia de computadores, onde adaptamos somente para procurar Darella.
— O que encontraram ? — perguntei à uma agente que estava no meio de um círculo cheio de agentes murmurando.
— Encontrei algo que pode nos dar uma pista de onde ela pode estar. — ela colocou um mapa sobre a mesa com vários "x" em vermelho marcados em vários lugares dos Estados Unidos. — Está vendo esses X ? São os lugares em que suspeitamos que ela esteja. Rastreamos ligações entre esses lugares e descobrimos uma organização poderosa comandada por uma mulher.
— Quem ? — perguntei com o cenho franzido.
— Isso é algo que ainda não sabemos. — ela suspirou. — Mas peço permissão para mandar meus melhores homens investigarem os lugares indicados.
— Certo. Você tem o meu consentimento.
— Perfeito. — ela disse e se retirou, assim como os outros agentes que estavam ao redor, que voltaram às suas funções nos computadores.
Grace me encarou.
— Enquanto isso, você pode voltar para o apartamento, comer algo, tomar um banho ou sei lá. Entendo que você não quer parar de procurá-lá em nenhum momento, e deixei você fazer isso por um mês, mas você está acabando consigo mesmo desse jeito. — ela colocou a mão em meu ombro. — Você tem homens que se esforçam no seu lugar. Portanto, vá cuidar da sua saúde. Ligarei se tiver novidades.
Assenti vagarosamente e fiz o que ela pediu, mesmo a contra gosto, dirigindo de volta ao condomínio. Os bandidos pararam de invadir meu apartamento depois que pegaram Darella, e eu não entendi o motivo disso já que querem a mim e não a ela.
Ao chegar, fui até o banheiro e vi que Grace tinha razão; eu estava péssimo. As olheiras evidentes embaixo dos meus olhos denunciavam as várias noites sem dormir; os cabelos desgrenhados e a barba mal feita junto da aparência cansada já dizia o quanto eu me esforcei mais do que ninguém para procurar Darella, e vendo que não conseguimos nada, sinto que todo esse esforço foi em vão.
Decidi tomar um banho quente para acalmar os nervos, deixando a água cair sobre minha cabeça e relaxar os músculos. Assim que saí, me joguei na cama e decidi que dormir por alguns minutos não me faria mal.
[...]
Acordei com o barulho irritante do celular tocando sobre a cômoda. Olhando pela janela, percebi que já era de noite, o que significava que eu não tinha dormido apenas por alguns minutos.
Peguei o celular e vi no identificador de chamadas que era o número de Grace.
— Alô ? — murmurei.
— Encontramos. — ela disse simplesmente. Eu ainda estava sonolento demais para entender suas palavras, mas quando meu cérebro acordou, senti meu coração palpitar.
Desliguei a ligação e levantei de imediato, colocando uma roupa qualquer e dirigindo velozmente pelas ruas em direção ao escritório. Ao chegar lá, nem passei por toda aquela cerimônia de cumprimentar todos e fui direto encontrar Grace, que estava na sala de computadores cercada por vários agentes, que arrumaram a postura assim que me viram.
— Encontraram ela ? — fui direto ao ponto.
— Sim — Grace sorriu — Na verdade, temos noventa e nove por cento de certeza.
— E o um por cento ?
— Isso é porque não temos confirmação. Os agentes que foram investigar a área descobriram que eles mantêm uma prisioneira no sub-solo, numa área super protegida por vários soldados num prédio abandonado em Lawton, no estado de Oklahoma. Apenas do outro lado do país. — ela suspirou — Precisamos bolar um plano muito bom para conseguirmos entrar e sair sem causar muitos problemas, principalmente para Darella.
— Pode ser qualquer garota nessa prisão. Como sabem que é ela ? — franzi o cenho.
— Nossos agentes não encontraram nada nos outros lugares que supomos que ela estivesse. — ela disse — Alguns estavam completamente abandonados e sem vestígios de que puderam ter passado por ali. E as outras máfias não encontraram nada em seus países. As informações que temos são poucas, eu sei, mas foi o máximo que encontramos num mês inteiro. — ela deu de ombros. — Temos que arriscar.
— Certo. Iremos imediatamente até esse lugar. Homens, se preparem. Sairemos em quinze minutos. — falei enquanto saia da sala para buscar um arma, mas Grace segurou meu braço e me impediu.
— Alecssander, não. Seus homens estão cansados, foi mais de um mês procurando por isso, precisamos descansar. Falo isso não só por mim, mas por você também.
— Você ouviu o que disse ?! Vocês tiveram um mês inteiro para descansar, agora está na hora de agir. Cada minuto é importante. Sabe-se lá o que podem estar fazendo com ela enquanto nós estamos "descansando". Iremos hoje.
— Alecssander... Por favor... Tenho certeza de que trabalharemos melhor com homens bem descansados, e Darella não ficará feliz em saber que estamos mal por causa dela.
Vários olhares com expectativa me encaravam naquela sala. Eu queria ir buscar Darella o mais rápido possível, mas, como sempre, Grace tinha razão.
Suspirei.
— Certo. Sairemos amanhã bem cedo. Me passe o plano por mensagem. — ordenei e não esperei resposta para sair e dirigir de volta ao apartamento.
Ao chegar lá, fui direto para a sala de armas e fiquei atirando por várias horas. Eu estava inquieto, sem qualquer resquício de sono ou cansaço. Além disso, não poderia cometer o erro de fazer algo errado amanhã. Grace me mandou o plano pouco tempo depois e eu decidi ir dormir quando já era madrugada.
Antes de me entregar ao sono, consegui pensar em apenas uma coisa: eu iria trazer Darella de volta. Custe o que custar.
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