O Livro das Eras
1 Prólogo
Notas iniciais
Canto I — O Homem que Transcendeu a Morte!
“Eu estava soterrado, minhas energias já tinham se esgotado e só me restava esperar a morte. Depois de tantos erros, finalmente eu não cometeria mais nenhum.”
Shun chorava sobre os escombros dois dias depois do ocorrido. Ali seu irmão dera a vida para lhes salvar do monstruoso Dócrates. Sozinho lembrava-se das promessas feitas por ele e seu irmão, assim como a transformação de Ikki no próprio diabo e de sua conversão e arrependimento no final. Uma profunda dor invadiu seu coração, as lagrimas começaram a varrer sua face até se tornarem de sangue. Soltou um urro de agonia, seu cabelo e olhos enegreceram e seu rosto se empalideceu.
– Seu tolo! Por que tinha que fazer esta bobagem! – O cavaleiro de Andrômeda começou a soquear com todas as forças as pedras, até seus punhos sangrarem. Ele gritava de dor e angustia, até parar e desmaiar.
O cosmo de Shun sempre calmo e puro estava queimando como quem fosse vindo do inferno, ardia e expandia-se vencendo todas as barreiras. Quando o jovem desmaiou simplesmente desapareceu, assim como todas as mudanças físicas. Voltando a ser aquele que todos conhecemos.
O sangue dos punhos repletos de dor e angustia escorreram pelas pedras, e como por capricho do destino, uma única gota pingou e acertou em alguém que se encontrava abaixo dos rochedos. Era o corpo já desfalecido do cavaleiro de fênix, que recebeu uma ferida aberta em seu peito o Ichor do deus do submundo, Hades.
Mesmo que naquela época ninguém soubesse que o cavaleiro de cabelos verdes fosse o receptáculo de Hades, este ainda continha o poder e o sangue de um deus. Poder que foi passado para Ikki.
Em seus devaneios na morte, Ikki se via no meio do campo florido da ilha da rainha da morte ao lado de Esmeralda.
–Ikki, você veio me buscar? – Sorriu a bela senhorita loira
–Esmeralda? É você mesma? – Ikki correu e a abrasou.
–Oh Ikki, que bom lhe ver.
–Estou muito feliz em estar ao seu lado! Perdoe-me Esmeralda! Por minha culpa e fraqueza você morreu. Nunca vou me perdoar.
–A culpa não foi sua – Menina limpou as lágrimas que corriam do rosto dele
–Finalmente poderemos ficar juntos Esmeralda.
–Oh não! Você veio para cá morrendo? Você não pode! Não é a sua hora!
–Nada disso importa, eu me desvirtuei Esmeralda. E esse agora é meu destino.
De súbito as flores começam a pegar fogo. Elas queimam com uma cor azulada, as chamas crescem assustadoramente, criando enormes labaredas.
–Esmeralda! — Ele grita temendo o pior
–Ikki! – Ela responde, mas os dois já não se viam, pois as chamas estavam muito altas, uma profunda dor e raiva invadiram novamente o coração do jovem.
O corpo do cavaleiro de fênix que jazia em meio às pedras abre os olhos, ele explode o seu cosmo que queimava com raiva e violência. Seu corpo e armadura começam a se desfazer e a virar cinzas, sendo consumido das extremidades até sobrar só seu coração. Uma intensa explosão acontece. As pedras que o soterravam voam para todos os lados assim como o corpo de Shun. Ikki renasce como a ave de sua constelação protetora, mas seu cosmo agora queimava como um fogo azul, igual a aquele que viu destruir o belo campo de flores de Esmeralda. A raiva consumia seu ser:
–Maldição! Estarei condenado a nunca poder ficar ao teu lado? Será essa a minha punição pelos meus pecados. – Ele sente a raiva aumentar e o ódio a nascer. – Não! Eu não posso voltar a virar aquele demônio. Não posso virar meu mestre, não errarei onde ele errou.
Ikki olha para o chão e vê seu irmão inconsciente. Toma-o em seus braços e começa a carregá-lo, sabia que não poderia deixá-lo ali e sabia a onde deveria ir: para a fundação Kido. Contudo viu Seiya, Hyoga e Shiryu se aproximarem ao longe, eles estavam procurando Shun.
