Notas iniciais
(!Atenção!) Vou repostar os capítulos juntando-os em quatro cantos. Cada capitulo até então, se tornará em um canto, pois eu acredito que estes estavam muito curtos. Por favor, gostaria de saber as vossas opiniões.

Canto I – Teste de Autocontrole

“Para cada luta até hoje, dez devem ser travas em sua mente todas as manhãs. Uma batalha evitada é uma batalha vencida, pois cada gota de sangue inimigo derramado buscará corromper seu coração.”

O diário de Athena tinha segredos mesmo das eras mais remotas. Fonte de conhecimento inestimável, desde a real origem dos deuses até a atual organização do panteão. E tudo estava até poucos dias atrás, nas mãos de um cavaleiro renegado que morava em uma ilha qualquer com meia dúzia de familias. E agora estava nas mãos de alguém que mal podia se manter racional. Doce ironia do destino.

“Ao contrario do que se acredita, a vida surge facilmente nos planetas, a cada quinze ou vinte mil anos já é capaz de surgir vida adaptada ao planeta, o que é absolutamente diferente de surgir uma espécie predominante e com capacidade de formar uma sociedade. Isto leva quase 100 mil anos, dependendo do planeta, às vezes nem se forma devido ao ecossistema que se formou antes.

Nós humanos batemos o recorde de adaptação e desenvolvimento, éramos considerados os prodígios do sistema solar, pois em menos de oitenta mil anos já tínhamos formado uma sociedade e desenvolvido noções sobre ciência e filosofia. O ser predominante mais novo do sistema solar. Tudo graças ao clima favorável e constante ameaça do ambiente, que nos obrigava a evoluir para sobreviver.

De verdade não existiam informações de como surgiu o sistema solar, anotações sobre os primeiros habitantes da terra ou dos outros planetas e tão pouco nos preocupávamos com isso. Noções de divindades e ou religiões não faziam parte dos povos, tínhamos uma sociedade baseada no fato de que juntos tínhamos maior chance de sobrevivermos e isto bastava.”

Ao ler estes parágrafos fênix parou e refletiu. Uma humanidade sem deuses? Como isso seria possível se eles sempre se fizeram presentes e tão temíveis? Teriam os deuses vindos de outros planetas? Não, nada disso fazia sentido, afinal ele via Athena, humana e de carne e osso. E pelo que já ouvira falar das lendárias guerras santas, os outros deuses também encarnavam em humanos. Então eles seriam deuses não só presentes na Terra, mas em todo o sistema solar ou quiçá no universo?

Cansado, desistiu de pensar a respeito, afinal seu objetivo como cavaleiro de bronze era proteger Athena, seja ela encarnada em uma humana ou em uma coruja. E se outros deuses forem a atacá-la, tão pouco importaria se fosse ET’s vindos de discos voadores, pois os cavaleiros de Athena iriam enfrentá-los com todas as forças. No fundo ele acreditava que tudo não passava de mirabolâncias de sua cabeça cansada.

De dentro da cratera do vulcão da ilha canhão ele estava treinando todos os dias e descansava ali mesmo, visto que se acreditava nas propriedades curativas da fumaça daquele vulcão. Infelizmente seu descanso foi interrompido pelo sentimento de perigo que sentira vindo do cosmo de seu irmão, milhares de kilometros dali. Ele sentia que alguém com um cosmo muito perigoso ameaçava Shun. E ambos vinham do Santuário de Athena na Grécia.

–Aqueles megalomaníacos. – Ikki sussurrava enquanto abria seus olhos lentamente – Eles foram sozinhos enfrentar o santuário.

Novamente fechando as pálpebras ele concentra seu cosmo entre as mãos. Manteve-se assim acumulando o máximo de poder que suas mãos agüentassem e seu espírito fornecesse. Foi quando disparou seu ataque em direção ao santuário. Seu cosmo foi sentido por todos, inclusive Shun e o próprio mestre do santuário, que teve sua concentração quebrada, fazendo o labirinto de Gêmeos desaparecer e salvando Shun de cair em outra dimensão. Hyoga que já estava a caminho do infinito, acabou tombando na casa de Libra.

