Notas iniciais
Oi oi meus amores !! Acharam que não ia ter capítulo hoje né ?! Pois bem, vou logo pedindo desculpas pela demora, tive um dia bem agitado e não tive tempo. Sei que disse que postaria dois capítulos, mas infelizmente não vou poder, mas prometo que amanhã vocês serão recompensados !! IMPORTANTE: Leiam as notas finais. Boa leitura !

"Thomas se jogou em cima de mim e começou a arrancar minhas roupas num ato desesperado; eu estava parada como uma estátua, sem saber o que fazer. Foi então que ele se levantou para pegar algo no banheiro do cômodo ao lado e eu saí do quarto, correndo na direção da porta de saída, mas estava trancada. Prendi o ar quando ouvi a respiração de Thomas em meu ouvido.

— Você não deveria ter corrido. — sussurrou, colocando meu cabelo para o lado e dando um beijo em meu pescoço. — Já fizemos isso várias vezes antes e você nunca reclamou.

— Só aconteceu porque eu achei que você me amasse de verdade.

— E eu amo !

— Não, Thomas. — murmurei. — Esse namoro é doentio. Sempre foi. Eu que fui ingênua demais pra perceber.

Tomei coragem para pegar a pequena faca que guardara no bolso traseiro da calça mais cedo. Fechei os olhos e me virei de frente para Thomas, com a faca em frente ao peito. Foi tudo muito rápido; em um momento, eu estava lutando com Thomas que tentava tirar a faca da minha mão, e em outro, estava sentada no chão com a cabeça dele deitada em cima dos meus joelhos e seu abdômen jorrando sangue com a faca ainda apunhalada. Thomas começou a tossir, e logo escorria sangue pelo canto de sua boca junto da tosse.

— T-Thomas... Foi um acidente, eu juro... Eu nunca quis te machucar, era só para causar medo ! E-Eu vou chamar uma ambulância e- quando peguei o celular, Thomas segurou meu pulso com uma força que eu desconhecia.

— S-Sua assassina... — ele dizia com dificuldade — Vo-você v-vai pagar por isso.

Fiquei encarando aqueles olhos cor de mel perderem a vida durante alguns segundos, até sentir o corpo pesar sobre mim. Soube que Thomas estava completamente morto quando seu peito parou de subir e descer. Senti lágrimas saírem dos meus olhos e não resisti a vontade de chorar.

Oras, pare com esse showzinho. Eu sei que está feliz por eu ter morrido.

Ouvi a voz de Thomas e olhei para todos os lados e para o corpo ainda sem vida em minha frente.

Sua assassina de merda... Eu nunca mais vou deixar você ter paz. NUNCA MAIS !

— F-Foi um acidente...

Você tirou minha vida e agora vai pagar.

AGORDA VADIA !"

Acordei com um grito, abrindo os olhos subitamente e encarando cada canto do cômodo escuro. Sentei no sofá, chutando o cobertor. Vagamente, reparei que o cobertor era grosso e pesado e não estava ali antes. Eu não estava ali antes.

Por uma fresta da cortina, pude ver que lá fora ainda estava escuro e que eu estava sozinha na sala. Ótimo, pensei, assim não preciso ter o incômodo de expulsar o idiota da minha casa.

Dormiu bem ?

Eu espero que sim. Hoje teremos um longo dia.

Voltei meu olhar para o sofá em minha frente e encontrei Thomas, o dono da voz que atormentava meus pensamentos. Ele estava deitado de uma maneira despojada, com as mãos atrás da cabeça me encarando com um sorriso travesso nos lábios.

— O que você está fazendo aqui ? — perguntei com a voz meio embargada.

O remédio não fez efeito, não é óbvio ?! Achei que fosse mais esperta, Darella...

— Comprarei mais remédios e injeções hoje mesmo. Seu pequeno momento de felicidade irá acabar. — eu disse e ele se sentou, retirando o sorriso do rosto.

Quando Thomas estava prestes a responder, ouvi o som de algo caindo. Fui em direção ao corredor, evitando fazer barulho, e coloquei a cabeça na direção da cozinha, onde pude ver a luz acesa. Ao voltar meu olhar para a sala, Thomas já não estava mais no sofá e, felizmente, em lugar nenhum.