–Acredito que o Shun deva ter vindo para cá chorar pelo seu irmão – Comentou Shiryu para os outros dois.
–Sim. Rever seu irmão como a encarnação do mal e perde-lo para a morte logo em seguida foi muito duro para ele – Completou Hyoga
–Não sei até onde a morte de Ikki foi ruim... – Indagou Seiya
–Realmente, Ikki mudou muito, não sei se poderia um dia voltar a ser aquele irmão que protegia o Shun com tanta dedicação. – Concordou o cavaleiro de cisne
–Não sejam tolos. Todos nós mudamos com o treinamento que recebemos – Retrucou o dragão.
Ikki que se aproximava sem ser visto acabou por ouvir a conversa, resolveu deixar seu irmão ali e partir sem ser visto. Não sabia para onde iria, mas tinha plena convicção de que não era para junto deles. Colocando seu irmão cuidadosamente no chão deu um ultimo adeus e partiu, para onde o vento o levasse. Seu corpo apesar de ter estado no outro mundo e ser transformado em cinzas estava repleto de energia e força.
Seiya encontrou Shun deitado sobre as pedras com os punhos esfolados. Gritou para os outros dois se aproximarem e o ajudarem:
– Acorde Shun! Acorde! – Insistia Pégasus sacudindo o amigo.
–Hã... – Shun entreabria as pálpebras, estava exausto. — Seiya o que você está fazendo aqui?
–Shun! Que bom que te encontramos! Estávamos preocupados – Shiryu chegava com Hyoga.
–Você veio orar por seu irmão não é mesmo? – Perguntou Hyoga
–De certa forma. Prefiro não falar sobre isso. — Shun se emudeceu e virou o rosto olhando para baixo. Seus olhos começaram a encher-se de lágrimas.
–Está bem! Agora vamos embora que nós temos que chutar a bunda daquele Dócrates – Seiya fala em tom alto e confiante, procurando mudar de assunto, pois Shun estava desconfortável com a situação.
–É assim que se fala Seiya! –Hyoga percebeu a intenção de Seiya e quis ajudar – Ele pagará por tudo!
–Dizem que ele tem a maior força física do santuário, mas contra nós quatro ele não terá a menor chance! – Completou Shiryu – Você está com a gente não é Shun?
–Claro! Algo de errado está acontecendo no Santuário. Por que mandar um assassino como Dócrates? – Shun olhou nos olhos dos companheiros com uma expressão de seriedade. – Espero que possamos esclarecer as coisas sem precisar de violência. Não gostaria que houvesse mais mortes.
Canto II — Em Busca do Equilíbrio
“Eu não era dono dos meus pensamentos e eles me guiavam para sentimentos de raiva e ódio. O poder jorrava incontrolavelmente de dentro de mim. Transformei-me em uma arma que não distingue amigos de inimigos.”
Ikki se encontrava dentro de uma cratera de um vulcão ativo, seres humanos normais não durariam trinta segundos naquelas condições, mas ele já estava ali há dois dias, despendendo todo seu poder contra a lava incandescente. Seus olhos demonstravam seu descontrole, suas rajadas cósmicas eram disparadas ao esmo, entretanto sua energia parecia nunca se esgotar.
–Nesse estado eu não posso sequer sair desta cratera, serei uma ameaça a todos que se aproximarem. – Falou para si mesmo ajoelhando-se com os punhos fechados apoiados ao chão em um momento de resistência a sua insanidade. – Como posso voltar para meu irmão e honrar a memória da Esmeralda se sequer consigo me manter racional?
Um cascalho cai da borda da cratera, o cavaleiro de Fênix se assusta, seu cosmo se expande tomando conta do local, ele emana uma bola de fogo que destrói o cascalho de forma a restar apenas pó. Vendo-se assustado por uma bobagem tão grande começa a observar um senhor idoso que caminhava contornando a cratera, agora entende de onde viera tal pedra.
Para a surpresa do cavaleiro, o velho salta os vinte metros de altura e cai em sua frente, formando um buraco no chão. Assustado Fênix se coloca em posição de luta, o senhor de barba rala e cabelo branco de ergue. Parecia ter pelo menos oitenta anos, traços caucasianos e olhos azuis esverdeados. Seria um enviado do Santuário?