–Consegui – Pensou fênix, adormecendo pelo esforço

Seu ataque despertou a atenção de outro cavaleiro também, este foi Shaka, que se lembrou de Ikki desde a sua visita na ilha da rainha da morte.

–Hmm... Penso ter cometido um erro em deixar aquele cavaleiro vivo em nosso ultimo encontro – Murmurou o cavaleiro de ouro de virgem – Melhor eu remediar esta situação o quanto antes.

Telepaticamente, sem sair da casa de virgem, mandou dois de seus melhores discípulos irem acabar com Ikki na ilha Canhão. Os escolhidos eram os cavaleiros de Lótus e Pavão. Em sua decisão ele tinha plena certeza que dois cavaleiros de Prata treinados por ele mesmo, seriam mais que o suficiente para acabar com aquele cavaleiro de bronze.

Perto da borda da cratera do vulcão, passeavam um velho e uma menina que cantarolava. Aquela voz de menina era familiar, ao ouvi-la o cavaleiro que desmaiara com o esforço de salvar seu irmão recobrou a consciência. Aquela parecia ser a voz de Esmeralda, ele se levantou prontamente e com um salto chegou até a superfície, mas se deparou com uma menina que não era sua amada Esmeralda.

Assustada a menina gritou, o velho arregalou os olhos e segurou sua neta entre os braços.

–Calma! Este é um cavaleiro de Athena, eu reconheço seus trajes. Eles lutam pelo amor e pela justiça.

–Se engana velhote! – Dois homens também trajados de armadura surgiam de trás do velho.

–Este é um traidor. Nós viemos aqui puní-lo. E a pena para tal ato é a morte.

Eram Lótus e Pavão que vieram a mando de Shaka para matá-lo. A luta já estava definida antes de começar, pois o poder deles não era nem próximo daquele que Ikki já conseguia controlar. Contudo o descaso dos cavaleiros de prata durante o decorrer da batalha fez os dois civis correrem risco de vida. A menina, que a voz lembrara fênix de sua amada, estava em perigo despertando um cosmo repleto de raiva no cavaleiro de bronze.

–Seus vermes inconseqüentes! – Ikki pulou e pegou a menina e o velho em seus braços antes que eles caíssem no vulcão – E ainda se dizem cavaleiros...

–Calado! Você é um mero cavaleiro de bronze, não é digno de se referir assim a nós! – Retrucou Shiva de Pavão observando o cosmo de seu adversário mudar de cor.

–Vocês serão destruídos pela fúria do... Não! – Fênix parou e se ajoelhou no chão olhando para o céu. Ele sabia que estava perdendo o controle e não poderia permitir isso.

–A fúria do que? – O cavaleiro de Lótus provocou e se aproveitou do vacilo do santo de bronze para atacar.

A luta se virou a favor da dupla, Ikki permanecia imóvel buscando se controlar e sentia também uma presença vinda do santuário tentando paralisá-lo, tudo parecia perdido. Todavia sentiu um cosmo puro e amoroso, era Athena, que fez sua mente voltar aos eixos. Recobrou o controle sobre sua vontade.

–Acabou... – Fênix sorriu, expandindo seu cosmo alaranjado e vermelho como o fogo. – Sintam o poder máximo do bater de Asas da Fênix! Ave Fênix!

Uma ave de fogo gigante nasceu do punho direito de Ikki, e batendo suas asas voou até Lótus e Pavão, que foram arrastados para longe enquanto suas armaduras e seus corpos queimavam. A luta estava acabada e era hora de ir até o santuário ajudar a salvar vida de Athena.

–Vocês estão bem? – fênix olhou para a menina que acenou positivamente com a cabeça – Vão para suas casas.