Suspirei aliviada e finalmente percebi que eu havia dormido apenas de toalha e agora usava uma camisa preta grande que ia até metade das minhas coxas e possuía um perfume amadeirado que eu logo reconheci. Caminhei lentamente em direção à cozinha, me deparando com Alecssander na frente da geladeira aberta.

— Quem lhe deu autorização para assaltar minha geladeira ? — comecei, assuntando o idiota. Ele estava usando apenas a calça escura de ontem e a camisa estava em meu corpo; segurava um jarro com suco de laranja.

— Bom, eu estava com fome e pensei que-

— Este é o problema. Você pensa demais. — eu disse o interrompendo e tomando o jarro de sua mão com brutalidade. — Vá embora, já ficou tempo demais aqui.

— Pelo jeito, você já está melhor do que ontem. — Alecssander disse em um tom que pareceu sarcasmo.

Oh sim, ela já esta super bem.

— Calado. — murmurei.

— O que disse ? — infelizmente o idiota ouviu.

— Eu não mandei você ir embora ? — perguntei, voltando meu olhar para os olhos castanhos de Alecssander.

— Você não parece estar cem por cento bem... Quer que eu fique mais um pouco ? — o babaca perguntou como se ele se importasse comigo. Revirei os olhos.

— Eu estou ótima. Some daqui. — ordenei apontando para a saída.

— Não vou sem minha camisa. — ele disse esticando a mão com um sorriso malicioso. Eu não podia retira-la pois ficaria completamente nua sem ela.

— Você colocou essa camisa em mim por que quis e... — só então eu parei para raciocinar. — VOCÊ ME VIU NUA ?

— É claro que não. — ele disse revirando os olhos. — Sei atirar em alguém vendado, então tenho certeza de que consigo colocar uma camisa em você sem olhar. Relaxa Princesa, não é como se eu quisesse ver seu corpo. Você é uma tábua ambulante.

— Vai se foder ! — eu disse mostrando o dedo do meio para ele e revirando os olhos. Alecssander apenas riu.

Não liga pra ele, querida. Você é uma delícia.

Thomas estava sentado em cima do balcão, ao lado de Alecssander. Fiquei encarando Thomas com um olhar sombrio, e o mesmo continuava sorrindo. O idiota olhou para o lado e depois para mim, provavelmente pensando o que eu estava encarando.

— Eu vou buscar meu casaco... — Alecssander murmurou indo em direção ao quarto.

Me virei de frente para o balcão colocando um pouco de suco em um copo. Infelizmente, Thomas aproveitou quando eu estava perdida em pensamentos e começou a falar comigo.

Essas cicatrizes no seu pulso me lembram bons tempos...

Passei a ponta dos dedos sobre as cicatrizes e senti um arrepio subir pelo meu corpo. Lembrei da última vez que cortei os pulsos e acordei na cama de um hospital.

Vamos Darella. Pegue a faca na gaveta e se corte. Você gosta disso, você gosta de sofrer, gosta de ver sangue. A dor de se cortar não é maior do que a angústia que você vive todos os dias.

— Eu não vou fazer isso de novo Thomas... — sussurrei — E você não pode me obrigar...

Ah, eu posso. Das outras vezes eu te obriguei e agora vou fazer isso de novo e de novo. Quantas vezes forem necessárias para que você se mate e sinta como é a sensação de alguém tirando sua vida lentamente.

— Eu não vou me matar Thomas...

Sim, você vai.

Ouvi o barulho da gaveta se abrindo e em seguida, Thomas segurou minha mão e me entregou uma faca não muito grande com a ponta super afiada. Sua pele era fria e seus dedos esqueléticos, exatamente do mesmo jeito de como quando morreu. Ele segurou meu pulso direito -que era a mão a qual eu segurava a faca- e conduziu até o pulso esquerdo, fazendo um pequeno corte na horizontal. Um filete de sangue começou a escorrer pelo meu braço e logo Thomas começou a fazer mais cortes; minha visão estava começando a ficar turva e me deixei cair no chão.

— Ei, você viu o meu... — ouvi a voz de Alecssander voltando à cozinha e vi o vulto do seu corpo ao meu lado. — Darella, você está bem ?! Por que você fez isso ?!