–Controle-se moleque! Está fora de controle, vai acabar destruindo este local e a ilha toda desse jeito e isso eu não posso permitir. – Falou o velho com uma expressão seria e imponente.
–Quem é você? O que quer aqui? – Contestou o cavaleiro a ponto de atacar
–Não sou ninguém, apenas se controle ou saia desta ilha. Eu e minha família vivemos no vilarejo ao pé do vulcão, se continuar disparando seu cosmo contra a lava vai acabar fazendo com que ele entre em erupção. Seria muito arriscado eu deixar que isso acontecesse.
–Arriscado vai ser você continuar não respondendo a minha pergunta. – Ikki disparou um soco de fogo, que foi parado centímetros frente ao tórax do ancião. – Uma barreira de cosmo? Como foi capaz de parar meu soco apenas com seu cosmo?
–Mais um cavaleiro infantil que se acha poderoso. Abaixe seu punho antes que a compressão do meu cosmo lhe machuque.
–Não me subestime velhote! – As chamas do cavaleiro se tornaram mais intensas e começaram a convergir para o azul, o punho foi de aproximando devagar do peito de seu adversário que antes de ser atingido saltou para traz.
–Esse poder... Você não é de um mero cavaleiro descontrolado. — Os olhos de Ikki se encheram de sangue, ele estava perdendo o controle. – Controle-se cavaleiro, não quero lhe fazer mal. Apenas se controle!
O cosmo do cavaleiro voltou à cor laranjada aos poucos, seus olhos ainda vermelhos estavam voltando à sobriedade. Ele saiu da posição de luta, caminhou até a beirada da lava, se agachou e tirou de dentro da lava a caixa da armadura de Fênix.
–Não se preocupe. Eu não sabia de seu vilarejo e vou para outro lugar. Vocês não correram mais perigo. – Falou colocando a ânfora atrás das costas. – Adeus “Ninguém”. – Debochou se despedindo
–Espere! Você é o cavaleiro de Fênix? Como conseguiu esta armadura?
–Acredito que não é da sua conta!- Ikki já de costa começava a ir embora.
–Ei moleque... Você não imagina o fardo que está carregando!
–Não me venha com lorotas. – Retrucou virando-se e olhando com desprezo para o velho – Você que não imagina o que eu já passei! Não fale o que não sabe!
–Pff... – Riu o velho – A armadura de Fênix tem uma maldição desde algumas eras...
–Bobagem! Eu não acredito em maldições!
–Então me diga que você não perdeu um amor pelas próprias mãos... Que não matou quem mais amava. – Ele mal terminara a frase e Ikki explodia seu cosmo azul saltando em sua direção.
–Não me provoque seu maldito! Como poderia saber de algo assim? Esmeralda morreu por minha culpa, mas não pelas minhas mãos! — Ikki atacava com vários socos e chutes poderosos, o idoso apenas se defendia criando uma espessa parede de cosmo.
–Pare! Antes que seja consumido pelas próprias chamas! Essa é a maldição da Fênix, mas eu sei como quebrá-la!-Ouvindo isso Ikki parou de atacar.
–Está blefando! E de que me adiantaria isso agora? Ela já está morta! – Ikki se ajoelhou
–Esse seu cosmo tem algo de diferente nele não acha?
–Sim. Desde que eu renasci das minhas próprias cinzas ele ficou assim. — Falou de joelhos e cabeça baixa.
–Então você renasceu. – Falou para a desoladora figura – Isso quer dizer que é o escolhido. Mas é estranho, não parece que esse poder venha do Ichor de Athena.
–Ichor de Athena?
–Ó céus! Você não sabe? Foste renascido pelo Ichor dos deuses. A profecia citava o Ichor de Athena, mas esse seu cosmo... Não parece em nada com ela, muito pelo contrário, transborda ódio.
–Eu não sei mais o que fazer... – o cavaleiro suspirou – Mas como pode saber de tanto?
–Por que eu sou Albert de Altar, ou pelo menos era.
–Um cavaleiro de prata renegado? Supostamente o braço direto do mestre do Santuário!