O cavaleiro de bronze quando sentiu o cosmo de Athena durante a luta percebera que ela corria risco de vida, pois sua energia pura e amorosa também estava fraca e cheia de dor. A hora estava chegando. Ikki explodiu seu cosmo como um meteoro e partiu para o santuário na Grécia como uma estrela cadente. Ele seguia o cosmo de seu irmão que agora estava mais fraco do que nunca, literalmente beirando a morte.

Canto II — Uma Guerra de Mil Dias

“Eu estava de volta naquele belo lugar e queria ficar ali para sempre, mas infelizmente fui tragado de volta. Desta vez era a união de dois belos cosmos dourados que me resgatou – contra a minha vontade.”

Fênix via seu irmão e seus amigos caídos e tangenciando a morte. Seu coração disparou, afinal como poderia manter-se em controle diante de tal situação? A cena era de três cavaleiros completamente arrasados no chão e um cavaleiro de pé sem um único arranhão. Certamente seria um grande inimigo, visto que nenhum dos convalescentes era fraco, ele mesmo tivera que provar da força de Seiya.

–Ah! Então você é Ikki de Fênix, aquele que derrotou meus dois melhores discípulos. – falou Shaka

–E você é aquele arrogante que dizem ser o mais próximo de Deus.

–Cuidado com a língua criança! Ou terei que lhe lembrar do nosso ultimo encontro.

O cavaleiro de bronze lembrou-se do ultimo encontro dele com Shaka de Virgem, assim como do incrível poder do cavaleiro de ouro. Ikki sentia o cosmo de seu adversário e sabia que precisaria de toda a sua força e determinação para vencê-lo. Entretanto ele temia que quando despertasse toda a sua força acabaria perdendo o autocontrole e no meio de sua fúria acabasse matando seus companheiros caídos.

A batalha estava árdua e Virgem tinha a batalha completamente em suas mãos. Veio então uma esperança na mente de Fênix: “Se eu me limitar unicamente ao controle de meu cosmo? Sem ser distraído pelos outros seis sentidos. Será que eu poderia dominá-lo?”. Não importava as respostas, pois não havia encontrado outra solução.

Shaka, que já tinha tomado a batalha por vencida quando retirou os seis sentidos de Ikki, não acreditava no que estava vendo. O cavaleiro de bronze permanecia deitado e imóvel, mas despertando um imenso e intenso cosmo que ardia no formato de uma gigantesca ave fênix que enchia a casa de virgem. A final o corpo jogado ao chão desprovido do tato, da audição, do olfato, do paladar, da visão e do pressentimento conseguia ter despertado todo seu cosmo e mante-lo sob controle.

–Shaka, nós iremos juntos para o inferno! – Ikki se comunicou através de seu cosmo com Shaka. O corpo de Fênix se prendeu ao de Virgem, que dispararam em direção as estrelas.

A velocidade atingida pelos dois era tão grande, com uma energia intrínseca digna do big bang que seus corpos foram parar em outra dimensão. Lá estavam Shaka e Ikki, ambos sem armadura e sem corpo. Eles viam sem ter olhos, ouviam sem ter ouvidos e falavam sem ter boca. Um lugar além da imaginação de meros mortais. O cavaleiro de virgem por fim entendeu o que acontecera:

–Diga-me Fênix. Quando foi que vendeste a sua alma para Hades?

–Não fale bobagens. Eu jamais venderia minha alma para ninguém! Nem mesmo para Athena ou qualquer outro deus.

–Não tente me enganar! – A alma de Shaka atacou a de Ikki. – Agora vejo claramente o Ichor de Hades impregnado em sua alma! Todos vocês só buscam acabar com o santuário.

–Como? Quer dizer que o Ichor que eu recebi foi de Hades? – Neste estado espiritual Shaka pode ter certeza que o cavaleiro de bronze falava a verdade.

–Hm... Então você mesmo não sabia. E como acha que teve o poder de nos transportar para cá? Somente com o sangue do senhor do submundo. – Virgem esclareceu.

–Agora nada disso importa. Estamos presos aqui para sempre.