Ele rasgou um pedaço da camisa que estava em meu corpo e amarrou com forçar ao redor do meu pulso para estocar o sangue, depois me arrastou até o sofá. A última coisa de que me lembro é o sorriso triunfante do Thomas do outro lado da sala e do rosto embaçado de Alecssander pronunciando meu nome repetidas vezes.

[...]

Acordei ainda deitada no sofá vendo Alecssander cochilando na poltrona ao lado. Havia um cobertor fino sobre mim e meu pulso esquerdo estava enfaixado com várias bandagens.

Me levantei, sentindo uma leve pontada na cabeça e fui obrigada a me sentar novamente. Alecssander dormia profundamente; ele estava de braços cruzados e parecia estar com frio, o que me levou a ter uma mínima pontada de compaixão por esse babaca para colocar o cobertor por cima de seu peito ainda desnudo.

Ouvi batidas desesperadas na porta do apartamento e deixei Alecssander sozinho para ir abrir. Eram as duas babacas, Rose e Christine, que me olharam de baixo à cima com olhares maliciosos.

— Acho que estamos atrapalhando alguma coisa, Rose... — disse Christine.

— Também acho... Voltaremos em outra hora. — completou Rose e então elas começaram a se retirar.

— Não é nada disso que vocês estão pensando. — revirei os olhos. Rose, que antes estava sorrindo, agora olhava séria para meu pulso enfaixado.

— Christine pode ir na frente, preciso falar com a Darella em particular. — Disse Rose e Christine apenas concordou e saiu. — Se cortou de novo ? — ela perguntou cruzando os braços e eu assenti — Está tomando os comprimidos corretamente ?

— Eu esqueci por um ou dois dias e-

— Esqueceu ?! Darella, você não pode esquecer ! — ela pegou meu braço com força — Ele faz isso com você quando você esquece ! Ele quer te matar ! Por isso você não pode esquecer nem por um dia sequer !

— Eu sei ! Mas é que... — suspirei — Tem muita coisa acontecendo, eu apenas esqueci.

Ela suspirou.

— Bom, preciso ir, Christine está me esperando. Não esqueça nunca mais de tomar os remédios, por favor. Estou lhe pedindo isso para seu próprio bem.

Ela foi embora e eu fechei a porta. Suspirei pesadamente e ao me virar, Alecssander estava parado em minha frente me encarando com um olhar sério, uma sobrancelha arqueada e os braços cruzados.

— Por que precisa de remédios ? E quem é Ele ? Por que quer te matar ? — Alecssander disparou tudo de uma vez.

— Nada disso é da sua conta. — eu disse seca e fui em direção ao quarto, mas ele puxou meu braço; me impedindo.

— Para de ser tão marrenta, Darella ! Eu estou tentando te ajudar !

— Eu não quero sua ajuda.

— Não é questão de querer, você precisa da minha ajuda. Sabe o que teria acontecido se eu não tivesse enfaixado seu pulso ? Você poderia estar em um hospital ou pior ! — ele suspirou. — Deixa eu te ajudar...

Alecssander me encarava com um olhar apreensivo; aguardando minha resposta. Ele realmente parecia disposto a me ajudar, então por que não me aproveitar disso ? Encarei meu pulso enfaixado cuidadosamente e acabei me rendendo.

Suspirei, me sentindo derrotada.

— Antipsicóticos. — falei e o idiota franziu o cenho.

— O que ?

— Se quer me ajudar, vá até a farmácia e compre antipsicóticos; comprimidos e injeções. Agora. — Alecssander ficou me encarando por alguns segundos antes de balançar a cabeça positivamente e sair do apartamento dizendo que voltaria logo. Como eu estava com sua camisa, ele apenas fechou o casaco que havia trazido.

Fui até meu quarto, onde me joguei de costas na cama e fiquei encarando o teto. Perguntas que eu não conseguia responder surgiam na minha mente; Por que Alecssander queria tanto me ajudar ?! Por que ele faz questão de me provocar ? Por que eu ? Poderia ser qualquer garota, mas por que justo eu ?

Comecei a sentir uma leve dor de cabeça e de repete soltei um espirro seguido de outro e mais outro. Merda, eu odiava ficar resfriada, é um grande incômodo; me sinto cansada, a garganta dói, os espirros são constantes e a dor de cabeça parece não ter fim. Isso atrapalha completamente meus estudos e minha concentração.