–Eu era... Há muito tempo atrás. E como você, recebi o Ichor dos Deuses que também tive problemas em controlar.
–Então realmente sabes o que está acontecendo comigo! Por favor me ajude! Quero poder ser dono de mim mesmo novamente. – Ainda de joelhos ele suplicava mesmo não sendo de seu feitio, pois estava desesperado para ter autocontrole.
–Eu não sou mais um cavaleiro, e muito menos serei um mestre.
–Todos à minha volta correm risco de vida. Não posso andar por ai nesse estado. – Fênix insistia.
Albert resmungou algo inaudível, coçou a barba branca e depois as entradas em seu cabelo. Estava em um dilema pessoal.
–Serei seu mestre. Ensinar-lhe-ei autocontrole, ainda que a profecia não seja para você, alguém com o Ichor não pode ficar ‘solto’ por ai. – Falando isso deu as costas para Ikki. Depois pensou – A profecia falava de alguém com o Ichor de Athena. Mas as vezes as profecias mudam...
Canto III — O Treinamento
“Algo estava errado comigo. Desenvolvi autocontrole, mas a raiva e o ódio ainda faziam parte de mim. Agora pelo menos meus punhos não feririam nenhum inocente mais.”
Ikki já treinava há alguns dias com seu novo mestre, quando sentiu o cosmo de seu irmão correr risco de vida, ele precisava ir salva-lo. Será que já tinha tomado consciência o suficiente? Era uma boa hora para fazer um teste de fogo. Sem pestanejar se transformou em um cometa de fogo, que partiu da ilha de onde treinava com destino ao cosmo de seu irmão. Seu irmão já havia corrido outros riscos de vida, mas agora Fênix já tinha um bom domínio de seu poder e poderia ajudá-lo.
Chegando a uma floresta vê Shun envolto nas chamas lançadas por um cavaleiro loiro que parecia a encarnação do fogo. Agarrou seu irmão e pousou frente àquele que tentara matar o cavaleiro de Andrômeda. Seu coração já estava disparado, com vontade de assassiná-lo, mas lembrou-se do treinamento e se portou com apatia, teve que congelar seu coração para não perder a cabeça.
Ele falava sem prestar atenção nas próprias palavras, escondendo o que realmente fervia em suas veias. Com o mínimo de esforço derrotou o cavaleiro de forno e seu irmão por fim despertou.
–Ikki! Você está vivo! – Shun chorava de emoção ao rever o irmão
–Sim... – Ele limpava as lágrimas do rosto do irmão caçula
–Está vivo! – Saori falou quando apareceu junto a Seiya e Hyoga.
–Que bom que você está vivo! – Seiya falou, também brotando lágrimas em seus olhos.
–O Fênix acabou de renascer das cinzas. – Ikki respondeu, também escorrendo lágrimas em seus olhos. Parecia que seu treinamento havia dado resultados, estava ali ao lado de seu irmão e de seus amigos de infância.
Hyoga também com lágrimas se aproximou e pôs a mão no ombro do companheiro renascido, como se agora fosse todos irmãos. Eles viam nos olhos do cavaleiro de fênix que este estava completamente mudado, parecia ser novamente o Ikki de sete anos atrás.
–Todos acreditavam que estava morto. Que bom que estávamos enganados – Hyoga revelou.
–É, que bom que está vivo e do nosso lado. – Completou Seiya
–Meu irmão. Acreditei que nunca mais te veria. Por favor, não se afaste mais de mim! – Shun abraçou o irmão chorando
–Passarei a noite aqui, sinto que um grande mal se aproxima. E acredito fortemente que o Santuário está corrompido pelo mal.
Naquela noite eles festejaram, comemoraram, lembraram da época de criança, das travessuras de Seiya, das choradeiras de Shun, do convencimento de Hyoga desde pequeno e da perspicácia de Shiryu. Shun realmente estava feliz, o sorriso estampado em seu rosto não desapareceu até o momento em que acordou no outro dia e viu que seu irmão não estava mais ali. Em sua cabaceira um recado assinado pelo seu irmão dizia:
“Shun meu amado irmão. Perdoai-me, pois não posso permanecer ao lado de vocês, pois meu inferno ainda me atormenta. Vou à busca de informações e voltarei assim que eu puder.”