–Não. Você está preso aqui para sempre. Eu posso voltar quando eu quiser. Esta dimensão não pode me deter.

–Tudo bem, depois de todo esse tempo Shun e os outros já devem ter passado pela casa de virgem. – Ikki parecia satisfeito com o resultado.

–Logo se vê que não passas de um mero cavaleiro de bronze. –Shaka ria – Nesta dimensão o tempo passa diferente de lá. A cada hora aqui, não se passa nem um segundo lá. Seiya e os outros nem se levantaram ainda. Todo seu sacrifício foi em vão.

–Eu não permitirei que volte agora então. Vou prender-lhe aqui até que eles saiam. Não importa quanto tempo leve! – Ikki queimou seu cosmo ao máximo. Ele não precisava conter-se naquela dimensão.

Os cavaleiros limitados apenas pelo uso de sua alma e cosmo iniciaram assim uma batalha de mil dias. Onde cada instante necessitava da máxima atenção de ambas as partes. O elevar da cosmo energia crescia de maneira exponencial, a tal ponto de a própria dimensão começar a colapsar. Mil dias se passaram e Ikki já perdera há muito o controle de sua alma estava da cor do breu, mas Shaka também já estava em seu máximo com sua alma liberando um intenso brilho que ardia como o sol.

A grande energia acumulada entre os dois já havia destruído tudo a volta, quando não havia mais distinção entre tempo, espaço e movimento uma grande explosão desapareceu com os cavaleiros. Shaka foi jogado em outra dimensão, ainda vivo – se é que esta era uma boa denominação para como ele se encontrava – e quanto a Ikki, ele voltou para o belo jardim de flores na Ilha da Rainha da Morte.

–Você voltou. Desta vez vejo que não está morto. – Uma bela garota de cabelos loiros chama Ikki pelas costas.

–Esmeralda! – Ikki reconheceu a voz da menina antes de se virar – Como é bom lhe ver novamente – As lágrimas corriam seu rosto, ele sempre esperava pela oportunidade de reencontrar sua amada.

–Oh Ikki, como fico feliz em lhe ver. — A menina sorria com seu olhar puro. – Que bom que veio me visitar. Sinto muito a sua falta aqui.

–Eu também. Mas agora poderemos ficar juntos para sempre.

–Não Ikki, ainda não é o momento. Nem sequer sei quando esse dia chegará.

–Como assim? Eu não estou morto?

–Não, não está. Este aqui é o meu paraíso e a sua alma veio direta para cá buscando segurança. Apesar de eu querer muito lhe ver, não posso continuar vendo sua alma denegrir perdendo o controle como fez no coliseu contra aquele cavaleiro de prata.

–Então foi você! Eu achei que estava louco quando ouvi sua voz. – Ikki abraçou Esmeralda – Esmeralda eu te amo e não quero lhe deixar jamais.

–Ikki... – Ela retribuiu o abraço com um beijo no pescoço que fez o cavaleiro sentir um frio percorrer sua espinha. – Sempre que me quiser ver ficarei muito feliz, mas não pode ficar aqui, seus amigos precisam de você.

– Mas como posso ir embora e voltar a te ver? – Uma chama de esperança brilhou o olho de Fênix.

–Sempre que seu cosmo atingir o oitavo sentido, nosso amor criará uma ponte para que eu possa chegar até você. – Nesse momento ela afastou a cabeça do corpo de Ikki, mas ainda com as cinturas encostadas.

–Como eu gostaria que você pudesse estar sempre ao meu lado, meu amor. – Ikki aproximou seus lábios dos dela e a beijou suavemente.

–Eu te am... – Antes de ela terminar a frase, dois poderosos cosmos dourados criaram um redemoinho abaixo dos pés de Fênix, que foi tragado pela luz e jogado de volta a casa de Virgem. Foi Shaka junto de Mú que o trouxeram de volta àquela guerra entre santos de Athena.