— Mas que inferno viu ?! — murmurei quando espirrei mais uma vez.

Fui em direção ao meu armário pegando uma roupa não muito pesada, mas quente o suficiente para que eu não ficasse pior do que já estava.

Alecssander chegou pouco tempo depois com uma sacola branca nas mãos com muitos comprimidos e injeções e se assustou quando eu peguei uma das seringas e injetei em meu braço. Senti o líquido pelo meu corpo e suspirei de alívio sabendo que em breve não veria Thomas por um longo tempo.

— Gostaria de me explicar alguma coisa ? — o idiota perguntou, cruzando os braços e se sentando na minha cama.

— Hum... Não. — respondi e o babaca fechou a cara. Bufei revirando os olhos. — Qual a função dos antipsicóticos ?

— Sei lá... — ele deu de ombros — Tratar Esquizofrenia, eu acho.

— E isso não é o suficiente para responder sua pergunta ? Quer uma definição de Esquizofrenia também ?

— Desde quando você é esquizofrênica ?

— Desde quando você tem a mania de se meter onde não lhe diz respeito ? — retruquei.

— Desde que você começou a falar sozinha e cortar os pulsos sem motivo aparente.

— Eu tenho um motivo !

— Ah é ?! E qual seria ? — vendo que eu não respondi, ele sorriu vitorioso. Peguei a camisa preta e a joguei brutalmente em sua direção.

— Já tem a sua camisa, agora vá embora. — eu disse seca depois de alguns minutos em silêncio. Fui até minha escrivaninha e comecei a ler um livro de Albert Einstein.

— Você não respondeu todas as minhas perguntas... — Alecssander disse e eu permaneci em silêncio. — Vai me ignorar ? — continuei em silêncio. — Tudo bem então, estou indo embora.

Quando pensei que finalmente ficaria em paz, o babaca veio em minha direção e puxou meu rosto, me dando um rápido beijo nos lábios.

— Isso foi por que você não me agradeceu por cuidar de você hoje. — ele disse sorrindo.

Peguei o livro que estava lendo e o usei para bater na cara de Alecssander, como um tapa.

— EU DISSE PARA NUNCA MAIS FAZER ISSO SEU IDIOTA ! — gritei quando ele saiu rindo do quarto e antes que ele pudesse sair do apartamento, ataquei o livro em sua cabeça, o que fez ele soltar um resmungo e finalmente ir embora.

Fechei a porta com força e suspirei de alívio, finalmente tendo a tão desejada paz. Escorada na porta, deslizei as costas até me sentar no chão, onde fiquei pensando no que acabou de acontecer e comecei a gargalhar como se tivessem acabado de contar uma piada super engraçada. Por que eu estava rindo, afinal ?! Foi o que eu fiquei me perguntando pelo resto da noite.

[...]

Felizmente, cheguei mais cedo na faculdade com meu habitual copo de café na mão. O campus ia sendo ocupado aos poucos pelos idiotas que chegavam cedo para estudar para as provas finais, diferente de mim que sabia exatamente o que cairia nas provas e agora estava sentada em um banco de madeira branco em baixo de uma árvore cujas folhas de diversos tons de laranja caíam quando o vento soprava. O outono era com certeza uma das estações mais lindas em Nova Iorque.

Abri minha bolsa e comecei a ler um livro aleatório. Notei que era o mesmo livro que eu havia jogado na cabeça do babaca no outro dia, e quando me peguei sorrindo, dei um tapa no meu próprio rosto.

— Isso é algum tipo de aquecimento para decorar fácil os conteúdos da prova ? Por que se for, eu gostaria de tentar.

Olhei para cima e vi um homem não muito alto, parecia ter em torno de uns vinte e sete anos e tinha olhos azuis e cabelo preto. Trajava um sobretudo marrom com uma calça escura e segurava livros e cadernos nas mãos.

— Eu conheço você ? — perguntei com a voz mais seca possível.

— Hum... Não. Mas não seja por isso — ele se sentou no banco e deixou os livros de lado, esticando uma das mãos em minha direção — Oliver Clark, estudante de Artes Marciais.

Ignorei completamente sua mão e voltei minha atenção ao livro. Oliver soltou uma risada baixa e abriu um dos seus cadernos.