Quando Ikki voltou para a pequena ilha onde treinava, o velho Albert esperava-o, pronto para pedir satisfações. Afinal, saíra há horas atrás sem dar satisfações, uma grave falta de respeito para com seu mestre.
–E então? Já passeou o suficiente? Foi salvar seu irmão não é mesmo?
–Sim. – Respondeu Ikki de forma seca sem olhar nos olhos do mestre.
–Ainda que você não aparecesse, ele se salvaria. Você sabe disso não é mesmo?
–E só por isso eu devo sentir meu irmão sofrer sem fazer nada?
–Poderias ter perdido a razão...
–Mas não perdi. Seu treinamento é muito eficaz.
–Eu sei, levei décadas para aperfeiçoá-lo.
–E pensar que são treinos tão triviais que qualquer humano teria sucesso. — Ikki se pôs a rir.
–Está dizendo que meu treinamento é trivial? – Albert fechou o rosto sentindo-se afrontado.
–A simplicidade de seu treinamento é que o faz genial e eficaz. –Ikki remendou – A genialidade está em respostas simples para problemas complicados.
–Bom quanto a isso. Essa foi a coisa mais inteligente que já ouvi você dizer. – Provocou seu discípulo e começou a rir.
–Não afagarei mais seu ego.
–Nem precisa. Seu treinamento comigo está concluído. Não tenho mais nada para lhe ensinar.
–Impossível! Mas voc... –Ikki não conseguiu terminar a frase.
–Eu disse que não tenho mais nada para lhe ensinar. Você deve ir embora e continuar com as três regras que eu lhe ensinei. – O mestre tirou um livro da sacola que carregava – Este é um presente muito especial. Era para ser... Enfim acredito que você fará bom uso.
–Obrigado, mas tenho um ultimo pedido. O que você sabe sobre o que está acontecendo no Santuário?
–Sei que Athena vai resolver tudo com a ajuda dos poucos cavaleiros que ainda estão do lado da justiça.
–Athena? Mas o grande mestre é quem cuida dela. Quer dizer que...
–Athena não está mais no santuário. E o grande mestre não segue mais Athena.
–Então minhas suspeitas estavam corretas. O Grande Mestre virou um traidor, mas como podemos abrir os olhos do santuário?
–Isso só Athena poderá responder. Agora vá e continue com o treinamento, não vacile nenhum dia, pois este treinamento é vitalício. E pense o que quiser, mas ainda não está preparado para conviver em sociedade e talvez nunca esteja.
–Obrigado mais uma vez mestre. – Ikki novamente riu
–O que foi? – Perguntou Albert confuso – Qual a graça?
–Achei que nunca teria alguém digno de verdade para eu chamar de mestre.
–Não disse que não afagarias mais meu ego? Adeus ave fênix. Espero que quebre esta maldição. – O Velho deu as costas e praticamente desapareceu no ar.
Ikki sorriu e olhou para o livro, que com a capa de couro, com folhas douradas bem finas e escritas a mão com uma grafia majestosa. Na capa o titulo era “A Gêneses”. Ele não acreditara que seu mestre lhe havia dado um livro religioso como presente, mas esta impressão terminou quando ele abriu o livro e leu no primeiro capitulo:
“Bem sabemos que em um sistema caótico uma pequena mudança nas condições iniciais gera desenvolvimentos completamente diferentes no tempo. E este foi o erro que as atuais teorias astrofísicas cometeram ao formular a geração do nosso sistema solar. Os mesmos erros que cometemos em tantas outras áreas dos meios científicos. Orgulho e arrogância; Achar que somos especiais e os únicos capazes de alterar o futuro.
Tereis a oportunidades de contemplar uma nova visão, um “pequeno” desfecho de algumas eras do nosso sistema solar. Fatos que tiveram que ocorrer para nós conhecermos a vida como a conhecemos. Uma história que a nossa vaidade de sermos os únicos no universo pensantes e conscientes, vai nos impedir de acreditar e aceitar. Mas para contá-la será necessário um apanhado geral de como as coisas eram.