Canto III – A Solução

“Quando Athena cravou a adaga em meu peito, minhas pernas afrouxaram. Vendo ela com o mesmo instrumento perfurar sua mão e jorrar seu sangue em meu coração exposto tive certeza que estava condenado.”

Após o final da batalha que acabou com a morte de Saga o santuário estava totalmente enfraquecido. O massacre contra os cavaleiros de prata e batalha contra os cavaleiros de ouro. Seiya e os outros estavam se recuperando das batalhas mortais, enquanto no salão do grande mestre, se encontravam Shaka, Mú e Saori.

–Infelizmente Athena, este é o único modo de garantir o salvamento de Fênix – Mú falou em tom irredutível.

–Mas algo tão brutal e violento realmente é necessário? – A jovem deusa insistia em uma alternativa.

–O coração dele é forte, mas é impossível resistir para sempre contra o Ichor de um deus tão maléfico quanto Hades. – Argumentou Shaka

–Vocês têm certeza que esse é o único modo?

–Sim. – Responderam os dois cavaleiros de ouro juntos.

–E garantem que tudo acabará bem? – Athena precisava ter certeza que nada aconteceria com o cavaleiro que arriscou a vida para salva-la.

–Não há como garantir a vida dele neste processo. Mas com certeza é melhor ele morrer agora do que ver sua alma ser envenenada por Hades. – Mú respondeu

–Bom, se ele concordar, nós faremos o ritual. – A deusa consentiu.

Os dois saíram para buscar Ikki a fim de convencê-lo a fazer o procedimentol e selar quaisquer possibilidades de seu lado sombrio despertar novamente. Todavia o cavaleiro de fênix não era muito fácil de encontrar e ficou cinco semanas sem ser visto. Até que finalmente, em uma bela manhã de domingo, Mú sente um cosmo muito familiar e poderoso crescer de forma indefinível, certamente era Ikki. Mas por que elevar seu cosmo a níveis tão críticos?

Utilizando-se do teletransporte acabou por se materializar ao lado de Fênix, que estava com seu cosmo ardendo intensamente. Abraçado ao cavaleiro de bronze estava uma bela donzela de pele branca e olhos claros. Ikki emanava uma energia que era absorvida pela imagem da menina que sussurrava algo em seu ouvido. O cavaleiro de ouro que observava tudo, logo entendeu o que se passava, mas mesmo assim ficou surpreso por existir um cavaleiro com essa capacidade.

–Ikki. Vejo que descobriu mais alguns dons. – Mú se pronunciou tentando quebrar a intimidade do casal.

–Mas vejam se não é Mú, o cavaleiro de Áries. Deixe-me apresentar-lhes, esta é Esmeralda. Esmeralda este é Mú. – Falou Fênix com a felicidade estampada em seu rosto.

–Olá Mú de Áries, fico feliz em lhe conhecer. – A menina tinha um sorriso tão meio que o próprio cavaleiro de ouro se acanhou.

–Olá Esmeralda. É um prazer lhe conhecer. – Mú sabia das complicações e penalizações em se trazer alguém do mundo dos mortos, ainda que por poucos instantes.

–Esmeralda meu amor. Infelizmente estou ficando esgotado, sua presença renova meu espírito, mas creio que ainda não sou forte o suficiente para te manter aqui por mais tempo. – Ikki beija Esmeralda calmamente.

–Não se preocupe Ikki. Em breve nos veremos novamente. – A imagem de Esmeralda se desfaz no ar. E o cavaleiro de fênix perde as forças e cai escorando-se em uma pedra.

–Fico surpreso que tenha conseguido despertar seu cosmo ao ponto de trazer alguém do mundo dos mortos. – Mú elogia Ikki. – E você sabe o preço que terá que pagar por isso? E eu não me refiro ao cansaço extremo ou a vulnerabilidade em que se segue.

–Sim, eu sei. Tanto a alma de Esmeralda quanto a minha própria podem se corromper nestas viagens e acabar deixando de existir. Mas eu tenho uma carta na manga. Não se preocupe a toa carneiro.