— E você deve ser Darella Melbourne. É um prazer finalmente conhecê-la.

— "Finalmente" ? — murmurei sem tirar os olhos do livro.

— É... Acho que todo mundo nessa faculdade sabe quem você é porque sempre está em primeiro lugar nas provas.

Revirei os olhos. Estava demorando; aposto que nos segundos seguintes, ele vai me pedir ajuda para estudar e se duvidar pode até pedir respostas. Um ou dois calouros sempre fazem isso todo ano, é um completo pé no saco.

Acabei espirrando mais uma vez devido ao maldito resfriado e em seguida, bebi um gole do meu café.

— Latte de baunilha com leite e canela ? — ele disse de repente, se referindo ao meu café. Eu o encarei, franzindo o cenho. — Trabalhei por três anos em uma cafeteria, o cheiro soou familiar. — ele completou, lendo meus pensamentos.

— Você é estranho. — murmurei.

Ele iria falar algo, mas o sinal tocou indicando o início das provas. Me levantei, guardando o livro na bolsa e comecei a caminhar em passos largos em direção ao prédio central, mas o moreno me alcançou e começou a caminhar ao meu lado, atraindo olhares de alguns curiosos. Eu nunca reparei no quanto era "famosa" até esse momento, e inevitavelmente comecei a me sentir desconfortável com tantos olhares sobre mim. Me encolhi sob o casaco quando soprou um vento gélido.

Oliver ficava tagarelando sem parar ao meu lado, e eu apenas ignorava. Até que enfim vi o corredor de física e soltei um suspiro de alívio por finalmente poder me livrar desse inútil.

— Bom, o corredor de física é para o outro lado, então adeus. — ele disse e como de costume, eu apenas ignorei e continuei meu caminho, já de costas para ele. — Gostei de te conhecer !

— Não posso dizer o mesmo. — respondi em alto e bom som, fazendo questão que ele ouvisse. Ouvi ele dizer algo em resposta, mas a essa altura eu já estava longe o suficiente para não ter entendido.

[...]

Férias. Finalmente poderei estudar em casa e ficar longe daqueles humanos repugnantes da faculdade. A prova foi extremamente fácil e como de costume, fiquei novamente em primeiro lugar com a nota mais alta de todos na faculdade. Eu estava decepcionada, confesso. Minha meta era atingir duzentos pontos, mas cheguei apenas aos cento e noventa. Tentarei de novo no próximo ano, agora chegou as festa de final de ano e eu farei a mesma coisa de sempre: sentar na frente da minha preciosa escrivaninha e por meus estudos em dia. Eu não consigo imaginar férias melhores.

Ao chegar ao apartamento, notei que a porta estava destrancada e podia-se ouvir pequenos barulhos vindo do meu quarto. Ladrões, foi a primeira coisa que pensei. Fui até a cozinha onde peguei um jarro não muito grande de porcelana; foi a primeira coisa que vi e eu não tinha muito tempo para ficar escolhendo.

Fui cautelosamente até o quarto segurando o jarro com as duas mãos. Ao chegar lá, vi uma silhueta agachada ao lado da cama, certamente procurando algo ali em baixo. Pela estrutura física parecia ser um homem, mas não tive certeza por que a pessoa usava um moletom largo. Quando se levantou e se virou de frente para mim bati com força o jarro em seu rosto, que se quebrou em mil pedaços, e a pessoa soltou um xingamento.

— AI CARALHO ! Acordou de mal humor é ?! — ele resmungou — Essa porra cortou meu rosto !

— Ah... Coitadinho dele ! — eu disse com ironia e ele fez uma careta. — Como diabos conseguiu entrar ?

— Eu sei que você deixa a chave em baixo do tapete. — ele revirou os olhos. — Que lugar clichê para se deixar uma chave, hein ?!

— Que seja. — cruzei os braços — O que ta fazendo aqui ?

— Vou ficar aqui por alguns dias. — ele disse apontando para uma mala cinza em baixo da cama.

— Como é ?! — arqueei as sobrancelhas. — Não.

— Você não pode me impedir. — ele sorriu.

— Na verdade, eu posso, senhor procurado pela polícia. — cruzei os braços e sorri vitoriosa.