Tantos mitos e lendas citadas hoje em dia não passam de fatos ocorridos que a cada vez que fora contado se acrescentou ou se mudou algo. E verdade seja dita, a capacidade do ser humano de enfeitar e florear uma história são notáveis. Como dizia um antigo, quando bem pagos os bardos e poetas tornam um massacre em uma vitória homérica. Iremos mergulhar nestes feitos, desde o nascimento até o fim do ultimo Imortal.”
Canto IV — O Diário de Athena
“Eu percebi que tinha em minhas mãos o livro mais importante de toda a humanidade. E me foi dado como que se o livro estivesse esperando-me todo este tempo. Era um diário passado entre todas as encarnações de Athena.”
A guerra contra o santuário já havia começado, Seiya, Hyoga, Shiryu e Shun já lutavam para sobreviver. Fênix treinava todos os dias, assim como também lia o livro que lhe fora presenteado. Onde estaria Athena? Ele não sabia, mas seus outros amigos já sabiam onde ela estava e quem realmente era. Saori Kido era a reencarnação da Deusa.
Ikki sentiu o cosmo de seus amigos lutarem, sabia que chegara a hora de voltar para lutar ao lado de seu irmão e parte em direção ao coliseu da fundação Kido. Entretanto quando chegou lá não havia mais ninguém, seu Seiya e os outros não estavam mais ali. No entanto alguém que o observava escondido na escuridão se revela ao falar:
–Não acredito que o Mestre me mandou para acabar com um cavaleiro de bronze. – Surge das sombras um santo de prata.
–Onde estão Shun e os outros? – O sangue de Ikki já começava a ferver ao sentir aquele poderoso cosmo.
–Eles partiram atrás da impostora que se diz Athena.
–Impostora? De quem você está falando?
–Daquela que tem o nome de Saori Kido e se diz ser a deusa Athena.
–Saori Kido é Athena? Aquela menina mimada e egoista? – Começa a gargalhar — Isso é impossível!
–É óbvio que isso é impossível. A verdadeira Athena está protegida atrás do salão do grande mestre.
–Não seja tolo. O grande mestre é quem é o traidor. Athena não se encontra mais no santuário!
–Cale a boca! – O cavaleiro de traje prateado ataca em um ímpeto – Não difame o grande mestre!
O cavaleiro de fênix é golpeado com um poderoso soco em sua face e é jogado para longe. O Ichor em seu sangue quase toma o controle, ele realmente não estava preparado para lutar de forma racional. Se mantém caído concentrado em não se deixar levar pelo ódio em seu peito, era hora de ser frio e calculista.
–Belo golpe para uma marionete de um traidor – diz Ikki provocando seu agressor enquanto se levantava.
–Sua boca é grande demais acho que devo emudecê-la para sempre! – O cavaleiro de prata toma uma postura de ataque.
–A tentativa é livre, mas cuidado para não se queimar na... – Ikki bate os braços como um pássaro, o ambiente todo começa a virar uma enorme tempestade de fogo. Desfere um soco que toma a forma da lendária – Ave Fênix!
O cavaleiro de prata é levado pela ventania do golpe de fogo e acaba se colidindo com um muro que se desfaz e vem a baixo. Mas este pula para longe do muro antes de ser soterrado e pousa na frente do cavaleiro de bronze sem grandes ferimentos.
–Então este foi o seu melhor golpe?
–Inacreditável. Realmente os cavaleiros de Prata são dignos de sua posição dentro do Santuário. Diga-me quem é você?
–Certo, lhe darei a honra de saber o nome de seu executor. Sou Biorn de Taça. Agora receba o — Ele toma uma posição familiar a Ikki – Pó de Diamante!
–Ridículo – Ikki estende sua mão e barra o golpe – Se é com algo assim que quer me derrotar vá embora agora e pouparei sua vida. – Ele blefou sabendo que na verdade o golpe era extremamente poderoso, sua sorte era já ter lutado e visto Hyoga lutar.
–Mas como é possível? Defendeu-se apenas com uma das mãos! Será tão poderoso assim? Tentarei um golpe mais avassalador. – Ele golpeia ar congelante contra o céu, uma cortina de gelo começa a cair. Novamente Fênix conhecia o golpe, mas mesmo assim, o cosmo de Biorn estava muito forte. – Trovão Aurora! Ataque!