–E que carta seria essa?

–Ainda é cedo para dizer qualquer coisa. Diga-me, o que veio fazer aqui?

–Vim lhe sugerir uma resposta para seu problema com o Sangue de Hades circulando em suas veias.

–Não tenho problemas. E de agora em diante eu preciso desde poder, não vou abandonar Esmeralda.

–Não estou sugerindo retirar seu poder, apenas... Balanceá-lo.

–Como assim balanceá-lo?-Ikki se levantou da rocha na qual estava se apoiando com um olhar investigativo.

–Equilibrá-lo com o sangue de Athena. – Mú respondeu, mas com o olhar desviado dos olhos de Fênix que logo percebeu.

–Certo. E qual o problema de receber o sangue de Athena?

–Nenhum.

–Então vá embora. -Ikki respondeu seco e virou-se de costas para ir embora.

–Espere. Por quê?-Mú se dirigiu à frente de Fênix colocando a mão direita sobre o ombro do cavaleiro temperamental.

–Você está me escondendo alguma coisa. Até me dizer o que é, não posso aceitar o sangue de Athena.

–Está bem. — Mú soltou o ombro de Ikki e baixou a cabeça. — Provavelmente perderá a capacidade de trazer esmeralda de volta a Terra, isso se você sobreviver ao ritual.

–Um ritual com sangue de Athena? Isso não me cheira bem. – Fênix parecia relutante.

–O ritual requer pouco sangue de Athena, entretanto requer muito sangue seu. Sem falar na purificação pela qual seu corpo e espírito serão submetidos pelo Ichor de Athena.

–Isto deve ser brincadeira. – Ikki começa a rir nervosamente.

–Athena nos disse que só fará o ritual se você concordar. Mas...

–Mas o que?

–Caso não queira aceitar. Nós, cavaleiros de ouro, chegamos à conclusão de que será melhor nos livrarmos de uma possível futura ameaça. Um cavaleiro com o Ichor de Hades a solta realmente é muito perigoso para o santuário.

–Isto é uma ameaça? Não me faça rir. Logo você Mú? Dando uma de chantagista barato. Nunca imaginei.

–Seu coração é bom e forte. Até quando poderá resistir? – Áries tentava a todo custo convencer o cavaleiro de bronze.

–Adeus Ovelhinha. Eu tenho um novo objetivo para cumprir e não posso me deixar levar pelo medo de perder o controle.

–Lhe daremos algum tempo para pensar Ikki. Mas caso insista nesta decisão, eu mesmo irei me encarregar disto. Adeus – Mú falou em tom sério pouco antes de se teleportar.

O que o cavaleiro de fênix não imaginava é que naquela mesma noite, Esmeralda veio em seu sonho, junto de seu irmão. Os três conversavam em um lindo jardim sobre uma toalha estirada na grama. O sol, a brisa e os pássaros estavam simplesmente em harmonia. Se algum dia Ikki teve um sonho perfeito era este.

Tudo ia acontecendo de maneira bela e agradável até o momento em que surge Saga com a armadura de gêmeos e começa a atacá-los. Ikki desprovido de sua armadura fica sem reação enquanto vê o cavaleiro de ouro golpear violentamente seu irmão que caiu inconsciente aos seus pés. O paraíso no qual Fênix se encontrava estava terminado.

O Santo de Gêmeos começa a caminhar em direção a Esmeralda que chama por Ikki. Este, por sua vez, está prestes a rever cena de seu mestre matando a própria filha, no entanto antes que sua amada fosse atingida por Saga um cosmo negro brota de Fênix que com um simples bater de asas destrói o inimigo. Entretanto ao se voltar para ver como sua protegida estava ele a vê ela tomada por chamas negras e gritando de agonia.

Ikki acorda gritando de terror. Ele olha para os lados e vê sua cama queimando envolta em chamas azuis, tenta apagar o fogo criado pelo seu cosmo enquanto dormia, mas não consegue. O cavaleiro de fênix sai da casinha improvisada nas montanhas e a vê arder no meio da noite. Sabendo o que devia ser feito ele decide partir para o santuário e aceitar o ritual.