— Você iria presa por "colaborar com um criminoso". — meu sorriso desapareceu.

— E aquele lugar que os agentes da máfia chinesa invadiram ?

— A polícia descobriu o lugar e está investigando. — ele suspirou. — Me deixe ficar aqui, só por uns dias, prometo.

— Hum... — coloquei a mão no queixo como se estivesse pensando e vi o olhar de expectativa do idiota. — Não. Cada um com seus problemas. Agora, some daqui.

— Prometo fazer qualquer coisa se me deixar ficar ! — ele implorou e eu sorri.

— Qualquer coisa ? — ele balançou a cabeça positivamente. Fiquei encarando seu olhar de quem estava desesperado. — Então já pode começar com ir embora daqui. Agora.

Ele bufou.

— Porra, Darella ! — disse. — Por favor.

Depois de alguns segundos em silêncio, suspirei e comecei a massagear as têmporas, vendo que eu me arrependeria daquela decisão.

— Você vai dormir no chão da sala, vai obedecer às minhas ordens e se trazer bandidos, armas, ou qualquer outra coisa que envolva a máfia até aqui eu juro que te expulso e chamo a polícia, independente se irei junto ou não.

— Certo. — ele sorriu aliviado. — Obrigado.

— Não me agradeça, eu ainda posso mudar de ideia.

Fui até o banheiro, peguei o kit primeiros socorros e entreguei para o idiota.

— Acho melhor você limpar esses ferimentos, podem infeccionar. — ele assentiu e começou a limpar na frente do espelho. Confesso que comecei a ficar irritada quando ele pegava os remédios errados e não fazia os curativos direito.

— Deixa que eu faço isso ! — eu disse tomando as gafes da mão dele — Babaca. Não sabe nem limpar ferimentos. Senta na cama.

Ele me obedeceu. Comecei a limpar o ferimento em baixo dos seus olhos e tentava ignorar o fato de que ele não parava de me encarar um segundo sequer e aquilo estava me deixando incomodada.

— Quer parar de me encarar ?! — esbravejei.

— Não dá... Seus olhos são azuis e bem no centro tem um pouco de verde. Lembra o mar. É uma coisa linda e completamente hipnotizante. — senti minhas bochechas esquentarem de leve e Alecssander sorriu.

Tentei ignorar seu olhar sobre mim, mas era quase impossível. Foi então que me peguei encarando os olhos dele. Eram castanhos claro com um pequeno toque de âmbar, que era quase imperceptível se não reparasse bem. Senti minhas bochechas queimarem como brasa quando notei o quão perto estavamos e a forma como eu segurava seu rosto. Arregalei os olhos e me afastei imediatamente, tentando espantar os pensamentos que tive.

— Você pensou em me beijar, é ?! — Alecssander sorriu maliciosamente.

— C-Claro que não seu babaca ! Quem em sã consciência gostaria de beijar você ?! — o idiota ria.

— Eu não me importaria de te beijar agora. — eu me virei de costas para pegar o remédio e ele aproveitou a oportunidade para dar um tapa na minha bunda.

— S-SEU TARADO DE UMA FIGA ! — eu gritei e dei um tapa em seu rosto. Por incrível que pareça, ele riu.

Fui até o banheiro e tranquei a porta. Vendo meu reflexo, percebi que eu poderia ser facilmente confundida com um tomate agora, e isso graças ao maldito babaca.

Suspirei. Alecssander...

Ao pensar em seu nome, vi por um milésimo de segundo o semblante de um sorriso em meus lábios. Eu não podia estar feliz com o idiota por perto, então por que o motivo do sorriso...?

Por que ele vai fazer tudo que eu mandar. É, com certeza é isso.

Respirei fundo e destranquei a porta, voltando para o quarto.

[Leiam as notas finais]

Notas finais
Eeeeitaaaaaa gente !!!! IMPORTANTE: Gente, eu pesquisei muito sobre Esquizofrenia antes de escrever esse capítulo, então escrevi com base no que entendi. Não tenho como ter certeza se isso realmente ocorre, então desculpe se estiver errado. IMPORTANTE ²: Essa história sobre Thomas será explicada melhor muitos capítulos pra frente, então relaxe ! Obrigada por ler ! Gostaram ? Não ? Comentem o que acharam ! Nos vemos no próximo capítulo !