– Não vai funcionar – Ikki eleva seu cosmo e se protege com as duas mãos fazendo a nuvem de gelo se dissipar – Esta é sua ultima chance – o cosmo de Ikki já estava crescendo muito e ficando fora de controle o tom azulado começava a predominar em suas chamas. Ele não queria ariscar perder a sanidade novamente.
–Eu não posso acreditar, sou um o mais forte cavaleiro de prata e você se defendeu de meu golpe tão facilmente. – Ele agora estava perplexo, sentia o cosmo de seu adversário crescer drasticamente – Não vou lhe poupar, aqui vai meu ultimo recurso – Ele toma uma posição diferente das anteriores, entrelaçando os dedos em formato uma taça posicionada na altura do umbigo. Um ar congelante começa a sair da ponte de seus dedos e seu cosmo explode drasticamente – Santo Graal!
O cavaleiro de fênix tem a sensação de ter seu corpo arrastado por um rio congelante até o momento em que colide contra um dos pilares do coliseu. Ele fica envolto em gelo sem poder se mexer e está completamente sem reação e vulnerável. Biorn cai com um dos joelhos no chão e o outro apoiando as mãos, visualmente esgotado.
–Não vou poder-me conter muito mais, cosmo exploda! Queime mais uma vez! – Ikki pensou dentro do gelo, seus olhos encheram-se de sangue, uma chama azul o envolveu novamente, estava fora de controle. — Ave Fênix! – Gritou, destruindo sua prisão gelada.
–O mesmo golpe? Não vai funcionar!- Mas o cosmo de Ikki era incomensurável. E o cavaleiro que estava sem energia foi completamente envolvido pelas chamas azuis do Ave Fênix. O Golpe era o mesmo, mas agora de forma densa e indomável. – Eu perdi... – falou gemendo enquanto seu corpo queimava junto com grande parte do coliseu.
O bater das asas de fênix não cessava e se continuasse assim tudo seria destruído, inclusive o próprio cavaleiro, seu cosmo aumentava ultrapassando todas as barreiras, ele não tinha mais domínio sobre si mesmo. Foi quando ouviu uma voz doce, amável e conhecida em seu pensamento — “Pare Ikki, eu não posso lhe ver desse jeito, meu amor”- Imediatamente ele retornou a consciência e seu cosmo se desfez no ar. Ele estava caído no chão novamente de joelhos e com os punhos fechados apoiados sobre o piso do que sobrou do coliseu.
–Eu não tenho controle da minha força, levar isso adiante pode ser muito perigoso. Albert tinha razão, não posso voltar para meu irmão e meus amigos. – Ficou naquela posição por mais alguns instantes recobrando o domínio sobre si.
A essa altura Shun e os outros estavam lutando contra outros cavaleiros de prata, mas durante a luta Shun foi jogado pelo desfiladeiro junto de Hyoga. O cosmo do cavaleiro de Andrômeda mandou um pedido de ajuda inconsciente para seu irmão que prontamente o sentiu e disparou para salvar seu irmão. Ele acabara de retornar ao controle, não poderia se esforçar muito, caso contrário estaria colocando todos em perigo.
Chegando lá viu Seiya estirado no chão e Saori emanando um cosmo gentil. Agora ele tinha certeza, Saori realmente era Athena, como que os cavaleiros a sua frente não percebiam isso? Estariam cegos? Mas nada disso importava, pois a paz emanada por Athena invadiu o coração de Ikki que pode derrotar o cavaleiro de Auriga sem perder a cabeça.
Enquanto lutava contra o outro cavaleiro de prata, Cérbero, sentiu-se fraquejar, estava em uma terceira luta no dia. Mesmo o cosmo de sua deusa ali não era o suficiente para mantê-lo estável. Foi quando Shun voltou do penhasco com Hyoga, dando um alento para fênix que abandonou a luta deixando a missão de terminá-la com o cavaleiro de Andrômeda:
–Ikki a onde você vai? – Questionou Saori
–Acredito que isso não é da sua conta Saori.
–Irmão, por que você está indo embora?
–Você sabe que eu não gosto de andar em grupinhos. Sou um lobo solitário, meu destino é vagar sozinho. – Respondeu para seu irmão de costas e desaparecendo em meio às chamas de seu cosmo.
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