Canto IV — Em Busca da Sabedoria

“Sentia uma infinita fonte de poder e sede de conhecimento. Perguntas brotavam em minha cabeça e por fim eu entendi o sentido da vida.”

Quinze dias inconsciente, é o tempo que Ikki ficou desacordado depois do ritual com o Ichor de Athena. E quando acordou todos perceberam que ele havia se transformado em outra pessoa. Mesmo que seus hábitos não tivessem mudado, Fênix agora tinha o sangue de dois deuses circulando em seu corpo. Ele permanecia às escondidas no santuário para começar a ler a biblioteca do grande mestre. Sem abandonar, é claro, o diário de Athena:

“Resumindo de forma bem sucinta – a final as próximas páginas trataram com melhores detalhes – as características dos 9 planetas. Em Mercúrio havia a única raça até então com o conhecimento de viajar entre os planetas. Seres de pele seca e fosca que preferiam climas quentes, bem quentes.

Em Vênus o clima era parecido com Mercúrio, e lá uma espécie conseguiu desenvolver uma sociedade de paz plena. Eles tinham um rosto amável e asas. O pleno contraste com Marte, um mundo de guerras e bárbaros. Fisiologicamente muito parecidos conosco, mas muito mais fortes e robustos.

Jupiter era um planeta dominado por gigantes, de quatro a cinco metros de altura, com um senso de justiça bem grande, tão grande quanto sua determinação. Uma vez decidido o que fazer nada os impediam, exceto a morte. E Saturno era composto por uma única raça, quase etérea eles eram quase tão grandes quanto os gigantes de júpiter, mas muito mais calmos e brandos. Os saturnianos eram os mais antigos do sistema solar e por tanto os mais desenvolvidos. Eles viram todas as outras formas de vida do sistema solar nascerem e se desenvolverem, a expectativa de vida deles era milenar.

Urano era o típico planeta em que a vida surgiu facilmente, mas por algum motivo nenhuma raça conseguiu desenvolver uma sociedade. Diferente de Netuno, o único com mais de uma forma de vida que foi capaz de desenvolver sociedades, uma imersa, abaixo de kilometros de gelo, e outra na superfície gelada. E Plutão era uma caixa preta, ninguém sabia nada sobre aquele planeta, a não ser que ele se colidira com outro, Eras atrás.

De fato Plutão era o planeta com mais incógnitas que qualquer outro, mesmo para os Saturnianos, que começaram a catalogar e arquivar todas as informações obtidas e observadas. O início das observações interplanetárias – tecnologia desenvolvida por eles capaz de observar os planetas com a nitidez e o contraste assustadores – foi chamado de “O Marco da Primeira Era”. E nesses primeiros registros consta que Plutão já estava em rota de colisão e era um planeta morto mesmo antes de colidir com Juno.”

Quanto mais Ikki lia, mais ele pensava nas possibilidades. Sabe-se que na mitologia romana, Júpiter era o equivalente a Zeus; Marte a Ares; Mercúrio a Hermes; Vênus a Afrodite; Netuno a Plutão; etc. Haveria alguma correlação entre isso? Novamente a cabeça de Fênix se enchia de perguntas sem respostas. E essa frustração de muitas questões e poucas resoluções o forçou a buscar uma distração, física é claro.

Já fazia algumas semanas que a guerra interna do santuário tinha terminado e seu pensamento foi parar em Albert, seu mestre. Decidido a visitá-lo deixou o santuário e foi em direção aquela minúscula ilha onde o encontrara pela primeira vez.

A ilha se encontrava idêntica de quando ele esteve por ali na ultima vez. O número de casas era o mesmo, as crianças nas ruas, os mais velhos sentados nos bancos da praça e também aquela notável figura de cabelos brancos e ombros largos. Era Albert que abriu um sincero sorriso quando viu o cavaleiro de fênix se aproximar.

–Vejam se não é aquele moleque que quase destruiu a vila e a si mesmo! – Falou o velho abrindo os braços para dar um abraço.

–Eu também estava com saudades seu velhote. – Ikki respondeu enquanto o abraçava. Os dois começaram a rir.

–Então me diga. Como está indo o treinamento.

–Todos os dias eu pratico, obviamente. Mas eu vim aqui por um motivo. – Ikki ficou com a expressão séria.

–Claro que veio. É sobre o livro não é?

–Exatamente. Ele realmente é o diário de todas as Athenas encarnadas até hoje?

–Mais ou menos. Acho que a ultima que escreveu nele foi a do século XII se bem me lembro.

–E por que ela parou de escrever? – Ikki ansiava por respostas.

–Já leu todo o livro?

–Não. Ler ele me esgota muito. Parece que ele drena as minhas energias.

–E isso realmente acontece. Como achas que esse livro durou tantas eras? Ele também é um ser vivo e necessita de energia para sobreviver. Inclusive se você não o ler, ele vai se deteriorar e morrer. – Esclareceu o ancião.

–Entendo. Faz sentido.

–Agora venha, vou apresentar-lhe minha família. – Albert sorrindo fez um sinal com a mão para segui-lo.

A casa era simples, mas aconchegante, com todo o necessário. A esposa de Albert aparentava seus setenta anos, enquanto as duas filhas com quarenta e poucos estavam com as netas sentadas ao seu lado. O único outro homem era o filho de Albert, Brian. Também aparentando entre quarenta e cinqüenta anos, mas sua expressão séria e carrancuda era um contraste com o resto da família. Uma das netas segurava um bebê no colo. Albert começou a apresentar a todos:

–Essa é minha esposa Sara que me agüenta todos os dias. Aquelas duas são minha filha Marí e minha neta Lara. Aquele é meu filho Brian e as três ali são minha filha Clacy, minha neta Ruby e minha bisneta Sophie.

–Prazer em conhecer vocês. Meu nome é Ikki. –Ikki fez uma reverencia a família de seu mestre baixando a cabeça.

–Não quer ficar para o jantar? Aposto que gostará da comida da Marí. – Sugeriu Sara.

–Não será muito incômodo? – Fênix se sentiu encabulado pela hospitalidade familiar oferecida.

–Claro que não. Sinta-se em casa. – Respondeu Sara.

Durante o jantar as conversas não eram muito específicas e reveladoras, mas muitas histórias foram contadas. Especialmente aquelas que constrangiam um dos membros da família. Realmente trataram Ikki como se fosse um deles e ele de fato se sentiu assim. Mas a realidade era triste, já estava tarde e todos foram dormir, exceto Ikki e Albert.

–Foi bom reencontrá-lo Ikki. – Albert parecia não conseguir tirar o sorriso do rosto.

–Fazia tempo que não me sentia assim. Esqueci completamente de que eu sou um cavaleiro, me senti normal.

–Que bom. Volte quando quiser amigo. Até uma próxima oportunidade. – Falou dando as costas para o cavaleiro de bronze.

–Espere. Eu já percebi. Sei exatamente o que está acontecendo aqui.

–É mesmo... Realmente você é bem observador. Como foi que percebeu? – Voltou a ficar de frente para Fênix.

–Onde estão os pais de suas netas? Já faz algum tempo que vim aqui e as plantas na entrada da cidade continuam do mesmo tamanho de quando eu estive aqui, inclusive os brotos que crescem rapidamente.

–Nossa inacreditável. Muito perspicaz de sua parte perceber tão rapidamente meu feitiço sobre esta ilha.

–Há quanto tempo criou este vortex temporal cíclico?

–pff... – Albert suspirou – A muito mais tempo do que pode imaginar.

–Deixe-me adivinhar: Há oito séculos, quando Athena parou de escrever em seu diário.

–Pelo visto estás mudado desde a última vez que vistes aqui. Acertaste novamente.